Archive for dezembro \30\UTC 2013

Ampliando a mente
30/12/2013

– Mas esse negócio de ser mais regrado me incomoda sabe?

– O que te incomoda nisso?

– Ahh… é que essa coisa de ser todo certinho o tempo todo é muito chata.

– Concordo, mas… quem está dizendo que você tem que ser certinho o tempo todo?

– Não sei… mas é o que eu penso quando me imagino seguindo regras.

– Mas é você quem vai bolar as regras não é mesmo?

– Sim.

– E para que mesmo?

– Para eu atingir o que eu quero.

– Portanto… qual o problema?

– Fico achando que vou perder a minha espontaneidade se começar a seguir regras demais.

– Perfeito, se seguir “regras demais” pode ser que perca, mas, neste contexto você está falando de regras demais?

– Não né?

– Como seria se ao invés de entender “regrado” como “seguir um monte de regras que vão me tirar a espontaneidade” você entendesse como “definir comportamentos que vão me ajudar a chegar onde eu quero, do jeito que eu sou”?

– Soa mais interessante.

– Ótimo, tente imaginar-se fazendo isso do seu jeito então.

– Bem melhor.

Sempre me pergunto o que passa na cabeça das pessoas quando elas falam em “ampliar a mente” ou “expandir a mente”, parece que a mente é uma bexiga que quanto mais você sopra mais ela cresce, seria isso “ampliar a mente”?

Creio que depende do que cada um acredita que a mente “é”, no meu caso, por exemplo, acho que “ampliamos” a nossa “mente” cada vez que temos um pequeno aprendizado – ou grande – que nos faz ver as mesmas situações de uma forma mais enriquecida. Quando percebemos mais detalhes de um mesmo cenário, quando temos mais comportamentos adequados para lidar com as situações, quando aprendemos a expressar nossas emoções de formas variadas que atendem nosso desejo e intenção.

Desta forma, no exemplo acima, a pessoa “ampliou” a sua mente quando entendeu que o conceito que ela tinha de “ser regrado” poderia ser entendido de uma maneira mais rica que englobava aquela forma antiga e abria outras possibilidades não exploradas antes e isso a permitiria ter comportamentos diferentes no mundo mantendo a sua integridade.

Este exemplo também é útil para mostrar que a tal “ampliação” pode ser feita de uma maneira muito simples e profunda, sem sofrimentos e até com descontração. Afinal de contas, enriquecer pode ser prazeroso também! E enriquecer a mente além de prazeroso pode ser tranquilizador, pois os novos conhecimentos, habilidades ou emoções nos deixam mais aptos à viver o/no mundo.

Em geral nossa mente está habituada a seguir sempre o mesmo roteiro – e isso é importante, porque sem isso não funcionamos no mundo, de uma certa forma a rotina é necessária – e enquanto seguimos este roteiro de uma forma cega não nos permitimos questioná-lo em busca de mais informações ou de novas formas de agir. Uma vez que paramos com o hábito e o questionamos podemos, então, nos abrir para fazer as perguntas certas e ampliar a nossa mente.

Qual seria a pergunta que iria inquietar você e levar a sua mente ao próximo passo?

Abraço

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Juízes
27/12/2013

– Eu fico o tempo todo brigando sabe?

– Sim, complicado isso não é mesmo?

– Pois é, é um estresse mental.

– É verdade. Com quem você briga aí dentro?

– Com todo mundo, pai, mãe, amigos…

– Qual o tema das brigas?

– Eu fico meio que justificando o que eu quero fazer sabe?

– Como que mostrando que você tem razão no que quer?

– Sim.

– Entendi… e se você não precisasse mostrar para eles que tem razão?

– Como assim?

– Imagine você num futuro no qual você não precisa mostrar que tem razão, como seria, de lá, observar você aqui, hoje, tendo tido este problema?

– Nossa… difícil isso hein? Acho que… eu pensaria: nossa, quanta energia jogada fora do jeito errado.

– Hum… e?

– E eu relaxaria mais, ficaria muito mais tranquila e iria pensar mais no que eu quero e em me aproximar das pessoas que eu gosto.

– Me parece uma coisa boa, não?

– Sim

– E, se você, ainda daquele futuro, olhasse para dentro de você, qual seria a principal diferença entre você aqui com aquele problema do passado e lá no futuro com a solução e uma qualidade de vida melhor?

– Eu não me culparia pelo que quero… Eu me diria que mereço o que quero.

 

É muito comum acharmos que os outros nos seguram, que tolhem nossa liberdade ou que desafiam nosso desejo.

Existe, porém, um artifício que usamos e não damos a devida importância que são as pessoas que “guardamos dentro de nós”. Gosto de usar o termo “juízes interiores” quando falo sobre este artifício. O exemplo do cliente acima mostra um pouco do funcionamento: a pessoa deseja algo e imediatamente coloca em funcionamento os juízes que ela tem dentro dela para negarem seus pedidos, falarem que o que ela deseja é errado ou moralmente inadequado. Em geral eles usam frases de pessoas importantes para nós que nós já ouvimos antes “quem você pensa que é para…”, “você não sabe de nada”, “primeiro o trabalho depois a diversão” e outras que servem para que a pessoa entre em conflito com aquilo que deseja.

A grande “pegadinha” é que – embora a pessoa possa, de fato, ter ouvido estas frases antes – ela é quem as coloca dentro de sua própria mente. Ela está repetindo as frases para si mesma e brigando com elas. É algo um tanto “confuso” porque a própria pessoa cria as frases contra as quais briga e quer se libertar. É como se ela construísse uma prisão, se trancasse, jogasse a chave fora e ficasse lá dentro reclamando que está presa. Um sufoco e tanto que desperdiça um monte de energia.

Para começar a mudar este panorama e sair da prisão auto-imposta é importante que a pessoa perceba que os juízes são colocados por ela própria. Em segundo ligar é importante também, aprender a perceber quais são os argumentos que eles utilizam. Este passo é importante porque muitas vezes as pessoas estão  brigando contra argumentos que elas concordam! Brigam apenas por não querer aceitar o controle de alguém sobre elas, porém, em seu íntimo, elas mesmas dão voz àquilo contra qual lutam. É importante, neste caso aprender a conciliar e se integrar com o argumento.

Para os outros é importante perceber que eram argumentos de outras pessoas que – visto que você não concorda – não são úteis para você e, com isso, poder libertar-se de algo que, na verdade, nunca foi uma prisão verdadeira. Deixar os outros com seus argumentos e se assegurar de seguir os seus próprios é o que faz a pessoa poder libertar-se de julgamentos inadequados. Como diz um grande terapeuta de família a ideia é atingir a capacidade de dizer sim sem raiva e não sem culpa neste cenário. Entender que mesmo que as pessoas tenham ideias diferentes das suas você ainda pode realizar aquilo que deseja de acordo com os seus próprios ideais é o exercício deste hábito que desenvolvemos.

Abraço

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Centramento
25/12/2013

– Eu estou pensando muito nele e isso esta me incomodando sabe?
– Claro! Qual o problema com isso?
– Não sei direito…
– Pense! Respire bem fundo e preste atenção na sua respiração.
– Ok… Ah… Entendi… O problema é que estou focando nele só que nesta situação, tenho que focar em mim.
– Perfeito!

Estar com boa auto estima é estar em paz consigo e com o mundo.
Muitas pessoas quando estão com problemas em seus relacionamentos, por exemplo, tendem a focar a atenção no outro – para tentar muda-lo – e, ao fazer isso param de se perceber.
Isto gera um grave problema pois desloca o foco da situação para uma disputa de poder ao invés de abrir a relação para um aprofundamento da intimidade.
Quando a pessoa volta o foco para o seu desejo e suas necessidades fica mais fácil perceber como a situação atual está afetando a pessoa e o que é possível fazer com isso.

Abraço
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Fabricando culpa
23/12/2013

– E daí eu fico muito braba com isso, me dá uma raiva.

– Sei, e o que te dá vontade de fazer com isso?

– Cara… a vontade era enfiar a mão na cara dela!

– Você se imagina fazendo isso?

– Já imaginei isso sim, mais de uma vez.

– Em estado associado? Como se você estivesse na cena mesmo?

– Sim… em primeiríssima pessoa.

– E como você se sente quando pensa nisso?

– Ah, na hora da um alívio, mas é meio constrangedor não é mesmo?

– De fato, porém é a única resposta que você consegue dar não é mesmo?

– É… eu não me permito dar os limites né?

– Pois é, e acaba fazendo esta fantasia destrutiva na sua cabeça.

– E é complicado porque eu não vou fazer isso… e acabo de mãos atadas e me sentindo culpado.

– Sim, de algo que você não fez ainda!

– Pois é!

A culpa é um sentimento corrosivo? Particularmente não acho a culpa algo prazeroso, no entanto, ela é uma emoção importante para nós.

O que a culpa quer dizer? Que sinto que cometi uma falta, um erro passível até de punição. Não há nada de errado com isso à meu ver. O problema é quando a pessoa se afunda na culpa e generaliza a culpa para a sua personalidade, algo como: “fiz isso, portanto eu sou uma pessoa desprezível”, mas isso não é responsabilidade da culpa e sim da falta de percepção da pessoa que é bem radical neste sentido.

Muitas vezes nos sentimos culpados por coisas que fizemos. Atitudes e comportamentos que não foram adequados segundo os nossos próprios critérios. Em outras, no entanto, a culpa vem de coisas que “não fizemos”. Como assim? Muitas vezes as pessoas imaginam uma dada situação, criam ela em sua mente e vivem ela como se fosse realidade – o cérebro não distingue o real de imaginário, para ele só existe o real, então se pensamos em algo é, para nós, como se fosse verdade. Isso é o mecanismo que explica porque sentimos medo de um filme de ficção, por exemplo, sabemos que é irreal, mas sentimos o medo da mesma forma – e quando se vive a fantasia tal como real podemos sentir culpa de algo que imaginamos ter feito.

Muitas culpas são criadas desta forma. Um exemplo clássico é o do filho(a) que tem medo de ter matado o pai ou a mãe. Na sua fantasia ele(a) é o(a) assassino(a) do pai ou da mãe, nada mais longe da realidade, porém, fantasiado como real assume o valor de real e, assim, a culpa vem da mesma forma, com a mesma força. Em exemplos mais cotidianos, temos o do cliente acima que sentia vontade de “enfiar a mão na cara” e sentia-se mal por “fazer isso”, assim com a culpa como guia ele não conseguia ter os comportamentos adequados que precisava ter por medo de “enfiar a mão na cara” e por culpa de ter pensado isso, algo como: “se eu pensei isso é melhor ficar quieto, porque, vai que ela descobre”.

Aprender com a culpa significa aprender a ter auto-controle, por exemplo e frear comportamentos, pensamentos e atitudes inadequadas. Aprender a antecipar situações que lhe são nocivas para que você aprenda a se defender, aprender a se desculpar e se retificar quando necessário e aprender a dar limites de uma forma adequada antes que problemas ocorram. De uma certa forma a culpa – entendida desta forma –  lhe chama para a responsabilidade com o seu próprio sistema de crenças e eu não consigo ver como isso pode ser inadequado.

Abraço

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Responsabilidade
20/12/2013

– Mas eu tinha pedido para ela ligar.

– Entendi esta parte, mas ela não ligou não foi?

– Pois é! Eles deviam entender.

– Eles entenderam: você não ligou e recebeu a punição, está tudo certo.

– Não é justo.

– É.

– Porque?

– Simples: você combinou que se ligasse cancelaria sem problemas e se não ligasse teria um prejuízo, certo?

– Certo.

– Você ligou?

– Eu pedi para ela ligar.

– Você ligou?

– Não.

– Ganhou um prejuízo o que estava dentro do combinado, tudo certo.

– Da próxima vez eu não vou pedir para ela ligar.

– Maravilha, concordo contigo. É importante você assumir a responsabilidade pelo que você combina ao invés de distribuir ela para os outros.

O que é responsabilidade?

É algo muito simples: é ter capacidade de resposta. Responsável é aquele que se propõe à algo e realiza este algo. Não tem nada a ver com moralidade, mas sim com capacidade. Irresponsável, seguindo o raciocínio, é quem se compromete com algo e não consegue cumprir. Sendo assim a responsabilidade tem muito a ver com o que eu faço e os resultados deste comportamento.

O grande problema que percebo hoje é que as pessoas tem atitudes, mas não querem aceitar o resultado de suas ações – talvez isso não seja só de hoje, mas percebo muito isso hoje em dia. Talvez a cultura do consumo de que “o cliente sempre tem razão” ajude as pessoas a acharem que elas podem fazer o que quiserem e terem os resultados que desejarem. Desassociar ato de resultado não é uma atitude sábia.

Junto com isso, no Brasil, em específico, temos uma cultura que em primeiro lugar faz com que a pessoa busque o jeito “errado” de agir e que, por consequência, tenha que se submeter ao “jeitinho brasileiro”. Resumindo, aqui no Brasil ao invés de pregarmos que o comportamento adequado é o melhor, pregamos que o melhor é você fazer as coisas de qualquer jeito e dar um jeito de isso funcionar. Creio que todos estes elementos se juntam para que a responsabilidade seja um tema “tabu” – eu o considero assim – em nossa sociedade.

Porém, trabalhar com a responsabilidade é algo muito simples. Simples por ser concreto: quero x, sei como fazer? Sei, ótimo, faço e tenho o resultado, é o que eu queria? Sim, perfeito, consegui, sou responsável e capaz disso. Não deu o resultado, volto para a prancheta buscando novas soluções até conseguir. O maior problema neste processo todo é aceitar o resultado das ações. As pessoas tem dificuldade em aceitar que fizeram algo que não funcionou, que não deu certo ou que as suas ideias estavam erradas desde o começo e, ao invés de mudarem seus atos, mantém-se cometendo os mesmos erros para ver “se muda alguma coisa”.

A insistência é importante em muitas ocasiões: um treinamento, por exemplo, exige insistência, é repetir e repetir e repetir novamente o mesmo movimento até a perfeição. Para isso funciona, porém para muitas outras situações – como querer mudar o outro ou o desejo do outro – é algo altamente frustrante.

Seja honesto com você: o que a sua forma de agir está dando como resultado? É isto o que você quer ou você quer outra coisa? Se está conseguindo o que quer comemore e aproveite, se queres algo diferente, faça diferente, seja responsável!

Abraço

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Quedas
18/12/2013

– Essa semana foi complicada…

– Porque?

– Tudo o que eu estava fazendo sabe? Eu não consegui fazer…

– Tudo?

– É, quer dizer, não é tudo, mas, por exemplo, eu me descuidei nos meus exercícios e na minha alimentação. Daí acabei me irritando com isso e fui muito grosso com minha namorada alguns dias.

– Entendi. Muito bem, o que aconteceu que você teve este “deslize”?

– Bem… não sei ao certo.

– O que aconteceu antes do deslize?

– Bom, no estágio… acho que tem a ver com isso… eu tive um dia muito ruim porque meu chefe invocou que eu tinha feito um negócio que eu não fiz. Como é que vai se provar isso né?

– Sim, e daí, como uma coisa tem a ver com a outra?

– Bom… saí do estágio e fui tomar uma cerveja com o pessoal, daí a cerveja virou pizza e no dia seguinte não fui na academia porque fui dormir tarde.

– E depois?

– Bom… quem errou uma vez, erra outra né?

– Entendi, fez o repeteco?

– Sim.

– É, pois, é… quem sabe você encontra formas melhores para lidar com a frustração, raiva do que agir contra você mesmo?

– Pois é Akim… fiquei pensando nisso…

– Vamos, então, pensar em soluções para lidar com este tipo de situação, caso ela ocorra novamente.

– Ok.

Não é a toa que chamamos a terapia de processo, ela não é uma linha reta e ininterrupta entre o estado atual da pessoa e o estado desejado dela.

Durante o processo a pessoa aprende, erra, aprende novamente, percebe uma situação na qual é mais difícil ter o mesmo comportamento e com isso precisa aprender mais ainda sobre si. É óbvio que durante este processo ela terá “quedas”, “erros”, “tropeços” ou até mesmo “recaídas” como alguns preferem dizer. E este post se dedica à duas coisas: dizer que é normal ter uma “recaída” e ajudar você a entender o que fazer nestes momentos.

Terapia envolve aprendizado e aprender envolve errar. Daí que é natural errar, tropeçar ou ter recaídas. Além disso é importante mostrar que sempre que essas recaídas ocorrem percebemos que existe uma relação entre um comportamento novo que está sendo moldado e um comportamento antigo já enraizado na pessoa. Esta relação é importante de ser percebida para que a pessoa possa perceber quanto ela está evoluindo de um ponto para outro e perceber que detalhes ela precisa prestar mais atenção ao longo do processo.

Em alguns casos, por exemplo, a pessoa aprende a dar limites. Ela sai-se muito bem no trabalho e com amigos, mas quando vai para o ambiente familiar isso não vai tão bem assim. Torna-se óbvio perceber que ela tem a competência, porém, para o ambiente familiar necessita de mais alguns aprendizados e descobertas pessoais.

Detectar quais são estes detalhes e em que situações eles são necessários é o que devemos fazer ao termos um deslize. Culpabilizar-se não é uma boa estratégia porque estamos falando de um processo de aprendizado, porém detectar onde precisamos melhorar é adequado pois envolve aceitar o erro e lidar com ele firmando ainda mais o compromisso com a mudança e com a integridade da pessoa.

Se você “deslizou”, não se desespere, pare, retome tudo o que fez, o que ocorreu antes e depois e pergunte-se: o que é preciso melhorar? O que tenho que aprender sobre isso? Assim você estará pesquisando a sua própria vida e aprendendo com ela.

Abraço

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Expressão
16/12/2013

– Não consigo me expressar.

– Expressar o que, especificamente?

– Eu sabe? “Eu”!

– Claro que sei, mas o que seria expressar “eu”, no caso “você”?

– Eu não sei!!

– Então vamos pensar, o que poderia ser uma expressão de “eu” no seu caso?

– (Silêncio) Aquela música do Lenny Kravitz “Fly Away”.

– Hum, perfeito! O que tem nela de “eu”?

– Que eu quero conhecer o mundo, sinto essa vontade de ir além!

– Ótimo, como você expressa esse desejo no seu dia a dia?

– Eu acho que só reclamando da cidade (risos).

– Sim, só que essa não é uma forma legal de fazer isso não é mesmo?

– É, bem… não me acrescenta nada além de raiva daqui né?

– Pois é! De que outra forma você poderia expressar essa parte sua?

– Acho que eu poderia planejar as viagens que eu quero fazer, os lugares que quero ir e me preparar né?

– Acho muito mais interessante! O que mais significa “eu”?

– Eu acho que estou entendendo que eu quero me expressar, mas não sei o que extamente… acho que “eu” neste momento tem a ver com “dúvida” também sabe?

– Sim, é isso mesmo, muitas dúvidas não é mesmo?

– É… é engraçado… eu não gosto de sentir que tenho dúvidas… mesmo isso sendo parte de mim hoje.

– Às vezes é difícil aceitarmos algumas coisas em nós mesmos…

– Pois é

– E isso prejudica  a nossa auto expressão.

– Entendi.

Expressar. Muitas pessoas reclamam disso no consultório, porém quando perguntamos coisas básicas como: o que você quer expressar? Como quer fazê-lo? Para que? Elas não possuem respostas.

Muitas vezes o que existe não é nem a necessidade de expressão, mas apenas a inquietação, a angústia de “algo que esta ali dentro” e não se sabe o que e nem como é. É importante aprender a entrar em contato com isso de uma maneira a não apressar o processo de entendimento, negá-lo ou negligenciá-lo. Aprender a ter este domínio é algo importante para o amadurecimento e para a auto-expressão.

Existe uma diferença entre expressar e “vomitar” o que temos dentro de nós. A expressão envolve a participação ativa da pessoa no processo de descoberta do que expressar e da forma a ser usada para isso, é um processo criativo e “responsável” que envolve a vontade, o desejo e a escolha da pessoa. A expressão dá uma sensação de alívio e de realização, muitas vezes seguida de orgulho pessoal. Vomitar não, é apenas a descarga de algo que está lá dentro, em geral o “vomito” ocasiona um profundo alívio seguido de sensação de culpa e de “não era bem isso que eu queria dizer”. É o famoso ditado: fala o que quer, ouve o que não quer. Muitas pessoas confundem expressar e vomitar.

Para que você se ajude neste processo permita que a inquietação dentro de você exista. Keleman usa o termo “conter”, conter é prestar atenção ao que ocorre, entrar em contato com a sensação, pensamento sem precisar realizar nada com aquilo. A contenção é um passo importante para compreender o que querermos e como querermos. Conter é totalmente diferente de reprimir, pois a intenção da contenção é criar contato e buscar expressão que é diferente da repressão que busca afastar o conteúdo da consciência.

Se você conseguir conter, entrará em contato com aquilo que existe dentro de você. Assim sendo a próxima pergunta é: o que é isso? Uma sensação? Um desejo? Um pensamento? Algo que quero evitar?Algo que quero me aproximar? Outras vezes fazer perguntas não ajuda muito, em algumas situações o mais interessante é entrar em contato com a sensação e simplesmente permitir que a mente vagueie criando imagens até que uma ou alguma delas façam mais sentido que outras. Em outras situações a pessoa pode preferir conversar com alguém ou ouvir músicas até que uma delas fale algo ou tenha um ritmo que seja ligado àquilo que ela quer perceber e expressar.

Após o “o que” estar definido vem o “como”, “para que” e “onde, quando”. Criar todo este cenário é que chamamos de expressar. Obviamente isto não precisa ser feito de uma maneira racional, pode ser algo muito afetivo e “lento”, por exemplo, o importante é que o que for “sair” da pessoa realmente lhe diga algo, adquira sentido e significado, trazendo alívio, orgulho, realização.

Abraço

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Genes ruins?
15/12/2013

23-06-2013

Eu adorei esta!

Na maior parte das vezes as crianças e seus comportamentos são praticamente puros reflexos da dinâmica familiar.

Muitos pais não conseguem perceber isso e tratam o filho como um problema sem perceber como que eles próprios contribuem para este problema. Eu não creio que no caso do Calvin eles tenham alguma culpa, mas na vida real isso sempre se mostra! Preste atenção!

Hábitos
13/12/2013

– Esta semana foi uma semana ruim.

– O que aconteceu?

– Ah, aconteceu que eu me desorganizei toda.

– Ah é? Me conte.

– Pois foi o seguinte: eu tive uma briga com o meu namorado e daí acabei não fazendo nada direito ao longo da semana.

– Sei.

– Mas o que mais me doeu foi que eu estava consciente disso sabe? Eu entendi o que eu estava fazendo, sabia que não era bom, mas fiz.

– Entendi. Bem, se você percebeu isso te pergunto: a “rotina” antes da briga estava boa?

– Sim, era o que eu estava precisando, até isso tem a ver com a briga.

– Eu imagino que sim, então por onde começar a voltar à sua rotina?

– Deixe-me pensar

– Deixo…

Nosso cotidiano é composto de hábitos. Sempre acho graça quando as pessoas dizem que “não tem rotina”, claro que tem! “Não ter rotina” é uma forma de dizer que a pessoa faz coisas diferentes sempre, porém, “fazer sempre a mesma coisa” é uma rotina.

A questão é se os hábitos que compõem esta rotina nos favorecem ou tornam nossa vida penosa e chata. Desde a forma de acordar, se exercitar, conversar, trabalhar, comer, enfim, todos os pequenos detalhes que criam um dia em nossas vidas. Você já experimentou acordar de um jeito diferente? Como seria escovar os dentes com a outra mão? E comer uma comida totalmente atípica pela manhã?

Todos os hábitos que cultivamos ajudam a criar quem somos. Em geral quando não estamos muito satisfeitos conosco é importante modificar alguns hábitos que mantemos próximos de nós. Desta forma podemos criar novos resultados em nossas vidas e mantê-los também. Quando começamos a ter hábitos mais saudáveis para nós torna-se mais difícil voltar atrás e, quando o fazemos, em geral, nos sentimos mal.

Começar a criar um novo hábito tem como ponto de partida clarificar para nós aquilo que queremos. Sem isto em mente é muito mais difícil saber que hábitos devemos modificar e quais devemos criar. O que você deseja hoje, para a sua vida, que depende inteiramente do seu comportamento? Como você poderia colocar isso na sua rotina diária?

O segundo passo é fazer, a ação cria memória, nosso cérebro e nosso corpo registram a atividade e as conseqüências benéficas que ela nos traz, fator que aumenta a chance de realizarmos o mesmo comportamento novamente. Quanto mais fazemos, tendo bons resultados, mais desejamos fazer, rapidamente ficamos “viciados” em fazer o que é bom para nós.

Obviamente podemos ter aquele “medinho” inicial. Este é o momento de pensar muito forte naquilo que desejamos como resultado final de nossas ações. Me lembro de um cliente que disse: não tem sabor no mundo que valha mais do que a minha tranquilidade quando me peso. Toda vez que ele desejava comer à mais lembrava-se da sensação conquistada de bem-estar frente à balança e isso o ajudava a manter seu peso e comportamento, com o tempo, isso automatizou-se dentro dele.

Porque não dar uma chance à você mesmo? Tente, experimente, crie hábitos para o seu desenvolvimento!

Abraço

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Impotência
11/12/2013

– Eu não sei o que fazer nessas situações sabe?

– Não sabe? Uma pessoa é agressiva com a outra, o que se faz?

– (Silêncio) se defende?

– O que você acha?

– É…

– É?

– Se defende.

– Perfeito! Muito bom, então você sabe o que fazer! O que te impede de fazer isso nessa situação?

– Não sei, me sinto impotente quando estou na frente dela.

– Entendo, o que te faz ficar impotente?

– Quando ela fala ríspida comigo

– O que acontece daí?

– Me sinto como quando era pequeno com meu pai gritando comigo.

– Entendi… mas se você evocar aquele menininho ele não vai dar conta mesmo não é?

– Pois é.

– Que tal evocar um homem adulto como sei que você é?

– Melhor não é mesmo?

A sensação de impotência talvez seja uma das mais doloridas e difíceis de lidar para o ser humano.

A impotência tem a ver com a nossa incapacidade de realizar algo frente à uma dada situação, a cena clássica é a nossa impotência frente à morte: não há nada à se fazer, somos mortais, portanto, morremos. Esta incapacidade de modificar uma situação é muito deprimente, muitas pesquisas já foram feitas sobre o tema e a incapacidade de adquirir competência é algo altamente frustrante para o ser humano.

A sensação de impotência, muitas vezes é sentida em situações nas quais a pessoa pode ter poder de ação, mas não tem. Nestes casos é importante auxiliar a pessoa a aprender a ter atitudes e comportamentos para lidar com a situação. Algumas pessoas, por exemplo, se cobram demais em uma determinada situação que não tinha outras alternativas, ela fez “o que era possível” fazer e, sendo assim, não era inteiramente impotente, mas talvez as expectativas dela queriam muito mais do que era possível.

Em outros casos, como neste acima a pessoa tem comportamentos que não usa para determinadas situações e acha-se, então, impotente. Esta impotência, porém não é fato, é apenas a falta de tomada de atitude. É mais uma sensação paralisante do que, necessariamente, a impotência de fato. Neste caso, temos  o que chamamos de “identidade impotente”, ou seja, a pessoa que se identifica como “aquela que não sabe/ não pode/ não consegue ter uma atitude”. Este tipo de identificação é altamente nociva para a pessoa e requer que organizemos uma nova forma de se perceber para ajudá-la a vencer seus desafios.

Por último reside a real impotência, como aquela frente à morte. Neste caso o processo é de aceitar o que devemos viver. Envelhecer é um outro processo frente ao qual somos impotentes, porém aceitar tudo isso com tranquilidade é um grande desafio. Em geral as pessoas que lidam bem com a impotência aprendem a fazer a seguinte distinção: se eu posso fazer algo, me responsabilizo por aquilo, se não posso, não me responsabilizo. Esta atitude – para esta situação específica – é altamente positiva: não podemos desejar ter responsabilidade por algo fora de nosso controle – ou mesmo da probabilidade de controle, sendo assim, aceita-se com mais facilidade aquelas situações que não temos nada para fazer.

Abraço

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