Archive for outubro \30\UTC 2013

Humilhação
30/10/2013

– Me senti humilhado…

– Imagino…

– O que eu faço?

– O que você já fez com isso?

– Na hora não consegui fazer muita coisa, continuei como se nada tivesse acontecido.

– E agora, o que está fazendo?

– Nada.

– Então continua agindo como se nada tivesse acontecido?

– Parece que sim né?

– Pois é… mas se você agir assim, como vai se dizer que algo aconteceu?

– Acho que daí não me digo né?

– Não… o que você quer fazer com o que viveu?

– Quero aprender…

– O que?

– A não passar por aquilo novamente

– Não dá para dizer se você vai ou não passar por situação semelhante, não tem como prever, mas quem sabe não viver aí dentro aquilo novamente?

– É, acho que tem razão… eu até estava começando a me culpar hoje, mesmo sabendo que eu não tenho culpa nenhuma!

– Pois é… quando a gente finge de forma verdadeira a mentira vira verdade!

– Quero aprender a me defender daquilo e se tiver que passar por isso de novo que eu aja diferente! Chega de ser humilhado e ficar quieto, vou tomar atitudes!

– Perfeito!

Sentir-se humilhado e colocar-se no papel de humilhado são duas coisas muito diferentes.

Ser humilhado por alguém é estar em uma situação a qual ou na qual a dignidade da pessoa é atacada de forma cruel e sem possibilidade de defesa. É importante destacar isso, porque muitas vezes a “humilhação” é simplesmente uma falta de competência da pessoa em se defender, porém quando a possibilidade de defesa é negada por coerção a pessoa está sendo, de fato, humilhada.

Colocar-se no papel de humilhado, por outro lado, é algo muito mais sutil e que tem a ver com a capacidade da pessoa de compreender o que está acontecendo com ela, suas possibilidades de ação no contexto, a atitude e competência em tomar estas ações, com sua habilidade em manter sua integridade e com a sua auto imagem.

Os judeus nos campos de concentração são um exemplo rico para trabalhar com esta questão. Obviamente as condições nas quais eles estavam e o contexto eram não apenas de humilhação, mas de degradação da própria condição humana. Eram escravos ou pior. Muitos judeus, no entanto, não perderam a sua dignidade, mesmo em meio à toda esta desgraça, como pode?

A maior parte das pessoas que não deterioraram a sua auto estima trabalharam com os elementos que citei acima:

Compreender o que está acontecendo com ela: a pessoa coloca-se em contato com a realidade, sabe o que está acontecendo e dá a dimensão real para o que lhe acontece.

Perceber as possibilidades de ação no contexto: muitos judeus dizem que escaparam da degradação moral com o pensamento de que aquilo tudo iria terminar e quando isso acontecesse eles iriam reconstruir suas vidas. A possibilidade deles no contexto era apenas esta sonhar e manter a esperança, não culparam-se pelo que lhes aconteceu, apenas seguiam da forma que era possível (real).

Manter a integridade e a auto imagem: uma terapeuta viveu nos campos de concentração e disse que quando pegavam o seu sangue para fazer experiências ela se dizia: podem pegar, sou contra a guerra então o meu sangue vai atrapalhar vocês”. Esta forma de encarar a situação mantinha a integridade dela mesmo no meio de todo aquele caos.

A parte fundamental é a seguinte: existe uma parte da humilhação que é provocada pela própria pessoa que “é humilhada” quando ela aceita a humilhação e se coloca no papel de “ser” humilhado. Quando a sua auto imagem se transforma na imagem de um ser que pode sofrer este tipo de ação, ela não irá mais manter seus sonhos, esperanças, não vai perceber a realidade de uma forma clara, não irá se colocar no contexto de forma adequada e irá se colocar de forma à receber a humilhação.

O contra-exemplo é um que vejo muito em consultório. Dentro dos padrões de nossa sociedade um homem branco na faixa dos 35 anos com um bom emprego não é um alvo fácil de humilhação, porém na realidade vejo muitos homens com esta descrição com uma auto estima frágil que os coloca como alvos fáceis – deles mesmo – de se colocarem em papel de “passivo de humilhação”.

Para sairmos da humilhação é importante termos a coragem de seguir nosso coração. Isso significa termos nossos critérios e nossa auto imagem bem definidos para que mesmo que nos encontremos numa situação humilhante podermos sair de “cabeça erguida”.

Abraço

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Paz interior
28/10/2013

– Eu tenho tentado buscar a minha paz comigo mesmo sabe?

– Sei, o que você tem feito?

– Bem, você sabe que eu gosto de meditar, então durante a meditação eu penso em algo que estou em conflito, que está me incomodando.

– E daí?

– Daí que eu tento me tranquilizar em relação aquilo?

– De que forma?

– Bem… eu busco relaxar, aceitar o que estou fazendo, o que estou sentindo e me pergunto o que eu quero com aquilo sabe?

– Sei e como a paz vem?

– A paz tem vindo quando tudo isso fica como que integrado sabe? Quando eu paro de ficar ansioso ou brabo comigo por causa do que eu fiz ou estou fazendo. É tipo uma aceitação que pode querer mudar.

– Entendi, muito bom isso hein? Como estão os resultados?

– Muito bons… acho que era isso que eu precisava em terapia sabe?

– Com certeza!

O que é a paz interior que tantas pessoas querem?

Uma forma simples de entender “paz” interior é de perceber um ser que não está em guerra consigo próprio. Se não existem conflitos temos que supor que não há guerra e, portanto, existe paz. Embora pareça simplista, pense em quantas vezes você lutou contra algo que estava pensando, sentindo ou querendo fazer? Quantas vezes esta luta se deu por causa de valores que não tinham nada a ver com o contexto no qual você estava? Tudo isso se relaciona com a paz interior.

Quando não se consegue aceitar um sentimento, um pensamento, um desejo precisamos frear este impulso e afastá-lo até mesmo de nossa consciência, em geral isso se dá por não sabermos como lidar com o que está emergindo. Aceitar, como meu cliente bem disse não significa seguir o impulso, mas perceber que ele está ali e então relacionar-se com ele. Permitir que tudo o que existe em nós exista em nós. A paz permite a existência, a guerra não.

Além de aceitarmos é importante que saibamos o que fazer com aquilo que existe em nós. Saber lidar com um desejo, com um pensamento, com uma emoção é fundamental para que saibamos permitir-lhe a existência. Muitas pessoas “não querem sentir” alguma emoção por não saberem como lidar com elas, por exemplo, ou ficam com medo de um determinado desejo porque não sabem como lidar com o desejo. Tem medo de serem inadequadas em detrimento do que possa aparecer em suas mentes e corações, porém não é aquilo que pensamos, sentimos ou desejamos que nos mostra quem somos, mas sim o que decidimos fazer com isso.

Desta forma, num nível mais profundo, a “paz interior” significa não estar em guerra e além disso buscar harmonia interior percebendo o que existe em mim e descobrindo formas responsáveis de lidar com o que existe em mim. Este “segundo nível” vem depois que aprendemos a nos aceitar e retirar toda a culpa e arrependimento que possamos ter em relação ao que fazemos e fizemos em nossa vida.

Retirar a culpa e arrependimento significa aprender com os erros e nos perdoar buscando sempre remediar o que for possível e nos comprometendo em nunca mais repetir algo que julgamos inadequado. É um compromisso pessoal e não – apenas – social. Não tem a ver com a integridade do outro com quem me relaciono apenas, tem a ver com a minha e isso é um compromisso poderoso.

A harmonia vem quando sabemos apreciar o nosso processo de vida sem medo, culpa ou vergonha do que ele nos oferece e conseguimos decidir de forma completa – envolvendo o pensamento, a emoção, a ação, nossos valores, contexto e momento de vida – sobre como reagir frente ao que estamos querendo e desejando. Da harmonia consigo nasce a paz, pois as partes em conflito dentro de nós não precisam mais lutar.

Abraço

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Limites do eu
25/10/2013

– Pois é Akim, eu nunca pensei que ir à lugares diferente pudesse ser tão bom!

– É né? O que mais você está aprendendo?

– Então… indo em lugares novos a gente ouve música nova, vê roupas diferentes e conhece pessoas novas também né?

– Hum… pois é, não é?

– É! “Big é” rsrsr… eu comecei a ver que eu era muito limitada sabe? Ao meu mundinho, minhas revistas e tal, aprendi que o mundo é bem maior que eu pensava.

– De fato é, e como este mundo grande está ajudando você?

– A saber que eu posso ser mais… conheci uma menina num café que eu fui que me disse que ela saia sempre e que os pais dela nunca ficaram brabos. Pensa meu pai não ficando brabo comigo saindo… seria um sonho né? E eu descobri que isso existe! Pensa!

– Penso… que diferença isso deve fazer para você não é mesmo?

– Nossa… muita… agora nem me sinto mais tão culpada de sair rsrsr

– Legal!

O que é o “eu”?

Embora seja algo muito claro hoje que o “eu” está relacionado com aquilo com o que conseguimos nos identificar a pergunta que sempre se mantém é: seria a identidade apenas algo “interno”? Como o meu mundo afeta a minha noção de “eu”?

Trouxe o exemplo da cliente acima por um fator simples: ela se sentia uma péssima filha por sair à noite. Porque? No universo de valores da família dela aquilo era visto com maus olhos, era, de fato, algo “tolerado” e não incentivado ou normal. Quando esta menina conheceu um outro sistema de valores as perguntas que ela começou a se fazer foram: “bem, então não sou uma pessoa ruim?” O limite que ela tinha de si aumentou devido à exploração que ela fez do mundo.

Existem pesquisas que mostram que relacionamentos “tóxicos” afetam a qualidade de vida assim como predispõe a pessoa à uma maior possibilidade  em ter um ataque cardíaco. Outras pesquisas mostram que ter pessoas com depressão no seu círculo amplo de amigos – amigos dos amigos – aumenta a sua chance de ter depressão também. Ou seja, não somos apenas um organismo isolado do nosso meio ambiente, assim sendo, a nossa concepção de “eu” também não é.

Isto é diferente de dizer que o meio nos determina, existe uma relação entre o meio e o organismo onde é muito complexo definir qual dos dois possui maior influencia. A menina do meu exemplo poderia ser uma “rebelde” ao invés de uma “péssima pessoa” e raciocinar de acordo com suas próprias ideias. Creio que a relação que a pessoa estabelece com o seu meio é fator fundamental e não um ou outro de forma isolada como forças de oposição.

Assim o nosso “eu” é criado com nossas percepções, pensamentos, emoções, história de vida e com o meio que nos circunda, com as pessoas, com o ambiente e com aquilo que deixamos no ambiente. “Ser” é algo mais complexo do que o organismo ao qual nos acostumamos a nos identificar. De uma certa forma é “pequeno” nos resumir dento de nossa pele quando sabemos que aquilo que está ao nosso entorno também nos define.

Não termos consciência de algo não é um fator que proíbe a identificação como já se sabe, portanto, não estarmos cientes de que algum fator ambiental nos ajuda a perceber quem somos não impede o processo. É importante que as pessoas tomem consciência de quem são em vários níveis, de várias formas e entendam o quanto isso aumenta a sua percepção de eu ao invés de diminuir. O quanto isso aumenta a sua responsabilidade pessoal ao mesmo tempo que liberta também.

E como disse um grande terapeuta uma vez: Não pense que você está limitado ao que você pensa que você é.

Abraço

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Dependência emocional
23/10/2013

– Aí que me dei conta que eu estava pedindo desculpas por estar sentindo o que estava sentindo!

– Que loucura não é mesmo?

– Se é! Na verdade fiquei pensando depois: pra que eu fiz isso?

– Pra que? O que estava esperando?

– O pior de tudo é perceber assim: eu sei que não estou errado de sentir aquilo, porém como ela acha que está eu me acho errado.

– Hum… e aí?

– Pois é… e aí… é uma boa pergunta.

– O que isto quer dizer sobre a forma pela qual você lida com suas emoções?

– Que eu fico precisando da aprovação dos outros pelo que eu sinto?

– O que você acha?

– É, parece que é bem isso mesmo…

Dependência emocional é um tema muito forte e complexo.

Basicamente uma pessoa depende de outra ou de alguma coisa quando não consegue, por seu próprio esforço, manter algo que deseja.

Portanto, dependência emocional tem a ver com a pessoa que não consegue sustentar sozinha aquilo que sente, como o exemplo acima mostra.

O que fazer?

O primeiro passo – como sempre – é a percepção e aceitação do problema. Depois que a pessoa percebe o que está fazendo com as emoções dela é  o momento de perguntar o que faz com que ela mantenha a dependência. Pode ser necessidade de afirmação, medo de ficar só, arrependimento por decisões passadas e várias outras causas que levam ao mesmo comportamento: de colocar a percepção do outro na frente da própria pessoa.

Em outras palavras a pessoa precisa compreender do que ela é dependente e como faz para esta dependência se manter. Um exemplo ilustrativo e simples é o do dinheiro: a pessoa é dependente do dinheiro e não tem comportamentos que a levam à ganhar o seu dinheiro, portanto, mantém-se dependente. Quando começa a trabalhar ela passa a ganhar o seu dinheiro e sai da condição de dependente.

Emocionalmente falando o processo é o mesmo: como a pessoa faz para manter a sua dependência, o que deve fazer para sair da mesma? Muitas vezes um sistema de crenças pode estar jogando contra a independência da pessoa: “é egoísmo se deter só às suas emoções”, por exemplo é uma forma de pensar que mantém muitas pessoas afastadas do que sentem buscando sempre uma aprovação para expressar seus sentimentos. A qual dificilmente vem.

Uma auto estima baixa também pode ser a fonte de uma dependência emocional. Se a pessoa não tem um apreço suficientemente alto por ela mesma ter este apreço de outro pode ser fundamental para o equilíbrio psíquico dela e então ela coloca o que sente de lado para buscar sentir tal como se espera que ela sinta.

A pessoa também pode não saber como dar conta do que sente e guiar-se com base no seu raciocínio próprio. Ao invés de dizer algo que sente que é importante a pessoa mantém a boca fechada para “não incomodar” ou porque “sente preguiça” de fazer algo diferente. Também temos uma situação na qual a pessoa simplesmente não sabe o que fazer: “como dizer isso para ele(a)?”, ou então pode ser que nunca se defrontou com a situação e não sente-se seguro de suas emoções frente ao que está vivendo como no clássico exemplo de um pai que sentia-se culpado de sentir ciúmes do filho.

Ser emocionalmente independente não significa “não precisar de ninguém”, mas sim de não precisar que os outros endossem aquilo que sentimos e nem que endossem o que resolvemos fazer com o que sentimos. Não precisar de endosse é diferente de pedir opinião, por exemplo, ou de levar em consideração algo que seja importante de ser considerado sobre os outros. Se a pessoa consegue tomar a sua decisão sozinha e agir assumindo responsabilidade pelo seu comportamento e pela sua interpretação da realidade não existe mal em pedir ajuda ou opiniões, o problema é quando a pessoa busca uma resolução do outro para adotar como sua.

Por isso as atitudes de pensar por si, ser responsável com as conseqüências de seus atos, buscar soluções de forma responsável e criativa, ouvir suas emoções são comportamentos que levam a pessoa à independência emocional enquanto que calar-se pelo medo, esquecer dos seus princípios, assumir pontos de vista de terceiros de forma impensada são atitudes que afastam a pessoa desta independência a qual uma vez conquistada não é conquistada para sempre, mas sim um exercício diário.

Abraço

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Confiar nas emoções
21/10/2013

– Quero me livrar dessa raiva!

– Como assim?

– Akim, é horrível, quando vem eu não sei o que fazer! Não consigo me controlar e começo logo a dar porrada em todo mundo… não que eu bata, mas grito sabe?

– Sim eu sei.

– E é horrível isso, eu sou uma pessoa boa, mas esses descontroles acabam comigo e com as pessoas que vivem comigo entende?

– Perfeitamente.

– O que eu faço?

– Raiva do que você tem?

– Ah, sei lá… quando começam e me cobrar por exemplo, fico muito puto!

– Entendo. Qual o seu problema com cobranças?

– Não tenho problemas!

– Bem, se não tivesse não ficaria com raiva, não é mesmo?

– Sim é que tipo… eu não entendo porque me cobram, eu já faço tudo o que é possível para fazer tudo certo!

– Uau, que pressão hein? Me parece que quando te cobram é como se tivessem te afrontando

– É bem isso!

– Mas estão, de fato?

Vamos começar assim: O que não significa confiar nas minhas emoções?

Não significa que suas emoções estão sempre certas.

Porque não?

Uma emoção é fruto de vários componentes entre eles: nossa educação, o meio em que nos encontramos, nosso humor num determinado momento, nossas crenças e as respostas que aprendemos a dar em determinadas situações. Portanto a emoção não é “pura” como se costuma pensar, ela é composta por vários fatores inclusive a interpretação do que está acontecendo e o problema é que esta interpretação pode estar errada, ou que o seu humor no dia esteja “ruim” e isso afete – e afeta – a sua emoção, então sentir é diferente de “estar certo” é apenas sentir.

O que significa confiar nas minhas emoções?

Em primeiro lugar significa confiar na ideia de que a sua emoção está dizendo algo para você sobre como você está vivendo uma dada situação. Significa assumir a responsabilidade pelo que está sentindo e buscar fazer algo com isso. Significa construir uma relação íntima entre você e o que você sente, aprendendo diariamente com as suas respostas emocionais e com o que você faz com elas. É a construção de um saber.

Confiar significa aceitar que se está sentindo o que está sentindo. Quando aceitamos damos valor à nossa percepção, podemos usá-la. Quando negamos o que sentimos estamos deixando de lado nossa percepção e não damos o tratamento adequado à ela.

Além de aceitar aprendemos a conversar com nossa emoção para checar o que estamos sentindo. Muitas vezes é necessário entender o que está causando a emoção que estamos sentindo. O medo, por exemplo sempre nos alerta sobre algo que não sabemos como lidar. É importante dar ouvidos à ele e nos certificarmos de que, de fato, não sabemos lidar com o que nos causa medo. A raiva tem a ver com a sensação de estarmos sendo violados ou agredidos em princípios básicos de nossa integridade e é importante checar para ver se isso está ocorrendo ou se estamos apenas de mau humor naquele dia.

Quando conseguimos aceitar e checar a adequação de nossas emoções estamos dando valor e crédito ao que sentimos o que nos permite ter uma atitude mais forte quando for o momento de agir. Escolher como reagir à emoção que sentimos é fundamental para aprendermos a confiar em nossas emoções. Pessoas que explodem quando sentem raiva, por exemplo, em geral não gostam de sentir raiva e não confiam muito nela porque suas reações, em geral, não dão bons frutos. Já uma pessoa que sabe se defender de forma adequada percebe a raiva de uma forma completamente diferente e ela se torna uma aliada. O mesmo com o medo: para aqueles que se paralisam diante do medo ele é algo ruim, mas para aqueles que usam a percepção para aprenderem e irem além o medo é bem vindo, serve como proteção.

Aceitar, checar e se comportar de uma forma integrada geram a sensação de confiança porque os resultados passam a ser adequados para a pessoa. E de posse de bons resultados as emoções passam a ser vistas como algo bom, um alerta que nos damos para colocar nossa vida numa rota melhor.

Abraço

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Eterna desconfiança
18/10/2013

– Bem, tá aqui o que você me pediu: o texto que eu estou querendo escrever.

– Deixe-me ler.

– Ok.

– Hum, o texto está muito bom, muito bom mesmo. Porque você está inseguro em relação à ele?

– Não sei ao certo… não parece que está bom.

– Bom ele está. Agora… era isso o que você realmente queria dizer?

– Como assim?

– Onde está você neste texto aqui? A sua expressão sincera sobre o tema dele?

– (silêncio) Fica estranho se eu te disser: você me pegou?

– Claro que não, o que isso significa para você?

– É que eu… bem, eu tenho umas ideias, mas elas nunca foram populares sabe?

– Sei

– Com o tempo aprendi a escrever para mim e para os outros.

– Ah… olhe que coisa, este texto aqui?

– Para os outros.

– Pois é meu caro e quando você vai colocar você para os outros?

– Aí é que é o difícil.

– Mas é aí que vai nascer a sua confiança de fato no seu trabalho! Se você não se coloca de verdade, como vai confiar no que escreve?

Muitas pessoas são altamente competentes, mas sentem-se despreparadas como se não fossem “boas o suficiente”.

Tenho acompanhado estas pessoas e um dos temas que tem aparecido muito é a relação entre a confiança e a auto expressão, vamos falar sobre isso?

Expressar o nosso desejo é uma fonte importante de auto confiança. Enquanto não expressamos quem somos da forma que achamos que devemos não saberemos o impacto que esta forma de ser terá e isso mantém uma dúvida perpétua: “será que…”. Esta dúvida destrói a auto confiança. Pior é quando a pessoa faz algo bem feito, como ser um bom profissional, por exemplo, mas não da forma que ele acha que deveria ser, aí então ele tem os resultados, mas como não foram expressados da forma que ele acha adequada ele termina por não crer no resultado que possuí. Não porque o resultado não seja bom, mas porque não foi feito da forma que ele acha que deveria, portanto a insegurança não está sobre aquilo que ele fez, mas sim sobre aquilo que não fez. Uma dúvida encoberta.

Confiança tem a ver com termos ou não domínio sobre uma competência ou um saber. Quando temos a percepção e aceitamos que sabemos algo conseguimos desenvolver confiança em nosso comportamento, em competências e saberes. Quando uma pessoa não sente confiança “nela mesma” a primeira coisa que se deve perguntar é se ela sabe fazer o que deseja. Muitas vezes ela não sabe e portanto está “certa” em não sentir-se confiante, o próximo passo é crer que pode desenvolver as competências e sentir-se confiante uma vez que o faça.

Neste caso que estamos discutindo o problema é que a pessoa não expressa o que deseja. Ao não expressar não consegue saber se está fazendo bem feito, se está dando o resultado que deseja e então ela não sente confiança e, com isso, passa a desconfiar. Geralmente atribui a desconfiança à fatores externos que nada tem a ver com o problema: “não estudei o suficiente”, “não fiz o suficiente” e outras frases que falam do externo e não do problema principal: a falta de auto expressão.

É importante entender que existe uma diferença entre o que ela sabe fazer e expressar o que ela quer. Ela pode ser super competente para expressar o que deseja, porém, não o faz por medo, timidez, vergonha, culpa, por ter uma auto estima baixa – em geral a pessoa tem este problema – por não conseguir assumir a responsabilidade pelo seu desejo, ou por ter medo em fazê-lo ou também por não conseguir se identificar como uma pessoa merecedora daquilo que quer.

Aprender a dar voz ao seu desejo, aprender a colocar no mundo quem somos e da forma que somos é um dos grandes desafios da humanidade. Encontrar este meio, usá-lo e verificar se ele nos traz aquilo que buscamos faz parte do nosso desenvolvimento e bloquear isso sempre traz problemas. A pessoa pode identificá-lo fora dela, porém estão dentro.

Abraço

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Quando pensar atrapalha
16/10/2013

– Então, eu pensei um monte já sobre isso.

– E?

– E o que?

– O que você acabou por fazer?

– Ah, não sei sabe? Eu pensei que eu deveria ir lá e dizer para ela o que eu queria, depois pensei que era melhor eu esperar um pouco para falar no final de semana, mas daí eu resolvi não estragar o final de semana porque…

– Ah tá, ficou se enrolando então, é isso?

– Não… não é isso. É que eu tenho que pensar bem antes de dizer sabe?

– Sim, é claro, mas acho que isso já está mais do que pensado não é mesmo?

– Mas será que não tem um jeito melhor ainda do que esse?

– Como você pode saber que esse já não é bom o suficiente?

– É que… sei lá, vai que eu falo e ela fica braba?

– Bem, nunca dá para prever 100% a reação de outra pessoa né? Nem que passe a vida toda pensando… o que é algo comum em você não é?

– É… você acha que eu penso demais?

– Não acho nada, estou afirmando!

Pensar é muito importante. Agir de forma pensada empresta força e convicção às nossas ações.

No entanto, as pessoas confundem pensar e racionalizar. Você sabe qual a diferença?

O ato de pensar envolve uma pergunta, um desejo e está focado na realização desse desejo, ou na resposta desta pergunta. Dito de outra forma o pensar envolve uma finalidade. Assim sendo, quando a pessoa está “pensando” ela está procurando uma forma de agir e quando encontra esta forma ela age. Esta ação não tem a garantia de dar certo e a pessoa sabe disso, como todas as ações humanas ela está envolta num nível de risco e a pessoa assume este risco. Assim ela pode testar a hipótese que ela criou sobre o que deveria fazer, obter feedback do mundo externo e aprimorar a sua resposta ou simplesmente colher os louros daquilo que fez. Assim ela constrói mais conhecimento e mais comportamento.

O ato de racionalizar tem a ver com ficar remoendo as várias – e infinitas — hipóteses sobre “o que pode acontecer”. Diferente do ato de pensar o racionalizar não visa uma tomada de atitude, ele visa enumerar e refletir sobre o que poderia ser feito no caso “a”, caso “b”, caso “c”, caso “c.1”, caso “c.2” não chegando ao mundo externo ou definindo uma resposta para a pergunta que a pessoa desejava responder. Ao contrário do que as pessoas pensam racionalizar é se defender contra a experiência e não uma forma de se “preparar melhor” para a experiência ou de “fazer do melhor jeito”. Em geral quando a pessoa racionaliza ela busca uma “resposta perfeita” – que significa uma na qual o outro vá se submeter completamente ao seu desejo, solicitação – a qual não existe na prática, todas as nossas ações podem dar certo ou errado, é sempre um risco que corremos ao nos expôr, quando racionalizamos é porque queremos nos defender deste risco.

Porque nos defendemos contra esta experiência? Geralmente porque não sabemos como lidar com ela.

Isso ocorre por uma auto imagem deturpada: ou se perceber “ruim” demais ou “perfeito” demais. Por não querer perder um lugar na família ou no grupo – a pessoa acha que se der limites, por exemplo, as pessoas não vão mais gostar dela. Baixa auto estima: a pessoa não sente que merece nada melhor do que aquilo e que deve agradecer ao invés de reclamar. Falta de experiência: a pessoa nunca passou por aquela situação e não se sente confiante em lidar com ela. Estes motivos são os que mais encontro na minha prática, existem outros, procure sempre um profissional para te ajudar a definir o que é.

O que se pode fazer com isso?

A primeira coisa é identificar o motivo que te leva a se afastar da experiência – como estes que coloquei acima. Cada motivo deve ser trabalhado de uma forma diferente e envolve aprendizados específicos. Por exemplo, se a pessoa acha que pode perder o seu lugar no grupo é importante se perguntar: até que ponto dar limites faz com que os outros se afastem de você? Será que se dar o respeito afasta as pessoas? Não seria o contrário? Por aí se segue geralmente questões que envolvem o merecimento, fortalecimento da auto estima, definição de objetivos, desejos e a expressão dos mesmos.

O mais importante é a pessoa assumir que está racionalizando e se defendendo da experiência concreta, que ela está postergando uma atitude, um confronto ao invés de achar que está “esperando a melhor oportunidade”, “vendo o melhor jeito de falar/agir” ou “checando para ver se tem realmente razão no que está pensando”. Assumir o desejo de esquivar-se da situação é o primeiro passo, depois disso entender do que está se esquivando e aí sim, começar a trabalhar na causa e aprender a expressar o que precisa expressar.

Abraço

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Eu, refém de mim
14/10/2013

– Mas eu fico achando que ela vai brigar comigo sabe?

– Sei… bem, vamos pensar assim: caso ela o faça você já sabe que tem que se defender não é mesmo?

– Sim.

– E caso, ela não faça: o que isso significa?

– Como assim.

– Veja bem, se você acha ou “tem certeza” que ela vai brigar com você pelo que você quer fazer e ela não o faz, o que isso significa?

– Que é “coisa da minha cabeça”?

– O que você acha?

– Acho que às vezes eu tenho mais medo da namorada que eu carrego dentro da minha cabeça do que dela de verdade!

– Eu também acho, até porque já é a terceira namorada que acontece a mesma coisa não é mesmo?

– Sim!

– Então, meu caro, até quando você vai ficar ouvindo as imagens aí dentro da sua cabeça que te mandam parar, não fazer, ficar quieto? Quando vai enfrentá-las?

– Vou começar a partir de agora

– Agora gostei!

Carregamos dentro de nós muitas pessoas. Algumas de uma forma que nos ajuda outra nem tanto.

O fato é tão impressionante que mesmo uma pessoa que já morreu permanece em nossa memória nos dizendo para fazer ou não fazer alguma coisa e seguimos fielmente as instruções. Não é preciso nenhum tipo de psicose para que o fenômeno ocorra, todos nós vivemos isso de uma forma ou de outra, a grande questão é se aquilo que mantemos dentro de nós sobre pessoas importantes para nós é algo útil ou não.

Me lembro do caso de uma mulher que só introjetada aquilo que a denegria. Ela tinha “dificuldades para ouvir elogios”, porém era expert em ouvir e gravar críticas. Acontece que este tipo de comportamento acaba por manter a pessoa sempre dentro de um referencial muito pequeno de competência e de vida. Como ela sempre ouve a parte que manda ela “frear”, “parar” ou “ficar quieta”, termina por bloquear demais a sua auto expressão.

Em alguns casos este bloqueio se torna tão severo que a pessoa passa a não desejar mais sonhar ou pensar: “já que não vou fazer nada com isso, porque pensar, porque sonhar, porque ousar?” É a pergunta franca e honesta que se fazem e a resposta é: “não adianta fazer isso, não vou “perder meu tempo”.

No entanto, a frase, de fato é sempre colocada da seguinte maneira: “já que os outros não vão…. porque me dar o trabalho?” A réplica é simples: “quem disse que os outros tem que te… (aprovar, ajudar, endireitar, querer fazer por você)?” Geralmente as pessoas se tornam mais pensativas sobre a sua forma de pensar quando lhes faço esta pergunta. O fato é que elas mesmas estão dizendo isso para elas dentro de suas mentes. Nem sequer chegam à experiência para ver se o outro vai, de fato, dizer não. E em outras vezes nada mais é do que uma bela fuga para não entrar em conflitos.

O fator primordial que é esquecido é de que a auto-expressão fica prejudicada se a pessoa não fizer isso, que ela está aprisonando-se dentro dela mesma – esta frase é horrível tanto na gramática quando na vida real – o que é um crime emocional. Aprender a questionar as “vozes dentro da cabeça” assim como as crenças e ideias fundamentais que as suportam é importantíssimo no processo de liberdade da expressão pessoal. Aprender que as pessoas não precisam aprovar você sempre, que você pode fazer coisas sozinho, que não aprovação não significa não amor são alguns dos aprendizados que ajudam as pessoas a agirem com mais liberdade em suas vidas.

Abraço

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Desfazendo nós
11/10/2013

– Pois é, lembrei bastante de você nesta semana.

– Porque?

– Eu estava pensando na vida como sempre faço e estava pensando em algo que a minha mãe me disse uma vez.

– Sobre o que?

– Sobre não desagradar o meu pai.

– E o que ela te disse: que seu eu desagradasse ele, ele iria embora e nós dois iriamos morrer pobres na rua.

– Uau… que visão amedrontadora hein?

– Pois é… na época era mesmo, mas agora meu… agora eu não preciso mais dar ouvidos à ela como se fosse um bebe né?

– Hum… e aí lembrou-se de mim?

– É… porque fizemos um exercícios estes tempos e eu fiz ele com esta memória.

– O que você fez?

– Simples: me imaginei adulto do lado dela e disse para ela: “mãe, se o pai for embora hoje eu vou trabalhar”.

– E como ficou a memória?

– Longe e distante… fui atrás do meu primeiro emprego… sei que meu pai não quer porque “vai atrapalhar os estudos”, porém fui e estou super feliz!

– Ótimo!!!
É comum na vida de um terapeuta ver vários clientes com uma mesma temática e também é comum vê-los resolvendo seus problemas de formas muito parecidas. Nestes últimos tempos tenho visto várias pessoas aprendendo a dialogar com elas e questionar suas crenças limitantes o que é algo altamente gratificante tanto para o terapeuta como para o cliente – principalmente para o cliente!

Nós criamos ideias e seguimos estas ideias, tomamo-as por base para criar comportamentos, escolher um parceiro ou um trabalho, são elas que ajudam a determinar nossa garra e vontade, nossos medos e até mesmo o quão bem vamos nos dar em nossas vidas. Por isso é bom que estas ideias sejam boas e nos ajudem a crescer. Ocorre que nem sempre é assim.

É comum termos crenças que falam contra nós, interrompendo o nosso processo de mudança e evolução pessoal e nos colocando para baixo. Estas crenças e ideias muitas vezes se manifestam como uma “sensação de que estou fazendo algo errado” ou uma “dúvida logo depois que faço o que eu quero” ou então uma “voz que me diz: errado”, ou então “quando eu paro para pensar no que vou fazer logo me vejo me ferrando sabe? Como se tudo fosse dar errado”. Estas e várias outras manifestações se referem à mesma coisa uma crença ou ideia que não ajuda você a decolar.

No entanto, as pessoas conseguem aprender a reagir de forma diferente à estas manifestações. O cliente acima, por exemplo, disse que cansou-se de ouvir a mãe dele dizer sempre a mesma coisa e resolveu retrucar. Mesmo que isso seja apenas na mente dele é algo que ajuda a pessoa a mudar pois coloca a forma pela qual ela se via, a forma pela qual via o mundo e os comportamentos que ele se permitia no mundo em cheque, a pessoa consegue cogitar mais coisas, mais caminhos e com isso aprende a crescer.

Em geral estas ideias não se sustentam sozinhas, são pobres em “provas”, desta forma é muito simples questioná-las e derrubar os seus alicerces. O cliente acima entendeu isso muito bem quando se colocou lá como um adulto, só isso já quebra a memória e a lição que ela ensinava para o rapaz: de que ele deve obediência ao pai sob pena de morrer pobre. Porque? Porque quando ele ouviu isso era um menino e talvez naquela época aquilo fosse mais verdadeiro do que hoje, porém hoje ele é um adulto e pode se sustentar.

E você? Como questionaria as ideias que te prendem? Dê um cheque-mate nelas!

Abraço

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Não sou eu
09/10/2013

– É que este estado de energia não combina comigo sabe? Estou meio assustado!

– Ah é? Olhe que coisa!

– Mas é Akim, não fale assim… eu não sei mesmo o que está acontecendo comigo.

– O que está acontecendo com você?

– Eu estou dizendo coisas que não dizia, fazendo coisas que não fazia e o pior é que pelo menos no momento eu me sinto muito bem fazendo isso.

– Tem tido mais disposição no dia a dia e se sentido mais leve também?

– Sim!! Pelo menos acho que é isso… eu não sei se não estou tendo tipo uma crise de pânico.

– Longe disso! Você sempre foi o cara mais “pacato” não é mesmo?

– Sim, até meio que por isso que te procurei.

– Pois é! E ao longo do trabalho fomos vendo quantas “travas” você tinhas não é mesmo?

– Sim.

– E você se dispôs a destravar não é mesmo?

– É.

– E agora tá aí o resultado oras! (risos) Você com mais energia, “destravado”, ainda não se reconhece nessa nova atitude e energia?

– Acho que não viu?

– Não tem problema, o tema é: aceite o que estiver vindo!

Muitos clientes me dizem em vários momentos da terapia: “mas isso não sou eu”, “eu não sou assim”, “não é do meu feitio” e frases do tipo.

O que significam? O que podemos fazer com elas?

Em geral uma frase como essa aparece quando a pessoa se deu conta de que fez, sentiu ou pensou algo muito diferente do seu habitual. Uma atitude que não combina com a imagem que ela faz de si mesma e que, portanto a consciência tende à rejeitar. O processo terapêutico em geral ajuda a pessoa a ampliar a sua percepção de eu de modo que cada vez ela possa enxergar mais detalhes sobre o seu jeito de se comportar, pensar, reagir e sentir e este processo, muitas vezes, leva a pessoa a perceber partes que não se encaixam com o que ela pensava de si, que extrapolam a identidade com a qual ela se julgava. Algumas vezes a pessoa percebe coisas que não gosta, outras vezes percebe que tem mais potenciais do que achava ter e em algumas percebe coisas que nem sabe como classificar. Este é um dos passos fundamentais para a mudança.

Porém, resta um segundo passo que é aceitar aquilo que a pessoa está percebendo. Resolvi trazer o caso acima por se tratar de algo diferente do senso comum. Em geral as pessoas acham que temos dificuldade em aceitar aquilo que não gostamos em nós mesmos, mas às vezes é o contrário: temos dificuldade de aceitar coisas boas à nosso respeito também. O rapaz do caso acima, por exemplo, não conseguia imaginar a quantidade de energia disponível que ele tinha guardada dentro de si sem dar uso, quando ele começou a perceber isso, achou que ia ter uma crise de ansiedade! E isso não é de se espantar porque a auto-imagem dele falava que ele era quieto e introspectivo, de “baixa energia” e não uma pessoa “radiante” como mais tarde ele passou a se perceber.

O problema da aceitação está, em primeiro lugar na flexibilidade para alterarmos a nossa concepção de nós mesmos tendo por base a realidade, novos fatos que vem até nós. Muitas pessoas ficam tão arraigadas às suas percepções empobrecidas delas mesmas que não conseguem mudar o ponto de vista, colocar mais elementos, mesmo que seja para uma melhor qualidade de vida. Desejam tapar o sol com a peneira e manter as  suas histórias do jeito como estão.

O respeito pela realidade, pelos fatos é um fundamento da boa auto-estima e é com este respeito que devemos organizar a nossa percepção de “eu”. Me lembro de um outro caso de um rapaz bonito que achava que nenhuma mulher olhava para ele num bar, por exemplo. Ele tinha sido um “gordinho” quando pequeno, mas agora já era um homem muito bem apessoado, no entanto, a sua percepção de si ainda era do gordinho de 20 anos atrás, foi muito interessante ele começar a mudar a sua percepção tomando por base olhares reais que as mulheres davam à ele. Uma vez, me segredou: “achei bizarro quando eu dei uma olhada para trás e vi que elas ainda estavam olhando, não sabia onde enfiar a cara”.

Treinar o nosso respeito pela realidade é buscarmos prestar atenção à nossa experiência tal como ela é hoje, buscar perceber de forma realista os resultados que temos tido com nossas atitudes e para onde, de fato, nossos pensamentos e ações tem nos conduzido. É olhar e ouvir ao invés de fantasiar e “achar que” e começar a usar este tipo de informação como base para construir nossas conclusões e nossas novas ações no mundo e com nós mesmos. Tinha um cliente que começou a fazer isso ao pé da letra e voltou duas semanas depois um tanto assustado: “Akim, metade dos meus problemas se resolveram só com isso, a outra metade dobrou de tamanho”, ele queria dizer que percebeu que muitos problemas que ele achava que eram fundamentais eram apenas uma parte da fantasia dele, a outra parte era a  que realmente importava.

Ao realizar este treinamento com você, pratique o seguinte exercício: busque na sua memória o maior número de situações que você viveu, busque pelas situações antagônicas nas quais você teve um comportamento completamente diferente do outro, lembre-se de você na situação, viva novamente a situação e se diga: isso também sou eu. Anote em uma folha de papel isto e, depois  de fazer o exercício releia tudo o que escreveu se dizendo “isso também sou eu, me aceito com isso”. Lembrando que aceitar e gostar são coisas diferentes, mas que aceitar é o primeiro requisito para mudar afinal o que não aceitamos não existe para nós e nossa mente não se ocupa do que não existe.

Abraço

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