Caindo no buraco (ou saindo?)

buraco

 

  • Então Akim… hoje eu percebi uma coisa muito importante.

  • O que foi?

  • Percebi que eu fiz algo errado comigo.

  • Ah é, e o que foi?

  • Simples: eu fui convidado para ir num show e não queria ir, estava cansadão. Daí ao invés de falar que não eu fui, só que eu fui só para agradar e não porque eu queria ir de verdade.

  • Entendi

  • Óbvio que eu fiquei chato lá e o show acabou sendo uma droga, mas eu percebi que eu fiz isso depois… agora acho que não vou mais fazer.

  • Perfeito, o que você pode fazer na próxima vez?

  • Bom, eu posso, por exemplo, dizer que estou muito cansado e que preciso dormir.

  • É uma maneira, muito bom.

  • Sim… mas sabe: mesmo tendo sido ruim ir, foi tão bom perceber!

  • Ah sim, é sempre bom quando nos conhecemos melhor não é?

  • É sim!

 

Existe uma história que descreve o processo de terapia… ou poderia dizer o processo de estar vivo e de aprender?! Não seriam eles a mesma coisa? Afinal, aqueles que evoluem vivem seus erros, tem os seus problemas e vão percebendo aquilo que há de errado e ousam fazer mudanças até que, de repente, eles mudam de vida, vivem uma outra história. Isto é o que fazem os heróis: entregam-se à sua própria história e aí, como diria Cristo: “quem achar a sua vida perde-la-á; e quem perder sua vida, por amor de mim, achá-la-á”. Isso significa que aquele que abrir mão de quem é hoje – incompleto, não-mudado, não-evoluído – e entregar-se “por amor à mim” ou seja “por amor à sua evolução” irá encontrá-la: encontrar a sua própria evolução, o seu renascimento enquanto pessoa.

A história é mais ou menos assim: a pessoa encontra-se num lugar escuro e cheia de dores, ela rasteja, caminha, bate com a cabeça no escuro, fica um bom tempo nesse lugar estranho até que de repente, ela vê um fiapo de luz à sua frente e resolve ir atrás dele, com muito esforço ela sai daquele lugar estranho. Quando acorda percebe-se no mesmo lugar e se pergunta “o que fiz para estar aqui?” Remói este pensamento durante algum tempo em sua mente até que percebe que já esteve ali antes e que pode sair novamente, esta pequena esperança faz ela se levantar e não ligar tanto para as batidas de cabeça que dá no meio do caminho, finalmente ela acha o fiapo de luz e com um pouco menos de esforço ela sai do lugar estranho.

Novamente ela acorda ali. Desta vez pensa: “droga, de novo!” Mas desta vez com um ar de indignação com ela mesma e diz-se em seguida: “ok, vamos sair logo daqui”, menos tropega porque já conhece mais o caminho ela evita bater a cabeça andando um pouco mais agachada e rapidamente acha a luz. Quando alcança ela, percebe que aquele lugar estranho é um buraco e que existe uma rua acima dele. Pensa consigo: porque não passo mais tempo aqui em cima?

Ela acorda novamente no buraco – agora ela sabe que o buraco é um buraco – e sem pestanejar vai trilhando o caminho que a levará para fora dali. Quando chega na rua acima tenta dar um “oi” para as pessoas que estão ali e apreciar a paisagem, vai andando pela rua, maravilhada com tudo o que vê e, então, cai no buraco.

Quando ela cai, ela entende que na verdade ela pertence à rua e que, de vez em quando, se não prestar atenção aonde está pisando, cairá no buraco. Mas isso também já não é mais tanto problema porque ela sabe como sair de lá. Então, rapidamente, sai do buraco e procura um lugar melhor para ela passar a noite na rua acima. No dai seguinte, sai para caminhar e aproveitar o dia, quando vê o buraco na rua e pensa: melhor tomar cuidado. Ela fica naquela rua e aproveita bem o dia, mas por final, sai correndo, ansiosa, para ir à outros lugares e não vê o buraco no chão, tropeça nele e…. cai no buraco.

Como ela já está esperta, sai logo dali, conhece outros lugares e volta à sua casa na rua de cima. No dia seguinte ela vai por várias ruas, conhece vários lugares e pessoas, se diverte até que, de repente, se depara com o velho buraco. Ela se aproxima e olha para ele e pensa consigo: posso caminhar por outras ruas sem buracos.

Bom dia!

Abraço

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2 Respostas

  1. Gostei muito do assunto, acredito que é com os tombos que nos defrontamos com nossos limites, e ao superá-los acrescentamos vastas experiências as nossas vivencias.

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    • Oi Carla!
      Os tombos fazem parte da aprendizagem também, aprender com eles é fundamental para pararmos de temê-los.

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