Archive for agosto \30\UTC 2013

Censura
30/08/2013

– Não sei se consigo mais.

– Porque?

– Estou cansado de tentar cara… eu me sinto muito mal se faço ou se não faço. Se eu não faço acho que deveria ter feito e se faço me sinto mal por fazer.

– Entendo. Que emoção é esse “sinto mal por fazer”?

– Sei lá, é como se eu estivesse cometendo um crime e fosse culpado por isso saca?

– Claro

– E daí ao mesmo tempo, porra: é só o que eu quero fazer meu! Não precisava ser desse jeito!

– Não, não precisava. Me diga: que crime você está cometendo?

– Sei lá… ser eu mesmo?

Muitas pessoas se sentem “presas” como se não devessem ou não pudessem fazer o que querem. O que acontece? Porque algo tão simples quanto o desejo de ser feliz ou de fazer algo bom para si torna-se um problema para alguns de nós?

Obviamente muitas respostas podem ser dadas para resolver esta questão, vamos explorar uma delas.

Algo que vejo com uma certa freqüência no consultório são pessoas que aprenderam a censurar as suas próprias ideias, valores e desejos. Um ato, muitas vezes aprendido com os pais ou com um tutor e que a pessoa passa a reproduzir com uma perfeita semelhança. A atitude básica é a de desejar algo, imaginar alguma coisa para fazer e então começar um processo sistemático de censura deste desejo. A pessoa pode fazer isso de várias formas: pode imaginar as pessoas ficando braba com ela ou desaprovando o que ela fez ou quer fazer, pode pensar que ela seria mais importante em outra atividade, que ela não merece fazer aquilo por algum motivo qualquer, pode dizer-se coisas negativas sobre ela ou sobre o desejo de modo a querer se afastar do desejo, pode lembrar-se do pai, mãe ou figura importante que lhe ensinou a censurar e imaginar essa pessoa censurando.

Uma vez que a pessoa inicia este processo geralmente ela termina em dois caminhos: o primeiro – mais óbvio – é se afastar do desejo, o segundo é fazer e depois culpar-se por ter feito o que desejava. Tanto um quanto o outro geram uma sensação interna de pressão e culpa muito intensas que a pessoa tem que manejar de alguma forma. Uma válvula de escape é a depressão, na qual a pessoa sucumbe e não consegue mais desejar; outra muito comum é começar a servir aos outros muito mais do que a si próprio. Tanto uma quanto a outra, com o tempo, fazem a pessoa “desaprender” a desejar e é muito comum que a sensação de “preguiça” venha quando a pessoa quer fazer alguma  coisa ou pensa em fazer algo; quando não a preguiça temos a culpa e o medo. A culpa é como se ela estivesse devendo algo para alguém ao desejar, o desejo fica associado à algo errado; o medo, torna-se óbvio no mesmo contexto, só que ao invés da culpa a pessoa deseja apenas não ser punida, a expressão “desculpe por existir” resume a sensação de uma certa forma.

É importante aprender a observar de forma precisa a censura: seu conteúdo – o que a pessoa se diz ou pensa -, a forma pela qual ele aparece – é algo que eu me digo, imagino meu pai dizendo isso para mim, me dá uma sensação ruim -, e a nossa reação frente à isso – minto e faço mesmo assim sentindo culpa depois, não faço, finjo para mim mesmo que o desejo não é tão importante? Observar nossas reações nos ajuda a perceber como a censura está estruturada dentro de nós e esse é o primeiro passo para possíveis mudanças.

Uma delas ocorre quando as pessoas começam a olhar o conteúdo do que se dizem e percebem que ele não faz muito sentido para a pessoa hoje. Algumas vezes ficamos com ideias que nos parecem tolas, mas como não as questionamos continuamos seguindo-as e deixamos que uma ideia inadequada seja a linha mestra da nossa vida. Outra ocorre quando a pessoa percebe que ela tem que se dar a “liberdade” ao invés de esperar que alguém venha fazer isso por ela, outras podem ser comportamentos como aprender a dar limites aos outros.

Quando este processo começa a pessoa vai para um outro ponto: começa a valorizar suas necessidades e desejos e com isso passa a agir em prol da melhora da sua qualidade de vida. Obviamente isto também pode tornar-se um ciclo virtuoso – e esse é o objetivo final – dentro do qual estar bem e fazer o bem se tornam os principais objetivos.

Abraço

visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Anúncios

Auto-desvalorização
28/08/2013

– Pois é, mas eu fico ansiosa com isso tudo.

– Me conte mais sobre a sua ansiedade

– Eu fico lá pensando no que vou poder fazer, mas para cada solução que acho eu arranjo mais um problema depois sabe?

– Sim, você consegue perceber algo na sua forma de pensar que tem a ver com isso? Veja, não é um “problema de trabalho”, mas algo relacionado à sua forma de ver o mundo.

– Hum… deixa eu pensar… tem a ver com eu nunca estar satisfeita?

– Tem

– Eu fico pensando assim: porque eu não deixo a coisa acontecer e depois vejo como lidar com ela ao invés de ficar do jeito que eu fico? Ia ser bem mais fácil

– O que você teria que fazer para isso acontecer?

– Não sei ao certo… algo que já falamos por cima talvez? De eu aprender a valorizar mais o que eu faço.

– O que uma coisa tem a ver com a outra?

– É assim: às vezes eu até consigo celebrar as minhas vitórias sabe?E sempre que eu faço isso fico tranquila e bem, mais criativa até o que me ajuda! E a minha cabeça fica livre dos problemas ou assim: se eu penso é para resolver e pronto, não fico me aprisionando nos problemas sabe?

– Perfeito!

Um discurso comum nos dias de hoje é melhorar sempre. Embora possa parecer razoável ou até mesmo desejável quando transposto para o dia a dia das pessoas este discurso pode ser perversamente nocivo.

Porque?

Existe um ditado alemão que diz: “mudar e melhorar são duas coisas diferentes”. Este ditado nos alerta para o fato de que a mudança constante nem sempre traz melhorias para a nossa vida mostrando que quando a mudança se inicia é importante saber a finalidade de tal mudança. Este é o ponto no qual o discurso “sempre melhor” é ferido, pois ele não leva em consideração a finalidade, apenas diz: “melhore sempre” de forma imperativa. Este imperativo deixa uma lacuna perfeita para a auto-desvalorização e é com isto que o discurso “sempre melhor” pode tornar a sua vida pior.

Tenho acompanhado no consultório cada vez mais pessoas que são bem-sucedidas em suas profissões e, no entanto, não conseguem aproveitar seus merecidos louros, apenas se cobrarem por “não estarem fazendo mais” e quando pergunto “o que é esse mais?” não sabem me dizer e ficam olhando com um ar de “como assim o que é esse ‘mais’, é ‘mais’ oras, todos temos que fazer sempre mais”. Quando este “mais” não tem um propósito, uma finalidade, uma meta ele torna-se uma quimera, um engodo, um problema porque facilmente se torna um depósito de coisas que querermos e não conseguimos em todas as áreas.

Explico: com algum tempo de trabalho as pessoas começam a decifrar o que é esse “mais” ou “melhor” e chegam à conclusões muito interessantes como: “preciso é me dar mais atenção e afeto”, “melhor é eu me dar parabéns quando faço algo bom”, “mais tempo para mim, é disso que preciso” entre outras que mostram o seguinte: estas pessoas estavam colocando no trabalho e na pressão para “render mais” metas muito boas, porém que não seriam atingíveis através do aumento de trabalho ou de pressão para o trabalho, alguns, exatamente o contrário, precisavam de menos trabalho.

No entanto o ponto dolorido de perceber é: as pessoas tinham estas metas que não eram atingidas e, enquanto não atingiam, queriam fazer sempre mais do mesmo atingido o mesmo resultado frustrante e o que faziam com isso? Chegavam à conclusão inevitável de que o problema era com elas! Elas estavam fazendo algo errado porque não “atingiam suas metas”, porém não iriam atingir nunca visto que o que precisavam não era “melhor, mais rápido e mais forte”, mas sim, em várias vezes: “mais calmo, mais prazeroso, com mais sentido”. O que ocorria era que buscavam uma coisa usando uma estratégia errada, mas o sentimento de frustração decorrente apenas fazia com que eles apostassem ainda mais naquilo que estava dando errado. Complicado não é?

A auto-desvalorização ocorre quando olhamos para o que conquistamos e temos uma das seguintes atitudes: não celebramos, procuramos defeitos no que fizemos de modo a tirar o valor do que fizemos ou de modo a invalidar o resultado. Enquanto a pessoa tira o valor do que realizou ela sente-se sempre num estado de insegurança e de necessidade de mostrar o seu valor o que nunca ocorre, pois toda vez que ela realiza algo busca os defeitos novamente entrando num ciclo vicioso. Este tipo de comportamento encaixa perfeitamente no discurso “sempre melhor”, no entanto, não melhora  a vida da pessoa que usa esta estratégia que está sempre sentindo-se – enquanto identidade – uma farsa, mesmo que tenha resultados considerado por outros como excelentes.

É muito comum que a pessoa que tem este tipo de comportamento tenha aprendido isso de seus pais ou de alguma figura importante no passado, ele continua a repetir o processo quando adulto e a usar a mesma forma de avaliar o mundo com as outras pessoas. Obviamente o perfil é de uma pessoa insegura, mesmo que não demonstre a insegurança sendo altamente crítica com os outros, que busca uma aprovação que nunca vem. A pessoa aprende que elogiar é igual à mentir, por exemplo, ou que não se pode elogiar porque com isso as pessoas “se acomodam” e passa a viver a vida nesta briga constante entre fazer o melhor e não aprovar nunca este melhor. A palavra “satisfação” é quase um sinônimo de ilusão para eles.

O que fazer? À princípio é importante desfazer as crenças que associam a valorização à atitudes negativas como o comodismo e mentira. Trabalhar com a pessoa buscando critérios específicos para checar se algo é bom ou ruim e ajudá-la a usar estes critérios valorizando eles. E, de uma forma mais profunda, ajudar a pessoa a dar valor à si, ou seja, a valorizar quem é, a sua identidade pessoal. Obviamente não é tarefa para um final de semana, no entanto, ao longo de alguns meses a pessoa pode começar a desenvolver uma nova forma de se relacionar com ela e com o que faz aprendendo a dar valor e ser crítica com aquilo que gostou e com o que não gostou ao invés de viver apegado apenas aos erros.

A palavra de ordem neste tipo de trabalho é confiar em si. Confiança como já coloquei num outro post tem a ver com aprendermos a dar o devido valor ao que fazemos, às competências que temos. Uma vez que a confiança começa a se estabelecer o auto-respeito e a sensação de “mereço ser feliz” começam a pedir lugar e se estabelecerem na vida da pessoa. Este trajeto todo é um processo gradual, mas muito bacana e belo, no qual nos debatemos um monte para, no final, conseguirmos dizer: eu me amo tal como sou.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Devagar e sempre
26/08/2013

– Não mudou nada ainda!

– Hum, pelo que você me contou eu tenho que discordar, mas mesmo assim te pergunto: você sente que nada mudou?

– Sim, me sinto o mesmo otário de sempre.

– Entendi, o que te faz ter esta sensação?

– Eu acho que por ter entendido o que se passa eu já deveria ter mudado as coisas: deveria fazer diferente na minha relação, deveria dar uns limites para a minha família e deveria estar mais forte no trabalho.

– Entendi, no entanto, uma vez que você não está fazendo tudo isso, será que não podemos perceber o que você está fazendo, mesmo que seja menos do que a sua expectativa imaginava?

– É difícil pra mim isso.

– Eu sei, eu sei.

Rapidez. Ao mesmo tempo um benefício e um malefício do mundo pós-moderno.

Mudar, criar novos hábitos de comportamento e de atitude mental é uma atividade que requer um determinado tempo, mas a pergunta é: quanto tempo? À princípio não dá para saber. Porque não? Porque muitas vezes ao entrarmos numa questão outras aparecem atreladas à ela e estas questões “secundárias” são mais complicadas de serem mudadas. Algumas pessoas possuem mais dificuldades que outras numa mesma questão, por esta razão o tempo que usam para fazerem mudanças é maior ou menor, pois os ajustes necessários para que a mudança ocorra são mais fáceis ou mais difíceis de serem negociados.

O tema que acho importante é: não se cobre por estar indo “devagar”. Caso você deseje se cobrar utilize o critério “desleixo”. Funciona assim: uma coisa é você fazer algo de forma lenta porque é difícil para você manejar uma dada questão, outra coisa é você abrir mão e deixar de lado mesmo podendo trabalhar com a questão; à isso damos o nome de desleixo. Um exemplo simples de terapia é dar limites: a pessoa entendeu que precisa dar o limite, surge uma situação mais simples que possibilita à ela dar o limite, mas a pessoa simplesmente deixa tudo como está e finge que nada aconteceu, isto é desleixo. Ela poderia ter feito, mas não faz. O que é muito diferente de tentar dar o limite e não conseguir, por exemplo, ou dar um limite de uma forma desajeitada ou se incomodar para dar o limite, tentar falar algo e não conseguir, que é apenas o “avanço lento”.

Em terapia costumo dizer que a pessoa pode escolher entre duas coisas: mudar rápido ou mudar com qualidade e peço para que ela escolha. Na verdade esta é uma pegadinha porque quando se foca na qualidade a velocidade vem por si só. As mudanças não são “coisas”, são resultados de um processo, portanto quando focamos no processo o resultado começa a vir “por si” e aí temos a velocidade das mudanças. Isso é algo que foi modelado de todas as pessoas que conseguem realizar mudanças de forma rápida em suas vidas, elas não focam no resultado em si, elas sabem onde querem chegar e depois disso esquecem a meta e focam em tudo o que precisam fazer para alcança-lá. As pessoas que ficam muito tempo focadas no tempo acabam ficando ansiosas e esquecem do processo que vai direcioná-las para o fim, com isso terminam se perdendo no meio do caminho e diminuem o ritmo.

Uma questão final é a pergunta: o que é uma “mudança rápida”? Isso é algo complicado de se responder porque cada ser humano é único, assim sendo como podemos criar um parâmetro? Além de cada um ser único ainda temos que levar em consideração que para esta mesma pessoa algumas coisas são mais fáceis e outras mais difíceis, portanto, para algo mais simples ela pode mudar mais rapidamente, enquanto para uma mudança que envolva coisas mais difíceis ela possa demorar mais. O que fazemos geralmente é comparar a nossa velocidade com a de outras pessoas o que é um engano e um processo muito doloroso; engano porque não somos iguais aos outros, portanto a comparação fica sempre à desejar – e se o outro estivesse na nossa pele, teria conseguido? – doloroso porque sempre que nos comparamos tendemos à sofrer com isso – porque eu não consigo se ele consegue? lembre-se de que mais importante do que mudar rápido é saber o que se está fazendo, quando entendemos isso o “rápido” vem por si só.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Quando a punição recompensa
23/08/2013

– Eu chegava triste em casa e eles me deixavam pior. Se era porque uma menina me deu um fora eu era feio e desajeitado, se era porque fui mal numa prova eu era desleixado!

– Sabiam te colocar pra baixo é?

– E como! E daí o pior era assim: quando eu estava me sentindo o pior dos seres eles falavam: ah, mas sorria vá!

– Hum…

– Cara… como eu me sentia mal! Sempre assim: davam um tapa e depois um afago.

– Pois é, ensinaram você direitinho a levar porrada não é mesmo?

– Sim! Por isso que eu acho que me envolvo nestas relações que eu só me fodo sabe?

– O que tem a ver uma coisa com a outra?

– Que a pessoa me fode e daí eu aguento porque fico esperando pela minha recompensa sabe? Tipo: você me esbofeteou, agora – ou daqui a pouco – vai vir e pedir desculpas ou me fazer um afago não vai?

– Hum… só que não né?

– Pois é…

Aprendemos que ser punido faz com que a gente pare de fazer algo errado ou nocivo, porém, as vezes aprendemos a “gostar” de ser punido.

Tenho visto várias pessoas com este perfil e, por isso, resolvi escrever este post.

No livro “As vantagens de ser invisível” o professor do personagem principal diz à ele que “aceitamos o amor que achamos que merecemos”. Adoro esta frase, ela sintetiza muitos anos de terapia para inúmeras pessoas. Simples, profunda e verdadeira em vários aspectos a frase pode virar um mote. Aceitar o amor que achamos que merecemos tem a ver com o que achamos que merecemos! Embora possa parecer obvio isto nos remete ao que aprendemos  e repetimos sobre o amor, ser amado e sobre onde nos encaixamos – o que merecemos – nisso.

Portanto a questão se remete ao aprendizado que tivemos e que matemos em nosso comportamento sobre o amor. A pessoa do exemplo acima, havia aprendido que deveria entrar em relações nas quais as pessoas zombam das dificuldades dela e que ela deveria sorrir quando fizessem isso. Além disso deveria, também, se culpar por não ser perfeita, afinal “era só por causa disso” que as pessoas zombavam dela. Em resumo: dê valor e atenção à quem te desqualifica e zomba de ti, dando à esta pessoa atenção e afeto – e é claro, um sorriso no rosto! Este era o tipo de amor que ela achava que merecia.

Qual a lição sobre amor que você aprendeu?

Já no filme “Mouling rouge” a frase é outra: “A coisa mais importante que você poderá aprender é amar e ser amado em troca” – que em inglês fica muito mais sonora: “the greatest thing you´ll ever learn is just to love and be loved in return”, mas ela recairá de uma certa forma no mesmo ponto. A questão é que damos o amor que temos e recebemos o que merecemos. Uma vez conversando com uma colega que se queixava dos homens perguntei o que ela faria se o homem perfeito – perfeito para ela – chegasse e dissesse: te quero. Ela respondeu quase que sem pensar – as melhores, pelo menos mais sinceras respostas – “saia correndo”. O exemplo serve para lembrar que não importa – num primeiro momento – o amor que achamos que é o melhor, mas sim aquele que conseguimos suportar, no qual conseguimos nos ver dentro, como algo real.

Mas gostaria de tomar a frase do “Mouling rouge” para lembrar que a troca é algo muito importante numa relação. Troca no sentido de eu ter o que preciso para me sentir amado e dar o que o outro precisa para se sentir amado. Esta percepção e compromisso é parte fundamental de um bom relacionamento, algo que vai contra a ideia de “fazer o que eu quero”, pois quando em relação, “o que você quer” ultrapassa o seu desejo individual, torna-se dual e quando digo isso não quero dizer o interesse do outro, mas sim da relação propriamente dita. Não se trata de bom para mim ou bom para você, mas sim de “bom para nós”.

Suas relações lhe acrescentam ou você sempre se sente dando mais do que recebe?

Para finalizar o tema de hoje: A punição é uma recompensa quando é ela o que aturamos receber. Ou seja, quando estamos recebendo algo ruim, porém acreditamos, de alguma forma, que isto é o que merecemos está aí a nossa recompensa. Vários fatores podem levar à este fim portanto não vou ficar comentando sobre todos eles, muitos caminhos levam à Roma, o importante é compreender a forma pela qual você faz este caminho. Se compreender isto, poderá começar a mudar.

Algo que posso “adivinhar”, de antemão é que você deverá trabalhar com sua auto-estima. Neste caso aprende-se à se balizar por baixo – quem é que crê que uma relação ruim é algo bom? Quanto a auto-estima começa a melhorar a pessoa pode dizer que o ruim é ruim e que ela não quer isso. Algo inacessível num primeiro momento, o segundo momento será o de sonhar com algo melhor e então buscar por isso.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Medo da perda
21/08/2013

– Tenho medo de perder ela.

– Ah é? Hum… o que motiva esse medo?

– Não sei te dizer… parece que o meu mundo acaba sem ela sabe?

– Sei, tem a ver com algo como: nunca mais vou amar novamente ou ela é a única mulher da minha vida?

– Algo assim… não acredito que posso encontrar alguém melhor do que ela.

– Hum… pode até ser, mas, até onde você me conta, você não está feliz com ela… não é um tanto paradoxal isso?

– (silêncio) Pois é…

– O que será que este seu “medo de perdê-la” realmente está mostrando?

– Não sei… o que?

– Pense. Você não está lá muito feliz com ela, mas também tem medo de perdê-la, o que está errado neste cenário?

– Falta de acreditar em algo melhor?

– O que te parece?

– Parece que sim… não é só nesta área que eu penso assim não é mesmo?

– Não, não é.

Medo sempre tem a ver com algo que não sabemos como lidar.

Perda com algo importante que se vai, afinal ninguém sente a perda de algo que não era importante.

Medo e perda se juntam quando não sabemos como lidar com a falta daquilo que é importante para nós. Em outras palavras: ao perdermos algo importante não sabemos o que fazer e isso pode significar várias situações, cada uma requer um aprendizado específico.

Uma das situações é quando a pessoa não crê ser possível conquistar o que perdeu ou conseguir algo melhor do que possui. Se a situação na qual a pessoa está parece ruim, ela ainda dá graças à Deus por estar nela visto que não acredita que conseguiria nada melhor ou que conseguiria algo igual caso perdesse o que possui. Isso cria um apego enorme à situação – ou pessoa.

Este apego é que a pessoa chama de “medo de perder”, é a marca registrada de que a pessoa não aprendeu ou não acredita que consegue algo melhor para ela. Assim sendo começa a supervalorizar o que possui numa tentativa de iludir-se dizendo-se que o que possui é muito melhor do que na verdade é, junto com isso, tenta burlar seus sentimentos de raiva e frustração frente ao que tem e não gosta.

Como eu disse anteriormente medo é falta de aprendizado, portanto, o que precisamos aprender em uma situação como esta?

Cada um é cada um, mas, de uma forma geral podemos entender que é importante a pessoa aprender a se valorizar mais. Isto vai ajudá-la a perceber o seu valor no mundo, suas capacidades e potenciais – costumo dizer no consultório algo assim: “naquilo que você já é bom hoje, sem mudar nada em você”. Valorizar-se desta forma ajudará a pessoa a questionar a crença de que ela é incapaz de conseguir algo melhor para ela e a cogitar a crença de que ela pode conseguir algo melhor, este é um dos primeiros passos a serem seguidos.

Um outro é criar uma imagem, uma lista do que você queria de verdade. Isto serve como um parâmetro entre o que você está se permitindo viver e o que você gostaria de estar vivendo. É como eu disse para uma cliente minha: se você não quer um homem “machão” é muito simples: não se envolva com um deles! Quando não deixamos nossos desejos claros para nós acabamos “aceitando gato por lebre” e depois queremos que a lebre ronrone.

Estes dois passos são o fundamental: ter uma ideia clara de para onde desejo ir, crer que isso é possível e acreditar-se merecedor disso. Daí em diante cada um terá suas dificuldades e facilidades pessoais e somente a vida de cada um vocês poderá revelar isso com o tempo.

Espero que você possa, ainda hoje, vencer o seu medo de perder o que quer que seja acreditando que o mundo lhe reserva experiências ainda mais fantásticas do que estas com as quais você pode sonhar hoje!

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.wordpress.com

Ninguém para se importar
19/08/2013

– Percebi o que, de fato, me fez começar a terapia.
– O que?
– Eu queria alguém que se importasse comigo, de verdade… queria tanto isso que poderia até mesmo pagar por isso.
– Nossa… isso parece algo muito forte e muito pesado não é mesmo?
– Sim… na verdade… era algo pesado, mas acho que não é mais.
– Não?
– Não… quero dizer, claro que é né? Mas acho que o fato de eu ter percebido isso e poder estar aqui falando isso para você mostra que não é mais, entende?
– Sim, entendo sim.
(Silêncio, terapeuta e cliente olham-se durante algum tempo)
(Cliente fala)
– Acho que não preciso mais vir aqui por causa disso.
(Terapeuta coloca um sorriso no rosto)
– Ah é?
– Sim, encontrei alguém para se importar comigo o tempo todo.
– Quem é?
– Sou eu.

Muitas pessoas percebem que vivem suas vidas desejando agradar os outros… e sempre se frustram com isso. O que fazer?
Um dos caminhos que muitas pessoas seguem é tentar cada vez mais ser perfeito, mais rico, mais culto, mais descolado, mais belo… acabam sempre onde começaram: frustrados e ansiosos.

Alguns, mais ousados, buscam encarar a morte. Morte? Sim, a morte das expectativas, das ilusões que possuem. A expressão “ninguém está vindo” resume esta atitude. É quando a pessoa percebe, de fato, que não há ninguém vindo para salvá-la, ninguém vindo para torná-la mais feliz, ninguém vindo para cuidar dela: ela está – na condição de ser – sozinha.
Obviamente que existem “coisas” como cuidar do outro, ser ouvido por alguém, ter uma pessoa que nos entende. O propósito deste post não é negar a empatia, a sociabilidade e a compaixão, mas sim evidenciar que a experiência de sermos quem somos é vivida somente por nós. Não podemos “copiar e colar” algo da nossa experiência em outra pessoa – e mesmo que pudéssemos, o sistema operacional dela iria ler o arquivo de um forma própria.

Desta forma, enquanto a necessidade de ser cuidado por outro se mantém, a pessoa não conquista a sua vivência de si. Enquanto o foco é ser aceito no grupo a pessoa busca pelo grupo e não por si própria. Enquanto deseja que alguém se importe com ela, ela ainda não está fazendo isso. É como vi no facebook de um colega estes dias: “ninguém me dá autonomia”. De fato, ninguém nos dá a nossa autonomia, ou a criamos ou não a teremos.
E este é o caminho que percebo como a metáfora mais adequada para o dilema de agradar aos outros x ser você mesmo. Não creio em “descobertas interiores” como se algo estivesse ali esperando por você, busco ajudar meus clientes e buscarem em si as ferramentas – isso é o que creio existir “dentro de nós” e então, com elas, “criar” a si próprio. Não entendo que há um eu esperando para ser resgatado, mas sim elementos para criarmos algo – no caso, “nós mesmos” – e ver os resultados desta criação.

Esta perspectiva assusta, porém liberta. Não há certo e errado aqui, apenas o que vai passar a existir e os resultados que isso trará. Não há garantias, porém não existem cobranças também. Tudo o que se foca é no processo e em estar íntegro com ele. É como o pintor em frente à tela branca: ele possui dentro de si tudo o que precisa para criar nela uma pintura, mas a pintura em si não existe, ela começa a existir quando pintor busca o que há dentro dele e no mundo e com isto criar algo. Não há certo ou errado no que vai existir na tela, apenas o que vai existir na tela.
O contraponto disto seria o pintor, de posse de toda a sua bagagem ficar à espera de alguém que entre na sala e lhe diga o que pintar. Obviamente, uma vez ou outra isso pode ser útil e até agradável, porém, ao longo de uma vida valeria isso à pena?

O que você está pintando na sua tela? Escrevendo em seu livro? Esculpindo em sua pedra? Tecendo em seu tear?

Abraço
Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Desânimo
16/08/2013

– Não estou mais com tesão disso tudo sabe?
– Sei sim, como você encara isso?
– Como assim?
– O que pensa sobre estar sentindo esta “falta de tesão”?
– Hum, não tinha pensado nisso, mas não é bom não é mesmo?
– Será?
– O que poderia ter de bom em me sentir assim?
– Boa pergunta, o que?
– Não sei Akim, o que?
– Pense no que está “motivando esta desmotivação”.
– Hum… sei lá, tenho visto que o que eu quero na relação não é bem o que ela quer. Vejo que brigamos por causa disso, mas que não temos que brigar porque não tem nada a ver, são apenas desejos diferentes. E, talvez, incompatíveis.
– Hum, perfeito. Então você perdeu a motivação em relação à que, especificamente?
– Acho que de ficar tentando fazer que ela queira o que eu quero.
– E isso é bom ou ruim para a relação?
– Acho que de certa forma é bom, mas não é bom sentir-me assim.
– Não é prazeroso, concordo, porém a sensação vem para de te dizer que estás investindo em algo que não dá futuro! Melhor parar e que sensação melhor para parar do que o desânimo?
– Pensando assim…

Todas as nossas emoções não são sentidas por acaso. Todas possuem um sinal, um alerta ou uma mensagem. Aqueles que dão ouvidos às suas emoções são aquelas pessoas que admiramos como pessoas que vivem de forma íntegra.
O desânimo não foge à regra. Embora uma emoção “chata” de ser sentida, ele carrega consigo mensagens sempre valiosas.

O primeiro passo para entendermos melhor o desânimo é nos perguntarmos o que está motivando o nosso desânimo? Em outras palavras: estamos desmotivados em relação à que? É importante compreender que desanimar-se é sempre em relação à algo, ou seja, a nossa desmotivação não é uma “coisa” que nos pega de surpresa e não possui sentido nenhum. Às vezes as pessoas tem uma certa dificuldade em identificar o que está sendo o alvo da desmotivação, no entanto, é importante sempre pesquisar isso, seu psicólogo pode ajudá-lo neste sentido.
Depois de identificado o alvo da desmotivação é importante perguntar-se se o desânimo está relacionado à coisa em si ou à forma pela qual vivemos alguma coisa. Por exemplo, é muito comum que ao longo de um casamento os conjugues sintam-se desanimados em relação ao casamento, isto, boa parte das vezes, não é prenúncio de divórcio, mas sim um alerta de que a forma pela qual o casal está se relacionando está chata e que está na hora de mudar a relação – viajar mais, voltar a sair com amigos, ver mais filmes, enfim, o que o casal estiver precisando. Outras vezes o desânimo está ligado à coisa em si, ou seja, a pessoa não quer mais trabalhar com um determinado segmento, não quer mais o objeto a coisa em si, quer outra e, por isto, desanima-se.

Se o que lhe causa desânimo é a forma pela qual você está fazendo algo mude, faça algo diferente. Pois a questão do desânimo é reinvestir a energia numa nova forma de agir. Se o desânimo tem a ver com abandonar algo que já não lhe serve mais, busque dentro si a resposta para a pergunta: o que vai me fazer feliz agora? E busque isso.
O desânimo quando usado desta forma é um ótimo “corretor de curso” em nossas vidas, nos ajuda a perceber e agir rapidamente em prol de buscarmos algo mais adequado para nós, seja um emprego, casa ou relacionamento.

Abraço
Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Tocar
14/08/2013

– E eu não aguento mais, porque é toda hora eles fazendo coisa errada sabe?

– Sei, enche o saco não é mesmo?

– Ô se enche! E além disso ficam fazendo umas coisas toscas sabe?

– Sim.

– Eu não aguento mais, essa é a verdade.

– Vocês se abraçam muito na sua casa?

– Abraçar? Hum… na verdade não… nossa… a gente quase nunca se abraça para falar bem a verdade.

– Imagino… como seria dar um abraço bem apertado em todos eles todos os dias?

– Nossa… acho que eles iam achar que eu estou morrendo ou algo assim para dar abraços (risos).

– (Risos) É… imagino mesmo… mas como seria tentar fazer isso para ver os efeitos?

– Posso tentar…

 

E tentou… na semana seguinte voltou, me olhou com uma cara de quem pergunta “você sabia o que ia acontecer?”.

O maior órgão do ser humano é a pele. Isso mesmo: a pele! Temos este enorme órgão tomando conta de nós e muitas pessoas nem sequer sabem o que fazer com ele direito.

 

Quando perguntei para a pessoa se eles se abraçavam na casa deles eu já sabia a resposta. Pessoas altamente irritadas que reclamam de tudo o tempo todo raramente são muito dadas à abraços e toque. O toque possui uma função calmante no ser humano. No meu site deixei algumas pesquisas que relatam que tocar durante 5 minutos num cão todos os dias alivia os sintomas de depressão. Eu fico imaginando então o efeito que isso não tem em um ser humano!

O tocar é algo que cada vez mais perde espaço dentro de nossa sociedade altamente visual, porém não perde o seu poder e o seu encanto. Tocar a pele de um ser humano é uma forma de conversar com ele sem usar as palavras. É fácil perceber quando alguém está nos tocando “com segundas intenções”, ou está “segurando demais” a gente. O carinho, pela mesma via também é fácil de ser percebido, o toque afetivo, sensual, brincalhão. É no universo do toque que não precisamos usar palavras para descrever o que sentimos, apenas comunicamos isso com a intensidade de nossa própria pele. Este tipo de comunicação aumenta muito a intimidade, além de ser um sinal dela.

 

Que tal tocar mais?Ser tocado mais? Desenvolva uma brincadeira de massagem com seus filhos, com seu conjugue; aprenda a dar abraços mais apertados em quem você gosta, toque as pessoas nos ombros, segure a mão de alguém com delicadeza ao cumprimentar. Permita-se se tocar também, faça uma massagem no seu pé, na sua mão, relaxe com você mesmo!

 

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Desafios do crescimento
12/08/2013

– Minha mãe quer que eu pare a terapia.

– Ah é, e você?

– Eu não, me faz bem vir aqui.

– Perfeito, o que faz ela querer que você pare?

– Ela diz que eu estou muito agressivo em casa, respondão.

– E está?

– Eu acho que estou sim. Na verdade eu tenho me colocado sabe?

– Sei sim, você tem me contado isso.

– Mas acho que ela entende isso como “respondão”.

– É bem provável, o que você pode fazer com isso?

– Hum… acho que eu posso “responder” de uma outra forma e dizer para ela que não estou fazendo por mal, apenas estou evoluindo…

– Acho que seria ótimo você experimentar isso e me contar os resultados depois!

Existe uma crítica que se faz à psicologia no que tange a ajudar as pessoas a serem “elas mesmas”. A crítica consiste em dizer que as pessoas pisam  ou que param de ligar para os outros ao serem “elas mesmas”.

Certo e errado, vamos conferir?

“Ser você mesmo” não significa pisar nos outros, na verdade se “ser você mesmo” significa pisar nos outros você não está sendo você mesmo, está apenas vitimizando uma outra pessoa. Nathaniel Branden um psicólogo super conhecido e respeitado no tema da auto-estima diz que uma pessoa com boa auto-estima “não esta em guerra com ninguém” e ao contrário de pisar, ajuda a elevar a auto-estima das outras pessoas – porque quanto mais pessoas com auto-estima elevada, melhor e mais fácil mantermos a nossa elevada também. Assim sendo a crítica não se sustenta porque o objetivo não é pisar em ninguém para crescer, mas sim crescer pelo seu próprio esforço.

“Parar de ligar” para os outros é um ponto que também não se sustenta. As pessoas, quando começam a crescer emocionalmente tornam-se mais responsáveis com suas próprias vidas, ficam mais bem  humoradas por conseguirem ter mais soluções práticas para viver e acabam tendo mais tempo para compartilhar com aqueles que amam. Elas colocam prioridades em suas vidas e acabam sendo mais eficientes do que antes. Assim, elas não param de ligar para os outros, pelo contrário, lhes sobra mais tempo para conviver com quem querem e lhes fazem bem.

No entanto…

Ao crescer as pessoas aprendem a “dar limites”, um limite pode, muitas vezes, ser interpretado como “pisou em mim”. Existe uma diferença entre ser pisado e sentir-se pisado. Isso ocorre, por exemplo, em sistemas familiares nos quais uma pessoa sempre manda e a outra sempre obedece, até que quem obedece sempre resolve crescer e dá um limite do tipo: “eu sei que você quer isso, porém eu vou fazer algo por mim primeiro, depois te faço isso”. Pronto, feito a guerra: “está pisando em mim, começou a  terapia e agora está aí querendo ser toda(o) metida(o), você vai se arrepender”. Se você acha que receber um limite é ser pisado, ora de procurar a sua terapia!

Ao crescer as pessoas também começam a dar prioridade às coisas e pessoas que lhes fazem bem e começam a se afastar lentamente daquelas que lhes fazem mal. Assim sendo o famoso “não liga mais pra mim” é um fato, porém um fato que deve ser encarado como uma marca de que se a pessoa quer que a outra “ligue” novamente, ela deve se esforçar para ser “melhor”. Certa vez tive que dizer à um cliente: “meu caro, mas veja: sendo chato desta forma não tem como a pessoa querer estar do seu lado mesmo, ela está crescendo e querendo o melhor para ela, se você a quer, dê este melhor”.  Se você percebeu que a pessoa está se afastando, busque entender o que precisa fazer para que a relação de vocês possa ser mais próxima de novo e, novamente, tempo de buscar a sua terapia.

Concluindo

Mudanças geram mudanças. Quando crescemos passamos a tomar atitudes diferentes e, muitas vezes, as pessoas que estão acostumadas com nossa forma antiga de ser acabam ficando um tanto sem saber como lidar com a gente. É comum que, para lidar com isso, ataquem nossas mudanças desvalorizando-as. É importante aprender a manter a sua integridade e, assim sendo, lidar contra a desvalorização da mudança.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Cuidados
09/08/2013

– Mas não sei o que fazer…

– Então vamos pensar… você tem se sentido mal, por onde começar?

– Não sei mesmo Akim.

– Se você tivesse um filho com o mesmo problema, como iria ajudá-lo?

– Hum… eu acho que ia falar com ele, e dizer para ele se descontrair um pouco porque ele estava muito tenso. Ia alugar um filme para ele e ia assistir junto.

– Perfeito, o que mais?

– Bem, depois eu ia perguntar para ele se ele saberia o que fazer e ia buscar encontrar uma solução, algo para ele experimentar fazer sabe?

– Sim

– E daí ia falar para ele fazer

– Perfeito, como você se sente agora com o seu problema?

– É engraçado… parece que ele ficou mais leve… acho que eu vou alugar um filme e dar uma relaxada para depois pensar no que fazer Akim!

– Isso, também acho bacana fazer isso. Quando você relaxa você geralmente resolve melhor as coisas, mas não tem feito isso ultimamente porque fica querendo dar conta de tudo para todos não é?

– Sim

– Posso dar uma sugestão?

– Pode

– Além de alugar o filme, desligue o celular para ninguém te incomodar!

– Nossa… perfeito!

Uma das grandes tarefas da terapia é ajudar a pessoa a saber como cuidar de si, de suas dificuldades buscando ajudá-la a gerar mais saúde, mais felicidade.

É interessante pensar que em uma sociedade tão individualista como a nossa, que visa tanto “o ser” este seja um dos trabalhos mais importantes da psicoterapia, não acham?

Ledo engano. Não percebo que nossa sociedade individualista necessariamente se importa com o indivíduo “per se”, mas sim com o fato de ele estar sozinho realizando suas compras, suas escolhas. Creio que defendemos muito mais isso do que o que realmente importa escolher. Prezamos mais a liberdade de escolha e a quantidade de possibilidades de escolhas do que se estamos escolhendo, de fato, algo bom para nós.

Tive um cliente quer estava muito bem posicionado profissionalmente ganhando muito bem, saindo com pessoas inteligentes, bonitas, indo aos lugares “chiques” da cidade e com perspectivas de crescimento cada vez maiores. O problema? “Pois é Akim, este é o problema, faço tudo isso e não estou me sentindo muito bem”.

A terapia avançou durante um tempo enquanto ele se culpava por não estar satisfeito com o que estava fazendo e depois de uma intervenção aqui, uma nova experiência ali, um relaxamento de cá ele entendeu que todas aquelas coisas eram super bacanas e tiveram um sentido perfeito para ele enquanto ele estava saindo de uma vida de pobreza – sua família sempre fora pobre – e estava decolando para a riqueza, mas depois disso aquele “festerê” e badalação ficaram “chatos”.

Sua “cura” começou de verdade quando ele passou a aceitar que preferia muito mais um passeio no parque no final da tarde e depois ir comer um de seus petiscos favoritos num bar logo próximo vendo o pôr do sol enquanto lia um livro do que ir para a balada. Era um novo momento para ele e os cuidados, as atividades que iriam alimentar a sua alma naquele momento eram completamente diferentes.

E você: o que alimenta a sua alma hoje? Você está cuidando disso ou deixando passar?

Tenho algumas regras para ajudar a definir essas coisas. O que você está fazendo deve trazer algum dos cinco elementos: prazer, realização pessoal, engajamento – aquela sensação de fazer parte de algo maior -, relacionamentos positivos, ou satisfação pessoal. Geralmente quando realizamos algo que está vinculado com nossos valores e que utiliza nossas forças pessoais para ser realizado estamos fazendo algo que nos ajudará a cuidar mais de nós mesmos.

Eu, por exemplo, adoro escrever… blog na mão!

Abraço

Visite nosso site; http://www.akimneto.com.br

%d blogueiros gostam disto: