Archive for fevereiro \28\UTC 2014

Radicalismos
28/02/2014

– Então, estava pensando que essa culpa que eu sinto tem algo à ver comigo mesmo.

– De que forma?

– É que, quando eu penso naquilo que minha família faz eu fico com vontade de sumir de perto deles.

– Normal.

– Sim, mas é que na minha mente isso vem meio que sério sabe? Como se eu fosse precisasse mesmo sumir da vida deles!

– Ah, entendi e o que você pensa sobre isso?

– Acho que se eu for assim, vou ser tão radical quanto eles né?

– Pois é…

– Acho que eu tenho que mudar um pouco o meu ponto de vista.

– Mudar, talvez não. Mas sim flexibilizar, o que acha?

 

Muitas vezes as pessoas tem problema extremamente simples, que necessitam apenas de um pouco de flexibilidade para serem resolvidos.

Radical significa, literalmente, raiz. Quando dizemos que alguém é radical queremos dizer que a pessoa dá ênfase em demasia aos conceitos mais básicos e fundamentais de uma determinada ideia.

Quando se trata de um comportamento, temos que a pessoa dita radical assume uma postura que não leva em consideração o contexto no qual ela está inserida ou mesmo as consequências dos seus atos. O radicalismo está na imutabilidade do comportamento e da atitude mental frente à situações nas quais a pessoa pode ser flexível sem perda de sua integridade e atingir um resultado melhor do que o comportamento padrão.

O medo das pessoas radicias, em geral, é este de perder a sua “integridade”. Entendem que se abrirem mão de um determinado comportamento estarão se tornando reféns, vítimas ou estarão perdendo a sua integridade, a sua compostura. Nada mais errado, visto que o que determina isso é, precisamente, a sua liberdade de escolha e de reflexão, sendo assim o ato de manter-se “fiel” ao comportamento pode ser – ironicamente – exatamente aquilo que lhe quebra a integridade.

A questão quando percebemos que estamos sendo radicais é sempre buscar os resultados que estamos obtendo e prestar atenção se estes resultados estão satisfazendo a nossa integridade pessoal e os nossos objetivos. Os rios são muito flexíveis, mas sempre chegam ao mar e sempre mantém a sua integridade. Muitas vezes ter um comportamento alternativo significa que você está mantendo a sua integridade e a sua autoridade. Na verdade, o verdadeiro líder não é aquele que nunca muda as regras, mas sim aquele que sabe adequar as regras, crenças e comportamentos aos seus objetivos porque o seu verdadeiro comprometimento não é com protocolos, mas sim com a sua evolução.

E você ao que tem dado mais valor: protocolos e rituais ou à sua evolução?

Abraço

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Sustentar
26/02/2014

– Não sei direito o que fazer.

– Não sabe?

– Não.

– Ok, … me conte sobre o que pensou

– Penso assim Akim: se a pessoa te dá prazos e nunca cumpre, algo está errado. Preciso de um fornecedor mais confiável, não posso atrasar sempre as minhas encomendas!

– Até aí, perfeito, conclua o pensamento

– Tenho que ter um novo fornecedor.

– Então você sabe o que fazer, não sabe?

– Mas é que eu trabalho a tanto tempo com ele… difícil sabe?

 

Muitas pessoas dizem terem problemas em tomar decisões, porém, enquanto investigamos o tal “problema”, percebemos que elas sabem refletir sobre o problema e sobre a sua solução, tomando uma boa decisão sobre o que fazer. Qual o problema então?

Existe uma diferença entre “não saber tomar decisões” e “não agir”. Durante muito tempo e pregou a ideia de que era importante termos “dentro de nós” as ideias bem claras, não o nego, porém, existe também a necessidade de agir no mundo a partir da ideia concebida. Esta ação é o que concretiza o finaliza uma parte do processo da tomada de decisão, sem o agir a decisão fica apenas como uma ideia solta no ar.

Para que a pessoa faça é importante que ela saiba como sustentar a sua ideia. Muitas pessoas tem aí o seu “problema”: não conseguem sustentar com firmeza ou tranquilidade aquilo que desejam. Fraquejam, questionam, postergam, invertem aquilo que decidiram. Psicologicamente falando a decisão quando não é tomada fica na pessoa como uma “tarefa à cumprir” o que aumenta o nível de ansiedade. Quanto mais “tarefas à cumprir” acumuladas dentro da pessoa pior fica a situação.

Sustentar nossas resoluções tem a ver com manter nossa mente firme nos propósitos que desejamos e na solução que encontramos para nós; buscando, com ela, os resultados que queremos. Quanto mais esses resultados estiverem claros e firmes melhor, o segundo passo é, de posse dessa clareza, agir de acordo com ela, ou seja: os comportamentos devem ser iguais ao propósito. Se o propósito é dar um limite ele precisa ser dado, se o propósito é relaxar é importante relaxar; embora pareça algo óbvio, muitas pessoas fazem o contrário e quando se determinam à dar um limite ficam pensando se ele será adequado ou se a melhor forma de dar um limite é essa ou aquela, isso retira o foco da ação necessária.

Lembre-se então: mantenha seu foco, aja, veja os resultados que conseguiu – sem se julgar – e, com isso, reveja – caso necessário – a forma de agir e, então, aja novamente.

Abraço

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Enroscos, rolos e enrolos
24/02/2014

– Eu não sei bem ao certo o que acontece.

– Eu imagino, tente perceber o que te faz não perceber isso, porque olhando de fora tem muita coisa que está perfeitamente clara.

– Não sei o que dizer… eu tento pensar no que fazer para ajudar o meu filho e a minha mulher, e não consigo chegar a nenhuma conclusão. Fico meio perdido.

– Sim. E enquanto você pensa neles, como decide o que fazer com você mesmo?

– Não sei… não tenho pensado muito em mim esses últimos tempos.

– Sim… apenas nestes últimos tempos?

– É… na verdade nunca pensei muito em mim… não saberia nem por onde começar eu acho…

– Que tal começar por aqui, nesta sessão?

– Pode ser…

É muito comum as pessoas se preocuparem com as outras. Entendo que isso além de ser comum é saudável, demonstra afeto e empatia, ou seja, faz parte da “natureza humana”.

Porém, existe uma forma adequada de fazer isso e uma inadequada. A forma inadequada é esta que meu cliente mostrou acima: a perda de referencial interno em favor do externo. Quando a pessoa faz isso, ela passa a colocar a outra pessoa em primeiro lugar tentando pensar como ela, sentir como ela e tornando a vida dela a sua própria vida. Passa a “sentir pelo outro” e, em geral, acaba se frustrando quando a pessoa diz coisas como: “vai viver a sua própria vida” ou “para de me encher”. O sentido da vida da pessoa se torna a vida do outro e ela deixa de ter a sua individualidade. São pessoas que não tem a resposta para: “o que você gosta de fazer? O que quer fazer com sua vida agora?”.

O lado saudável ocorre quando a pessoa demonstra interesse pela situação da outra pessoa. O envolvimento respeita os limites entre o eu e o outro e busca-se ajudar a pessoa a se potencializar para alguma coisa se ela assim o desejar. A individualidade de um e de outro são respeitadas – não se dá ajuda que não se deseja ser recebida e nem se sujeita à humilhações por parte de quem recebe ajuda. Se a pessoa diz para “viver a sua própria vida” isso é entendido como uma escolha a qual o outro pode ter e não se leva para o lado pessoal. A pessoa que respeita os limites ajuda e mantém o foco em sua vida, mantendo seus desejos, sonhos e ambições.

É como a borboleta saindo do casulo: se você cortar o casulo por ela, ela sairá, mas nunca voará porque não pode retirar a gosma de suas asas ao passar pelo aperto do casulo. Ela te culpará por isso e você se culpará por isso. Tentará “fazer com que ela voe”, mas sem resultados. A relação complica.

Por outro lado, se você filmar ela saindo e deixá-la fazer o que precisa, ela voará e será grata por você tê-la assistido enquanto fazia o que precisava fazer. E você será grato por ter visto a beleza deste processo se desenrolando e ter sido testemunha disso.

Abraço

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Falar de mim?
21/02/2014

– Pois então Akim, confesso que estou querendo parar a terapia.

– Opa, e o que te faz querer isso?

– Bem, é que eu já resolvi o meu problema de inadequação no trabalho, e as coisas estão mais calmas em casa com meus filhos, então… o que resta né?

– O que?

– Como assim?

– O que resta… você já resolveu o trabalho, a paternidade… e agora, fala-se do que?

– Eu não sei. Tem do que falar ainda?

– Você já não é mais inadequado no trabalho, não é mais um pai inadequado e nem um marido inadequado… perfeito! Dentro de todo o seu trabalho, qual foi o ponto básico que trabalhamos em todas estas áreas?

– Bom… eu me lembro que eu sempre comecei pela auto aceitação que você sempre falava e eu me arrepiava né?

– Sim, portanto… o que resta falar?

– Você acha que resta falar de mim?

– O que você acha?

– Mas o que eu vou falar de mim?

– Não sei… que tal pensar um pouco sobre o assunto?

– Me sinto estranho pensando nisso…

Muitas pessoas sentem-se inadequadas em suas vidas. Percebem-se inadequadas em seus relacionamentos sociais, trabalho ou vida familiar. Existe uma parte dessas pessoas que  possuem problemas de relacionamentos os quais, quando resolvidos, fazem com que a sua percepção de inadequação desapareça. Na verdade ela precisava aprender a como se impôr, dar limites, se abrir ou a fazer amigos. Trata-se de uma questão de aprendizagem de habilidades interpessoais.

Um outro ponto trata de uma percepção de identidade da pessoa. Nesta situação não importa muito o quanto a pessoa aprenda, a sensação de inadequação permanece, pois “ela” e inadequada, assim sendo, qualquer coisa que “ela” faça será inadequada. Se ela aprende um comportamento “adequado” e o executa, julgará como tendo feito de maneira imprópria, se alguém lhe disser que fez algo bem feito irá tratar como bajulação, enfim, arrumará uma premissa para entender que ela permanece inadequada.

Neste tipo de situação é importante trabalhar buscando uma nova forma da pessoa se identificar com ela mesma, o foco aqui é a auto imagem que a pessoa faz de si. Percebam que eu disse “faz de si”, ou seja, nossa auto imagem, como o próprio nome já diz, é criada por nós mesmos e, assim sendo, é importante que estejamos atentos à como ela está formada.

Esta formação em geral não tenta fazer a pessoa achar-se maravilhosa, linda e poderosa como em geral se fala “por aí”, mas sim de buscar uma percepção profunda e realista da pessoa tal como ela é: com qualidades, defeitos e limites que ela tem. A necessidade de buscar por esta visão realista é de que a auto imagem e a auto estima “verdadeiras” se constroem sobre aquilo que é, ou seja, sobre o real, e não sobre fantasias de onipotência ou de impotência.

Trabalhar desta forma traz o tema da auto aceitação que é o fator fundamental para lidar com a sensação de inadequação. Aceitar o que é, tal como é e poder perceber como isso que sou reflete na minha vida de maneira realista é uma das formas de lidar com a desorganização de fantasias de onipotência e de impotência que podemos trazer conosco. Afinal a inadequação traz uma boa dose de ilusão que precisa ser desfeita para que a pessoa aprenda o que realmente precisa aprender e que ela deixe de lado medos infundados.

Grande abraço pra você.

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Recomeçar
19/02/2014

– Então… o que te dizer? Meu filho saiu de casa ontem.

– Ah é? E aí?

– Bem… foi como conversamo aqui durante todo este tempo: hora de recomeçar.

– Pois é, como foi isso?

– Sabe… depois que ele foi embora eu chorei um monte, copiosamente mesmo sabe? Depois de uma hora mais ou menos, eu me aquietei… peguei algumas coisas minhas e comecei a jogar fora, limpei a casa.

– Entendi.

– Depois foi simples, liguei para uma colega minha e fomos comer uma pizza. Foi divertido estar lá, completamente sozinha novamente, eu nem sabia o que era isso sabe?

– Como foi para você essa sensação?

– Um misto de medo com desejo.

– E os planos?

– Já comecei todos logo no dia seguinte… sabe, eu acho que vou gostar de recomeçar.

Recomeçar. Um negócio, um amor… uma vida.

Para recomeçar é necessário terminar. Nada pode recomeçar antes de chegar ao fim, nada por renascer sem antes morrer. Este é um dos passos mais difíceis: aceitar o fim. Chorar, se entristecer e entender: nada mais será como um dia foi.

E aceitando o fim, podemos perceber que nada mais será com foi, porém o futuro ainda está por vir e o presente ainda existe, você ainda existe. Assim se ainda existo, ainda desejo, ainda tenho sonhos, posso me permitir sonhar novamente e com os sonhos, traçar meus planos, meus objetivos, o futuro.

Ao criar o futuro e percorrê-lo com atos a cada dia, a cada momento posso, então, viver novamente. Recomeçar.

Embora possamos dizer, também, que não existem recomeços. Cada re é um novo começo. Nenhum é igual ao outro. Então, se não recomeço, apenas, de novo, começo. Um novo começo… que não é novo, é simplesmente único. É outro momento, é outro negócio, outro amor… outra vida.

Começos… cheio de esperança, mas também de sabedoria – porque “re” começo – e sabiamente busco perceber aquilo que posso e que não posso, o que sei e que não sei. Aquelas experiências que me ensinaram onde errei assim como as que me ensinaram onde triunfar. Começo agora não mais como criança que acha que sabe e que pode tudo, com pés no chão… pés que querem construir as escadas para levar-me aos meus sonhos lá nas nuvens onde os coloquei.

Começo de novo e de novo e de novo, quantas vezes precisar porque sei que nem sempre é na primeira que fazemos tudo acontecer. Aprendo e invento novas manias, manias diferentes e faço de novo do meu recomeço um começo novo e sempre único até que eu comece de novo a pensar em novos recomeços. Porque sempre que começo algo sei que termino e quando o faço, recomeço.

Para que ter medo de recomeçar se já faço isso tantas vezes?

Comece de novo, recomece, de um novo início… como você prefere?

Abraço

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Choques
17/02/2014

– Ai Akim, não sei o que fazer…

– Ok… bem… posso te dizer uma coisa?

– Sim.

– Mas veja, o que vou te dizer não é agradável e você não vai gostar muito de ouvir. Serei totalmente franco e não vou ter papas na língua, ainda assim o que vou te dizer é para o seu bem, mas preciso dizer de forma enfática. Quero que pense antes de me dar o aval, porque uma vez dado, farei-o sem hesitar, o que acha?

– Hum… acho que você pode falar sim.

– Você está certo disso?

– Sim.

– Muito bem, aqui vai: “você não sabe o que fazer”. Porém soube muito bem o que estava fazendo quando se envolveu neste caso extraconjugal. Além disso, para que você permitisse que sua mulher descobrisse isso tão cedo, você também sabia o que estava fazendo. Seja franco consigo: você está querendo terminar o casamento, por esta razão permitiu que o caso fosse tão rapidamente descoberto.

Dou uma pausa enquanto olho para ele de forma séria para ver se ele entendeu o recado. Percebendo que ele estava pronto para ouvir a parte final continuei:

– Portanto, você sabe o que fazer: deve tomar a decisão entre se vai continuar ou não casado, parar de se enrolar e enrolar a sua esposa e resolver a situação a qual você mesmo criou.

– Entendi… tenho que pensar nisso mesmo.

Ele baixa a cabeça durante um tempo, pensativo, depois a ergue e a sessão termina. Na semana seguinte ele liga antes de sua sessão dizendo que havia decidido levar a esposa para uma terapia de casal para que eles pudessem reatar a relação.

Uma das funções da terapia é acolher a pessoa.

Outra função da terapia, por vezes, é chocar a pessoa. O choque é algo muito terapêutico quando bem feito porque desorganiza toda a estrutura que a pessoa estava seguindo de uma só vez, esta é, inclusive, a razão do choque em terapia. Obviamente, quando digo “choque” me refiro à algo que, quando realizado em sessão, cria na pessoa um desamparo total de suas defesas psicológicas. Não me refiro à choques elétricos os quais não utilizo.

Ocorre que todo ser humano quando vem à terapia vem com o desejo de que sua história seja confirmada, é o que chamamos de “paradoxo da mudança” (querer mudar sem que nada mude). Algumas vezes o choque é a melhor forma de burlar este sistema criado pela pessoa. Para ser bem empregado o terapeuta precisa saber exatamente o que está fazendo.

No exemplo acima, o cliente trazia um comportamento no qual ele vivia se metendo em encrencas para depois se fazer de coitadinho. Em geral as pessoas tendem a querer entender o problema do outro ao invés de ajudá-lo a solucionar os problemas. Numa situação como a dele esse é o cenário perfeito para que nenhuma mudança ocorra. Como já conhecia a dinâmica dele, estava no momento perfeito para eu dar-lhe um belo choque.

Com o choque a sua defesa foi desmontada, ele percebeu que o coitadinho não teria mais espaço ali e que ele teria que crescer ou crescer. Quando coloquei a situação para ele de forma clara e sem comiseração ele não podia fazer mais nada a não ser tomar uma atitude que lhe parecesse mais adequada. É uma forma mais agressiva de solicitarmos o adulto que a pessoa traz dentro de si.

E você, como poderia dar-se um choque e convocar logo o adulto que mora dentro de você?

Abraço

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Simples!
15/02/2014

Schoeder: então ele escreveu a grande nona sinfonia

Schroeder: mas ele estava surdo! Ele nunca teve a chance de ouvir a performance dela. Não é terrível? Isso realmente me deprime.

Lucy: tente não pensar sobre isso… 5 centavos, por favor.

Lucy: alguns casos são realmente simples.

Às vezes damos muita importância à coisas que não são importantes.

Uma frase altamente terapêutica é: “isso é só isso, nada mais.”

Pense sobre isso.

Liberdade de emoção
14/02/2014

– Eu entendi algo sobre mim esta semana.

– O que foi?

– O meu namorado me fez uma daquelas de ficar me enrolando para não fazer o que eu queria e eu fiquei com raiva.

– Certo, até aí normal.

– Sim. Daí eu, como sempre, fiquei quieta, e pronto. E foi aí que eu percebi que, depois de sentir raiva dele, eu me senti culpada de sentir raiva.

– Ah é? Culpada de sentir raiva, me conte mais sobre isso.

– Pois é… e eu achei muito descabido porque a minha raiva está “adequada” sabe? Eu percebo que ele me agride quando faz isso.

– Entendo.

– E aí percebi que tem emoções que eu não sou livre para sentir, que eu me sinto mal quando sinto, como se estivesse fazendo algo errado.

– Vamos trabalhar com isso então né?

– Sim!

Emoções são elementos poderosos e importantes para o ser humano. Cada emoção nos traz informações valiosas sobre como estamos vivendo a vida e sobre o que precisamos ou podemos fazer. Assim sendo, sentir é algo importante, pois se não sentimos ou se negamos uma determinada emoção estamos deixando de lado informações importantes sobre uma determinada parte nossa.

No entanto, nossa cultura – assim como todas as culturas – não vê com bons olhos todas as emoções. Algumas ela é à favor, outras não. Não apenas as culturas, mas as famílias e as pessoas seguem a mesma ideia. Quantas vezes no consultório ouço: “não queria sentir isso”, “dá para parar de sentir essa tristeza?”.

O que é importante para nos sentirmos livres para sentirmos qualquer emoção?

O primeiro passo é não termos um julgamento negativo sobre as emoções. Algo que sempre digo no consultório é que existem emoções que não são prazerosas, ou seja, não nos proporcionam um prazer, por vezes sentimos até mesmo dor. Isso é diferente de dizer que ela não é boa ou adequada. A tristeza é um ótimo exemplo: muitas vezes provoca dor emocional, mas é super adequada de ser sentida principalmente em situações de perda.

O segundo passo é aprender com a emoção: conseguir ter intimidade com ela para entender o que ela está querendo dizer para você. O que a sua raiva está te dizendo? O que a sua tristeza quer comunicar? Lembre-se sempre de que as emoções são mensagens de nós para nós. Pessoas que lidam bem com suas emoções sempre as ouvem, nunca deixam de ouvir as suas emoções.

O terceiro passo consiste em saber dar uma resposta adequada à emoção em questão. Se a emoção traz uma mensagem, é importante lermos a mensagem, refletirmos sobre ela e pensarmos em dar uma resposta para a mensagem. Pode ser algo desde ignorar, pois a mensagem não é tão importante assim, quanto mudarmos todo o curso de uma determinada ação porque a mensagem está dizendo algo importantíssimo.

O último passo, creio eu, seria o de se outorgar o direito de sentir o que se está sentindo. E isso tem a ver com a nossa educação. Aprender a diminuir a voz de pais, educadores  e de qualquer figura de autoridade que antes nos disse: “não” e aumentar a voz das nossas emoções dentro de nós para as ouvirmos em bom tom.

Abraço

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Organização
13/02/2014

Cada coisa no seu lugar não é assim? É mesmo?

Intimidade
12/02/2014

– Eu não sei, ao certo, o que acontece Akim.

– Vamos aos fatos: quando a relação começa a ficar mais íntima você começa a se afastar, certo?

– Sim.

– Fica irritado, começa a questionar se a pessoa realmente gosta de você e você dela, fica inseguro e ao mesmo tempo distante não é por aí?

– Por aí mesmo.

– O que você pode entender disso?

– Intimidade não é o meu forte.

– Precisamente! Agora, perceba que as reações que você tem em relação à intimidade são de insegurança, irritação, distância.

– Sim.

– Ótimo, o quão certo eu estaria se dissesse que a intimidade é algo que te agride, de certa forma?

– Acho que muito… eu também não sei direito o que fazer sabe? Parece que eu estou devendo algo para a pessoa, que ela quer algo de mim.

– Claro o que te deixa inseguro por não saber o que fazer e, ao mesmo tempo, com raiva porque “como assim eu tenho que fazer algo para ela”?, certo?

– É, (risos) tirou a frase da minha cabeça.

– Perfeito, a questão inicial poderia ser: o que te faz crer que você está devendo algo à alguém quando se percebe íntimo dessa pessoa?

– Acho que para mim sempre foi assim… meu pai sempre me dizia: “se você não fizer isso os outros não vão gostar de você”… então se tem alguém gostando de mim eu tenho que fazer alguma coisa sabe?

– Sei… mas também sei o quanto isso acaba destruindo os seus relacionamentos não é mesmo?

– É…

– Será que não está na hora de dar um novo sentido à ideia do seu pai, ou até mesmo de ver se você quer guiar a sua vida afetiva com ela?

– Acho que sim.

Intimidade. Qualidade daquilo que é íntimo.

Íntimo. Que se tem próximo, familiar.

Talvez um dos pontos mais interessantes sobre a intimidade é que ela não começa em uma relação, ela começa com a pessoa. Embora possa parecer estranho, ouço no consultório muitas pessoas dizendo com as  mais variadas palavras que “não são íntimas” delas mesmas. Não conhecem ao certo seus desejos e medos, não se permitem expressá-los, ficam inseguras com o que querem fazer com suas vidas ou então negam aquilo que não gostam nelas mesmas.

A maneira pela qual nos relacionamos com nós irá refletir muito a maneira pela qual nos relacionamos com os outros assim como a forma pela qual vamos organizar a intimidade enquanto parceiro de um conjugue. Se nos sentimos inseguros em relação à nós e à nossos planos, por exemplo, será difícil compartilharmos isso numa relação. A ansiedade e a expectativa que iremos colocar sobre isso serão enormes e a nossa resistência à frustração baixa provavelmente.

O caso acima é extremamente comum. Uma pessoa que aprendeu que o afeto estava intimamente ligado ao desempenho dela em determinadas funções. Assim sendo, toda vez que ela começava a tornar-se íntima de alguém vários medos surgiam: “estou fazendo tudo certo?”, “esta pessoa está comigo por quem sou ou pelo que estou fazendo?”, “e se eu parar de fazer isso, ela continua me querendo?” Estes eram medo que esta pessoa tinha e que são muito comuns nas pessoas hoje em dia.

Embora a estrutura seja muito parecida, as pessoas podem ter reações muito diferentes em relação à ela: alguns acabam tornando-se muito dependentes do feedback do outro, tornam-se ansiosos por receber elogios, aprovação e todo tipo de sinal que signifique que ele está fazendo a coisa certa, além disso, cobram do outro por recompensas – afinal ele está fazendo “certo”. Outras pessoas entram num estado de reclusão e se fecham para o outro diminuindo a intimidade para que as perguntas que surgem sumam de sua consciência, é uma espécie de negação. Alguns outros atacam a relação e tornam-se destrutivos com as atitudes do companheiro, estes ataques são uma reação inconsciente ao medo que sentem das perguntas que estão dentro delas – em outras palavras: elas fazem as perguntas, sentem medo da resposta, e ao invés de procurarem respostas adequadas elas atacam a relação que, no fundo, é a “causa” das perguntas delas – em geral sentem raiva do parceiro e competem contra ele numa tentativa de assumir controle.

O ponto importante nesta discussão é o seguinte: de fato, as pessoas precisam de determinados comportamentos para manter relações. Não existe nenhum tipo de relacionamento que não possua uma forma de estrutura comportamental com ritos cotidianos, maneiras de viver o dia a dia, resolver conflitos e sinalizar amor ou raiva. Porém existe uma diferença entre a existência desta estrutura comportamental e a causalidade de afeto através do comportamento.

Dito de uma outra maneira é a diferença entre dizer “meu amor, é importante para mim que você demonstre interesse pelo meu trabalho” e “eu só te amarei se você demonstrar interesse pelo meu trabalho”. A diferença pode parecer sutil, mas não é.

A primeira frase mostra que o interesse é algo importante na relação. Em geral isso faz com que a pessoa sinta-se acolhida, prestigiada e a faz abrir-se mais com o conjugue.

A segunda frase impõe uma condição sobre o amor da outra pessoa. É uma frase do tipo ou/ou a qual possui uma contradição inerente: se o comportamento do outro causará o amor, então, em primeira instância, o amor não existe. Além disso o amor é algo pessoal, ou seja, é gerado pela pessoa e, assim sendo, o outro não pode ser responsabilizado pelo afeto – ou ausência dele – que existe no outro.

É importante salientar dois elementos adicionais aqui: o primeiro: amor e relacionamento são duas coisa distintas. É possível, por exemplo, amar, mas não ter uma base de relacionamento saudável o que desgasta a relação e faz as pessoas se afastarem. Segunda: no sentido colocado aqui o outro possui, sim, uma parcela de contribuição, na qualidade da relação, ou seja, ele pode não inferir no amor do outro, pode, porém, com seus atos destruir a relação. E isso pode contribuir para a diminuição do afeto do outro.

É importante, como sempre, melhorar a sua auto estima. Porque? Ela o ajudará a perceber o seu valor pessoal. Assim sendo a confusão entre desempenho e afeto irá desaparecer e as necessidades de cada um na relação ficarão mais visíveis e acessíveis à negociação. A intimidade é a habilidade de tornar algo familiar à nós e ao outro. Só podemos fazer isso com o outro quando já o fizemos para nós mesmos.

Lembre-se disso.

Abraço

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