Archive for julho \31\UTC 2013

Flexibilidade
31/07/2013

– Todo mundo reclama que eu sou muito rígido sabe?

– E o que você acha?

– Bem… não posso discordar sabe? Gosto das coisas do meu jeito!

– Sim, já vimos isso aqui não é mesmo?

– É…

– Me conte do que estão reclamando agora?

– Bem, eu estipulei uma metodologia para mantermos um projeto em andamento e as pessoas estão reclamando que o cronograma é rígido demais.

– Perfeito, e eles já ofereceram sugestões de mudanças?

– Sim, mas nem mesmo olhei para elas, o meu jeito funciona.

– Claro que sim. Mas ele será o único que funciona?

– Talvez sim, talvez não

– Quem sabe você poderia pensar no objetivo do projeto ao invés da metodologia do projeto e ver se as sugestões também atendem às demandas?

– É, poderia…

Muito se fala em “ser flexível”, mas o que é isso e quando é realmente importante?

A flexibilidade começa num ponto muito específico – e muitas vezes nada flexível – que é o objetivo. Quando temos uma meta precisamos de comportamentos e recursos para executá-la, se não tivermos estes recursos não vamos conseguir cumprir com o objetivo… OU… vamos flexibilizar o comportamento para criarmos uma forma diferente de alcançar o mesmo objetivo. Entendeu agora porque toda flexibilidade se inicia com o objetivo?

Um comportamento por si só não é “rígido”, ele só se tornará rígido se, para alcançar o mesmo objetivo tivermos várias opções disponíveis e eu sempre escolher uma que não me satisfaz por completo, mas que escolho esta “porque tem que ser esta”. A pessoa flexível tem como premissa básica as suas metas e não os seus meios. Na verdade, ela entende que os meios existe para atingir os fins e que este é o que mais importa.

Pessoas que tendem à rigidez não se comprometem com suas metas e desafios, mas sim com a imagem dos métodos, ou seja, para elas é mais importante demonstrar um papel do que alcançar uma meta. Alguns são tão rígidos que não estão atingindo o que querem mas continuam insistindo na forma porque “tem que ser assim”. A flexibilidade existe, então, para nos ajudar a ajustar os comportamentos e recursos disponíveis para alcançarmos uma meta que é do nosso interesse. O que nos leva a compreender também, que uma vez que não se tenha uma meta específica a flexibilidade não é necessária – ou até mesmo útil: uma pessoa “flexível demais” pode ser a tradução de uma pessoa sem opiniões próprias.

Se você tem problemas em não ser flexível pergunte-se: para que estou fazendo o que faço do jeito que faço? Em outras palavras: o que quero atingir com isso? Qual o meu objetivo? E então pergunte-se: que outras formas posso usar para atingir o mesmo fim? Coloque em prática, experimente e veja se ela pode substituir ou ser adicionada à sua forma antiga.

Abraço

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Porque não mudo?
29/07/2013

– E não tenho feito as mudanças que eu quero sabe?

– Sim, sei sim.

– Pois é, o que eu faço?

– Vamos analisar? O que você faz quando começa a pensar em uma mudança?

– Bem, eu imagino o que vai acontecer?

– Hum… sim, tá… mas de que forma você pensa isso?

– Ai que difícil… bem… eu não sei ao certo… mas é geralmente quando penso nas dificuldades que vou ter que superar.

– Exato… você sempre pensa nelas e no que não vai dar certo, não é mesmo?

– Sim, por aí.

– Como você reage à isso?

– Eu começo a ficar com preguiça ou meio com medo.

– Preguiça e medo são respostas boas para se motivar à fazer algo?

– Não né… que droga!

– Pois é

Muitas pessoas me fazem essa pergunta. Para muitos a resposta é a mesma: falta de atitude.

Mas, o que significa, exatamente, falta de atitude?

Podemos entender por “atitude” a forma pela qual a pessoa usa seus recursos mentais, emocionais e comportamentais para gerar em si mudanças. Dependendo da maneira pela qual ela usa as suas virtudes poderá gerar em si motivação ou medo e essas emoções são determinantes fundamentais sobre a mudança – ou não – da pessoa. Assim sendo, qual a atitude correta para gerar mudança?

Obviamente não existe uma regra específica, mas sim regras individuais. A maior parte das pessoas possui um padrão motivacional que as direciona ou para a preguiça ou para a motivação. Cabe à cada um aprender a perceber como faz para se motivar: de que forma a pessoa pensa quando realiza algo? E como faz quando fica “se enrolando”? Como a pessoa se comporta? O que diz à si mesma nessas situações? Aprender a perceber isso ajudará você a saber como iniciar o seu processo de mudança.

De uma forma geral – para dar dicas – as pessoas se motivam quando se colocam de forma pró-ativa em seus objetivos. Ou seja, enquanto você tenta explicar o problema, justificar o problema ou culpabilizar/responsabilizar terceiros você não irá entrar em estado de pró-atividade e a sua mudança, provavelmente vai demorar. Porque disso? Simples: enquanto a pessoa não se responsabiliza ela não age e mudanças pressupõe ações.

Outro fator fundamental é ter um objetivo bem definido. Obviamente é mais interessante correr atrás de um objetivo que está claro e conciso do que de algo que não sabemos ao certo o que é. Quanto mais preciso, claro e convincente for a sua meta, melhor. Em outro post eu descrevi alguns pontos importantes para a criação de objetivos, sugiro ao leitor que faça a leitura.

Um dos fatores fundamentais do objetivo é o seguinte: o futuro deve ser melhor do que o presente. Parece óbvio, mas muitas pessoas quando pensam em suas metas veem apenas os problemas que terão e não os benefícios que vão adquirir. Se você pensa apenas nos problemas é difícil de se motivar. É como ir para a academia num dia frio: a pessoa sai motivada quando pensa nos benefícios que vai adquiri, e ficar pensando apenas no frio que vai enfrentar fica na cama. Aprender a olhar para o que queremos atingir com nossos objetivos nos ajuda a criar a disposição para mudar.

É altamente empolgante pensar em algo que queremos ou precisamos e podemos conseguir! Outro fator é a crença na mudança. Muitas pessoas emperram aqui. Não dão crédito à ideia de que conseguirão mudar, de que a mudança irá trazer-lhes benefícios e que eles conseguirão dar conta disso. Assim eles até conseguem imaginar um futuro melhor, mas este futuro não lhes parece real e eles acabam ficando com o que já tem, temerosos de perder.

Assim a “falta de atitude” é a falta destes elementos na forma pela qual a pessoa encara o desafio, a mudança que se coloca em à sua frente. Se você tem este problema, imagine o seguinte: pense na sua mudança da sua forma habitual. Agora imagine novamente o futuro e quero que pense somete na “parte boa” dele, diga-se que este futuro é possível que você pode conseguir porque já conseguiu realizar outras metas antes – e quem nunca conseguiu? – imagine-se de maneira ativa na execução desta mudança conseguindo atingir os benefícios da mudança. Agora compare esta sensação com a anterior. Qual lhe deu mais motivação?

Atenção: é possível que você, ao fazer isso, tenha tido mais medo. Neste caso consulte um psicólogo de sua confiança. O aumento do medo se dá – em geral – porque você ainda não possui – ou acha que não – algumas competências para lidar com as mudanças que a sua mudança vai trazer: alguém que quer terminar uma relação, mas não consegue lidar com a raiva do outro ou não consegue ver o outro sofrer tenderá a se afastar do seu desejo, por exemplo. Afinal para todos os elementos da boa motivação que citei aqui podem existir pequenos entraves emocionais que um profissional poderá resolver.

Abraço

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Identidade e processo
26/07/2013

– Tenho pensado sobre mim

– Hum, isso é bom, no que você tem pensado?

– Eu acho que tenho pensado e agido, na verdade sabe?

– Sei, mas fale um pouco mais sobre isso.

– É que você me conhece e sabe que eu sou uma pessoa que tende à não falar o que quer, não brigar pelo que quer e tenho pensado no que aconteceria se eu fizesse o contrário

– E?

– E daí que tenho feito… vem aquela pergunta: porque não dizer ou fazer isso agora?

– E como tem sido a experiência?

– Um tanto revigorante, um tanto frustrante e um tanto angustiante

– Uau, altamente intenso não é mesmo?

– Pois é… revigorante quando eu faço e aquilo me nutre; frustrante quando não faço ou quando faço e não gostei do que fiz, quando a coisa parece que não bate entende como?

– Entendo

– E é daí que vem a angustia, porque fica aquele vazio do tipo: “tá não era isso, então o que é?”

– E como você tem respondido?

– Às vezes não respondo, às vezes vem a ideia de fazer outra coisa e algumas vezes venho a entender que não tem nada para fazer, mesmo!

– Que experiência rica hein? Me parece que você está buscando um profundo contato contigo mesmo, com o que você é e com o que está nascendo ai dentro.

– Pois é, é como eu me sinto… é ao mesmo tempo forte e frágil entende?

– Sim.

Somos aquilo que consumimos, gostamos, usamos e praticamos ou somos o processo que cria isso?

A pergunta não vai ser respondida neste post, na verdade, quero deixar você leitor justamente com a dúvida, mas isso não me impede de fazer algumas reflexões…

É impossível para o ser humano viver sem estar identificado à uma imagem de si, do mundo, de como as coisas são. Esta identificação é o que nos dá senso de “eu” e nos individualiza. Porém este “eu”, longe de ser estático tem se mostrado cada vez mais  – através das pesquisas – um processo com pontos mais rígidos e alguns pontos altamente flexíveis. Assim, cabe a pergunta sobre quem realmente somos a identidade ou o processo.

Talvez a pergunta capciosa possa ser respondida com uma outra pergunta: seria a identificação e o processo duas entidades distintas?

Podemos pensar que somos aquilo que fazemos, que pensamos, que consumimos ou podemos pensar que somos o processo que cria em nós o pensamento e as ações. Também é plausível refletir que ambos são uma só coisa aparecendo de maneiras diferentes para nós ao longo do tempo. Algumas pessoas mais velhas, ao olharem em retrospectiva para suas vidas percebem que tudo o que ocorreu deveria ter ocorrido exatamente daquela forma, como se uma “orquestra invisível” estivesse tocando uma sinfonia já escrita, como se um processo grandioso estivesse presente o tempo todo, porém só perceptível em retrospecto. Esta é a hipótese que nos fala sobre a possibilidade de que aquilo com o que nos identificamos e aquilo que cria a nossa identidade sejam um só processo, com etapas diferentes. Como isso funcionaria?

Especulo que podemos entender que aquilo com o que nos identificamos é a parte final do processo, a cristalização na qual vamos para a experiência concreta: nossos gostos, nossos pensamentos, nossas ações são elementos tão concretos e rígidos – no sentido de que uma vez pensado, pensado está; ou uma vez tomada uma ação, tomada está – que representam o final de um processo evolutivo. O ápice de toda uma estruturação interna que culminou no que nos identificamos hoje.

O outro lado da moeda é algo que é mais imperceptível e tem a ver com as experiências que vamos tendo com o que nos identificamos hoje, com a repercussão que isso tem dentro de nós e com as ideias que surgem em nossa mente. Este processo está validando, questionando e pedindo por novas identificações o tempo todo. Isto é o que nos move em direção às mudanças que fazemos em nossas vidas – e estamos fazendo isso o tempo todo. Assim esta é a parte fluída, a parte onde o “eu” é algo ainda indiscriminado, algo “maior”, em ebulição buscando uma forma de ser expresso e, quando encontra, torna-se identidade.

O grande ponto, no entanto, é o seguinte: consigo perceber minhas identificações e meu processo e me entregar à ele? Ou boicoto aquilo que sou e aquilo que busca expressar-se em mim – note que quando coloco “aquilo em mim” quero dizer que é “algo” que não sou “eu” no sentido de que ainda não me identifiquei com aquilo, sendo assim embora esteja dentro de mim ainda não sou eu. Creio que o processo terapêutico é fundamental para ajudar a pessoa à exercitar este processo de ser e tornar-se – ou vir-a-ser como preferem os existencialistas.

Pergunte-se: quantas vezes você já boicotou algo que estava nascendo em você? E se você deixasse aquilo vir? Quantas vezes você menospreza aquilo que você é hoje? E se você valorizasse? Obviamente a experiência do “eu” é algo sem fim, porém isso não implica dizer que não possui finalidade. Aproveite!

Abraço

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Causa e efeito
24/07/2013

– Tá bem Akim, chega!

– Ok, por hoje chega mesmo, não vamos mais aprofundar.

– Ótimo.

– Me permite, ao invés de aprofundarmos, fazermos outra coisa?

– Permito…

– Você percebeu que está um tanto arredio neste momento certo?

– Sim. Minha vontade é de sair correndo.

– Ótimo, agora perceba ao que você está reagindo.

– Como assim?

– O que está motivando esta vontade de fugir e sair correndo?

– Ah, sei lá essas coisas que a gente está falando…

– Pense, foi agora pouco que essa vontade de fugir veio… pense…

– Eu acho que quando você me disse que era o momento de eu tomar uma decisão eu comecei  a ficar assim…

– Perfeito…

– E, depois, quando eu falei sobre as decisões eu fiquei mais ansioso e agora estou assim…

– Ótimo, muito bom, mas vamos lá: o que motivou o desejo da fuga?

– Não foi isso?

– Isso te colocou em contato com a decisão, mas o que te fez desejar resolver isso fugindo?

– Hum… entendi… (pensativo) eu acho que quando eu pensei no que eu quero fazer eu vi que não é o que todos esperam de mim. E daí resolvi fugir ao invés de frustrar os …  eu resolvi fugir porque não consigo frustrar as pessoas, quero manter o meu papel de bom moço.

– Perfeito! Como se sente agora?

– Um pouco mais calmo na verdade…

Tristeza é depressão? Ansiedade é pânico? Medo é fobia?

Ao estudar o comportamento humano um dos temas mais instigantes é: o que é sintoma o que é causa de um comportamento?

Independente de entendermos “causa” de uma forma linear (a causa b) ou de uma forma circular (a relaciona-se com b) o tema é importantíssimo dentro de uma psicoterapia que vai ajudar a pessoa a compreender melhor o seu comportamento, suas emoções e reações.

A pergunta: “O que motiva o seu comportamento?” É diferente da pergunta “porque você fez isso”. Esta última faz alusão à uma explicação na qual uma resposta como “porque eu quis” satisfaz a pergunta – e várias vezes ouvi isso em consultório, ou o famoso “porque sim”. Já a primeira pergunta tem a ver com um dado mais sensorial, ela busca pelo fenômeno que motivou a reação, ela é mais útil porque deseja uma resposta mais concreta. “Porque sim” não responde “o que motivou”.

Assim sendo é importante diferenciarmos um sintoma de um motivo. O sintoma é o que aparece aos olhos, é aquilo com que nos relacionamos de forma mais direta. A motivação pode advir de vários fatores, daí o motivo que torna esta investigação tão instigante. É como a febre, ela nunca é uma causa, um motivador de algo, é sempre um sintoma. Este sintoma pode advir de uma bactéria, de uma inflamação, de uma virose, enfim, de várias causas motivadoras daquele sintoma. Se o médico dá apenas um remédio contra a febre ele não estará tratando a causa, o mesmo vale para a porção psicológica.

Uma pessoa, por exemplo, tem baixa auto-estima. Isto não é uma causa de nada, mas sim um sintoma. Quando investigamos percebemos que ela, por exemplo, não dá limites à ninguém. Vive sentindo-se passada para trás ou mal tratada por pessoas próximas à ela. O que motiva este comportamento é uma crença de que dar limites é algo nocivo, que as pessoas brigam quando recebem limites. Assim, quando ela se vê em uma situação na qual precisa dar um belo limite ela pensa que se fizer isso vai arranjar mais confusão e, com isso, acaba aceitando a mal criação e termina sentindo-se mal consigo própria. O que temos que trabalhar neste caso? A crença e novos comportamentos sociais que vão ajudá-la a perceber a situação de uma forma diferente.

Em um post anterior eu escrevi sobre os cinco níveis lógicos de Gregory Bateson: identidade, crenças, recursos, comportamento e ambiente. Muitas vezes os motivadores estão nestes níveis ou em vários deles. Investigar isto à fundo assim como as repercussões do que vai acontecer com a pessoa e com as relações que ela tem vai nos ajudar a determinar melhor o que fazer e como fazer.

Quanto à você deixo a dica: não procure pelos “porques”, busque investigar a sua vida seguindo a dica do motivador, ou seja, quando tenho este comportamento que não gosto ou que quero mudar, o que acontece? O que teria que não ter ocorrido para este comportamento não ocorrer? Esta é a primeira fase, depois dela pergunte-se: como explico para mim o que aconteceu de forma que eu tenho o comportamento que não quero ou que quero mudar? Isto vai ajudar você à perceber melhor o seu comportamento, suas intenções e motivações pessoais!

Abraço

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Irritação
22/07/2013

– Ando muito irritada

– Com o que?

– Com tudo!

– Hum… está sensível é?

– Não, irritada!

– Pois é, mas para estar irritada tem que estar sensível à algo – ou à tudo – senão não fica irritada não é?

– Hum…

– O que será que está deixando você sensível?

– Eu fico olhando as pessoas e estou de saco cheio, ninguém consegue falar nada de verdade sabe? É sempre um mimimi, mas na hora ninguém se coloca de verdade

– Hum… e quem anda enganando você?

– Quem? Ninguém…

– Porque te incomoda isso nas pessoas então? O que está te pegando de verdade?

– Ai… Meu Deus!… To meio sacuda da vida…

– Ah!

– É to sacuda

– Mas isso já faz tempo…

– Mas agora eu estou sacuda de verdade… não aguento mais, preciso mudar alguma coisa, mas como não faço nada fico assim sabe?

– Ah… claro que sei… que tal vermos por onde você poderia começar a fazer algo para você?

– (Fica me olhando com os olhos cheios de lágrimas)

Irritação é uma sensação que temos sempre que algo nos incomoda. Embora óbvio, geralmente esquecemos disso.

O ponto chave é ir atrás deste “algo” que nos incomoda.

Irritação não é uma causa, é um sintoma, por isso devemos prestar atenção à detalhes de nossa vida quando estamos irritados. O que está acontecendo em nossa vida que nos deixa mais sensíveis, vulneráveis, alertas? Toda a irritação possui um excesso de foco em detalhes, estes detalhes ao mesmo tempo que nos irritam também estão nos dando a dica do sobre o que estamos irritados.

No exemplo acima, a pessoa estava reclamando muito sobre a “honestidade das pessoas”, a atenção estava hiperfocada nisso. Ela dizia coisas como “na hora da vamos ver, ninguém se coloca” mostrando que a sua atenção estava ali. Bem, das duas uma: ou alguém estava sendo desonesto com ela ou ela estava sendo desonesta consigo. No caso, deu a segunda opção.

Costumo fazer a analogia da irritação psíquica com a irritação da pele. A nossa pele só se irrita quando uma substância que causa dano à ela a toca ou então quando nosso sistema imunológico tem uma hiper-reação (hiper sensibilidade) à um determinado tipo de substância. Assim sendo a mente também cria uma hipersensibilidade à algum tipo de situação, comentário ou comportamento e passa a ficar irritada com aquilo.

Se você é muito irritado, perceba onde a sua atenção se foca, quais são os detalhes aos quais você se atém o que irrita mais você. Entenda que isto só te irrita porque, de alguma forma você é sensível, ou “alérgico” à isso e, desta forma é importante de se perguntar  o que de seu existe nisso que te causa a irritação. A partir disso você pode começar a cuidar disso que lhe irrita de uma forma mais “direto ao ponto” ao invés de ficar apenas reclamando e brabo com o que te causa a sensação.

Abraço

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Performances
19/07/2013

– Bem, na verdade eu nem queria estar lá para começo de conversa.

– E porque foi?

– Ah, é chato não ir né?

– Sim, concordo, mas no seu caso você é um cara que sempre vai não é mesmo?

– Sim.

– Será que ia destruir a sua relação você não ir uma vez só?

– Sei lá… mas…

– Se você não fosse, o que você estaria colocando em risco?

– A minha reputação!

– “Reputação” de que?

– Ah, eu sempre sou visto como um cara cavalheiro, cordial, “pau para toda obra”.

– Perfeito! Agora: é isto o que você quer ser o tempo todo? O “cara legal”?

– Eu não consigo ser assim o tempo todo.

– Graças à Deus! Nem você e nem ninguém. Muito bem, se as pessoas não amasse isso, amariam o que em você?

– Nossa… não sei…

– Ninguém nunca te amou sem saber das suas “performances” de bom moço?

– Sim… na verdade tive uma namorada que me disse uma vez que eu não precisava agradar ela o tempo todo, que eu podia relaxar.

– O que aconteceu com ela?

– Terminei… (risos)… É… parecia que se ela não queria aquilo ela não queria o meu amor.

– Uma bela besteira né?

– Pois é…

Ser amado tal como se é.

Um desejo de todo ser humano, porém poucos são aqueles que se colocam tal como são.

Em um post anterior escrevi sobre o mito de ser amado tal como se é, pelo fato de que o nosso jeito de ser pode, por vezes ser algo desagradável para uma pessoa. Não por ser nosso, mas pelo comportamento em si. Diferencia-se, assim, gostar do “eu” e gostar dos “comportamentos” e atitudes da pessoa.

O post de hoje tem a ver com o outro lado: o lado da pessoa aceitar quem é e colocar isso na relação, mesmo sabendo que poderá ter partes de seu comportamento rejeitadas pelo outro. O contrário disso são as performances – que encontro o tempo todo em consultório – das pessoas que mostram algo que – no julgamento delas – os outros vão gostar, mas mantém o seu “eu” mais resguardado. O mais incrível é quando estas pessoas “se soltam” e o parceiro(a) diz: “nossa, que legal isso”. E daí a pessoa pensa: “porque diabos não me soltei antes?”

Obviamente o oposto disso também ocorre – não quero criar fantasias em ninguém – e muitas vezes, ao se soltar, a pessoa recebe uma desqualificação. Sem problemas também, a  ideia central é a seguinte: o importante é você aprender a viver o que você deseja viver a negociação disso com o outro deve percorrer um caminho que leve ao respeito mútuo, uma vez que se atinja isso, a relação tende a crescer.

O outro caminho é  escolher realizar apenas aquilo que o parceiro deseja o que à longo prazo leva à fadiga e sensação de desamor. É praticamente inevitável que o relacionamento sofra estas conseqüências quando está baseado em performances de um ou de ambos os lados. Se você está sendo performático pergunte-se: é assim que desejo viver minha vida? O que eu desejo é muito errado ou sem valor? Como seria se eu colocasse mais o que eu desejo? Como vou lidar com o desacordo do outro – caso ele ocorra? Estas perguntas ajudam você a desvincilhar o seu desejo pessoal de julgamentos morais e a buscar mais competência sobre como lidar com a diferença. Aproveitem!

Abraço

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Desqualificação
17/07/2013

– E daí, toda vez que eu falo ele troca de assunto sabe? Parece que nem está ouvindo o que eu disse.

– Hum… e o que você faz nessa situação?

Desqualificação é, literalmente, tirar a qualidade de algo, minar a qualidade de algo ou alguém.

Todos estamos sujeitos à atitude de desqualificação.

Como isso é possível alguém ser desqualificado? Ela torna-se possível de duas formas: quando a pessoa não sabe dar o valor para o que deseja, suas características ou quando o valor advém do outro e não dela, em ambas as situações ela torna-se vítima fácil da desqualificação. Quando a pessoa não sabe dar o devido valor à si, seus comportamentos, desejos e atitudes ela acaba dando um valor pequeno ou inadequado assim quando uma outra pessoa também dá um valor pequeno ou inadequado ocorre uma “sinergia” entre os dois valores – ou seja o valor dado pelo outro é o mesmo que a pessoa se dá – assim sendo a pessoa sente-se desqualificada e acaba aceitando o valor atribuído.

Já quando a pessoa precisa que o outro atribua valor para o que ela quer ou faz fica fácil de entender: se o outro atribuir um valor pequeno a pessoa irá aceitar o valor pequeno visto que é o outro quem atribui este valor. O problema surge quando uma pessoa dá um valor pequeno e outra dá um valor grande: em quem acreditar? A pessoa desqualificada fica numa “sinuca de bico” emocional porque fica “evidente que alguém está mentindo” o que traz muitos problemas para a relação.

O que fazer? Como se defender?

Lidar com a desqualificação exige dois níveis de competência: intrapessoal e interpessoal. A interpessoal envolve as atitudes que a pessoa vai ter para com aquele que a desqualificou, como vai reagir à pessoa. Aqui estão envolvidos os comportamentos de dar limites, ignorar, fazer brincadeira com a pessoa, demonstrar descontentamento, solicitar desculpas e até mesmo desvinculamento. É importante saber que tipo de resposta queremos dar para a pessoa que nos desqualifica o objetivo, em geral, é demonstrar que aquilo à que você dá valor vai continuar tendo aquele valor e que a tentativa de desvalorização do outro nada mais é do que a opinião do outro sobre aquilo. Não se trata de criar um jogo de poder – quem pode mais – pelo contrário: de criar um jogo no qual ambos são iguais: cada um com sua diferença. Esta estrutura gera respeito.

A parte interna lida com a forma pela qual a pessoa se valoriza – ou não – e do grau de dependência que ela tem das outras pessoas. Sem esta parte fica muito difícil lidar com a outra porque se a pessoa não estiver segura dos valores que sustenta ela poderá abraçar rapidamente os valores de terceiros. E aqui gera-se um problema complexo pois embora a pessoa saiba que esta sendo desqualificada ela aceita a desqualificação o que gera raiva, pois a pessoa sabe que está se permitindo ser violada. A questão fundamental é como a pessoa se valoriza? Ela precisa aprender a dar o valor e sustentar o valor agregado ao que ela quer, ao que ela faz e a quem ela é. E fazer isso sabendo dos seus defeitos, afinal valorizar-se e qualificar-se não significa tapar os olhos para as partes que não gostamos em nós e é possível ter um bom valor pessoal e uma auto-estima bem estruturada sabendo dos defeitos – na verdade a auto-estima bem estruturada só existe quando os levamos em consideração.

Pergunte-se: porque isto é importante para mim? Quanto é importante para mim? Como faço para sustentar este elemento em minha vida?

Ao entender o porque, quanto e como fazer para sustentar você estará dando já os primeiros passos para manter-se livre da desqualificação!

Abraço

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Estar só
15/07/2013

– Me sinto muito sozinho

– Porque não sai com alguns amigos então?

– É que quando estou com eles é divertido, mas também não fico lá muito empolgado.

– Entendo, precisa aprender a ficar de bem com você mesmo então é?

– Será que é isso?

– Não sei, o que me diz?

– Não sei o que dizer para você.

– Hum… me diga então se neste momento você está pensando no que acha ou no que eu gostaria de ouvir.

– Acho que no segundo.

– “Acho que no segundo”, perfeito!

– (Risos) É… entendi.

– Muito bem, então me conte assim: em quem você tem que focar para ficar bem sozinho?

– Em mim não é?

– Está me perguntando ou afirmando?

– Em mim!

– Então, focando em você pense em algumas coisas que você poderia fazer e que mesmo que não tenha ninguém por perto você vai gostar

– Ok…

Estar só é uma arte; a arte de saber guiar-se pelo seu próprio pensamento.

As pessoas que não gostam de estar sozinhas geralmente concebem diversão, afeto e uma boa vida somente na presença de outras pessoas. Obviamente relacionar-se não é um problema, longe disso, no entanto é importante sabermos ter um espaço só nosso.

A necessidade disso se deve ao fato de que existem necessidades, desejos e intenções que são somente da pessoa, não podem ser compartilhadas. O que sentimos é da nossa pele para dentro, cada um vive a sua própria experiência. Assim sendo é importante que a pessoa consiga desenvolver um repertório próprio, pessoal e intransferível que trate dela para com ela.

Joseph Campell famoso mitólogo fala disso como ter o seu “espaço sagrado”, que pode ser um local, uma certa hora do dia ou uma certa atividade na qual a pessoa se desconecta de tudo o que está ao seu redor e foca na sua experiência. Isto é muito diferente de solidão, que é uma sensação de estar sem ninguém por perto que é desalentadora. A solidão é resolvível com a presença de outras pessoas e se configura com uma das necessidades humanas de termos pessoas de quem gostamos ao nosso redor.

Se você não consegue ficar só comece pensando em absolutos: o que você faria se uma guerra biológica matasse todas as pessoas e só sobrasse você aqui? Que atividades fariam você ficar bem? Que pensamentos iriam deixá-lo feliz? O que você conseguiria fazer mesmo que ninguém fosse ver e ainda assim sentir-se satisfeito?

As pessoas que “não conseguem” ficar sozinhas na verdade fazem em suas mentes uma superestimação do que os outros representam, dos valores dos outros e do desejo dos outros. De uma forma mais simples: pensar nos outros é mais tentador do que pensar em si, daí o problema. Assim sendo quando se começa a dar mais valor à si e superestimar o seu próprio desejo, os seus valores e comentários a pessoa consegue ficar sozinha e ficar feliz.

O efeito não tem como objetivo distanciar-se das pessoas, mas sim aproximar-se de si. Este é, inclusive, o critério para diferenciar o “estar só” de isolamento. Isolar-se é não conseguir relacionar-se com os outros, estar só é conseguir manter um contato saudável consigo.

Abraço

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Auto-valorização
12/07/2013

– Pois é Akim… mas eu não consigo fazer isso sabe?

– Como que você faz para não conseguir?

– Como assim?

– Relembre da cena que você me contou… olhe para os seus pensamentos e me descreva o que você pensa

– É algo do tipo: “não fale, não vai adiantar”, “melhor ficar quieto”.

– Hum… entendi, então você acha que é melhor engolir aquele desaforo do que confrontar?

– Não é o que eu sinto, mas é o como eu ajo.

– Ah, então uma parte sua quer reagir?

– Sim, mas daí eu me digo essas coisas e paro.

– E qual o melhor para você?

– O melhor seria eu dizer

– Você consegue imaginar uma cena na qual você fala

– Já fiz isso algumas vezes!

– Ótimo e como foi o resultado?

– Foi bom.

– Lembre-se desta cena e imagine ela para um futuro próximo

– Ok.

– Agora olhe para ela atentamente e comece a se explicar sobre o porque é importante você agir desta forma até que se senti convencido.

– Ok… eu me disse que se eu acho importante ceder de vez em quando a pessoa que está comigo também tem que pensar isso… porque se eu vejo que é bom para o outro quando eu faço isso, deve ser bom para mim também não é?

– É você quem está dizendo: é bom também?

– Sim! É!

Existem pessoas que lidam com suas emoções como se fossem um alerta de que elas precisam modificar algo que estão fazendo urgentemente em suas vidas, outras simplesmente não ligam para elas.

Entre um extremo e outro existem várias pessoas. Esta colocação acima nos faz pensar no valor que damos às nossas emoções e, muitas vezes, à nós mesmos.

Várias vezes recebo em consultório pessoas que aprenderam a dar mais valor à ideias, pessoas ou instituições do que à elas próprias. Toda a vez em que essas pessoas precisam de uma reação que tenha à ver com o “eu” delas a coisa fica complicada a tomada decisão arrasta-se durante meses ou anos e a pessoa apenas reclama e sente-se mal com ela por não tomar uma atitude diferente.

Um dos grandes problemas que encontramos neste tipo de estrutura é este: que o valor dado ao externo é maior do que ao interno o que ocasiona uma paralisia em atitudes que tenham a ver com necessidades ou desejos internos. É a típica pessoa que faz tudo para todos e nunca “tem tempo” para fazer aquele programa que ela quer. O que fazer?

O primeiro passo é entender que “ninguém está vindo” (post publicado no dia 10/07/2013) e que é você o responsável pela sua própria vida e resultados. Embora possa parecer óbvio, muitas pessoas passam a vida em contemplação de si enquanto colocam a “mão na massa” pelos outros. O importante é reverter este quadro: coloque a mão na massa da sua vida! Costumo lembrar que em voos sempre se diz: coloque a máscara primeiramente em você e depois ajude crianças e idosos.

O segundo passo é valorizar “o que vem de dentro”: quando você sente algo deve dar uma resposta àquilo ao invés de ficar apenas contemplando ou deixar de lado. Quando uma vontade urge é importante que você atenda ao pedido de uma forma adequada ao invés de não querer mexer com ele. Muitas pessoas sentem medo ou vergonha do que tem dentro de si, outras aprenderam que não se importar consigo é vantajoso as duas formas de desqualificação do eu tornam a pessoa dependente e vítima fácil de pessoas autoritárias.

É importante que a pessoa se questione sobre seus posicionamentos presentes: “quer dizer que você abrir mão do seu desejo tá ok, mas o outro não pode nunca abrir mão do dele… você acha isso, de fato, justo?” Para que possa abrir sua mente à uma forma que o priorize. Junto com isso é importante cultivar valores mais interessantes para ela, que “justifiquem” importar-se consigo: “toda pessoa merece carinho, você também!” Até o momento em que ela possa acessar memórias nas quais isso ocorreu e vivenciar novas experiências de forma à solidifica a sua nova posição: “viu só, você foi atrás do que queria e seus amigos ficaram felizes por você ao invés de tristes, não foi bom para você o resultado?” Todo este processo ajuda a pessoa a modificar as suas crenças de que ela é um ser que “pode ficar para depois”. Um colega meu sempre era o assador dos churrascos da turma, quando perguntavam para ele se ele não se cansava de “servir à todos” ele sempre respondia: “você acha que só vocês estão comendo?”.

Abraço

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Ninguém está vindo
10/07/2013

– Akim, preciso dizer uma coisa para você.

– Então diga lá

– Esta semana estava pensando um pouco sobre como eu resolvo as coisas na minha vida

– E aí?

– Percebi que eu gasto um bom tempo meio que de molho “esperando algo acontecer” sabe?

– Sei

– Mas que no final é sempre a mesma coisa: quando eu paro e digo “tá o que eu vou fazer com isso” é que começo a resolver as coisas

– Perfeito! Concordo contigo! O que você pode deduzir disso?

– Simples né? Obvio na verdade: sou eu quem tem que resolver os meus problemas!

Durante um processo de terapia geralmente chegamos em um momento no qual a pessoa entende algo: “ninguém está vindo”.

“Ninguém está vindo” para salvá-la de seus problemas e dar um tapinha nas costas mágico que vai curá-la de seus problemas. O fim desta fantasia é importante para o processo de terapia porque faz com que a pessoa “caia na real” e passe a enxergar os seus problemas como seus e a enfrentá-los.

A briga com o passado ou com o mundo tal como é, geralmente é um fator que expõe a pessoa à crises e depressões visto que ela não tem poder para mudar esses dois fatores. Assim sendo, enquanto o foco dela permanece sobre estes fatores a tendência é que ela sinta-se cada vez pior e mais desamparada, esperando por algo que vai salvá-la. Em consultório eu gosto de fazer um jogo de palavras com “descobrir” a resposta e “criar” a resposta.

Quando pensamos em descobrir achamos que a resposta já está pronta e que devemos “cavar” ou “procurar” por ela até encontrarmos. É uma atitude um tanto passiva visto que a resposta está já pronta e o meu problema torna-se: encontrá-la e reconhecê-la, mas de onde saiu esta resposta? Quem a colocou “ali dentro de você?”.

Quando pensamos em criar uma resposta geralmente as pessoas sentem náuseas de angústia, porque elas são colocadas frente à frente com o problema de uma forma muito crua. “O problema está aqui: o que você vai dar como resposta?” E então a pessoa precisa usar o seu raciocínio, os seus recursos para elaborar uma forma de agir frente à situação, envolve a criação de metas, a compreensão e explicação pessoal do problema e a organização dos recursos pessoais para conseguir criar a resposta e usar a resposta avaliando ainda se ela surtirá o efeito desejado e ajustar o curso da resposta ao longo do tempo. Dá muito mais trabalho não é?

No entanto é muito mais libertador também porque nos retira da tirania da descoberta. Creio que criar é muito mais interessante do que meramente descobrir. E, também, a própria descoberta é, por si só, um processo de criação. Os cientistas “criam” experimentos para “descobrir” algumas verdades sobre o mundo. Na verdade não descobrem, mas sim “criam” as verdades pela forma que olharam para elas. O fator principal, no entanto, é sair da atitude de que alguém está vindo me salvar e ficar passivamente esperando esta coisa ou pessoa e partir para a ação.

Isso não significa que você está só, mas sim que está só com a sua vida e com os seus problemas. Não significa que não poderá pedir ajuda, mas sim que a ajuda pode “te mostrar a porta, mas é você quem deve caminhar para dentro”. Lembre-se: os seus problemas e situações são seus ninguém está vindo para tirar isso de você, então, mãos à obra!

Abraço

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