Archive for novembro \29\UTC 2013

Pessoas brabas
29/11/2013

– Ele é muito brabo sabe?

– Sim, você já me falou, mas eu percebo outra coisa nele também.

– O que?

– Medo.

– Medo? Nossa…

– Você já percebeu que sempre que ele fica “brabo” é quando você mostra algum desejo ou intenção sua?

– É verdade, não tinha feito o link mas pensando bem…

– Pois é, porque será?

– Nossa Akim, será que ele se sente ameaçado?

– O que você acha?

– Sabe que pensando assim faz sentido? Ele sempre fala meio brabo comigo e fica dizendo que eu quero sair de perto dele… Que coisa!

– Pois é…

As tais “pessoas brabas” que são um tema recorrente no consultório em geral são pessoas muito rígidas e medrosas. Porque afirmo isso?

Raiva e brabeza são necessários quando?Em geral quando estamos preocupados ou nos sentindo agredidos e violados, e sempre que nos sentimos assim a emoção básica que temos é o medo. A solução para o medo é a fuga ou a luta e para estas duas situações sentimos a emoção da raiva. A pessoa braba é a pessoa que ataca. Ela ataca para não ser atacada ou para neutralizar o que ela considera como oponente – que pode ser desde uma pessoa até mesmo uma ideia.

Assim temos o pai autoritário que percebe toda manifestação de individualidade dos filhos – assim como da esposa muitas vezes – como ameaças a serem neutralizadas e ele ataca com sua brabeza. A esposa ciumenta que ataca toda manifestação de vida própria do marido porque considera esses atos ofensivos e a lista se estende.

Se você se identifica como uma dessas pessoas brabas pare para refletir sobre os seus medos e ansiedades – tá eu sei que você não tem nenhum – mas então pare e pense no porque você se irrita tanto com uma frase que seu filho diz ou com um comportamento de sua namorada, mãe, pai ou qualquer pessoa. Pergunte-se: para que serve toda esta brabeza? E lembre-se que só ficamos agressivos quando algo nos agride, portanto o que está agredindo você? Isso realmente precisa ser entendido como uma agressão?

Se você identifica os brabos e não sabe o que fazer com eles, lembre-se da mesma ideia: ele está reagindo à algo que está fazendo com que ele sinta-se violado ou agredido. Se a agressão vou muito violenta – tanto física quanto verbal ou moralmente falando – o melhor a fazer é se afastar e encontrar maneiras de se defender. Se não for o caso, tente olhar para esta parte dele (a) que está se sentindo violada, isso pode ajudá-lo (a) a poder deixar de lado a brabeza e buscar suavidade dentro de si.

Abraço

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Quem tem tempo?
28/11/2013

25082013

O que é esta última frase? “mas a vida não dá tempo (de envelhecer).

Você já pensou em “não ter tempo para envelhecer”? Não porque você vá se encher de botox para manter a aparência, mas porque vive a vida com tamanha intensidade que mesmo com seu corpo biológico correndo seu ciclo natural você simplesmente mantem-se ativo e “jovem”. Sempre penso nisso quando vejo “velhos” de 15, 20 ou 30 anos, pessoas jovens, cuja mente e disposição já estão mortas à muito tempo. Quem sabe ressuscitar? É possível!

Quem decide?
27/11/2013

– Mas eu acho que ele não vai gostar disso.

– É bem provável que não.

– E daí, o que eu faço?

– O que, de fato?

– Ai não sei…

– Para onde você está olhando para decidir isso?

– Para ele né?

– Sim, olhe para você e veja como a coisa fica mais fácil.

Um tema recorrente no consultório são pessoas que tem “problemas de decisão”.

Dificilmente encontrei alguém com reais problemas de decisão, em geral são adolescentes que ainda não aprenderam a tomar decisões de forma adulta o que é algo normal porque eles ainda tem que aprender isso e não exatamente um problema.

Para o restante dos meus clientes o que mais acontece é que a pessoa toma a decisão, ela sabe muito bem o que quer, mas quando a decisão dentro dela pede por uma ação ela coloca outras pessoas na sua frente para julgarem se a ação é adequada ou não. Em outras palavras: a pessoa decide fazer um curso, mas na hora de fazer a inscrição ela imagina seu pai e sua mãe com caras feias e desaprovadoras lhe dizendo o quão idiota aquele curso será, com base nisso ela prefere desistir do curso ou então se inscreve para largá-lo mais tarde.

A questão em pauta é a falta de uma perspectiva pessoal com a qual julgar os seus desejos. A pessoa torna-se refém das fantasias que ela tem sobre pessoas que ela mesma coloca para julgar os seus atos e desejos. Assim sendo ela julga o que quer fazer não com base no que aquilo vai trazer de bom para ela, no porque aquilo é importante para ela, mas sim com base no que ela julga que os outros vão desaprovar o que ela quer. Obviamente, tomar uma decisão e agir desta forma é algo realmente difícil.

A ideia é a pessoa aprender a dar um julgamento pessoal ao que deseja fazer e aprender a se individualizar; ou seja, aprender que as pessoas podem desaprovar o que ela quer, mas que isso não implica em ela também desaprovar. Se a desaprovação alheia torna-se apenas isso a pessoa pode sentir-se livre para fazer o que quer, livre de suas próprias fantasias e necessidades infantis não resolvidas.

Isto é, um geral, o que as pessoa acabam trabalhando: a resolução de necessidades que ela mesma tem e não reconhece em si. Por exemplo: um homem que já ganha o seu dinheiro e é independente, mas precisa da aprovação da esposa ou namorada para fazer alguma coisa. Mesmo desejando ele não faz porque teme ser desaprovado e com isso irritar a parceira e então “perder” a relação. Em geral este perfil precisa aprender a se respeitar e diferenciar uma divergência do término de uma relação, estas são necessidades não resolvidas, ou melhor dizendo, entendidas de uma forma que limita muito o comportamento do indivíduo.

E você, quem decide a sua vida: você ou as fantasias que você tem das pessoas que ama?

Abraço

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Pseudo-Estima
26/11/2013

03-11-2013

A tira é fantástica não é?

Ela é perfeita em várias formas; em primeiro lugar o fato de o EGO estar na máquina, ou seja, ele é externo à pessoa. É incrível a quantidade de pessoas que realmente acha que auto-estima tem a ver com elementos externos à pessoa como carro, roupas e amigos. Vale lembrar que “auto” significa “próprio”, desta maneira “auto” estima é algo gerado pelo próprio indivíduo e não por outras pessoas ou coisas.

Em segundo fala a respeito da dependência que se cria da pessoa em relação à fonte da auto estima. Se a auto estima é externa à pessoa, ela precisa estar sempre voltando à fonte para “recarregar” as baterias.

Em terceiro propõe sobre uma das maiores fontes de pseudo estima atuais que são as redes sociais. Já vi mais de uma vez pessoas que retiraram posts de seu facebook pelo fato de não terem sido curtidos. Porque? O mural não é algo pessoal? Se sim, porque retirar um post de seu agrado apenas porque terceiros não aprovaram?

E quarto: o problema de pessoas que acham que tem estima, mas só tem uma grande quantidade de “likes”, que saem por aí de peito erguido espalhando a sua baixa auto estima sem sequer perceber e, ao invés de contribuir para melhorar a situação, pioram-na sem sequer saber que o estão fazendo.

Mudanças e mudanças
25/11/2013

– Eu vivo ganhando e perdendo peso sabe?

– Sim, sei como é.

– E aí começa a cansar a gente, não aguento mais fazer dieta.

– Dieta é estressante não é mesmo?

– Demais, queria não precisar mais ficar nessa, mas é tão difícil!

– Como você pensa no seu peso?

– No momento, por exemplo, tenho que perder 8 quilos.

– Entendi, e quando você perde os quilos, como pensa no seu peso?

– É uma conquista! Me sinto vitoriosa!

– E depois de um tempo você “relaxa” na dieta e começa a aumentar o seu peso não é mesmo?

– É… é algo assim sim.

– Faça uma experiência: imagine uma linha que seria a sua “linha da vida” do seu passado até o futuro.

– Ok.

– Agora quero que você faça uma imagem sua com um peso ideal e real para você.

– Tá bom, fiz.

– Ótimo, agora quero que você imagine como é a sua rotina tendo este peso, ou seja, todos os comportamentos que envolvem estar com este peso.

– Certo, imaginei… uma rotina bem diferente.

– Perfeito, agora o que eu quero que você faça é imaginar esta rotina todos os dias ao longo da sua “linha do tempo”.

– Ok.

– Como foi?

– Nossa… estou me sentindo diferente com relação ao meu peso… na verdade, nem é em relação à ele, mas em relação à mim.

– O que mudou?

– O que eu tenho que fazer para ter o que quero… minha responsabilidade frente ao peso mudou.

 

Muitas pessoas querem mudar. Mudar, muitas vezes não é difícil, é fácil, significa ter um comportamento diferente, agir diferente em uma dada situação. Porém, isso nem sempre assegura que a pessoa tem um novo posicionamento interior, uma nova atitude.

Quando se deseja uma mudança é importante saber qual o impacto real que ela terá em sua vida. O tema “peso” é muito bom para explorar este aspecto. As pessoas que mudam seu peso, de fato, são aquelas que modificam hábitos alimentares, de exercício e emocionais que as permitem fazer escolhas saudáveis e o fazem durante a vida toda. Não se trata de uma dieta para perder peso, mas sim de um nova forma de encarar a forma pela qual a pessoa ingere gasta sua energia além das proteínas e vitaminas. Portanto a mudança é para a vida toda.

Encarar as mudanças desta forma é fazer uma diferenciação entre uma mudança de primeira e de segunda ordem. Ambas são válidas dependendo do contexto e não tem uma “melhor” ou “mais profunda” que a outra, elas são diferentes e envolvem esforços diferentes da pessoa.

Uma mudança de primeira ordem, por exemplo, é fazer dieta. Ela resolve o problema naquele momento e envolve a ideia de seguir determinadas ideias e comportamentos, nada mais. Em geral as pessoas conseguem bons resultados para este tipo de mudança e para determinadas situações ela é muito útil. Por exemplo: um lutador que precisa perder peso para se encaixar numa determinada categoria de um campeonato não precisa mudar a sua rotina alimentar a vida toda, a dieta, para ele nesta situação é adequada.

Uma mudança de segunda ordem envolve a mudança comportamental assim como uma mudança na percepção da pessoa em relação à ela e à situação. É o que chamamos de mudança estrutural. Este tipo de mudança é mais adequada quando a pessoa precisa de um comportamento à longo prazo o qual dificilmente se sustenta quando a mudança é de primeira ordem. Por exemplo, a dieta é boa para o lutador, mas para uma pessoa como no caso citado acima não irá ajudar, o que ela realmente precisa é de uma mudança na forma de se perceber e na forma de perceber o seu peso que a ajude a se encaixar de uma maneira “natural” dentro dos comportamentos e crenças novas que ela necessita.

Pense: a mudança que você quer é algo para curto prazo ou para a vida toda? É algo teria um resultado mais forte como um novo comportamento ou como uma nova atitude frente à vida e à situação?

Estas duas primeiras perguntas ajudam a delinear se a mudança que você precisa é de primeira ou segunda ordem. Mudar à longo prazo com mudanças de atitudes em geral é mais útil com a mudança estrutural, as outras podem ter excelentes resultados com mudanças de primeira ordem.

E ai, qual a sua?

Abraço

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Qualidades
22/11/2013

– Mas eu não entendo Akim, para que falar sobre o que eu faço bem? Não tenho que falar da parte ruim para melhorar?

– Claro que sim e vamos falar sobre isso, mas faça um esforço, me conte sobre o que você é bom.

– (Silêncio) É difícil sabe? Eu não sei direito falar sobre isso.

– Sim, é bem mais fácil para você falar sobre o que você não gosta em você não é mesmo?

– Sim.

– Mas se você só olha para isso o tempo todo, como você se vê enquanto pessoa?

– Um fracassado.

– E você gosta de se ver assim?

– Não, óbvio.

– E como você reage à esse jeito de se ver?

– Eu me escondo né? Foi o que vimos semana passada.

– Exato, você se esconde e não quer que ninguém veja isso, fica na defensiva.

– Sim.

– E como você se defende?

– Fugindo.

– Que é a parte “ruim” não é mesmo?

– É.

– E se você tivesse coisas boas para falar sobre você, será que precisaria se esconder tanto? Ou fugir tanto?

– Acho que não… talvez eu enfrentasse mais as coisas… se eu acreditasse nisso…

– Exato…

Água parada mata.

Sempre digo esta frase para meus clientes. Uma qualidade não reconhecida e não empregada causa tanto – ou mais – dano que um “defeito”. A questão é que culturalmente somos educados para tentar “melhorar” aprimorando nossos defeitos ao invés de “ir além” utilizando nossas qualidades.

É comum as pessoas se apegarem aos defeitos e não usarem suas forças e virtudes em detrimento disto o que é um grande erro. Ora, se a pessoa é ótima em matemática, por exemplo, mas não é tão boa em língua portuguesa porque ela deve inutilizar seu conhecimento em matemática por causa da falta de conhecimento em língua portuguesa? Não deve, pelo contrário, as facilidades devem ser utilizadas e comemoradas.

A ideia comum é que temos que ter um ser humano completo: o que adianta tirar 10 em matemática e 5 em línguas? É o argumento comum. Bem, à meu ver adianta muito afinal de contas existem inúmeras situações – e profissões – nas quais a matemática é muito mais importante do que o conhecimento em línguas. Além disso nenhuma pessoa torna-se excelente em tudo, em geral, tendemos a buscar mais conhecimento sobre algo que nos é importante.

O mesmo vale para as forças e virtudes humanas. O ser não precisa ser excelente em todas as virtudes existentes, ele pode viver uma vida muito rica e completa com poucas – os especialistas falam em 5. O grande problema é que ao não usarmos nossas virtudes deixamos de expressar quem somos, ao fazê-lo não valorizamos o nosso eu e com isso destruímos a auto-estima e isso pode causar graves problemas.

Me lembro de um rapaz que atendi: ele era muito bom escritor, porém não era bom em matemática. O pai era o contrário, porém a cobrança – por motivos óbvios – recaia sobre o estudo da matemática. Durante anos este rapaz se culpou por não ser bom em matemática o que lhe fazia não ter tempo para se ocupar em escrever e valorizar o que escrevia. Durante sua terapia incentivei-o a escrever e parar de se ocupar tanto da culpa por não ser bom em matemática. Algum tempo depois ele escreveu um livro e com o sucesso resolveu iniciar outro projeto, sentia-se muito feliz e integrado consigo por estar  fazendo “algo que sempre deveria ter feito”.

Cada ser humano possui as suas qualidades e partes suas que não são tão bem desenvolvidas. Tão importante quanto melhorar algumas das partes não desenvolvidas para melhorar a qualidade de vida é se dar a qualidade de vida com base no que a pessoa já faz bem, nas qualidades que ela já possui. Não fazer isso causa dois problemas: ter que segurar as qualidades dentro de si e se culpar por “não ser tão bom em…”.

Quais são as suas qualidades, forças e virtudes? Como você tem usado elas no seu trabalho, nos seus relacionamentos, na sua vida em geral?

Não deixe o que existe de bom dentro de você morrer ou ficar jogado de lado, cada parte de si que você deixa de lado é uma parte da sua felicidade que morre dentro de você.

Abraço

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Eco chato
21/11/2013

18-8-2013

Adoro a Mafalada… mas se ela fosse uma criança de verdade, senhor, como seria chata!

Acho importante sermos críticos, porém existe um limite para a crítica que está ligada à vida, desejosa de viver e pronta para cooperar e a crítica que não para nunca e se torna morosa e limitante: aproveitar a vida é diferente de alienação.

Para as  várias Mafaladas e Mafaldos por aí: relaxem um pouco, vocês não serão piores e nem sequer medíocres por fazer isso.

Chega!
20/11/2013

– E eu fiz aquilo que estava com vontade.

– Poxa vida, que ótimo!

– Pois é, não fiquei pensando em fazer algo contra ele entende? Fiz algo à meu favor apenas.

– Claro que entendo. De fato, não tem nada contra ele, e apenas algo que você quer fazer e, desta vez, fez.

– Sim. Percebi que se eu quero mudanças em minha vida, tenho que começar a fazer por merecer.

– Perfeito!

– Eu cansei de ficar sempre na mesma sabe? Cansei de fingir para mim mesmo que “está tudo bem”!

– Acho que este é o começo de um belo trabalho de mudança pessoal!

Um guru indiano chamado Osho certa vez disse que se as pessoas realmente se entediassem poderiam viver uma vida diferente. Ele disse isso explicando que quando a pessoa percebe o tédio em sua vida – das escolhas que não faz, das palavras que não diz – ela pode se irritar e “se dar um basta”. Em terapia, ocorre o mesmo.

Um estudioso da terapia sistêmica disse, certa vez, sobre o paradoxo da terapia: as pessoas querem mudanças desde que elas não precisem mudar. Obviamente este paradoxo retrata várias pessoas não apenas em terapia, mas também na vida. Desejam mudanças – dos outros – e reclama o tempo todo sobre suas adversidades.

Penso que o trabalho de um terapeuta, muitas vezes, é simplesmente incomodar a pessoa à um ponto tal em que tudo o que ela pode dizer é este “chega!”. Levar – com consciência – as pessoas ao ponto de não-retorno em suas vidas para que elas escolham com os olhos abertos tomar uma atitude – seja ela qual for.

Tenho visto que este “chega” é um momento importante na vida das pessoas. Quando ele chega a escolha é em viver uma vida igual à que sempre se viveu e viver uma vida completamente diferente. Medos? Óbvio, porém a ideia começa a ser ir com o medo ao invés de tentar usá-lo como justificativa para não ir. A percepção da pessoa muda de vítima para causador de seus próprios infortúnios e ela começa a querer resolver situações ao invés de mantê-las tal como estão.

O compromisso com uma nova forma de viver – que ela ainda não possui plenamente – se consolida e então a pessoa começa a agir de acordo com o que percebe, sente e pensa. Para um terapeuta este momento é sempre comemorado pois é o prenúncio de grandes aventuras; para o cliente este momento é rememorado tempos depois como uma sensação de superação pessoal e permanece na memória das pessoas para o restante de suas vidas.

Abraço

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Ambiguidade
18/11/2013

– E já estou farta desta história de ele querer trabalhar sabe?

– Ah é, porque?

– Onde já se viu uma moça na idade dela querer trabalhar Akim?

– Complicado. Mas me parece que ela tem iniciativa afinal de contas não?

– Como assim?

– Ora, semana passada você reclamava que a sua filha era muito “bunda mole”, mas não me parece isso, afinal, que “bunda mole” quer trabalhar?

– Hum… é verdade…

– Já parou para pensar que você, de um lado cobra uma coisa e de outra cobra o oposto?

– Agora que você disse… sim, entendo.

– Pois é… como você acha que ela se sente com isso?

– Bem, eu me sentiria confuso!

– Pois é… a sua filha não é bunda mole, está apenas confusa com você!

Um dos comportamentos humanos mais devastadores é a ambiguidade. Dizer uma coisa e logo depois afirmar o seu contrário.

Paul Watzlavick e seu grupo estudaram a fundo este comportamento e mostraram como a comunicação ambígua pode inclusive “enlouquecer” as pessoas. Porque ela é tão devastadora?

Qualquer pessoa que já passou pela experiência sabe que quando você está em uma situação ambígua é impossível ter a noção adequada do que fazer. A comunicação ambígua faz com que dois opostos sejam ao mesmo tempo falsos e verdadeiros e, com isso, eles minam a possibilidade humana de tomar uma decisão adequada.

Um exemplo clássico da ambiguidade é em relação à independência dos filhos. Os pais dizem, de um lado, cresça e vá para o mundo e, de outro, os filhos abandonam os pais. Assim cria-se uma situação ambígua porque o pai diz: “faça o certo meu filho, vá para o mundo” e ao mesmo tempo afirma “você está me abandonando”. O que a pessoa está ,de fato fazendo? Indo para o mundo ou abandonando? Fazer o certo significa, ao mesmo tempo, errar. Assim sendo, como decidir? Este é o paradoxo que a comunicação ambígua coloca.

Em geral a pessoa que está envolvida não percebe que está envolvida. O cenário é tão próximo e tão familiar que ela simplesmente acaba se culpando ou culpando o mundo por serem tão complexos e difíceis. A ambiguidade coloca a pessoa na difícil escolha de escolher o pior, independentemente do que escolha e isso mina a auto estima pois a pessoa passa a ter uma desconfiança eterna de suas escolhas.

A saída está em perceber – geralmente com a ajuda de um terapeuta – a comunicação ambígua e, com isso, conseguir criar novos discursos. Em geral, a saída está na meta comunicação, ou seja, não ter que decidir entre sair de casa ou não sair, mas sim em se colocar dizendo, por exemplo: “pai, você percebe que se eu sair estou saindo e fazendo o certo e ao mesmo tempo fazendo o errado? O que você, de fato, quer de mim?” Quando a pessoa fala sobre o cenário ao invés de falar sobre o conteúdo ela sai da situação ambígua e começa a explorar novas formas de relação.

Esta maneira de agir faz com que o paradoxo se destrua porque agora ele está sendo visto. É como se a pessoa parasse de tentar responder a pergunta e dissesse: “a sua pergunta está mal feita”. Com isso sai da necessidade de responder e coloca o outro na situação de definir ou redefinir o que deseja. Isto muda a relação e muda a comunicação entre as partes.

Abraço

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Tédio
17/11/2013

21-07

Garfield, o rei do tédio, e sua profunda sabedoria.

De fato, se esperarmos demais o tédio chega. Porque? Porque a vida precisa ser vivida para o tédio não se instalar.

E quando digo “vivida” não me refiro somente à festas, compras e outras opções pós-modernas de “viver a vida”, mas sim de viver as potencialidades e virtudes que cada um tem dentro de si. Ao contrário de consumir algo pode ser, inclusive, criando e produzindo algo, doando algo, enfim: vivendo a vida em suas mais variadas formas.

E você, esperando o tédio chegar?

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