Archive for maio \31\UTC 2013

Dependência
31/05/2013

– Percebi então o seguinte: eu recebia a grana do meu pai e achava que, por causa daquela grana, eu não estava construindo o meu futuro.

– Hum e o que você fez?

– Bom, daí eu entendi o seguinte: o dinheiro que eu recebia dele eu poderia simplesmente guardar e viver apenas daquilo que eu ganhava.

– Hum e então?

– E então que caiu a ficha: Eu já estou cuidando da minha vida… uma coisa não tem nada a ver com a outra.

– E como foi perceber isso?

– Cara… foi uma coisa do tipo: meu, você demorou tudo isso para perceber o óbvio? (risos) Mas foi bom, libertador e assustador ao mesmo tempo, como toda boa liberdade eu acho.

– Com certeza.

As pessoas criam relações de dependência. Depender de alguém de forma concreta – assim como o bebe depende de alguém que cuide dele – é uma coisa, porém a dependência emocional nada tem a ver com a dependência concreta, a prova disso é que muitas das pessoas dependentes são as que cuidam dos outros.

A dependência possui uma característica importante no que tange à forma pela qual o dependente percebe o mundo: ele coloca o outro como mais importante do que ele, mais capaz, superior ou detentor de algum tipo de dívida à qual o dependente deve sanar. O traço básico da dependência que percebo em vários clientes é este.

Uma vez que a pessoa consegue colocar o outro num lugar mais adequado e se colocar em primeiro lugar a dependência começa a perder a sua força e a pessoa passa a “se impôr”. A pessoa pode depender da outra de várias formas, mas uma que tenho tido especial atenção é quando a pessoa identifica-se no papel de dependente. Este caso é particularmente interessante, pois é o caso no qual o julgamento da pessoa sobre si é o de dependente. Por exemplo: “não presto para nada mesmo”, “preciso dos outros”; são algumas das frases que tenho visto.

O caso do rapaz acima é um deles. Ele já ganhava o seu dinheiro, ganhava mais do que o pai mandava para ela, mas mesmo assim continuar a “agir como” um dependente, continuava se vendo no espelho como um garoto e não como um homem e, daí tinha atitudes de garoto e não de homem. Ele já possuía várias competências e habilidades para se virar na vida, mas enquanto percebia-se como dependente ele não ousava usar a sua forma de ser no mundo de forma plena e integrada ficando sempre com uma sensação de que tinha deixado de fazer algo importante.

Um tema que gosto de começar é pelas competências da pessoa (quais as suas?) ajudando-a a perceber como ela é boa no que faz e no que ela é boa. Também começamos a trabalhar com a noção de quais suas forças e quais forças seria bom desenvolver. Isso dá mais auto-confiança.

Depois disso passo para trabalhar a auto-estima da pessoa para ajudá-la a perceber o seu lugar no mundo, algo como “mereço ser feliz”. Esse merecimento é importante de ser sentido. A auto-estima precisa ser aumentada de acordo com as necessidades da pessoa fazendo com que ela crie um senso daquilo que é importante para ela e daquilo que a machuca enquanto ser humano. Também trabalhamos com a aceitação pois sem ela não existe auto-estima.

E finalmente vamos para a parte da identidade, ajudar a pessoa a alicerçar uma nova visão de eu. Gosto do processo desta forma porque quando chegamos na etapa final muito do trabalho já está pronto e é mais fácil para a pessoa identificar-se com uma visão de si se ela já viveu algumas das experiências benéficas e então entramos no trabalho da integridade: ser um só com o que você pensa, age e sente.

Este rapaz teve esta sacada neste momento da terapia  dele. Foi assim que ele começou a olhar-se no espelho e ver um homem adulto.

E você… o que vê no espelho?

Abraço

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Ser interessante
29/05/2013

– Ninguém me olha na escola, mas também… porque iriam?

– Bem você não é invisível não é?

– Ai Akim err… é que eu não tenho nada de interessante, por isso que estou falando.

– Ah é, e o que você considera uma pessoa interessante?

– Eu não tenho um iphone, não sou popular, não sou a garota mais bonita da turma.

– Hum… entendi… você tem uma bela lista do que você não é, não é mesmo?

– É…

– E essas são coisas que você acha interessante? Ou que “fazem sucesso” com o pessoal?

– Ah, eu queria até me arrumar mais, mas não sei, não ligo muito para essas paradas de “a mais mais” da turma ou ter o aparelho super hiper mega da moda… eu gosto de livros, por exemplo…

– Hum… quer dizer se você conhecesse alguém na sua escola que gosta de livros acharia esta pessoa interessante?

– Sim… nossa… que estranho… parece que eu sou interessante então?

– (risos)

– Tem um menino que eu vi mais de uma vez lendo um livro no recreio

– Olhe que legal!

– Pois é… eu já vi ele e até quis ir falar com ele um dia, mas desbaratinei sabe?

– Sim, rebaratine então!

– Vou fazer!

Vivemos em um mundo de consumo. O principal produto em exposição nas prateleiras das lojas e nos sites de compras não são televisores, celulares, smartphones ou carros… são pessoas.

O tema já foi explorado por psicólogos, sociólogos, cientistas sociais e antropólogos e a transformação dos seres humanos em produtos é um tema que organiza a nossa sociedade, pense no sentido do serviço de “marketing pessoal”, por exemplo e entenderá que nossa identidade é um produto à venda. E como qualquer produto o seu teste último é se vende, se as pessoas “compram a ideia”.

É aí que, para o indivíduo, a coisa descamba. O que o “mercado” quer, muitas vezes pode ser algo que ele não considera importante, que não alimenta a sua alma e não o faz alegre, nem feliz e nem perceber um sentido para as suas ações ou vida. Assim sendo, o que fazer?

O ponto é aprender a focar no que queremos para nós, no que realmente nos faz felizes, no que dá sentido à nossa vida, no que traz alegria ao nosso coração. Aí podemos nos fazer uma pergunta simples: “se eu visse uma pessoa na rua com estas qualidades, eu a acharia interessante?”. A resposta quase sempre é um grande “sim”, pois é isso que eu considero de importante para mim. Agora se eu consideraria uma pessoa assim interessante, porque não me considerar interessante com as característica que tenho? Ao fazermos isso podemos começar a usar a nossa percepção para nos guiar em direção à relacionamentos que possuem este tipo de características, para pessoas, lugares e eventos que tem o que nos alimenta.

Ser interessante é importante, em primeiro lugar, para nós mesmos. É de dentro que o aval precisa vir, mas às vezes precisamos de um truque para escrevermos o aval, este é um deles. Aproveitem.

Abraço

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O corpo fala
27/05/2013

– E eu fico muito tenso com isso

– Sim, você tende a se fechar todinho não é mesmo?

– Sim.

– Percebe que a sua respiração trava, os seus olhos ficam vagos e e teu peito se fecha quando acontece isso contigo?

– Agora que você falou… estou sentindo isso agora… parece que eu saio do chão…

– Exato, levante-se então, vamos fazer um exercício…

– Ok.

– Fique de pé, com os pés um do lado do outro e coloque o peso do seu corpo na parte da frente do pé, e use seus dedos como se estivesse agarrando o chão com eles.

– Ok

– Sinta como se você estivesse agarrado ao chão e “empurrando” o seu corpo para cima com sua pernas.

– Certo

– Cruze as mãos atrás da cabeça e incline o seu corpo para frente, usando as pernas para empurrar o seu corpo, sinta a sua coluna se alongando… ótimo… quando a dor do alongamento diminuir um pouco solte as mãos para frente, deixe seus olhos abertos e respire bem profundamente…

– (ele executa)

– Sente suas pernas com um leve tremor?

– Sim

– Ótimo!

– (permanece um tempo na posição)

– Agora suba bem devagar, use suas pernas para levantar o seu corpo, deixe a cabeça relaxada e desenrole a coluna a partir do quadril. Ótimo… como está?

– Nossa… quando eu falei que estava tenso não conseguia perceber a solução do meu problema, agora parece que eu voltei para Terra, relaxei e está claro o que eu tenho que fazer sabe?

– Perfeito!

Nosso corpo não apenas fala, ele respira, se emociona, pensa. Quando ouço o argumento de que é no cérebro que as coisas realmente acontecem eu pergunto: e o cérebro é o que? Um alienígena dentro de nós? Cérebro é corpo, um amontoado de células.

No entanto, saber disso é uma parte do negócio a outra parte está ligada em saber como transformar esta informação em algo concreto, como no exemplo que dei acima. A pessoa estava muito “tensa” e  tinha “saído do chão”, ela não estava mais em contato consigo, precisava defender-se da situação emocional que estava causando aquilo tudo e fazia isso “saindo do chão” e tensionando, como se fosse uma bolha de chumbo flutuando no espaço.

Ao fazer aquele exercício conhecido como “grounding” a ideia foi trazê-lo para terra novamente ao mesmo tempo em que eu o ajudava a relaxar. Ao usar as pernas para se sustentar a pessoa aprende a “dar-se a própria sustentação” e com isso a “solução” começou a ficar mais clara.

A forma pela qual usamos nosso corpo altera nossa percepção, nossa emoção e nosso pensamento. Se você duvida, corra  durante uma hora e perceba como isso altera o seu estado de humor, ou então tensione todo o seu corpo durante um minuto e tente fazer a apreciação de alguma coisa: uma música, um copo de vinho ou de um quadro. Agora faça o contrário: relaxe, faça um groundig e então aprecie. Nossa mente e emoções afetam nosso corpo, a parte bacana disso é que o contrário também é verdadeiro e com isso temos duas vias para o auto-conhecimento e para a mudança!

Um benefício extra que este tipo de visão proporciona é que o seu contato com a sua saúde fica aumentado. Ao perceber mais o seu corpo você se torna naturalmente mais exigente de uma “qualidade somática” de vida. Dificilmente vai ficar inerte ao perceber um excesso de tensão, ou uma falta dela; provavelmente vai querer cuidar mais da sua saúde o que só traz benefícios.

Abraço

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P.S: para trazer este conhecimento na prática a Akim Neto Psicologia Clínica estará realizando a partir de junho um Grupo de Consciência Corporal, confira no link:

Níveis
24/05/2013

– Pois é, mas é difícil para eu mudar isso!

– O que torna difícil?

– Eu não sei ao certo…

– Você acha que é possível mudar isso?

– De verdade, de verdade não… acho que a gente nasce assim e pronto.

– Entendi. Bem, se é assim que você percebe a situação, como você se comporta frente à ela?

– (Penstivo) Bem… eu fico mais na minha não é?

– Sim, afinal não há nada para você fazer não é mesmo?

– É… mas isso não é bom para mim!

– Com certeza que não, além disso, como você não reage à situação como você se sente com você mesmo?

– Um pamonha!

– Pois é… então perceba como isso estrutura você e que você não gosta do resultado até onde tem me dito, pelo menos.

– É… verdade…

Quando uma pessoa traz um objetivo ou um problema em terapia é importante que saibamos em que “nível” o problema ou meta se encontra. Geralmente checo cinco níveis, que chamamos dos “cinco níveis lógicos”: Identidade, Crenças, Recursos, comportamento e ambiente. No caso que eu trouxe, explorei com o cliente alguns dos níveis com os quais trabalho em terapia: identidade, crenças e comportamentos. Mais tarde também trabalhei com o nível de recursos  que ele precisava.

Esta pessoa tinha um problema nos seus relacionamentos, reclamava disso e sentia-se muito mal, porém ela entendia (crença) que aquilo era o seu destino, pois havia “nascido assim” (“Síndrome de Gabriela”: nasci assim, cresci assim, serei sempre assim… Gabriela). Ora, uma vez que creio que nasci assim e serei sempre assim esta percepção de mim faz com que eu engesse o meu comportamento – mesmo que seja inadequado – e que eu me tenha uma percepção de mim (identidade) como uma pessoa fadada àquela sina.

Neste caso o trabalho precisa de um tipo de recurso adequado para trabalhar cada parte do “problema”. Ou seja, é importante termos um trabalho na área de comportamento, um para a área das crenças da pessoa e também para reorganizar a sua identidade. O somatório destes recursos vão ajudar a pessoa a buscar uma solução para ela. E é importante que todos os níveis sejam trabalhados, visto que enquanto eles não estão integrados a pessoa pode até fazer pequenas mudanças, porém não as fará com integridade e ficará, de certa forma, incompleta, neste sentido.

Pense sobre como você fala sobre o seu problema e pergunte-se se é algo que tem a ver com a aquisição de novos comportamentos, mudar de ambiente ou fazer mudanças no seu comportamento frente à um dado ambiente, mudar talvez o jeito de fazer algo ao invés do comportamento em si, modificar crenças limitantes que tem à seu respeito ou a respeito do mundo ou talvez possa ser uma questão de perceber-se de forma diferente, mudando a imagem à qual você se identifica.

Abraço

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Confiança
22/05/2013

– Não sei se posso confiar nele!

– Eu sei e concordo, de fato não sabe…

– Ai, mas o que eu faço então! Largo ele?

– Não… tem que se certificar se consegue e pode confiar nele.

– Mas como?

– Vamos lá: o que você espera de um homem e como vai perceber se ele faz isso?

– (pensativa) Ah, por exemplo: quero que ele seja carinhoso: ligue para mim, me convide para sair.

– Ótimo, ele faz isso?

– Sim!

– Perfeito, nisso você pode começar a confiar!

– Hum… entendi… e daí eu tenho que fazer isso com tudo o que eu quero e espero dele?

– Perfeito, você é rápido nisso, muito bom!!

– (risos) É… eu entendo… parece então que eu não vou poder confiar nele 100% ainda… tenho que observar um pouco mais como ele é, é isso?

– Exato… nos seus relacionamentos anteriores você se jogava e depois ficava remoendo as pitangas, daí você me contou que ficou dura de pedra, sem acreditar em nada… agora, quem sabe um meio-termo? Observar e ver o que de fato dá para esperar dele?

– É… me parece mais plausível não é?

– Muito bem!

Confiar é uma atitude importante para qualquer relação. No entanto, ela é muito mal-entendida pelas pessoas.

Entende-se que quando uma pessoa “confia” na outra, esta outra “fará a coisa certa”. Mas como é definida essa “coisa certa”? As pessoas, em geral, depositam as suas expectativas de comportamentos nessa “coisa certa” e colocam este outro como alguém que vai atender aos seus desejos e necessidades pessoais. Logo após isso vem a desilusão, ou seja, a pessoa percebe que o outro não se comportou “da forma certa” e perde a confiança.

No filme “Piratas do Caribe” um argumento cômico, porém sensato do capitão Jack Sparrow que diz que ele pode ser confiável por ser desonesto, pois sempre pode se esperar de alguém desonesto ser desonesto, já o honesto não, você nunca sabe se ele se manterá honesto ou poderá vir a tornar-se desonesto.

Este argumento explica um pouco da lógica da confiança: podemos confiar no que a pessoa demonstra de si e nada mais. Em outras palavras: ao invés de colocarmos na pessoa o que nós gostaríamos que ela pensasse ou fizesse devemos observar o que de fato ela faz e pensa à fim de saber que nisto que ela faz e pensa de fato é que podemos confiar. Isso se dá porque confiança tem a ver com comportamentos, competências que, de fato, existem. Não posso confiar que uma pessoa que nunca tocou um negócio e não tem experiência nenhuma com isso vá se dar bem na primeira empresa porque ela não demonstrou competência nesta área.  Posso confiar nas habilidades que ela tem de aprendizagem, de organização, vendas, flexibilidades e entender que, com isso, ela tem grandes chances de se dar bem. Além disso vale lembrar que confiança não é sinônimo de certeza de comportamento. “Confio em você” não significa que a pessoa vai agir assim sempre mesmo que seja algo que ela já faz.

Assim, fica a dica para quem deseja aprender a confiar de uma forma mais segura, mais adulta. Observe as pessoas, veja como elas agem nas situações que a vida coloca para elas. Perceba se suas palavras vão de encontro ao que fazem ou não, conheça as pessoas. Ao conhecer você pode confiar no que elas já mostraram que fizeram e não no que você gostaria que elas fizessem. Lembre-se sempre disso: o que você deseja do comportamento de uma pessoa é uma coisa, o que ela é capaz – ou desejosa – de dar é outra.

Abraço

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Exclusão
20/05/2013

– Eu fico com medo de fazer isso.

– O que você imagina que pode ocorrer?

– Ah, não sei sabe? Eu penso que se eu fizer algo assim e não gostarem podem querer me dar um gelo ou me tirar do grupo!

– Hum… tens medo de ser excluído do grupo é isso?

– É… acho que é isso sim.

– Entendo é um medo comum e normal. Mas me diga: o que vale mais nesse caso: a aprovação do grupo ou a sua saúde emocional?

– (pensativo) Hum… acho que é a minha saúde emocional… mas mesmo assim é  muito complicado!

– Imagino… digamos que resolvam te excluir por você se defender, fazer o que deve fazer… lembre-se: isso aí não é nada demais… como você poderia entender a “exclusão” deles e lidar com ela?

– Hum… não sei ao certo… eu acabo me culpando quando isso ocorre…

– Entendi, então você vai se culpar porque os outros são inadequados contigo? Grossos até?

– É… olhando assim não faz sentido né?

– Não.

– Eu não sei Akim, acho que se eles me excluíssem mesmo do grupo eu poderia começar falando: “hey, vocês estão me excluindo só porque eu me defendi e não quero ficar sendo o alvo da chacota de vocês?”

– Hum, muito boa, confrontar é um passo ótimo!

– E se eles respondessem que sim eu poderia ir… sei lá… tentar procurar outra turma.

– E desde o princípio se dar o respeito não é mesmo?

– É…

– Perfeito! Acho que além disso você pode ter em mente de mostrar para eles que não é nada pessoal, simplesmente você não gosta do jeito que eles falam com você.

– Isso.

Todo ser humano possui um certo receio da exclusão. Como somos seres sociais a nossa tendência é desejar estar em contato com outros seres humanos, fazer parte de um grupo, de uma família. Não é por acaso que “exílio” é uma forma de punição, às vezes mais dolorida que a morte.

No entanto, existem situações em que para se manter dentro de um grupo – ou relação – o custo emocional é muito elevado e não compensa o fator social. É quando a proximidade é mais custosa do que o “exílio”. Isso pode ser dar por vários fatores como bullying (manter-se num grupo que te atormenta o tempo todo é mais custoso do que ficar sozinho), maus-tratos, violência (até que ponto vale a pena manter-se numa relação ou num grupo que são violentos com você ou que são negligentes?) e diferenças de condutas (algumas pessoas são muito diferentes e não conseguem combinar essas diferenças nem respeitá-las, ficar longe muitas vezes é melhor que a proximidade).

Nesse sentido a pessoa muitas vezes precisa confrontar o medo da exclusão e de ficar só. Uma das primeiras tarefas é mudar o foco de “vou ficar só” para “vou manter a minha auto-estima elevada”, “vou manter a minha saúde emocional”, “vou correr atrás da minha felicidade”. A mudança de foco é fundamental para que a pessoa crie a motivação necessária para viver algo que é penoso de fato e, com a mudança poder até desfrutar disso.

A segunda parte do processo e entender como lidar com o que lhe causa medo. Muitas vezes a pessoa tem medo de sair de um grupo porque não tem muitas habilidades sociais para encontrar um novo grupo, tem que aprender. Outras vezes a pessoa sente-se culpada por sentir o que sente e “causar problemas” ao grupo, é importante desfazer a culpa e mostrar que ela está buscando a sua integridade, a qual não tem preço. O medo pode estar ligado também à sobrevivência e a pessoa deve aprender a tornar-se independente, manter o seu estilo de vida sozinha para conseguir desvincular-se adequadamente.

Todas estas dicas tem um importante lembrete: muitas vezes o medo da exclusão é só isso: um medo e não uma possibilidade. Assim, quando a pessoa começa a “fazer o que tem que fazer” ela começa a posicionar-se de forma diferente em sua vida e essa mudança traz outras muito positivas que alteram a forma pela qual ela relaciona-se com o seu grupo e a exclusão fica longe de ser uma possibilidade.

Abraço

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Vergonha
17/05/2013

– Me sinto envergonhado quando vou falar com eles.

– O que te causa vergonha?

– Sei lá… eu acho que o que eu vou dizer para eles não é muito interessante… eles podem rir de mim ou não se importar.

– Isso já aconteceu com você antes?

– Na verdade não…

– Onde aprendeu, então, que o que você vai dizer não é interessante?

– Não sei ao certo… fico com medo que seja.

– Você acha o que tem a dizer interessante?

– Várias vezes… às vezes eu vou lá todo empolgado, daí olho para eles e fico quieto.

– Entendi. Quando olha para eles imagina os risos ou a falta de interesse?

– É…

– Na pior das hipóteses, se eles rissem ou mostrassem falta de interesse; você saberia como lidar com isso?

– Acho que  não, acho que eu ficaria muito mal.

– Então temos que te ajudar a lidar com isso não é?

– É… acho que se eu me sentisse seguro de que acho aquilo legal mesmo que alguém ria ou deboche ou poderia falar e daí ia retrucar ou rir junto com eles ou tirar sarro de quem riu do que eu falei.

– Hum… você já fez isso antes?

– Sim… em alguns momentos inspirados… (risos)

– Perfeito, vamos começar por aí então…

A vergonha é uma emoção na qual a pessoa – geralmente – atribui um valor negativo ao seu comportamento ou as conseqüências que vão advir do seu comportamento, este valor negativo faz com que ela não tenha o comportamento que deseja ter.

Este valor negativo pode advir de uma pessoa importante que lhe ofereceu este valor (um pai ou mãe que lhe diz que é feio dizer que é falta de educação retrucar), por uma experiência negativa que a pessoa teve no passado ou por uma percepção errônea que a pessoa faz das conseqüências de seus comportamentos.

A vergonha está intimamente ligada com dois fatores: saber como reagir à possível “cena temida” (a reação pode ser desde um comportamento até uma nova forma de perceber a situação) e desorganizar o valor negativo associado ao comportamento que se deseja ter (por exemplo, retrucar por ser inadequado muitas vezes, porém as vezes deve ser feito, então nem sempre é feio fazer isso). Além disso também vale a pena verificar – como já foi dito – se a vergonha é causada por uma referência interna – a pessoa acha isso vergonhoso – ou se foi algo recebido de alguém – seus pais achavam aquilo vergonhoso – se a situação for com relação à terceiros é importante fazer com que a pessoa coloque a sua percepção acima da dos outros.

Também é interessante perceber que a vergonha pode ser associada à identidade da pessoa -sinto vergonha de mim. Este caso é muito interessante pois, geralmente, tem a ver com uma generalização que a pessoa faz. Ela fez ou tem o hábito de fazer algo que a envergonha, e como faz habitualmente acaba por rotular-se como motivo de vergonha. Precisamos desfazer esta associação e, então, ajudar a pessoa a perceber o que a faz ficar envergonhada e criar alternativas para isso. Uma vez que consiga criar todas estes recursos a pessoa terá mais liberdade para escolher o que fazer.

Abraço

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Infelicidade: um crime?
15/05/2013

– Eu me sinto muito mal sabe?

– Porque?

– Porque eu tenho tudo o que uma pessoa poderia querer, mas não me sinto feliz!

– Hum… você sente-se mal por não ser feliz e supostamente ter que ser assim?

– É… e não é supostamente… eu tenho tudo sabe?

– Sei… mas me parece que esse “tudo” para você não é o que realmente te traz felicidade.

– (silencio)

– Você realmente crê que você deveria ser feliz por causa de tudo isso que você tem?

– Eu não sei… é confuso… eu gosto de todas as coisas que eu tenho e da grana que eu posso usar, mas sei lá… às vezes parece que falta alguma coisa… não é que eu seja mal-agradecido… mas é que tem algo além disso tudo que é o que eu quero, você me entende?

– Eu entendo, mas e você: se permite viver esta percepção que você tem da sua vida?

– Eu não sei… acho que não. Ninguém entende quando eu digo isso, na verdade até tiram sarro: “ah cara, você tem de tudo, não pode ser infeliz!”

– Pois é… que tal se permitir o direito de ser infeliz apesar do que você tem?

– Ai… seria difícil assumir isso…

– Para quem? Para você ou para os outros?

– Para os outros eu acho… Para mim é um pouco, porque daí eu vou ter que bater mais de frente ainda: uma de falar que eu estou infeliz e outra de buscar a minha felicidade com outras coisas.

– Pois é… mas e a “recompensa” de viver de forma autêntica, será que não conta?

– É…

Nossa sociedade de consumidores possui uma exigência: seja feliz. E se você não for?

A infelicidade possui hoje uma sentença criminal, ou seja, o infeliz na nossa sociedade é um pária, alguém que “deu errado” e que, por esta razão, está cometendo um certo tipo de “crime” contra a sociedade na qual vive. A situação se torna ainda mais dramática quando “o infeliz” possui recursos e bens, este não pode “mesmo” ser infeliz ou sentir esta emoção – como se dinheiro e posses fossem vacinas contra a infelicidade.

Existe dois temas importantes, à meu ver, um deles é uma questão pessoal: da pessoa assumir a vida que deseja buscar, verificar a possibilidade de sua realização e então buscar os recursos necessários para criá-la. A outra, um pouco mais profunda e difícil de perceber é a questão social.

Sobre a questão social: o consumo é a marca registrada de nossa sociedade, mas dizer isso apenas é muito superficial, pois existe todo uma cultura por detrás disto que embasa esta sociedade. A cultura consumista está baseada na livre escolha, ou seja, na crença de que todas as pessoas são livres para escolherem e criarem os seus caminhos tal como desejam. Esta crença não encontra um respaldo direto e concreto no mundo real, no entanto é tido como se fosse possível. Para alcançar estas metas o que a pessoa deve fazer? Buscar as ferramentas: as coisas que ela vai comprar para realizar o seu “sonho” de “ser quem é”, de construir um “eu”. Daí que, segundo a cultura consumista, se “querer é poder” e o “poder” é vendido em lojas e por experts, porque não ser feliz? O infeliz é um criminoso duplo: ele vai contra as normas sociais e não cria para si o que deveria estar criando, ou seja, é infeliz e incapaz. Esta incapacidade é que é o seu crime, pois, nos moldes da cultura consumista só é incapaz “quem quer”. Ao refletirmos desta forma nos tornamos cegos aos inúmeros desafios que todos passamos na busca pela felicidade: defini-la (o que é felicidade para mim?), saber como desfrutá-la, conseguir manter o seu posicionamento perante aos outros e ainda lidar com a sua evolução, pois a felicidade hoje pode ser acionada por algo diferente do que será amanhã, a felicidade não é fixa e permanente, exige trabalho e dedicação. Desta forma, quando criminalização uma pessoa por um sentimento socialmente não aceito, tratando-o (a pessoa e o sentimento) como algo “nocivo” ou “errado” (você tem que ser feliz!) estamos, na verdade, empurrando para mais longe a possibilidade desta pessoa realmente encontrar a sua felicidade.

Sobre a questão pessoal: é importante que a pessoa possa sentir-se livre para sentir o que está sentindo. Aceitar um sentimento é o primeiro passo para lidar com ele. Enquanto você não pode aceitar uma emoção, ela não pode existir e se não pode existir como é que vou pensar sobre ela e buscar alternativas? Após aceitar é importante enfrentar o que se está sentido de forma adequada. No caso acima, por exemplo, a pessoa “tinha tudo”, porém desde quando que “ter tudo” = felicidade? Quem disse isso? As pesquisas mostram que a relação entre dinheiro e felicidade é muito frágil: ele ajuda até um certo ponto (o ponto da saciação das necessidades básicas e daí em diante ele tem pouca influência sobre a felicidade). Quando ele conseguiu enfrentar a sua emoção e dizer que não estava feliz conseguiu começar a pensar no que lhe traria felicidade, este rapaz tinha uma mentalidade mais criativa e empreendedora: era um fazedor, um produtor e, portanto, passar tardes ocioso, sem fazer nada, apenas seguindo o papel de “filho de pai rico” gastando grana com baladas e amigos não lhe era suficiente. Quando percebeu isso, interessou-se por um curso de fotografia e começou a fazer algumas fotos, logo estava com um trabalho nesta área o qual a família era contra porque “era muito pouco” para ele, mais adiante o negócio expandiu e ele conseguiu sentir-se muito feliz com o que estava fazendo e com o rumo que estava dando à sua vida.

Gostaria de deixar claro que eu não faço odes à infelicidade, no entanto, também não acho que ela é um crime ou algo que deva ser “combatido”, pelo contrário: é uma emoção humana e como tal mereço o seu lugar e direito à existir. Todas as emoções são “alarmes” que nos dizem de nós mesmos, são a forma mais rápida e poderosa de percebemos algo que está acontecendo com a gente e reagir, rapidamente à isso.

Abraço

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O medo das qualidades
13/05/2013

– Eu tentei não fazer aquilo, mas não deu!

– Mas ainda bem que você fez!

– Mas todo mundo ficou contra mim Akim, porque que bom?!

– Ora, eles estavam sendo agressivos com você ao que você respondeu dando um belo de um limite, tá certo!

– Mas agora, está todo mundo sem falar comigo!

– Eu sei e sei que isso é chato e que te agride, mas pense aqui comigo: se um amigo seu tivesse contado esta história para você, o que você teria dito sobre a atitude dele?

– (Pensativo)E diria que ele fez a coisa certa.

– Pois é… qual o problema então?

– Ai Akim… é que… com minha família é diferente. Eu gosto deste meu jeito educado, limpo e organizado. Mas eles… sei lá… eles gostam de viver daquele jeito deles um dando tapa no outro…

– Eu entendo, e por isso as suas qualidades, lá, são tratadas como frescuras, não foi isso que você me disse?

– Pois é…

– Mas a questão é: são frescuras?

– Não para mim.

– Ótimo, então como seria se você aceitasse isso e se guiasse por estes princípios?

– Eu acho que eu deixaria de me sentir culpado em relação ao que fiz.

– Que te parece?

– Mas eles não vão voltar a falar comigo tão cedo…

– Companhia ou integridade?

– Integridade… aiai… é complicado… mas é isso… não posso aceitar que avacalhem a minha vida e ainda me deem de dedo!

– Que bom!

Nossa auto-estima sofre, muitas vezes por causa das “falhas” que percebemos em nós: não sou forte o suficiente, não dou limites quando preciso, não estudo tanto quanto deveria. Outras vezes, no entanto, ela sofre pelo contrário: por causa de nossas virtudes.

Quando uma pessoa possui uma qualidade, muitas vezes ela pode ser julgada por isso, ridicularizada por isso e aprender que não é tão bom assim ter aquela virtude. Em alguns casos a pessoa passa, ao invés de exercer a sua autonomia e usar as suas qualidades à não exercê-las e deixar o que sabe fazer de bom engavetado. Este “engavetamento” acaba sendo um grande furo na sua auto-estima e aos poucos a pessoa começa a sentir-se mal consigo própria. À médio, longo prazo, passa a sentir falta de si.

À medida em que a pessoa passa a aceitar a sua qualidade, desfazer qualquer ligação negativa que possa existir com relação à sua qualidade e usá-la em seu favor a auto-estima começa a melhorar. Muitas vezes a pessoa o faz para não perder relacionamentos ou o faz para evitar a responsabilidade trazida pela qualidade. De qualquer forma esconder-se da qualidade é esconder-se de si e isso sempre abala a auto-estima.

Abraço

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Insegurança
10/05/2013

– Não estou muito certo do que vai acontecer sabe?

– Com certeza que sei… é uma situação totalmente nova para você!

– Eu me sinto meio inseguro com isso e não queria me sentir assim!

– Porque não?

– Ah, porque é ruim se sentir inseguro…

– Hum, concordo que não é muito prazeroso, mas você percebe que está super adequado sentir-se assim?

– Não, como assim?

– Ora, é simples: ao entrar em uma situação nova, na qual você tem que aprender várias coisas novas é esperado a sensação de insegurança, visto que você não está seguro do que fazer e do como fazer de fato.

– Hum… mas eu não gosto de me sentir assim.

– Entendo, e então o que você tenta fazer com a sensação?

– Sei lá… tento não pensar nela…

– E ajuda?

– Não muito.

– Posso dar uma sugestão?

– Pode!

– Como seria se, ao invés de tentar burlar a insegurança, você aceitasse que não sabe fazer o trabalho direito e começasse a se dizer que não sabe e que precisa aprender e então, ao final do dia fazer um retrospecto para ver o que aprendeu naquele dia?

– (pensativo) Acho que seria mais interessante… eu ia sentir que o dia teria rendido mais… acho até que ia me empolgar de uma certa forma…

Não acredito em sentimentos positivos ou negativos. Creio que existem emoções que são mais desgastantes e outras que são menos desgastantes, algumas são reparadoras. E também acredito que para cada emoção existem respostas que são úteis e respostas que não o são e  que isso é o que de fato determina se a emoção vai desgastar a pessoa ou não.

A insegurança, por exemplo, é uma emoção muito comum em nossos dias. Sentir-se inseguro é quase certo para todos os seres humanos porém a freqüência e intensidade hoje são muito mais evidentes. Por isso é importante aprender mais sobre esta emoção.

A insegurança como o nome já diz é quando não nos sentimos seguros. E quando nos sentimos seguros? Quando sabemos o que vai acontecer, quando temos os comportamentos adequados para uma dada situação, quando sabemos o que queremos. A insegurança vem quando não sabemos muito bem o que irá ocorrer, quando não sabemos como nos defender disso, quando não temos os comportamentos adequados para uma dada situação. Nestas situações é esperado que a emoção da insegurança venha, no sentido de: eu, de fato, não sei o que fazer.

No entanto, como respondemos adequadamente à esta frase “não sei o que fazer”? Aprendendo. Aprendizado é “antídoto” contra insegurança. Ao aprendermos sabemos o que fazer, ficamos seguros sobre como reagir. Por isso se você se sente muito inseguro busque por aprendizados que vão guiar você à “saber o que fazer”. Anote perguntas e responda essas perguntas para você mesmo, isso aumenta a segurança e muitas vezes começa a criar um clima descontraído, de jogo e aprendizagem. Todo bom líder confia na sua capacidade de fazer perguntas inteligentes e respondê-las, aprenda a fazer isso!

Abraço

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