Archive for abril \30\UTC 2014

O que estou querendo dizer?
30/04/2014

linguagem-corporal

  • Ah cara… daí eu já não estava mais aguentando sabe?

  • Sei sim, o que aconteceu depois?

  • Bom, eu acabei ficando por lá, já que não tinha mais nada para fazer. Mas fiquei daquele jeito sabe?

  • Não, de qual?

  • Ah… meio que “de corpo presente” sabe?

  • Sim, só marcando presença.

  • É, eu fiquei calado num canto e pronto.

  • Entendi, o que será que ter ficado desta maneira na festa quer dizer?

  • Como assim?

  • Você está dando uma mensagem para ela através desse comportamento, talvez você não esteja prestando atenção, mas está.

  • Hum… não sei… algo do tipo: tô me lixando?

  • Não sei… pense bem: você gosta de festas, será que o problema era estar lá naquela festa?

  • Ah… saquei Akim! Eu to querendo dizer uma parada pra ela que é o seguinte: “desse jeito não quero”.

  • O que você não quer?

  • Ah, bem é que é só o que ela quer entende? E eu quero ir nas coisas que eu quero também, junto com ela, mas isso parece que não vai rolar nunca!

  • Entendi, então estar lá calado tem essa “legenda”?

  • Tem!

 

Quando falamos em comunicação em geral pensamos no que vamos dizer. Porém existem muitas formas de “comunicar”: gestos, atitudes e silêncios, por exemplo.Nosso comportamento é a fonte mais rica de comunicação que temos, mais ainda do que as palavras, em consultório, costumo dizer que presto muito menos atenção ao que as pessoas falam do que ao que elas fazem.

É importante, no entanto, prestarmos atenção à nossa comunicação “não-verbal”, porque? Muitas vezes aquilo que falamos pode estar em desacordo com o que fazemos. É o caso de quem diz em tom irritado “está tudo bem!!” E também é o caso de quem diz “eu me importo com você” e, na prática, não executa nenhum comportamento que concretize esta fala. Isso pode mostrar na relação uma mensagem dúbia e o interlocutor não sabe se acredita no que é dito ou no que ele vê com os seus próprios olhos.

Em geral o comportamento expressa aquilo que as palavras não conseguem expressar. Temos um controle muito maior sobre aquilo que dizemos do que sobre algumas atitudes, assim sendo os atos e comportamentos deixam transparecer aquilo que as palavras mantém escondido. “O que fica escondido” pode ser algo “chato” como uma discussão que precisa ocorrer, assim como pode ser algo “bom” como o afeto que temos por alguém. É muito comum as pessoas não demonstrarem o seu amor por medo, vergonha ou outras sensação e preconceitos.

Assim sendo a pergunta “como expresso aquilo que prego?” é de fundamental importância para quem deseja estabelecer e manter uma comunicação de alto nível. Fazer-se esta pergunta é entrar num universo completamente distinto porque envolve três dimensões: a sua, a do outro e a da relação. Explico: o comportamento possui valores diferentes mediante quem o executa, quem o recebe e o contexto no qual isso ocorre. Num exemplo extremado, um casal pode, por exemplo ter várias “liberdades” no que tange ao toque um no corpo do outro, porém estes toques ocorridos dentro de uma reunião de negócios  assumem um valor completamente diferente do que quando ocorrem no quarto do casal, por exemplo.

A pergunta inicial, então, torna-se três: (1) o meu comportamento diz aquilo que quero que ele diga? (2) para o(s) meu(s) interlocutor(es) este comportamento significa aquilo que quero que ele signifique? (3) eu e este(s) interlocutor(es) dentro deste contexto damos o mesmo significado à este comportamento? Todas estas perguntas se baseiam no seguinte pressuposto: a comunicação que tenho é o resultado que obtive com ela. As intenções não importam tanto quanto os resultados que obtemos com aquilo que fazemos. Podemos estar bem intencionados, porém comunicarmos de uma maneira que não signifique para o nosso interlocutor aquilo que queremos que signifique.

No caso de você perceber que a sua comunicação não tem atingido os resultados que você está desejando algumas perguntas podem ser feitas: de que outra maneira posso comunicar isso? Que mensagem será que a minha comunicação atual está atingindo as pessoas? Solicitar e receber feedback, neste momento é algo fundamental para fazer as “correções de rota” na comunicação.

Aqui também vale lembra outro fator muito importante e um tanto mais complexo de ser analisado: a comunicação existe ao longo do tempo. isso quer dizer que a comunicação não é um ponto no tempo como a maior parte de nós percebe ela. Ela tem um “passado, um presente e um futuro”. A maior parte de nós não age apenas no presente quando estamos nos relacionando, tudo o que vivemos com a pessoa e as expectativas que temos em relação ao futuro se misturam ao presente e é com esta mistura que avaliamos aquilo que é dito. Assim sendo nossas crenças e valores pessoais, nossos desejos e nossa história estão todos presentes quando falamos algo.

É muito comum perceber isso no trabalho com casais. Os casais violentos, por exemplo, possuem uma comunicação cíclica que envolve – de forma abreviada – um momento de provocação, um momento de violência, de apaziguamento, de clímax, novas decepções e de volta à provocação. Assim uma comunicação feita no momento de apaziguamento tem um valor específico dentro deste ciclo. Isso também ocorre em organizações e em todas as esferas de relacionamento humano. É muito importante perceber, então, o que veio antes e o que veio depois daquilo que eu disse, pois, muitas vezes, uma falha na comunicação pode ser em decorrência de um evento passado ou então da expectativa quebrada de um evento futuro e não pela qualidade – em si – da comunicação naquele instante.

O que você está querendo dizer?

Abraço

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Educação
29/04/2014

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Você está educando seus filhos para o que?

Gosto ou não gosto?
28/04/2014

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  • Mas Akim… eu não gostava desse tipo de menina!

  • (Risos) Pois é né? Imagine se gostasse então!

  • (Risos) Cara… o que eu faço?! Sabe assim: ela não é, de fato, o meu estereótipo de mulher, mas eu estou gostando!

  • Já lhe ocorreu de aprender a apreciar a beleza que esta mulher proporciona?

  • Como assim?

  • Bem, “não é o meu estereótipo” é diferente de dizer “ela é feia”, “não gostei de nada nela” não é mesmo?

  • Sim, é verdade.

  • Assim sendo, o que há para ser apreciado nela da maneira pela qual ela é?

  • Hum… bom, o corpo dela é mais rechonchudinho e tem uma curvinhas diferentes sabe?

  • Sei sim, tem curvinhas que só ela tem não é mesmo?

  • É! Bem, o olhar dela é diferente também.

  • Ela tem os olhos claros?

  • Não, são castanhos bem mel sabe?

  • Sei sim, é totalmente diferente olhar para este tipo de olho não é?

  • É…

  • E o toque dela, o beijo dela?

  • Hum… bom… são… dela sabe?

  • Sei… Bem, me parece que não existe nada de errado em você sentir um prazer enorme com essa menina mesmo “ela não sendo o seu estereótipo” não é mesmo?

  • É… mas porque me incomoda tanto?

  • Porque?

  • Sei lá… parece errado que eu possa sentir isso com ela…

  • Só porque não é estereótipo? Puxa vida hein?!

  • É verdade… cara… me sinto mais livre agora…

 

Você sabe apreciar a beleza?

Este post é dedicado completamente à uma visão particular de beleza que criei ao longo dos anos. Ela trata de fugir dos estereótipos pré definidos de beleza que temos e também de fugir do estereótipo de que “todos são lindos” o qual considero um tanto piegas.

Considero que a beleza, de uma forma geral, esta nos olhos de quem sabe percebê-la. Inúmeros contos na mitologia contam a história do príncipe que é casado com uma bruxa horrenda e que, pela forma pela qual ele a trata, ela se transforma numa linda princesa. A minha percepção de beleza tem algo a ver com isso, pois creio que é necessário habilidade para enxergar a beleza nas pessoas, não basta olhá-las, temos que observá-las, estudá-las.

A beleza de uma jovem modelo ou de um jovem “saradão” é “fácil” de ser vista. Fácil aqui é sinônimo de “culturalmente aceito”, visto que em outras épocas e em outras culturas o nosso modelo perfeito passaria totalmente desapercebido. O “bronze” tão cultuado em nosso país é motivo de vergonha quando estamos na França de Luis XV. O que a cultura diz que é belo eu entendo como “beleza fácil” pois estamos todos procurando por ela.

Porém saber observar e estudar os detalhes de um corpo, de um rosto e associar todos estes detalhes com a maneira pela qual a pessoa se comporta, age e fala é algo mais complexo. Perceber a beleza nas rugas de uma pessoa, por exemplo, é tarefa para poucos – justamente porque sai da nossa “beleza fácil”. Observar cada ser humano como uma pintura única e buscar nela os detalhes que cativam o nosso senso estético é algo inusitado em nossa cultura na qual o “produto” – no caso o outro – deve se enquadrar no modelo aceito para que eu apenas o consuma ao invés de eu me enredar nele.

Outro tema tristemente associado ao da beleza é o do prazer. Assim como meu cliente acima, várias pessoas acham que só obterão prazer se tiverem alguém do estereótipo. Ledo engano. O corpo humano é uma máquina de sensorialidade e altamente erótica. É possível sentirmos prazer com vários “estereótipos” diferentes, pois todos eles transmitem prazer. Porém, cada corpo pressupõe uma forma distinta de sentir o prazer. De apreciar o prazer que pode ser destilado junto com aquele ser humano peculiar, único.

O corpo de uma pessoa alta é diferente de uma pessoa baixa; o do magro diferente do musculoso e do gordinho. Lábios pequenos e lábios grossos dão texturas diferentes ao beijo assim como uma pele mais elástica ou uma mais firme dão consistências diferentes ao toque. Obviamente temos nossas preferências, porém entre o termo “preferência” e o termo “meu estereótipo” existe uma amplitude muito grande.

Escrevo este post porque tenho percebido que a beleza das pessoas tem sido extremamente mal tratada. Num momento em que vários limites culturais sobre formas de relacionamento são ampliados creio ser importante ampliarmos o que entendemos por beleza e aprender a ver a beleza com olhos mais atentos ao invés de procurá-la com olhos “fáceis”.

Já faz algum tempo que aprendi a observar a beleza em pessoas mais velhas – algo completamente inusitado em nossa cultura do “seja jovem e se entupa de plásticas para manter-se assim” – e é impressionante o que podemos encontrar em olhos cansados, rugas precisamente posicionadas que parecem ter sido colocadas com cirurgia. Existem sorrisos que ficam muito lindos apenas porque mostram as rugas que o tempo trouxe e que a ausência mostraria apenas uma beleza fácil, dessas de photoshop.

Recordo, como exemplo, quando via a série “X-Files”. Ao final da nona temporada eu exclamei: a agente Scully parece muito mais bonita hoje do que no início da série… e ela está mais velha também. Aquilo foi o que me deu o ponto final na minha percepção: existe uma beleza que é impossível ter quando se é jovem. Existem detalhes, contornos que somente a idade traz. Assim como a idade a altura, peso, cor da pele, quantidade de músculos, tudo influencia, tudo cria um conjunto único e, para mim, tudo o que é único traz consigo algo de belo.

Importante salientar: não desmereço a beleza que chamo aqui de “fácil”, mas convido o leitor e buscar a beleza nos seres humanos tais como eles são. Este post talvez seja um pedido para que não estereotipemos a beleza de uma maneira tal à querermos ser todos iguais e que consigamos apreciar todos os perfis sem número que a raça humana pode produzir dando, à cada um deles um lugar neste mundo.

Abraço

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Padrões
27/04/2014

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Loira, loira, alto, alta? Corpo magro, corpo sarado?

Você segue os padrões que mandaram você seguir ou segue a sua razão e o seu coração?

 

Eu não bebo
26/04/2014

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Você sabe se divertir sem beber?!

Não é estranho?
25/04/2014

MNLOGO

 

  • Eu não sei o que fazer com as minhas meninas… elas não me respeitam!

  • É muito interessante ouvir você dizendo isso sabia?

  • Ah é, porque?

  • Bem, até onde você me conta de você, na sua empresa você é respeitadíssimo não é mesmo?

  • Sim… lá eu sou, mas em casa…

  • O que você faz na empresa que não faz em casa?

  • Imponho respeito?

  • Sim, mas, de que forma?

  • Ah… sei lá… pensando bem… no trabalho eu sou claro com as regras e quero vê-las cumpridas, já em casa sou meio manteiga derretida sabe?

  • Claro que sim, derrete todo o respeito que elas poderiam ter com você não é mesmo?

  • É… bem…

  • A sua família precisa de você meu caro! Precisa saber que você quer ser respeitado, tem boas ideias com regras boas para serem seguidas. Suas filhas precisam da sua orientação, e não estão dando o respeito à você, porque você não está entregando isso à elas!

  • Entendi… só fazer a mesma coisa do trabalho em casa?

  • Só assumir o seu papel de “merecedor de respeito” e aí sim fazer a mesma coisa, que tal?

  • Parece bom… vou fazer!!

 

Não é estranho que tem pessoas que tem comportamentos ótimos no trabalho e não em casa? Ou até, pessoas que organizam a vida pessoal, de um marido e mais três filhos, mas não desenvolvem a sua vida profissional por “falta de organização”? Não é interessante que temos comportamentos muito bons em uma área os quais deixamos só lá sem levar para as outras?

Se você se identificou com isso, este post é para você!

Pensemos no seguinte: em primeiro lugar o contexto no qual estamos faz toda a diferença para nós. Muitas pessoas aprendem que trabalho é lugar para trabalhar e em casa para descansar. Obviamente com esta concepção fica difícil levar comportamentos do trabalho para casa e vice-versa. Esta crença limita o “tráfego” de comportamentos e recursos mesmo que sejam úteis. Assim pare um minuto para pensar sobre como você pensa os diferentes ambientes nos quais vive. Casa é lugar para fazer o que? Trabalho? Clube? Biblioteca? Café? Como você pensa cada um dos lugares poderá dar uma dica preciosa do que te faz não levar ou trazer alguns comportamentos importantes de um lugar para outro.

Pode ser o caso, também, da pessoa se identificar de maneiras diferentes. Lá no meu trabalho eu sou “o rei do pedaço”, mas em casa minha mulher me trata como seu eu fosse “o cara que joga o lixo para fora”. Ou então, “no meu trabalho as minhas colegas me respeitam pelas minhas conquistas”, mas meu marido me diz que eu sou “a mulherzinha” dele. Como numa peça de teatro, diferentes identidades – ou papéis – pedem comportamentos específicos para quem o interpreta. Se a pessoa “veste” o personagem, também será difícil ter o mesmo comportamento em contextos diferentes. Quem é você em casa? No trabalho?

Outro caso não tem a ver com o comportamento, mas sim pela forma pela qual ele é executado. Um sargento aposentado, por exemplo, pode ter problemas em se adaptar à sua casa se ele achar que irá dar ordens à mulher e aos filhos. Porém se o comportamento de “ordem e disciplina” for ajustado às regras da vida civil ele poderá ter uma bela oficina em casa, poderá ajudar a mulher à organizar as compras do mercado, arrumar as roupas e a organização com maestria o churrasco da família.

É importante, também, dar um parâmetro importante sobre este tema: o mais importante não é comportamento em si, mas sim o benefício que ele irá trazer à pessoa e às pessoas com quem ela convive depois de executado. Foi como eu disse ao pai do exemplo: as filhas estava precisando dele, mas ele não estava dando à elas algo importante: limites. Se ele o fizesse todos teriam muito à lucrar na situação. Esta noção de ganho é importante de ser pensada, pois, muitas vezes as pessoas não tem um comportamento adequado por comodismo, ou seja, se criaram num ambiente em que o comportamento não era executado e nunca pararam para pensar no quanto ele poderia ser útil e necessário. No caso do pai acima isso era verdadeiro: seu pai nunca lhe dera bons limites e ele nunca entendeu a função disso para a criação de filhos, embora ele mesmo tenha se tornado uma pessoa com bons limites.

Abraço

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Encontrar o amor
24/04/2014

 

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E você, se atreve à amar?

Saindo do labirinto
23/04/2014

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  • E fiquei pensando que na verdade eu tenho é medo.

  • Perfeito, medo do que?

  • É meio estranho, mas é medo de que ele me agrida se eu der limites nele.

  • Sim, entendo. Mas o que ocorre se você der os limites e ele “te agredir”?

  • Sei lá, vou me ferir?

  • Essa agressão não é física, visto que você me diz que ele não é de bater, então que tipo de agressão é?

  • Sim, nunca me bateria mesmo… é algo mais tipo… ele falar ríspido ou me desmerecer ou contra argumentar de forma muito séria.

  • Entendi, o que te dá vontade de fazer quando ele tem este tipo de comportamento?

  • De meter a mão na cara dele.

  • Você é a agressiva então é? (Risos)

  • Sim (risos)

  • E você se sente mal de pensar em fazer isso?

  • Sim, não é o certo… às vezes tenho até medo de fazer isso de verdade sabe?

  • Sei… medo, não é mesmo? O mesmo medo que você me falou no começo da sessão.

  • Nossa… é verdade…

  • “Culpa” é uma emoção que faz sentido para você não faz?

  • Sim.

  • Neste caso, por exemplo, culpa de imaginar que você poderia enfiar a mão na cara dele.

  • Sim.

 

Algumas emoções que sentimos são completamente contraditórias com as que “deveríamos” estar sentindo. No caso citado acima a pessoa tinha um medo que não fazia sentido para ela, embora ela o sentisse com muita força.

O trabalho com ela ajudou-a a perceber que o medo que ela sentia não era exatamente do outro, mas sim da própria reação dela. A agressão que ela tinha medo de receber não era o limite do marido, mas sim uma represália mais forte advinda dele no caso de ela bater nele. Conhecendo a cliente eu sabia que isso era algo improvável, porém, poderia acontecer e – o mais importante – na fantasia dela aquilo era muito claro que iria ocorrer.

Assim sendo o que ela temia, de fato, era a perda de controle dela e uma possível agressão física por parte dele no caso de ela perder este controle e acabar por esbofetear ele. O medo tornou-se mais evidente depois que ela compreendeu que era algo que ela temia nela própria ao invés de temer no marido. Situações assim nos mostram como, muitas vezes, projetamos nos outros medos que são nossos. Não apenas medos como também expectativas, frustrações e desejos.

Quando percebemos essa dinâmica – de projetar conteúdos nossos nos outros – conseguimos compreender o que queremos que o outro resolva para nós e, com isso, podemos assumir novamente a nossa própria responsabilidade sobre a nossa vida. Quando se faz isso, a relação torna-se mais leve visto que o outro não é mais responsável por me fazer sofrer por conteúdos que são meus, ele é apenas o outro. Também torna a relação mais leve porque a pessoa começa um processo de mudança e de evolução pessoal o qual faz com que ela tenha novos comportamentos na esfera pessoal e da relação e este fato marca – quase sempre – um belo avanço na maneira de se relacionar do casal – quando um evolui o outro acaba acompanhando a mudança.

Uma maneira interessante de começar este processo é se perguntar: o que me faz achar que o meu parceiro é responsável por isso? Que problemas, questões minhas existem nessa reclamação que talvez eu mesma (o) tenha que resolver? E se eu pudesse resolver isso sozinho (a), o que eu faria? Como faria?

Abraço

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Para onde você vai?
22/04/2014

Garoto Perdido

A angústia de existir não é um problema, é apenas um lembrete de que você ainda está vivo e em busca de algo mais.

Caindo no buraco (ou saindo?)
21/04/2014

buraco

 

  • Então Akim… hoje eu percebi uma coisa muito importante.

  • O que foi?

  • Percebi que eu fiz algo errado comigo.

  • Ah é, e o que foi?

  • Simples: eu fui convidado para ir num show e não queria ir, estava cansadão. Daí ao invés de falar que não eu fui, só que eu fui só para agradar e não porque eu queria ir de verdade.

  • Entendi

  • Óbvio que eu fiquei chato lá e o show acabou sendo uma droga, mas eu percebi que eu fiz isso depois… agora acho que não vou mais fazer.

  • Perfeito, o que você pode fazer na próxima vez?

  • Bom, eu posso, por exemplo, dizer que estou muito cansado e que preciso dormir.

  • É uma maneira, muito bom.

  • Sim… mas sabe: mesmo tendo sido ruim ir, foi tão bom perceber!

  • Ah sim, é sempre bom quando nos conhecemos melhor não é?

  • É sim!

 

Existe uma história que descreve o processo de terapia… ou poderia dizer o processo de estar vivo e de aprender?! Não seriam eles a mesma coisa? Afinal, aqueles que evoluem vivem seus erros, tem os seus problemas e vão percebendo aquilo que há de errado e ousam fazer mudanças até que, de repente, eles mudam de vida, vivem uma outra história. Isto é o que fazem os heróis: entregam-se à sua própria história e aí, como diria Cristo: “quem achar a sua vida perde-la-á; e quem perder sua vida, por amor de mim, achá-la-á”. Isso significa que aquele que abrir mão de quem é hoje – incompleto, não-mudado, não-evoluído – e entregar-se “por amor à mim” ou seja “por amor à sua evolução” irá encontrá-la: encontrar a sua própria evolução, o seu renascimento enquanto pessoa.

A história é mais ou menos assim: a pessoa encontra-se num lugar escuro e cheia de dores, ela rasteja, caminha, bate com a cabeça no escuro, fica um bom tempo nesse lugar estranho até que de repente, ela vê um fiapo de luz à sua frente e resolve ir atrás dele, com muito esforço ela sai daquele lugar estranho. Quando acorda percebe-se no mesmo lugar e se pergunta “o que fiz para estar aqui?” Remói este pensamento durante algum tempo em sua mente até que percebe que já esteve ali antes e que pode sair novamente, esta pequena esperança faz ela se levantar e não ligar tanto para as batidas de cabeça que dá no meio do caminho, finalmente ela acha o fiapo de luz e com um pouco menos de esforço ela sai do lugar estranho.

Novamente ela acorda ali. Desta vez pensa: “droga, de novo!” Mas desta vez com um ar de indignação com ela mesma e diz-se em seguida: “ok, vamos sair logo daqui”, menos tropega porque já conhece mais o caminho ela evita bater a cabeça andando um pouco mais agachada e rapidamente acha a luz. Quando alcança ela, percebe que aquele lugar estranho é um buraco e que existe uma rua acima dele. Pensa consigo: porque não passo mais tempo aqui em cima?

Ela acorda novamente no buraco – agora ela sabe que o buraco é um buraco – e sem pestanejar vai trilhando o caminho que a levará para fora dali. Quando chega na rua acima tenta dar um “oi” para as pessoas que estão ali e apreciar a paisagem, vai andando pela rua, maravilhada com tudo o que vê e, então, cai no buraco.

Quando ela cai, ela entende que na verdade ela pertence à rua e que, de vez em quando, se não prestar atenção aonde está pisando, cairá no buraco. Mas isso também já não é mais tanto problema porque ela sabe como sair de lá. Então, rapidamente, sai do buraco e procura um lugar melhor para ela passar a noite na rua acima. No dai seguinte, sai para caminhar e aproveitar o dia, quando vê o buraco na rua e pensa: melhor tomar cuidado. Ela fica naquela rua e aproveita bem o dia, mas por final, sai correndo, ansiosa, para ir à outros lugares e não vê o buraco no chão, tropeça nele e…. cai no buraco.

Como ela já está esperta, sai logo dali, conhece outros lugares e volta à sua casa na rua de cima. No dia seguinte ela vai por várias ruas, conhece vários lugares e pessoas, se diverte até que, de repente, se depara com o velho buraco. Ela se aproxima e olha para ele e pensa consigo: posso caminhar por outras ruas sem buracos.

Bom dia!

Abraço

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