Individualidade

“Posso usar meu dedo para apontar para a lua,

mas meu dedo não é a lua

e você não precisa dele para ver a lua, certo?”

(do livro Zen em quadrinhos de Tsai Chih Chung)

Ao realizar no google uma pesquisa de imagens com a palavra “individualidade” vi várias imagens diferentes mostrando uma mesma ideia: a  de que “individualidade é ser diferente”. As imagens apresentam uma disposição como essa abaixo:

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Outras imagens seguem a mesma linha de raciocínio: várias bolinhas de uma cor e uma de cor diferente no meio delas, pintinhos, triângulos, um monte de carinhas tristes e uma feliz no meio, vários homens de terno e um de jaqueta, enfim, todas com a mensagem de que a individualidade é ser diferente dos outros.

Pensei comigo: “Este é um dos motivos pelos quais temos uma sociedade tão individualista como a que temos hoje”. O que uma coisa tem a ver com a outra? Me segue aqui e veja o que você acha da minha opinião.

Se individualidade é “ser diferente dos outros” isso resulta que eu afirmo o meu eu ao me afirmar diferente de você. Na verdade eu não afirmo o que sou, eu apenas afirmo o que não sou. “Eu não sou como os outros, portanto, tenho a minha individualidade”. É a definição do eu por exclusão: como eu não sou nenhum dos outros, eu sou eu.

Portanto, na prática, tenho que ficar me comparando o tempo todo com as pessoas, olhando o que elas fazem e são e buscando ser diferente de tudo isso. A forma de viver do outro me incomoda porque se eu me perceber semelhante ao outro eu passo a não ser mais eu! É uma “guerra” na qual tenho que vigiar o inimigo que pode ficar igual à mim e, com isso, roubar o meu eu.

E se individualidade não tiver nada a ver com os outros?

Individualidade tem a ver com o indivíduo e não com o coletivo. A pergunta não é “como me diferenciar dos outros”, mas sim como “me identificar” enquanto indivíduo. Imagine, por exemplo, que você vai comprar roupa: pensar da primeira forma significa pensar numa roupa que mais ninguém vai comprar, pensar da segunda significa comprar uma roupa que tenha a ver com você.

Quando pensamos nas pessoas lembramos das características delas que nos chamam a atenção, daquilo que apreciamos e gostamos nelas – ou que não gostamos – e não naquilo que ela não é igual à nós. Identificação se dá quando tornamos algo único e não quando o diferenciamos do restante. A questão fundamental é o foco: me tornar único versus me tornar diferente dos outros.

A segunda falha, à meu ver, nesta forma de pensar, é que no caso da diferença ser algo importante não é necessário fazer nada, porque os seres humanos não nascem iguais um ao outro. Mesmo os gêmeos não são 100% iguais. Assim sendo é um discurso vazio porque te diria para fazer algo que já acontece naturalmente.

Penso individualidade junto com duas outras palavras: “eu” e “individuação”. Individualidade é a habilidade que a pessoa tem para definir, expressar e mudar o seu “eu”. O “eu” é o conceito que a pessoa tem de si, a sua “auto imagem”, assim como a manifestação concreta desse conceito. “Individuação” é o processo entre o conceito e a materialização deste conceito.

Vamos por partes.

Em primeiro lugar quero deixar claro que discordo de que nosso “eu” se define quando nos diferenciamos dos outros. A diferenciação, na minha opinião, é uma conseqüência óbvia do processo de individuação, mas não é o seu cerne. Entendo que a pessoa aprende quem é na medida em que se aproxima do seu “eu” e não na medida em que se afasta dos “outros”.

Assim sendo a pergunta “o que é o eu?” se torna fundamental. O “eu” pode ser entendido como aquilo que pensamos sobre nós mesmos, nossa auto imagem ou auto conceito. Este “eu” também abarca alguns conceitos que temos, mas que não estamos totalmente conscientes, ou seja, nosso eu vai muito além daquilo que conseguimos perceber sobre nós mesmos. É quando – depois de realizar um determinado ato – falamos: “nunca pensei que conseguiria fazer isso”. Entendo como uma demonstração de que existem partes nossas que existem, mas que não percebemos.

Este conceito, esta ideia de quem sou teria um caminho de se manifestar no mundo, expressar-se e para fazê-lo precisaria de certas competências, daí o termo “individualidade”, ou seja, a habilidade para criar aquela ideia, para tornar o conceito “real”. É como o artista que elabora a ideia de sua obra em sua mente e então precisa desenvolver as habilidades necessárias para torná-la concreta.

Usando este exemplo é muito claro como o “eu” tem uma relação direta com a “individualidade”, pois, a habilidade da pessoa em expressar determinados desejos, determinados comportamentos terá relação direta com se ela está manifestando o conceito que tem em mente. Ao mesmo tempo, ao expressar – da forma que for – isto causará uma repercussão no meio ambiente e nas pessoas ao seu redor o que poderá afetar a própria concepção que a pessoa tem de si. Um outro final possível é que, ao expressar ela resolva que “não era bem aquilo” ou que o que foi expresso “não foi bom” e decida modificar seus conceitos pessoais.

“Está na hora de crescer” um cliente me disse certa vez. Ele estava cansado da sua concepção de “adolescente” dele mesmo. Precisava agora de algo mais para sua vida. Obviamente as partes boas de “ser adolescente” ele guardou e começou a inserir novas imagens e conceitos sobre si e sobre como viver na sua auto imagem. Ele passou por todo um processo no qual aprendeu novas formas de pensar, se perceber e avaliar a vida e seus comportamentos. À este processo damos o nome de individuação.

Então temos que “ser” tem a ver com experimentar, expressar, tornar concreto um conceito que temos de nós mesmos, ao fazer isso entramos no processo de individuação o qual cada um viverá e desenvolverá à sua maneira – uns mais rápidos, outros mais metódicos, alguns “deixa a vida me levar – para desenvolver as competências necessárias – individualidade – para tornar nossas ideias sobre nós mesmos “reais”.

À medida em que vamos conseguindo e dominando as habilidades vamos amadurecendo. Daí que maturidade não tem a ver com regra sociais, mas sim com o domínio que temos sobre nosso comportamento e sobre nossa identidade. À medida em que uma pessoa se torna madura ela se torna mais flexível em sua forma de ser, pois ela detém domínio sobre ela. Assim sendo é muito difícil fazer com que uma pessoa madura sinta que “perdeu” sua identidade. Ela sabe como se usar de várias maneiras mantendo, assim a sua perspectiva pessoal. Stanley Keleman certa vez disse que maturidade é a habilidade humana de conseguir lidar com várias emoções conflitantes ao mesmo tempo. Porque? Porque para fazê-lo a pessoa precisar ter domínio de si, de seus comportamentos, objetivos e emoções. Note que “domínio” não significa “repressão”.

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Vamos partir, então, do pressuposto de que o “eu” é essa ideia que temos de nós, nossa auto imagem – percebendo que existem aspectos conscientes e inconscientes desse eu, ou seja, elementos do nosso eu que percebemos e outros que desconhecemos – e que esta imagem é o que buscamos concretizar, tornar real em nossa experiência de vida através de nossas habilidades para fazer isso – individualidade – e que todo este processo – que dura a vida toda – é a nossa individuação a qual nos mostra o quão maduros estamos em relação ao nosso projeto de eu.

A criação deste “eu” é algo importante e mediado pela cultura também, ou seja, a cultura na qual estamos inseridos irá nos disponibilizar instrumentos e ideias sobre o que é ser um “eu”, como e ser um “eu”. A escolha de usar estes elementos ou não pertence ao indivíduo, porém, não há como negar que o fator social é poderoso e conta muito. Como nossa sociedade mostra isso, nos dias de hoje?

A sociedade em que vivemos é conhecida como a “sociedade de consumo”, ou seja, somos seres “projetados” para consumir os produtos e serviços oferecidos pelo mercado e para oferecer – mais tarde – à este mesmo mercado outros serviços e produtos. Assim sendo o conceito de “eu” neste cenário se aproxima muito do conceito de um produto. Zygmunt Bauman famoso escritor e sociólogo explora com muita precisão esta dinâmica e afirma em seu livro “Vida para consumo” (pg 13): “e os produtos que são encorajadas a colocar no mercado, promover e vender são elas mesmas” [as pessoas].

A frase é impactante quando pensamos sobre o seu significado: o “eu” hoje em dia está intimamente relacionado à ideia de um produto. Se você pensa que isso é exagero, é só pensar em um termo/ serviço muito usado: “marketing pessoal”. O que é marketing pessoal em sua essência? A arte de vender a pessoa da melhor forma ao seu público alvo. Ao pensar desta forma começamos a entender o porque que o termo “individualidade” está tão ligado à “diferenciar-se” dos outros; ocorre que na lógica de mercado isso é verdadeiro. Existem muitos produtos no mercado que são praticamente iguais, televisores, por exemplo, todos são praticamente iguais isso significa que, para vender, precisarei ter um atrativo, o que, na linguagem comercial chama-se de “diferencial de mercado”. Assim sendo, o produto que será mais vendido será aquele que tem o melhor diferencial de mercado – e que for melhor divulgado.

Quando pensamos as pessoas em termos de produtos à serem consumidos pensamos em termos de “melhor/pior”, “mais/menos” e, com isso, começamos a categorizá-las como produtos percebendo suas “vantagens e desvantagens” sobre o “concorrente”. O problema é que as tratamos assim, também fazemos isso com nós mesmos e, portanto, criar “diferenciais” torna-se uma atividade vital, porque o destino dos produtos que não são vendidos é a lixeira, ou pior, a pobreza.

Zygmunt Bauman fala sobre isto no mesmo livro citado acima (pg 19): ” Os encontros dos potenciais consumidores com os potenciais objetos de consumo tendem a se tornar as principais unidades na rede peculiar de interações humanas conhecida, de maneira abreviada, como “sociedade de consumidores”. Ou melhor, o ambiente existencial que se tornou conhecido como “Sociedade de consumidores” se distingue por uma reconstrução das relações humanas a partir do padrão, e  à semelhança, das relações entre os consumidores e os objetos de consumo”. O atualíssimo “lulu” ilustra totalmente o ponto com a sua dinâmica na qual as “consumidoras” criam um perfil do “produto” e dão-lhe notas, algo como as revistas de carro fazem com os novos modelos avaliando e dando notas para que o consumidor final possa “escolher” com mais facilidade.

Na medida em que preciso ser um produto “vendável” o outro passa a ter uma enorme influencia sobre mim, afinal de contas o meu “eu” precisa de reconhecimento – outra premissa da sociedade de consumo, pois produto que não é reconhecido, não é vendido e isso tem o mesmo significado de algo que não existe. Este reconhecimento é o que move as pessoas em suas intenções de consumo, que terminam sendo aquilo que definirá o seu eu.

Em outras palavras: como se define o “eu” numa sociedade de consumidores? Através da demonstração da minha competência para consumir. Assim como numa sociedade de guerreiros o “melhor homem” era o melhor guerreiro, na sociedade de consumidores o “melhor homem” é o melhor consumidor e nesta sociedade o mesmo vale para a mulher. Enquanto nas sociedade de guerreiros desejava-se uma mulher diferente do homem, agora deseja-se que a mulher tenha o mesmo papel: seja uma boa consumidora. E como se define o melhor consumidor? É aquele cujas compras se mostram mais aprovadas socialmente – pelo mercado. A ferramenta mundialmente utilizada para se fazer isso em sido as redes sociais e a televisão com programas de reality show mostrando quais as compras “boas” de serem feitas e quais as “ruins”.

É neste sentido que a tirinha de Calvin e Haroldo acima se mostra interessante, porque ela diz exatamente isso: sou o que consumo. Diferente de um tempo atrás em que era verdadeiro o mote “sou o que tenho”, “sou o que consumo” é muito mais fugaz, porque o consumo não é uma atividade à longo prazo, pelo contrário, ela é a curto, curtíssimo prazo. O que consumi hoje não valerá como consumo para o semestre que vem, ou para o trimestre que vem. É necessário uma nova fonte, um novo produto para mostrar quem sou e como sou. Afinal de contas, os produtos consumidos definem o meu eu e meu jeito de ser. É através deles que “mostro a minha cara”. O mais interessante é que ao mesmo tempo que o mercado de consumo pede pela diferenciação para que o produto seja mais vendável, ele também exige a adequação ao que está sendo comprado por todos, porque se você não o fizer estará indo “contra a corrente” e comprando algo “sem valor” o que o excluirá da lista daqueles que sabem consumir. É como na tirinha abaixo:

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Esta paradoxo cria uma situação muito tensa, visto que o caminho – culturalmente falando – para alcançar o “amor do público” torna-se cada vez mais obscuro. O que vem com isso?

individualismo

Esta é a minha opinião, com a qual comecei este texto e à qual agora retorno para o fechamento e conclusão da coluna deste mês.

Creio que quando pensamos nas pessoas como mercadorias fazemos o mesmo conosco e, assim, toda e qualquer pessoa torna-se um concorrente em potencial. Se encaro o outro como um concorrente ele se torna uma ameça, qual a ameaça? De que ele seja um produto melhor do que eu e que, por esta razão, ele irá ser vendido e não eu. O meu destino, então, será o lixo.

Uma das forma de se defender disso é atacar o outro buscando ridicularizar a sua proposta de eu, seus costumes, seus trejeitos para que o público não o deseje. Outra forma é me blindar tão fortemente que não reconhecerei o “eu” do outro, ou seja, a indiferença se tornará a minha protetora.

Em meu consultório tenho visto como muito crescente a capacidade humana para não se interessar pelo outro, em não permitir que o mundo do outro influencie o da pessoa. Esta permissão é o que o psicólogo John Gottman traz como um elemento fundamental para um bom casamento em sua pesquisa além de seus livros. Quando não se faz isso criam-se barreiras entre as pessoas ao invés de pontes.

Porque isso ocorre? Na minha percepção ocorre porque quando o processo de individuação tem como base a diferença, se eu permitir que o mundo do outro entre em mim estarei perdendo a minha individualidade, eu preciso ser “diferente” do outro, portanto, não posso permitir-me ser “familiar” à ele em nenhum aspecto, sob pena de “não ser quem sou”. Pessoas com auto estima e auto conceito bem definidos não temem isso e, em geral, são atraídas para conhecer o mundo do outro porque aprendem com a experiência de outras pessoas e podem, inclusive, melhorar a sua própria forma de auto expressão.

Assim sendo quanto mais consumidores formos em nossas relações pessoais, mais produtos seremos por conseqüência. E quanto mais isso ocorrer mais o individualismo será uma das formas de reagirmos aos outros: mostrando uma pseudo indiferença frente à definição de “eu” do outro para poder, com isto, sustentar a minha percepção de “eu” que tenho de mim mesmo. Buscando, com isso o paradoxo: que o outro assuma a minha definição de eu para que eu me sinta segura e ao mesmo tempo insegura porque se ele tornar-se igual à mim não isso será uma afronta à minha definição de “eu” e eu terei que me diferenciar novamente para me tornar “eu” de novo.

“Quem é você?”, disse a Lagarta

(Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll)

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6 Respostas

  1. Oi,Akim,estive muito ocupada e, nas próximas semanas continuarei resolvendo várias pendências, porisso não tenho escrito para você. Mas adorei o post, já arranjei um saiteiro para consertar meu site. Quanto ao seu tema, hoje em dia, somos valorizados pelo que temos e não pelo que somos, você colocou muito bem. E fazemos o mesmo com as pessoas, encarando-as como mercadorias e não como seres diferentes, dos quais devemos respeitar a individualidade.

    Beijos

    Guenia Bunchaft

    http://www.sospesquisaerorschach.com.br

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    • Oi Guenia!
      Obrigado pelo comentário, mande ver no seu site!
      O que você colocou combina com o que penso, pessoa-mercadorias que precisam agradar “ao mercado” deixando de serem humanas para serem produtos e aí, obviamente não existe espaço para o respeito pessoal já que eu não defino os meus limites, mas sim o outro.
      abraço
      Akim

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  2. Que reflexão brilhante! Será que essa luta para descobrir a individualidade tornou-se mais difícil depois que os papéis do homem e mulher foram se assemelhando ao longo da história? Num primeiro momento com a função bem diferenciada do homem, a mulher se destacava por suas qualidades enquanto dona de um lar. O capricho, a forma particular de cuidar das coisas era motivo de elogios e destaque. Com o passar do tempo, com todas suas influências e transformações, a mulher precisa se preocupar em assemelhar-se a outras (aceitas no mercado) para sentirem-se aceitas, para não “saírem de linha”. Eu percebo o quanto a terapia é imprescindível nesse momento que vivemos, porque é difícil ser autêntico. Precisamos nos sentir aprovados pelos outros, aceitos, participantes da sociedade e ao mesmo tempo, precisamos ser nós mesmos e nos livrarmos do pior tipo de consumismo, o das relações interpessoais.

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    • Oi Keila
      Individuação não tem a ver com o papel que a sociedade espera que a pessoa desempenhe. Na verdade se ela se baseia mais pelo social do que pelo pessoal não estará fazendo a individuação, mas sim a socialização, digamos assim. Neste sentido, esta mudança de papéis não teria influencia não.
      A questão é exatamente “quem sou” e “como expresso isso que sou”. Portanto é, inicialmente, uma questão da pessoa que mais tarde volta-se ao social.
      Desta forma concordo com você de que a terapia é imprescindível para que a pessoa posso compreender os limites entre ela e o seu contexto, entre seus desejos e o desejo do outro.
      Abraço

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  3. Será que nos séculos passados,quando a sociedade era mais simples,o processo de individuação e a individualidade eram mais fáceis de serem atingidos?

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    • Oi Francisco
      Creio que não. Talvez fosse até mais difícil visto que os papeis sociais eram mais rigidamente controlados. Na Idade Média, por exemplo, os pais “emprestavam” os filhos na idade de 6, 7 anos para serem aprendizes de um profissional qualquer e aquela seria a sua profissão, ou seja, nem a profissão a pessoa poderia escolher, então, como ser individual?
      O romance de Tristão e Isolda trata exatamente deste ponto ao mostrar as relações na época escolhidas previamente e sem a decisão dos envolvidos na questão.
      Hoje o problema é o excesso de escolhas que temos que não nos dá nenhum referencial.
      Creio que cada época possui problemas diferentes para o processo, mas que o mesmo existe em todas elas.
      Abraço

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