Archive for junho \28\UTC 2013

Realinhar
28/06/2013

– Mas e aí, o que eu faço?

– Bom, primeiro precisamos começar modificando esta crença que você possui de que toda relacionamento tem que ter um que se ferra sempre.

– Hum… entendi e o que eu tenho que fazer depois?

– O que você acha? Pense!

– Eu acho que se eu mudar essa crença tenho que me ver de uma forma diferente também!

– Perfeito, se não foi  se ver como o coitado da história, vai começar a se ver como?

– Hum… ainda não sei direito, mas sei que quando eu me ver desta forma nova vou começar a dar limites nas pessoas ao invés de ficar levando porrada à toa!

– Eu acho que é uma ótima pedida não é mesmo?

– Sim e no final acabo não só não fazendo isso, mas também não vou aonde eu quero ir e quando eu mudar vou ir!

– Muito bom isso!

Quando uma pessoa começa a fazer uma mudança é importante que ela seja estruturada. A diferença entre uma mudança com estrutura e uma sem é que a pessoa pode voltar a repetir comportamentos inadequados quando muda sem solidez.

O que é mudar com solidez?

A mudança tal como a entendo pode ocorrer em vários níveis. Algumas vezes a pessoa precisa de mudanças muito pontuais, outras precisa de uma mudança geral. Assim sendo trouxe este brevíssimo trecho de uma sessão no qual a pessoa começou a pensar em termos de uma mudança geral para ela.

Os níveis de mudança que temos são identidade, crenças, recursos, comportamento e ambiente. Identidade é a nossa habilidade em nos identificar com uma imagem que criamos sobre os nossos vários papéis – pai, mãe, filho, profissional; crenças é o que sustenta as nossas ideias, são os ideais e valores com os quais vivemos; recursos é o como agimos no mundo; comportamento é o que fazemos no mundo e ambiente é onde estamos e lugares que frequentamos. Assim sendo o trecho da sessão que acabei de descrever mostra que uma mudança de crenças e de identidade realinhou todo o conjunto de níveis que aquele cliente tinha: ele passaria a se comportar de forma diferente e também ir à lugares diferentes quando começasse a crer e se perceber de forma diferente.

Damos à isso o nome de realinhar. Existem muitos alinhamentos que funcionam, porém o resultado que eles trazem não é o que a pessoa quer, por isso a necessidade de realinhar, buscar uma nova forma de “ser” que atinja com mais precisão aquilo que a pessoa quer.

Abraço

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Não consigo!
26/06/2013

– Mas eu não consigo imaginar eu fazendo isso Akim!

– Ok, sem problemas, me diga como você consegue se imaginar

– Eu consigo pensar em mim fazendo o que eu já faço: cedendo sempre, ficando nervoso depois!

– Perfeito… quero que você faça uma experiência comigo ok?

– Sim

– Imagine essa cena na qual você cede e fica nervoso depois.

– Ok.

– Agora quero que você imagine você conseguindo dar limites, por exemplo.

– Ok

– A imagem é a mesma?

– Não… quando penso em colocar limites fica tudo escuro… na verdade não me vem uma imagem clara…

– Ok, e quando imagina cedendo vem uma imagem clara?

– Sim

– Tente deixar a imagem do dar limites igual à outra

– Ok… Hum… nossa… parece que dar limites ficou mais fácil, me sinto mais à vontade com o que vou fazer, sabe como?

– Opa! Que ótimo!

Como você sabe que não consegue fazer algo?

Sempre representamos em nossa mente o que vamos e o que não vamos fazer. Todos nós temos um “modelo” de como somos dentro de nós, quando pensamos, lembramos ou planejamos criamos imagens em nossa mente. A qualidade destas imagens determina – muitas vezes – como nos sentimos em relação ao que estamos imaginando.

Quando nos dizemos “não consigo” fazer alguma coisa ou ter uma dada atitude estamos organizando algumas informações em nossa mente de forma que, ao pensarmos nelas, iremos acessar um estado de baixa-competência. É algo interessante no ser humano que, uma vez que ele é colocado dentro de um certo estado afetivo, algumas ideias que antes eram inconcebíveis despertam, alguns comportamentos “impossíveis” são realizados… esse “algo interessante” é o que chamamos de aprendizado.

Assim sendo, uma das formas de aprendermos “mais rápido” é imaginarmos algo que não conseguimos fazer da mesma forma pela qual imaginamos algo que conseguimos fazer. Isso literalmente força a nossa mente a buscar comportamentos, recursos e atitudes que nos levarão à conseguir exercer o que não conseguimos fazer.

Uma outra forma é buscarmos realizar algo que não conseguimos após realizarmos de forma bem-sucedida algo que conseguimos. Acessando um estado de competência pessoal, de vencer desafios a nossa mente fica mais atenta à alguns detalhes que não estão acessíveis no cotidiano. Como exemplo tenho um cliente que “aprendeu” a dançar de uma forma muito inusitada: ele sempre ficava ansioso até que um dia, após sair de um jogo de futebol no qual ele ganhou e jogou muito bem viu uma propaganda na qual duas pessoas dançavam e disse para si próprio olhando os pés dos dançarinos: “eles só estão andando prá lá e prá cá”. Quando foi dançar novamente lembrou-se disso e começou a “só andar” quando dançava e sua “performance” melhorou vertiginosamente.

E você? O que não consegue?

Abraço

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O Medo do Fracasso
24/06/2013

– Pois é Akim, mas eu tenho medo que dê errado!

– Hum… e me diga: o que acontece se der errado?

– Ah, vou ficar frustrado não é mesmo?

– Sim,  o que mais?

– Não gosto disso… me sinto como se eu fosse um incompetente!

– E o que você aprendeu sobre incompetentes?

– Que são umas pessoas idiotas… meu pai sempre falava: não seja incompetente!

– Entendi… agora me diga: se não der certo você vai realmente se tornar uma pessoa “idiota”?

– Eu não acho…

– Pois é… se algum amigo seu te contasse a mesma história, o que você diria sobre ele?

– Na verdade eu ia querer ajudar, não ia ficar com pena sabe? Mas ia pensar: pô, o cara foi atrás né? Tenho que ajudar porque o cara merece!

– Perfeito! Porque não se diz isso quando pensa no seu “fracasso”?

– Hum, parece mais leve pensar no fracasso desse jeito…

 

 

Em posts anteriores eu trabalhei com o conceito que uso ao trabalhar com o medo. O que é o medo? Todo medo é uma ilusão. Porque ilusão?

Este conceito se aplica quando vamos entender que o medo é sempre algo que fantasiamos em nossa mente, ou seja, a imagem que nos causa medo é sempre imaginada e nunca real. A reação de paralisia, fuga e colapso são aquelas que fazem com que a pessoa fique “refém do medo”; reações como curiosidade, motivação são aquelas que impulsionam  a pessoa contra o seu medo.

O que é fracasso? O fracasso pode ter vários significados para cada pessoa, em geral, se formos raciocinar ele se refere à não conclusão de algo que se havia planejado previamente. Planejei que iria ganhar o campeonato, não consegui, portanto fracassei. O fracasso deriva, também de uma ilusão, de uma fantasia que havíamos criado em nossas mentes que não se concretizou. A experiência humana toma isso como um fracasso quando, na verdade é simplesmente mais um resultado.

O problema no que venho acompanhando meus clientes é o que esse resultado implica para a pessoa. “Não ter ganho o campeonato”, por exemplo é sentido por muitos como “sou um perdedor”. Portanto a pessoa não teve apenas um resultado negativo no campeonato, ela tornou-se um perdedor. E ela não tem ideia de como lidar com isso, pois na concepção dela um perdedor é uma pessoa digna de pena, que não terá amigos e que está fadada à uma existência horrível. Assim o problema – em geral – não está no “fracasso” em si, ou seja, no resultado que foi alcançado, mas sim nas conseqüências que a  pessoa crê que este resultado terá e no que isso significa para ela.

Tenho trabalhado com um conceito simples que é muito usado por grandes empresários. Vários empresários que hoje são grandes quebraram várias vezes em suas vidas, ou seja, fracassaram, o que aconteceu com eles então? Eles começaram a repensar o negócio e fizeram um novo negócio melhorado. A experiência do fracasso serviu para eles apenas como experiência de vida. O raciocínio é de tornar um ponto da vida deles – o fracasso – em apenas um ponto e extrair dele todo aprendizado possível para o próximo passo. As pessoas que tem medo do fracasso geralmente reagem à ele de forma diferente: entendem que aquele ponto na vida delas define a vida dela e quem elas são, as pessoas que reagem bem ao fracasso não, pensam que o ponto é só um ponto e que elas podem evoluir a partir dele, por isso continuam.

O valor emprestado ao evento define-o, mesmo que socialmente ele tenha um valor pré existente. O que a pessoa irá fazer com o “fracasso” é o que vai definir o fracasso. Em resumo, todo o medo é uma ilusão e todo medo contém dentro de si uma incompetência e um julgamento. Julgamos o evento com base em nossa incompetência e por isso ele se torna tão terrível. Isso mesmo em relação ao medo da morte, a incompetência que temos que é a incompetência de toda uma geração é de como lidar com a morte, um soldado espartano não teria problema nenhum em morrer a forma pela qual ele encarava isso era que a morte era alcançar a glória, porque se importar com ela então? Uma vez que tratamos a incompetência da pessoa o julgamento modifica-se e com isso o afeto sentido pelo evento que causa o medo.

E você? Tem medo do que?

Abraço

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Quero ou não quero?
21/06/2013

– Então… eu sei lá o que eu quero de verdade!

– Hum… como você sabe que não quer?

– Ah, acho que é assim: não me sinto à vontade com a ideia embora ache que ela é boa.

– Entendi. O que te faz não se sentir à vontade?

– Hum… não sei ao certo… a situação, as pessoas… não sei o que vão pensar, dizer entende como?

– Claro. E me diga, se, por exemplo, você fosse uma dessas pessoas que não liga para a opinião das outras, o que faria?

– Ah, se eu não ligasse eu escolheria fazer a viagem com certeza… tipo se eu soubesse falar: “ah meu, não me encha o saco”.

– Perfeito… como seria aprender a dizer isso?

– Ã, como? Nossa… nunca pensei nisso.

– Então pense!

Querer e não querer algo ao mesmo tempo. Difícil não?

O tema é super comum e geralmente tem muito pouco à ver com a escolha em si, geralmente tem a ver com as conseqüências.

Costumo dizer que toda mudança traz mudanças. Longe de ser apenas um trocadilho isso quer dizer que quando fazemos uma escolha a nossa vida, nossa rotina tende à mudar. Independente se a mudança será boa ou ruim, mais árdua ou mais tranquila a mudança pede com que saibamos nos adaptar à ela.

A adaptação à mudança geralmente é foco de muitos problemas, pois é nela que a pessoa vai ver se consegue sustentar a mudança que deseja para si. Quem não quer ter uma auto-estima mais elevada? Mas quantos estão prontos para dar limites para pessoas próximas e importantes, aprender de vez a se sustentar sozinho ou perder o medo e ir atrás de um sonho? Estas últimas perguntas são as que tem a ver com as conseqüências de ter mais auto-estima, por exemplo.

Assim quando desejamos algo estamos olhando diretamente para o benefício que achamos que aquilo vai nos trazer ou do malefício que vai nos afastar, no entanto, quando vamos para a ação propriamente dita o nosso cérebro começa a ponderar o que vamos precisar fazer para atingir a meta. E é aí que a coisa pára.

Se eu não sei fazer, tenho medo, preguiça ou então não acredito que o que desejo é possível ou que eu sou capaz de conseguir, começo a minar o meu desejo e colocar dúvidas nele. Isso, ao longo do tempo gera a confusão e a paralisia que é um resultado da atividade cerebral que ao mesmo tempo acelera e freia. Também pode ser uma questão de identidade na qual a pessoa deseja porém “não SE vê” naquele quadro.

Abraço

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Dificuldades
19/06/2013

– Mas é difícil para mim isso!

– Eu sei que é… vamos dar uma olhada em como você começou?

– Vamos

– Me conte: quando você chegou aqui, qual a primeira coisa que aprendeu?

– Hum… foi o negócio de aprender a olhar para as pessoas que olham para mim!

– Perfeito, esse foi um impacto bem profundo não foi?

– Foi sim… a segunda coisa foi que eu aprendi que eu poderia ser desejada, que eu tinha… não… tenho valor!

– Ah, gostei! o que mais?

– Bem, eu sei que sou desejável, que faço bem o meu trabalho porque tenho tido clientes, sou estudiosa, sou companheira e por isso tenho valor. Depois acho que eu aprendi a dizer quando algo não me agrada e isso fez muita diferença para mim.

– Com certeza… o que mais…

– Hum, também aprendi a conter um pouco a minha ansiedade e a me acalmar em situações de estresse.

– Perfeito! Viu quanta coisa boa você aprendeu?

– Sim.

– Pois bem, como te parece aprender mais esta etapa do seu trabalho?

– Hum…. olhando agora, eu sei que é difícil me abrir, mas eu vou conseguir!!!

Todos nós temos dificuldades. Em terapia existem alguns aprendizados são mais simples e outros mais difíceis para cada um de nós.

A questão, no entanto, é: como lidar com isso?

O que tenho usado em terapia é entender que nenhuma mudança é isolada, todas elas tem profunda relação com a identidade da pessoa, suas crenças, hábitos e sua experiência de vida. Assim sendo, busco, inicialmente ajudar a pessoa a valorizar os aprendizados que ela já teve, isso cria confiança. É só quando estamos na sensação de confiança que devemos começar a traçar as nossas metas e desafios. Decidir se vamos ou não fazer uma mudança com medo é muito difícil.

Depois disso passamos a entender como a pessoa criou as suas experiências e superou os seus desafios. Isto ajuda a pessoa a pensar no método, em como resolver e, muitas vezes, a aprendizagem passada contribui para a formação de método da nova aprendizagem. E depois disso é que pensamos, efetivamente, no que fazer para executar as novas mudanças. Vemos também as diferenças entre as mudanças anteriores e as novas e trabalhamos com a expectativa que a pessoa tem sobre a mudança em termos de tempo e dificuldade, por exemplo, para deixar a expectativa adequada à pessoa e situação.

Já experimentou pensar assim nas suas dificuldades? Então tente!

Pensamento Positivo
17/06/2013

– O que eu estou tentando é não fazer cagada!

– E tem conseguido?

– É, tem ido bem.

– Que bom! E que cagadas você não tem cometido?

– Ah, eu não tenho mais vagabundeado como antes, não fico mais me enrolando para fazer minhas tarefas, não estou mais falando merda para a minha namorada… essas coisas sabe?

– Hum… e se você não está vagabundeando, o que tem feito?

– Ah, eu chego em casa, almoço, dou uma dormidinha porque ninguém é de ferro, acordo e daí pego e faço logo a lição, depois lavo a louça e faço o que tem que fazer e daí vejo o que vou fazer com o tempo que sobra.

– Hum… e como você está fazendo para fazer isso tudo?

– Ah… eu meio que coloquei assim na cabeça: é melhor eu ficar ganhando bronca todo dia ou ficar de boa com a minha mãe? Dai optei pela segunda.

– Perfeito! Mas me diga: você não acha que está se menosprezando um pouco dizendo simplesmente que “não está mais vagabundeando”?

– Como assim?

– Ora, me parece que você tomou decisões, aprendeu a se motivar e está criando um senso de responsabilidade ao fazer tudo o que tem feito e isso me parece muito mais do que um simples “não estou mais vagabundo”, me soa mais como um “estou me tornando responsável e maduro”.

– Hum… num tinha pensado assim.

– E como te parece pensar assim?

– Pô… empolga mais né?

– Empolga né? Também acho, onde mais você poderia usar essas estratégias?

– Hum… acho que sei exatamente aonde… lembra que te falei daqueles piás que me enchem o saco na escola? Acho que dá para adaptar algo disso com eles…

“A opção saudável ao pensamento negativo não e o pensamento positivo, mas o pensamento critico. Nós não ensinamos um pensamento positivo estúpido” (Martin Seligman no livro Florescer).

Adoro esta crítica de Martin Selgman por ter sentido a diferença entre pensamento positivo de fato e o estúpido de forma muito nítida em minha vida e em meu trabalho. Santo Agostinho tem uma frase que adoro: “reze como se tudo dependesse de Deus, trabalhe como se tudo dependesse de você”. Esta frase fala muito sobre a crítica de Seligman e é o tema do post de hoje.

O que seria um pensamento positivo “de fato”? Quando aquele garoto disse que “não estava vagabundeando” ele estava pensando de forma negativa, algo que ele “não está” fazendo e, com isso, livrando-se de algo ruim. Ao longo de nossa sessão busquei trazer as competências, crenças e atitudes que ele desenvolveu para “não vagabundear” à tona, criando nele uma sensação de competência e auto-estima. Estas sensações “empolgam” como ele colocou e podem ser percebidas pelas pessoa, reproduzidas, avaliadas e colocadas em outros contextos. Isso é pensamento positivo de fato.

É muito diferente de apenas se dizer: “vou conseguir”. É um “vou conseguir” embasado, com experiência de vida, com sensações e tudo isso alinhado com a identidade da pessoa e a capacidade de avaliação crítica – condições que faltam ao pensamento positivo “estúpido” porque ele não se importa com a realidade e concretude de suas afirmações, você tem que acreditar e pronto, é dogma e não pensamento.

Assim sendo é importante frisar alguns pontos do pensamento positivo “de fato” que são: embasados na realidade, nas experiências – pessoais ou não – são passíveis de análise crítica, de serem verificados, são alinhados à identidade da pessoa, são reproduzíveis e aplicáveis à várias situações e falam sempre de competências que a pessoa adquiriu, seja ela um comportamento, uma atitude mental ou uma nova forma de se perceber ou perceber o mundo. Agora perceba a diferença:

“não estou mais vagabundeando” – Pensamento negativo: apenas fala sobre algo ruim que não ocorreu

“eu posso ser responsável” – Pensamento positivo “estúpido”: o poder não está alicerçado, não é crítico e não mostra como ser responsável.

“eu penso: quero ficar bem com a minha mãe, me dou um tempo de repouso e começo a fazer as tarefas de casa e da escola, depois escolho o que quero fazer. Já fiz isso e posso fazer novamente!” – Pensamento positivo “de fato”: o poder está alicerçado em atitudes mentais, comportamentos e é fruto de reflexão da pessoa com base em experiência pessoal.

Agora experimente fazer isso com as suas experiências bem sucedidas, #fica a dica!

Abraço

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Pare a briga
14/06/2013

(no meio de um exercício no qual apenas pedi para a pessoa respirar profundamente e prestar atenção à sua respiração)

– Eu não sei exatamente o que acontece comigo… parece que eu vou viver a vida toda com esta inquietação sabe?

– Sim, continue respirando e preste atenção nesta inquietação.

– É um incomodo que não incomoda sabe?

– Como assim?

– É… eu não gosto de ficar preocupado, gosto de agir apenas, mas como sempre tive uma vida confortável nunca vi muitos motivos para agir, sempre usei as coisas de acordo com o que eu tinha.

– E?

– E… de certa forma… as pessoas se incomodavam com isso porque eu estava “tranquilo”, “na minha”… sem me preocupar e acabei entendendo que não ficar preocupado era errado.

– Hum e o que isso tem a ver com você hoje?

– Tem a ver que toda a vez que sinto que posso relaxar e ficar tranquilo me sinto culpado como se eu não soubesse viver, não soubesse o que esperar da vida e estivesse fazendo besteira.

– Hum… entendi… e se você relaxar o que acontece?

– Ai Deus… eu acabo ficando mais atento… mais crítico, não crítico chato sabe? Mas crítico e reajo mais na hora.

– Hum…

– Tenho que parar de brigar com o que tenho dentro de mim Akim…

– Também acho…

Muitas vezes as pessoas me dizem que tem problemas e defeitos. Ficam ansiosas com isso e querem mudar.

Muitas vezes, também, em meio à terapia ela simplesmente entendem que aquilo que pensam ser um defeito é simplesmente algo que chamaram de defeito e não um defeito em si.

Existe uma palavra para isso: aceitação. Aceitar não significa gostar, mas significa parar de brigar com o que percebemos, sentimos, desejamos e dar valor de existência àquilo. Uma vez que fazemos isso podemos, de fato, começar a nos relacionar com “a coisa”. E ao fazer isso é que podemos entender, compreender e mudar – caso necessário – ou começar a dar um novo uso para aquilo tudo.

A respiração é um exercício ótimo para começar isso. Respirar e ficar atento à sensação, ideia ou pensamento. Porque? Todos temos tensões musculares que são profundamente ligadas às nossas tensões emocionais e psicológicas, quando respiramos sem buscar intervir começamos a relaxar as tensões ou a colocar tônus em músculos que estão frouxos demais, isso regula a pessoa e re-equilibra as tensões. Daí quando as tensões começam a se equilibrar mudanças psicológicas e emocionais começam a acontecer.

Outra forma é criar um diálogo com aquilo que não conseguimos aceitar, imaginar a coisa como um interlocutor e começar a conversar, fazer perguntas e imaginar a resposta. É um exercício de criação e fantasia bem interessante e que geralmente dá bons resultados. Conversar com aquilo que queremos esconder é um bom começo para pararmos de brigar.

Abraço

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Ansiedade de confronto
12/06/2013

– Eu tenho medo de falar isso Akim…

– Eu sei, o que você acha que pode acontecer?

– Ah sei lá… tenho medo de que se eu falar a coisa desse jeito ela me largue.

– Pois bem, vamos considerar isso então: você está simplesmente dizendo que precisa de mais companheirismo na relação, não é isso?

– Sim, é isso.

– Isso é algo agressivo, inadequado ou é um pedido, uma solicitação de mudança de comportamento?

– É só um pedido.

– Ao qual ela pode dizer sim ou não, certo?

– Sim.

– Agora, se ela for mais além e disser algo do tipo: “Dane-se você e o seu desejo! Se não me quer assim vou-me embora, adeus”! O que você pode concluir disso?

– Hum… acho que posso concluir que não ia dar muito certo de um jeito ou de outro.

– Algo assim: ela simplesmente não quer nem ouvir a proposta, daí eu te pergunto: o que você está solicitando é algo inegociável para você?

– É.

– Então…

– Então não tem muito o que fazer não é mesmo?

– Você pode viver sem isso, ao preço da sua integridade e auto-estima, é uma escolha.

– Entendi. Então eu acho que é assim: tenho que falar e dizer de uma forma adulta isso, sem medo, como… como não… eu sei que eu preciso disso e ouvir o que ela tem a dizer e dependendo disso até mesmo definir se vale à pena continuarmos porque talvez as nossas percepções de relação sejam muito diferentes.

– Muito bom!

– Vou fazer isso sim… tenho que confiar no que eu quero para mim.

Confrontar é uma situação que sempre causa ansiedade. Alguns sabem usar esta ansiedade à seu favor, outros perdem-se nela.

Confrontar significa “pôr-se face à face”, ou seja, ficar à frente de algo que também está de frente para você. Este “algo” pode ser uma pessoa, uma situação, uma escolha ou algo interno como um sentimento ou decisão. Porque ficamos ansiosos com isso?

Um sociólogo cujo nome me esqueci disse certa vez que entrar em uma discussão de “forma verdadeira” significa ir para a discussão sem objetivos prévios à cumprir. Ele diz isso porque, na opinião dele, uma discussão não deve ter a função de declarar um vencedor, mas sim de elucidar pontos e chegar a entendimentos. A pessoa que se permite envolver pela discussão é aquela que poderá lucrar com ela sendo transformada por ela. Acho muito bela esta forma de pensar, no entanto, não saber para onde vamos é algo que pode causar ansiedade. Para fazer a relação com o nosso tema: nunca sabemos para onde um confronto vai nos levar, ao nos colocarmos “face à face” não sabemos como será o fim daquilo e o “pior”: estamos nos abrindo, nos expondo à algo. Não saber o desfecho e expôr-se são algumas das causas que mais nos deixam ansiosos em relação à confrontos.

Quando a preocupação da pessoa está focada em “não saber o que vai acontecer” estamos lidando com as fantasias, medos e incompetências da pessoa. Obviamente ninguém sabe o que vai acontecer, mas quem não sente medo disso é porque tem auto-confiança, saber ganhar e perder, sabe dialogar, tem uma boa auto-percepção e tem instrumentos para conseguir se defender, quem não tem ou acha que não tem transforma a ansiedade em grandes medos que a paralisam. Aqui também pode entrar a questão de identidade que é quando a pessoa não se percebe merecedora de ganhar a disputa ou acha que não pode “incomodar” os outros. Muitas pessoas que atendi sabiam se defender, mas não achavam que era permitido à elas fazerem isso; tinham a crença de que seriam pessoas ruins se o fizesse e, por isso, acabavam por se calar.

No caso da pessoa ter medo de se expôr temos que trabalhar o que torna este ato algo nocivo à ela. É muito comum  que as pessoas se exponham e depois “quebrem a cara” e acabem concluindo – erroneamente – que o ato de se expor foi o que a fez quebrar a cara. Este tipo de conclusão não aponta para o fator correto. Um exemplo clássico é quando a pessoa é “sincera”, muitas pessoas que tem esta característica falam o que pensam de qualquer forma e muitas vezes falam de forma inadequada e acabam sendo prejudicadas por isso. Concluem que ser sincero é o problema e não a falta de tato – que é, em muitos casos, o problema de fato. Assim sendo é importante checar quais as associações que a pessoa tem para com a exposição e verificar se estas associações são adequadas ao tema (expor opiniões, afeto, descontentamento ou desejos).

Quando trabalhamos nesse sentido começamos a poder controlar melhor as possíveis conseqüências de um confronto deixando a pessoa mais confiante e mais solta para expôr seus desejos, ideias e descontentamentos. A identidade de “merecedor”, alinhada com crenças de auto-confiança e comportamentos adequados geralmente deixam a ansiedade de confronto num “ponto ideal”. Sim, porque nunca sabemos o que vai ocorrer em um confronto e por isso ficamos ansiosos, o que é bom, repito: é bom! Bom porque a ansiedade assim gerada faz com que a pessoa fique atenta e mais esperta para o que vai ocorrer com ela e isso é importante para qualquer confronto.

Abraço

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Integridade
10/06/2013

– Eu vim aqui hoje para conversar com você sobre algo que eu tenho que fazer…

– Perfeito, vamos lá, como posso te ajudar?

– É o seguinte: eu tenho que fazer isso, mas estou com medo de fazer isso…

– Como você sabe que tem que fazer isso que acha que tem que fazer?

– É simples Akim: eu posso não fazer, mas nunca mais ia conseguir me olhar no espelho de novo. Portanto, tenho que fazer.

– Entendi. Medo do que você tem?

– Meu medo é de que, ao fazer, eu seja rejeitado sabe?

– O que vale mais: ser rejeitado ou manter a sua integridade?

– Integridade…

– Se você for rejeitado, me parece que a pessoa que pode te rejeitar prefere que você perca a sua integridade ao invés de mudar os hábitos dela não é mesmo?

– É bem por aí…

– Desta forma te pergunto: para que você quer agradar uma pessoa que deseja que você perca a sua integridade?

– É… verdade…

– Talvez o “medo” que você esteja sentindo é aquele frio na barriga que dá em todos nós antes de realizarmos algo por total e completa escolha. Você disse que poderia viver sem isso, mas que escolhe fazer porque quer se olhar no espelho com dignidade… Escolher de forma livre é angustiante…

– Pois é… estou vivendo isso até o osso!

– Verdade…

“A integridade. Ela é pequena e frágil e é a única coisa no mundo que ainda vale a pena se ter.” (Do filme “V” de Vingança)

O caso acima me tocou. Trata-se de uma pessoa que já estava fazia tempos buscando uma solução para melhorar sua vida pessoal e conjugal. Ele encontrou a solução. Começou a buscá-la de uma forma tímida, algumas vezes voltou atrás, mas chegou num momento em que decidiu ir adiante… e foi.

Como em toda a jornada o herói encontra uma situação na qual precisará fazer uma escolha a qual, geralmente, é entre seus medos e seu coração. Se o herói escolhe seus medos ele dá um passo para trás, fica naquele lugar que ele já conhece de cor e “senta-se para esperar a morte”. Se o herói escolhe seu coração ele deverá lutar por sua integridade, sair do banco dos reservas e jogar o jogo, obviamente, como todo jogo, ele não sabe onde ele irá terminar.

Este é o medo que se segue à todos que escolhem este caminho. O “frio na barriga” antes de um grande salto, de iniciar uma cantada, de mudar de emprego, de pedir a mão de alguém em casamento, de dizer sim, de dizer não, de iniciar um novo negócio, de se separar, de julgar alguém, de perdoar, de viver. Todos estes atos e todos os outros inúmeros que não listei: pequenos atos que mostram nada mais nada menos que algo etéreo: uma escolha. Algo que não se consegue ver, sentir ou tocar, mas que define uma vida toda.

Manter-se firme à sua escolha é onde a integridade assume seu papel. E isso é o que mais toca um ser humano: escolher de forma livre. Ter em mente que podemos fazer exatamente o que desejamos e desejar por algo em específico sabendo que este algo não é certo ou errado, sagrado ou profano, mas simplesmente uma manifestação de quem somos – que é algo frágil e fugidio, e muitas vezes nem nós sabemos dizer quem somos – é o que dá o “frio” na barriga e, ao mesmo tempo, depois que fazemos é o que nos dá a sensação de sermos quem somos e isso não tem a ver com o sucesso ou fracasso da empreitada, mas com a realização do nosso ser.

Exercitar a integridade nada mais é do que se fazer uma pergunta simples: de acordo com os meus princípios o que devo fazer? E então fazer. Quais as forças que são mais fortes em mim: sabedoria, auto-controle, coragem? Eu estou empregando estas virtudes de uma forma integrada com meus valores ou estou simplesmente indo com a maré?

Abraço

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Intolerância
07/06/2013

– Eu simplesmente não consigo suportar ele!

– (Risos) Entendo perfeitamente, mas me diga: como ele te provoca?

– Ai é o jeito dele, aquela cara dele, aquele jeito de falar dele!

– Parece que está apaixonada (risos).

– Ai Akim!! Não né? Eu não gosto mesmo!

– O que esse jeito “todo especial” dele faz em você?

– Ai, não sei é tipo assim: parece que ele está bem o tempo todo sabe?

– Sei…

– E ele fica lá todo posudo, se fazendo, com o nariz empinado. “Tudo numa boa”. Não suporto!

– E você, está bem sempre? Com a auto-estima em dia?

– Você sabe que não…

– Sei, por isso também sei que ele te incomoda… mas ele também te mostra algo não mostra?

– Como assim?

– Tem algo nele que te fere, por isso você não suporta ele, mas será que este algo que te fere é algo que te fere “do mal” ou “do bem”.

– Do mal né? Se me fere!

– Será… o que tem nessa alegria toda dele que você poderia usar a seu favor?

– (Silêncio) Eu não quero dizer que eu tenho inveja disso tá?

– Tá… mas se você tivesse dito eu poderia te perguntar o que você poderia aprender com ele não poderia?

– Sim… ele tem uma coisa de que fala, enfrenta as coisas quando aparecem sabe? Isso que eu acho que ele é alegre assim…

– Entendi… então, se você tivesse dito e eu perguntado e você me respondido isso eu poderia te dizer: será que não seria bacana para você aprender com isso?

– Sim.

– Ótimo, então vamos fazer assim: como se você não tivesse dito nada eu te pergunto: que tal você aprender a enfrentar as situações da sua vida e falar mais sobre teus sentimentos e você mesma?

– É uma boa…

Intolerância, creio que este seja um tema importante para a sociedade que estamos vivendo e criando.

Vamos olhar para a palavra “tolerante” antes de irmos para a intolerância. “Tolerante” como está descrito no dicionário Michaelis: “1 Que tolera. 2 Dotado de tolerância. 3 Indulgente. 4 Que desculpa certas faltas ou erros. 5 Que admite ou respeita, embora não reconheça, opiniões contrárias à sua.”

Esta última parte é a mais importante a propriedade e habilidade de reconhecer uma ideia, posicionamento contrário, dar à ele valor de existência e respeitá-lo é o fundamento da tolerância. No entanto, parece que esta é uma habilidade que tem estado cada vez mais fora dos círculos sociais.

A resposta da sociologia, poderia vir das palavras de Zygmunt Bauman quando reflete sobre o modo consumidor de nossa sociedade atual. O Consumidor não é treinado para ser tolerante, pelo contrário a sua marca é a intolerância. Um bom consumidor não pode ser tolerante por vários motivos: ele deve – perceba-se que ele “deve” ou seja, é obrigatório – preservar sempre a grande máxima “garantir a sua satisfação com o serviço”, se ele precisa garantir a satisfação como pode tolerar algum tipo de falha ou imprevisto na empresa ou loja? Jamais, deve logo descartar e partir para a próxima. Atrasos? Jamais” Falta de estoque? Jamais! Ter que adiar a minha satisfação (grande terror)? Jamais!

Vejo os pais ensinando aos filhos: “não está bom? jogue fora”. Meu projetor está quebrado, levei ao concerto e o rapaz me disse: talvez não fabriquem mais peças para o seu aparelho senhor. E eu perguntei: e o que eu faço daí?; ele respondeu: “Bem, o senhor vai ter que comprar um novo porque não vai ter concerto”. Percebem a diferença: uma coisa é jogar fora algo que não tem concerto a outra é rapidamente trocar algo apenas “porque não está bom”. A muito tempo atrás eu cuspia vinho seco quando o provava, torcia o nariz e dizia: “Meu Deus que coisa ruim”, hoje, com o paladar adaptado, “tolerante”, aprendi a saborear os vinhos secos e adoro cada um deles.

O problema está quando usamos a lógica de consumo para mediar as relações humanas. Este é o problema. A sociedade não está indo bem? Deve ter “algo” na sociedade que deve ser eliminado (descartado) para que ela fique boa – judeus, homossexuais, artistas, intelectuais, deformados – e então, descartando fica tudo certo. A pessoa me incomoda? A culpa é dela e ela tem que ser retirada. Essa é alógica de consumo, quando criamos as pessoas para pensarem assim não podemos depois dizer que elas não estão desempenhando o seu papel. Estão à todo momento dizendo quem pode e quem não pode ficar, quem dá prazer e satisfação e quem não dá, quem é problema e quem não é de uma forma que nunca se fez antes. Porque? Porque com o mundo globalizado os “exílios” estão cada vez mais escassos, não existem mais lugares para aqueles que não são desejados irem. Para onde irão então? Para o descarte, para a lixeira.

Praticar a tolerância é algo inverso ao modo de pensamento atual. Como agir, então?

Tenho buscado agir da seguinte forma: a primeira mostrando quando a intolerância é realmente adequada. Ser intolerante ou seja, não compreender, não respeitar e não aceitar é algo importante para o ser humano quando se trata de elementos que ferem de forma brusca a sua integridade. Aí entra a segunda parte do como lido com isso a qual se divide em duas: reflexão e criação de recursos.

Reflexão: “será que o elemento que o perturba realmente fere a sua integridade?” Muitas vezes temos apenas caprichos, projeções negativas ou até mesmo inveja. “Se ele me fere, de que forma o faz?” É importante sabermos como somos feridos para sabermos como vamos nos defender e é aí que entra a proposta de gerar recursos, ou seja, aprender novas formas de perceber, se relacionar e agir com o que nos causa intolerância.

Ao final de vários processos o que vejo? A maior parte das pessoas, depois que aprende como lidar com algo passa a simplesmente não escolher aquilo ao invés de ser intolerante. O grau de intolerância passa a ser um simples: “não gosto” ao invés de “isso me faz mal”. Aprender a lidar com o que nos provoca é fundamental para sabermos distinguir o que é falta de competência nossa e o que realmente nos faz mal e causa dano. Quando a pessoa aprender ela se torna mais rica, mais sábia e geralmente mais tolerante.

Abraço

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