Pare a briga

(no meio de um exercício no qual apenas pedi para a pessoa respirar profundamente e prestar atenção à sua respiração)

– Eu não sei exatamente o que acontece comigo… parece que eu vou viver a vida toda com esta inquietação sabe?

– Sim, continue respirando e preste atenção nesta inquietação.

– É um incomodo que não incomoda sabe?

– Como assim?

– É… eu não gosto de ficar preocupado, gosto de agir apenas, mas como sempre tive uma vida confortável nunca vi muitos motivos para agir, sempre usei as coisas de acordo com o que eu tinha.

– E?

– E… de certa forma… as pessoas se incomodavam com isso porque eu estava “tranquilo”, “na minha”… sem me preocupar e acabei entendendo que não ficar preocupado era errado.

– Hum e o que isso tem a ver com você hoje?

– Tem a ver que toda a vez que sinto que posso relaxar e ficar tranquilo me sinto culpado como se eu não soubesse viver, não soubesse o que esperar da vida e estivesse fazendo besteira.

– Hum… entendi… e se você relaxar o que acontece?

– Ai Deus… eu acabo ficando mais atento… mais crítico, não crítico chato sabe? Mas crítico e reajo mais na hora.

– Hum…

– Tenho que parar de brigar com o que tenho dentro de mim Akim…

– Também acho…

Muitas vezes as pessoas me dizem que tem problemas e defeitos. Ficam ansiosas com isso e querem mudar.

Muitas vezes, também, em meio à terapia ela simplesmente entendem que aquilo que pensam ser um defeito é simplesmente algo que chamaram de defeito e não um defeito em si.

Existe uma palavra para isso: aceitação. Aceitar não significa gostar, mas significa parar de brigar com o que percebemos, sentimos, desejamos e dar valor de existência àquilo. Uma vez que fazemos isso podemos, de fato, começar a nos relacionar com “a coisa”. E ao fazer isso é que podemos entender, compreender e mudar – caso necessário – ou começar a dar um novo uso para aquilo tudo.

A respiração é um exercício ótimo para começar isso. Respirar e ficar atento à sensação, ideia ou pensamento. Porque? Todos temos tensões musculares que são profundamente ligadas às nossas tensões emocionais e psicológicas, quando respiramos sem buscar intervir começamos a relaxar as tensões ou a colocar tônus em músculos que estão frouxos demais, isso regula a pessoa e re-equilibra as tensões. Daí quando as tensões começam a se equilibrar mudanças psicológicas e emocionais começam a acontecer.

Outra forma é criar um diálogo com aquilo que não conseguimos aceitar, imaginar a coisa como um interlocutor e começar a conversar, fazer perguntas e imaginar a resposta. É um exercício de criação e fantasia bem interessante e que geralmente dá bons resultados. Conversar com aquilo que queremos esconder é um bom começo para pararmos de brigar.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

There are no comments on this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: