Archive for abril \29\UTC 2013

Pedras no caminho
29/04/2013

– Não aguento mais, parece que é olho gordo isso!

– Pois é, quanta coisa não é mesmo?

– Nossa, nem me fale!

– E como você está no meio disso tudo?

– Eu estou me sentindo cansada… mas às vezes paro para pensar que estou mais forte também entende?

– Me explique

– É assim: ter vivido todos esses revezes me fez parar para pensar no que estava fazendo, como estava fazendo e, com isso aprendi um bocado. Se fosse fazer a mesma coisa hoje, por exemplo, seria muito diferente.

– Então quer dizer que você aprendeu muito com tudo isso?

– Sim…

– Muito bem e ao aprender sente-se mais “forte”?

– É, é exatamente isso… parece que foi uma prova pela qual eu passei sabe?

– Com certeza… prova do que?

– Não sei ao certo… mas talvez uma prova de que eu consigo, que eu posso resistir! Vencer!

 

Existe um trecho de uma música dos Engenheiro do Havai que diz assim: “se fosse fácil encontrar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim”. Gosto muito desta frase, pois ela nos fala sobre como a vida é, de certa forma.

Num dado momento criamos nossas ideias sobre como a vida deve ser, sobre como seremos, quem seremos e como o mundo será. Depois começamos a viver o que existe de fato, mergulhar na realidade da vida e é então que vamos “pôr à prova” quem somos, o que somos e o que conseguimos ou não fazer com nossas vidas, em nossas vidas.

Respostas certas? Você não vai encontrá-las, talvez o que melhor você consiga encontrar é alguma que lhe proporcione um “aconchego interior” e também lhe adianto que esse aconchego pode ficar um bom tempo ou ir embora rapidamente e, mesmo que fique, talvez daqui à algum tempo ele não sirva mais e você tenha que, novamente, buscar uma nova inspiração.

Obviamente, navegar neste mar de certezas e incertezas pode ser um pouco cansativo, por esta razão é importante entender este que este processo nunca acaba e que encontrar-se incerto do que fazer, de quem ser não é exatamente um problema, muitas vezes é o princípio da solução. O que estamos vivendo está encaixado com a nossa evolução pessoal? Creio que esta é a pergunta mais importante. Mais importante do que “chegar lá”, “terminar o projeto” é, na minha opinião, estar vivendo dentro do que acreditamos ser a nossa evolução, nosso desenvolvimento e aprender com ele, ver o que podemos modificar, ampliar, enriquecer e esquecer para que com isso nossa jornada nos faça sentido.

Para terminar um trecho de um poema extraído do filme Sociedade dos Poetas Mortos: “Às virgens, para aproveitarem o tempo”

“Colham seus botões de rosa enquanto podem

O tempo passa voando

E a mesma rosa que hoje desabrocha

Amanhã estará murchando”

 

Abraço

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Reprimir x Conter
26/04/2013

– Estou sentindo essa angústia, ansiedade… tá muito ruim…

– Ok, então fique um pouco quieto e contenha essa sensação.

– Como assim?

– Como você percebe essa sensação?

– É um negócio ruim que eu sinto na barriga sabe, tipo um frio só que um pouco diferente

– Perfeito, segure a sua barriga com as mãos, é uma sensação de frio, como se sua barriga estivesse um pouco fraca?

– Isso!

– Ok, coloque um pouco de tônus na barriga então.

– Ai que esquisito…

– É um tanto esquisito sim… o que acontece ao fazer isso?

– É como se eu tivesse cercado a sensação… ainda sinto, mas agora parece que eu estou “controlando” a situação um pouco mais.

– Ok, agora vamos continuar com o trabalho para compreender melhor a sensação…

Existe uma diferença entre reprimir uma sensação, emoção ou desejo e conter.

Repressão está mais ligado à realizar um esforço enorme para retirar a sensação ou desejo da consciência, isolar tudo o que pode levar a pessoa a sentir ou desejar aquilo para que a “coisa” nunca mais retorne à consciência.

Contenção tem a ver com delimitar o conteúdo para conseguirmos lidar com ele. A contenção superficialmente lembra a repressão, pois é um movimento voluntário da pessoa para criar um limite na sensação ou no desejo, ela limita o poder de ação e por esta razão lembra a repressão. Porém seu objetivo é totalmente o contrário: enquanto a repressão limita e isola, jogando o elemento para fora da consciência a contenção direciona a consciência para o elemento delimitado, a delimitação é para criar a possibilidade de intervenção sobre o que estamos lidando.

Quando a pessoa aprende a conter suas emoções e desejos ela passa a ter mais consciência emocional e mais capacidade de lidar com suas emoções. Quando ela simplesmente “libera-da-form- que-vem” ela está sendo vítima de suas emoções – ao contrário do que se pensa – e não “autêntica”. Autenticidade tem a ver com a escolha, autêntico é aquele que vive a sua vida de acordo com suas escolhas, criadas e gestadas dentro de si. Se uma pessoa é capaz de acolher suas emoções e desejos para então decidir como quer lidar com elas esta pessoa estará sendo autêntica enquanto aquele que apenas joga para fora estará apenas jogando para fora, sendo uma vítima da maneira como sua expressão de emoções foi gerada anos atrás – nem sempre da melhor forma.

Então lembre-se: aprender a conter é um sinal de maturidade emocional, conter, refletir e agir com uma escolha madura e adulta.

Abraço

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Chegar ou caminhar?
24/04/2013

– Tenho estado muito ansioso com essa situação, quero que termine logo.

– Entendo, tem estado ansioso então é?

– Sim, muito.

– Como você faz para estar assim?

– Como assim?

– Você ainda não chego no fim da jornada, como faz para que fique com sua mente focada nela e não no que está ocorrendo aqui e agora?

– Hum… eu acho que fico toda hora pensando: termina logo, quando terminar vai estar assim, o tempo está correndo…

– Entendi, como seria se você se focasse aqui e agora, no que está ocorrendo e tentasse aproveitar o que ocorre?

– Não sei…

– Tente: narre para você mesmo, em um ritmo de voz mais baixo e mais lento o que está ocorrendo e pense sobre suas sensações do que está ocorrendo.

– Ok… hum isso dá uma desacelerada não dá?

– Deu para você?

– Sim

– Ótimo, como te parece o momento atual agora?

– Melhor que antes e eu estou menos ansioso “chegue logo” entende?

– Sim.

Todos queremos cruzar a linha de chegada – em primeiro lugar é claro. Mas, cruzar a linha de chegada é apenas uma ínfima parte do processo, é mais ou menos como morrer: é algo como uns 2, 5 segundos perante uma vida toda.

Ocorre que em nossa vida agitada e acelerada os resultados ficam em evidência, queremos sair de um para entrar em outro resultado prestando muita pouca atenção ao pedaço de tempo no qual mais vivemos: todo o período antes do resultado.

Aproveitar o momento não quer dizer fugir da busca pelo que se quer, mas sim viver o que se deseja atingir em cada etapa. É como se pudéssemos diluir o resultado final em minúsculas porções ao longo do tempo e fossemos vivendo cada etapa uma por vez.

Além disso curtir o que desejamos desta forma ajuda a diminuir a ansiedade quando as coisas “dão errado”, ou seja, quando temos que mudar o plano original para continuarmos na busca pela meta. Quando nossa mente fica travada no objetivo tudo temos pressa em tirar da frente o que está entre nós e nossa meta, mas quando podemos aproveitar cada momento é como se tudo o que está entre nós e nossa meta “fizesse parte”, mesmo os imprevistos.

Abraço

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O medo da vida
22/04/2013

– Acho que o que me impede é o medo…

– Medo do que?

– Medo de falhar, de não conseguir…

– Hum… mas… e porque você não conseguiria?

– Como assim?

– Ora, se este é o seu medo, o que “justifica” que você o tenha?

– (pensativo) Não sei ao certo.

– Sobre o que você me disse que deseja: você já o fez antes?

– Não.

– Sente que possui todas as capacidades para realizar isso?

– Acho que não… na verdade eu sei que não e isso me deixa muito ansioso.

– Entendo…

– Do que você tem medo então?

– (pensativo) Não sei se é “medo”… eu acho que eu sei mesmo que não sei fazer algumas coisas…

– Hum… perfeito, eu também acho… e como fazer isso é parte do seu desejo dá uma certa ansiedade pensar em ir atrás não é?

– Hum… eu acho que sim…

 

Muitas vezes as pessoas preferem a miséria afetiva do presente do que uma vida mais rica.

Encontramos muitas justificativas para o porque disso, mas existe um fator que tenho visto como fundamental: ter a sabedoria para alcançar o que se deseja. O medo geralmente está associado com não sabermos como reagir à uma dada situação, termos consciência de que não vamos conseguir alcançar algo que nos é importante ou de que não vamos conseguir nos proteger adequadamente.

Essa percepção recebe muitos nomes, muitas emoções e reagimos à isso de várias formas diferentes, mas no fundo existe esta percepção de incompetência e a sensação de baixa auto-confiança; a pessoa sente-se insegura de imaginar o seu próprio futuro. O futuro é, por definição, incerto e não sabemos com certeza o que vai ocorrer, por isso não podemos sentir certeza em relação ao futuro, mas podemos sentir segurança e confiança baseados na nossa capacidade de vencer desafios, de aprender e se tornar mais apto, uma capacidade que todos os seres humanos possuem.

Um outro fator que tem ligação direta com este é a crença de que é possível e de ser merecedor do que se deseja. Isso é muito importante pois faz com que a pessoa adeque sua percepção, sua vontade e sua energia no sentido de buscar e alcançar o que deseja e aprender o que precisa. Crer nada mais é do que dar valor de merecimento ao que você deseja e aí vem a pergunta: quando você sente que merece algo? O que você precisa fazer para sentir que merece algo?

Tememos a vida por sua incerteza, no entanto é exatamente esta incerteza que promove em nós a vitalidade da vida. É como em uma relação: quando a relação se torna apenas segura ela rapidamente se torna enfadonha, é necessário a aventura, a novidade para manter a jovialidade da relação. A mesma coisa em relação à vida, é necessário viver a incerteza para que possamos nos colocar “dentro” da vida. É somente neste campo que podemos aprender e crescer a segurança é boa para a reprodução do que já sabemos, mas todo o aprendizado nasce de situações que não dominamos e por isso a incerteza e a insegurança são normais, são comuns. Saber suportar doses de incerteza e insegurança é um fator fundamental para o crescimento.

Abraço

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Desistir
19/04/2013

– Não sei mais o que eu faço Akim!

– Pois é, será que tem algo à ser feito ainda?

– Eu… honestamente.. acho que não…

– Concordo contigo, já foi tentado tudo o que você poderia tentar.

– Mas o que eu faço então?

– O que você acha?

– Eu estou com medo de dizer o que vou dizer… mas acho que tenho que desistir!

– Pois é… como é isso para você?

– Muito difícil!

“Desistir” é uma palavra que não encontra ressonância no vocabulário pós-moderno. “Nunca desista” é a palavra de ordem. Porque? porque não sabemos lidar muito bem com limites atualmente! Não é à toa que um dos grandes “problemas dos jovens” é o desrespeito e a falta de limites, porque isso é um problema dessa geração? Ora, porque ensinamos eles à serem assim! Ensina-se que você não pode desistir, que você pode tudo, que você deve tudo. Seja sempre melhor, sempre mais feliz o que não coloca uma noção de finalidade nas propostas de vida.

Desistir é um fator importante da vida e muitas pessoas deveriam aprender quando fazer isso. O post de hoje é dedicado à isso, pois existem pessoas que, por outro lado, desistem muito facilmente das coisas, atividades, relações que não precisariam desistir, mas que desistem por falta de critérios.

Quando desistir é saudável?

Em primeiro lugar é importante considerar se o objetivo é realizável. Muitas pessoas desistem de seus propósitos por preguiça ou por serem difíceis de serem alcançados, não porque não são realizáveis. É importante checar se o que você quer é algo realizável, pois se for algo que não é possível ou realístico de ser realizável é melhor desistir e buscar outra solução ou então, desistir do objetivo completamente.

Em segundo lugar perceba se você já fez tudo o que poderia ter feito. Muitas vezes o problema está em modificar o nosso comportamento para alcançar algum fim, no entanto, muitas vezes a pessoas já fez inúmeras mudanças e o resultado não é atingível. Este é o momento no qual desistir pode ser uma boa opção. Às vezes ao desistir a pessoa se dá um tempo necessário para ter mais experiências que vão torná-la mais sábia para poder no futuro retomar o mesmo objetivo e atingí-lo.

Por fim veja se o custo de fazer ainda mais algo é muito pesado. Alguns objetivos são alcançáveis “se”… este “se” pode ser uma mudança muito radical de comportamento ou de metas de vida para a pessoa. Se esta mudança é algo que fere a sua integridade de uma forma muito drástica pode ser o caso de pensar seriamente em uma desistência.

Checar estes três elementos: viabilidade da meta, rol de comportamentos novos à serem adquiridos, “custo” da aquisição de novos comportamentos irá guiar você à uma noção clara de se os resultados que a meta vai trazer são, de fato, compensadores.

Abraço

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Persistência
17/04/2013

– Não sei se continuo sabe?

– Sim, o que acontece?

– É mito duro o trabalho e os resultados vem muito devagar

– Entendi. Então pelas dificuldades do projeto você está pensando em largá-lo, é isso?

– É… mais ou menos isso…

– Mais ou menos?

– Na verdade é isso.

– Quando você está lá trabalhando, pensa nas dificuldades do projeto e ou nos resultados que vai atingir com ele?

– Nas dificuldades.

– E quando pensa nas dificuldades pensa nas soluções – para as que tem – e em aproveitar o contexto – para as que não tem – ou fica como se estivesse se dizendo “ai meu Deus, o que eu vim fazer aqui?”

– (risos) A segunda opção.

– Fica pensando em ir embora e como ir embora seria ótimo?

– Várias vezes.

– Agora uma pergunta importante: o objetivo é viável e vai te trazer resultados que você quer?

– Sim, é um trabalho chato, mas ele é super viável.

– Então está na hora de desenvolver um pouco de persistência, não acha?

– É, bem… você tocou no ponto vira e mexe eu largo mão das coisas…

 

Persistência é a competência em manter-se num determinado objetivo.

As pessoas que desenvolvem esta competência naturalmente possuem uma alta resistência à frustração, mas porque? Alguns elementos são fundamentais na atitude mental delas.

Quando erram, por exemplo, compreendem o erro como um resultado e não como uma falha. Pensar desta forma no erro as faz aprender com o que fizeram e isso as motiva para continuarem tentando buscar novos resultados.

Possuem um objetivo bem claro à sua frente e só descansam quando o atingem. A pergunta: continuar ou não é respondida de forma simples por eles: já atingi o que eu quero? Se sim eu paro, se não eu continuo. O resultado por sua vez, só é buscado enquanto se mantém possível de ser realizado e irá trazer benefícios para a pessoa. Persistir num objetivo que não trará bons resultados ou que os resultados serão atingidos frente à sacrifícios muito duros muitas vezes fazem com que a pessoa mude seu foco, porém de forma consciente e não como fuga.

Outra característica é ater-se ao momento. Embora dirigidas pelo foco nos objetivos a pessoa persistente quando está agindo dirige sua atenção ao que está acontecendo, aproveita o momento e aprende com ele. É como se a meta fosse um pano de fundo, ela está presente o tempo todo porém a atenção está no momento presente.

Ela também sabe o momento de dar uma pausa quando precisa; ao contrário do que muitas vezes se pensa a pessoa persistente sabe cuidar de si e de sua saúde. Ela pode ter momentos nos quais ela vai se desgastar, porém percebe o desgaste e se dá um limite para ele. isso é facilmente compreendido: ela sabe que precisa estar bem para continuar na busca dos seus objetivos, se estiver mal terá que parar, portanto o desgaste é sempre medido até que seja passível de manter a pessoa em pé. Essa característica é, inclusive o que a faz criar a resistência: ir até o limite, um pontinho à mais e então descansar.

Abraço

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Respirar
15/04/2013

– Estou muito ansioso com essa história toda, preciso falar para desabafar.

– Você topa fazer algo diferente?

– Topo…

– Então coloque seus pés no chão, com a planta dos pés bem apoiados no chão.

– Assim?

– Isso. Agora coloque suas mãos nos seus joelhos e traga elas até as suas coxas abrindo o peito.

– Isso?

– Ótimo, perfeito, deixe o corpo assentar bem no sofá, solte todo o peso do corpo e libere a tensão dos ombros. Ótimo! Agora quero que você respire bem fundo enchendo a barriga e depois o peito e soltando todo o ar de dentro dos pulmões.

– (Faz em torno de umas 10 respirações desta forma)

– Agora abra os olhos lentamente, volte para cá e me diga como se sente.

– Estou mais calmo… consegui me distanciar um pouco do problema…

– Ótimo, agora vamos conversar.

Muitas pessoas querem resolver os seus problemas desabafando, nada de errado com isso, pois o desabafo muitas vezes ajuda. O problema é quando desabafar se torna um hábito e a pessoa precisa “jogar para fora” para conseguir se acalmar.

Por que problema? Pois “ensinamos” o nosso cérebro que ansiedade – por exemplo – precisa ser “curada” desabafando e somente desabafando e, ao fazer isso, não permitimos à nós mesmos aprender outras formas de lidar com a nossa ansiedade – ou outros afetos.

Encontrar um estado afetivo adequado para lidar com um problema é fundamental. Muitos casais querem resolver seus problemas quando estão brabos um com o outro, quando estão com raiva, obviamente não dá muito certo. Buscar um estado afetivo mais adequado significa que a pessoa quer de fato resolver o problema da melhor forma possível, talvez ela não consiga resolver no momento exato, porém irá “tomar distância” do problema para encontrar a melhor forma de pensar sobre ele, isso, por si só, muitas vezes, já resolve o problema.

Para encontrar este estado afetivo gosto muito de trabalhar com a respiração, pois todos os estados afetivos possuem uma relação estreita com o respirar. A respiração obriga a usarmos nosso corpo de uma forma diferente o que reorganiza o nosso estado afetivo e faz com que possamos ter uma nova percepção sobre o problema, nos ajudando a resolvê-lo.

Fica a dica: da próxima vez que estiver ansioso ou com raiva de algum problema – ou pessoa – não parta para a resolução imediata, “tome distância” e busque um estado afetivo mais adequado para pensar em uma solução.

Abraço

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Ecologia emocional
12/04/2013

– Quero aprender a me colocar mais Akim, sabe… tomar decisões.

– E qual o problema com isso?

– Eu não sei… eu fiz o exercício que você me disse semana passada e enquanto estava fazendo me senti meio estranho

– Como foi?

– Então, estava colocando numa lista o que eu queria para a minha vida pessoal, relacionamentos, profissional… fiz um monte de listas, me empolguei

– Ótimo e o que aconteceu?

– Enquanto eu estava fazendo comecei a olhar aquilo tudo como muito distante de mim.

– Distante como se você tivesse que realizar aquilo ou como se não fosse para você?

– Como se não fosse para mim.

– Entendi, o que te faz pensar que não é para você?

– Não sei ao certo… mas é que se eu começar a fazer tudo aquilo eu vou ter problemas

– Que tipo?

– Tem coisas que vão contra o que eu fui ensinado a acreditar, por exemplo, outras coisas eu sei que minha mãe e meu pai não vão aprovar…

– Você vai ter que defender o seu desejo e verificar se eles todos estão em sintonia com os seus valores, é isso?

– É…

– Muito bem, vamos começar a trabalhar com esses entraves então!

Muitas pessoas desejam uma mudança. Pensam sobre a parte de sua vida que não está boa, entendem o comportamento que causa isso e desejam mudar o comportamento. Até aí, nenhum problema, o fato é que, muitas vezes o que causa o problema não é um evento isolado que apareceu “apenas para atrapalhar a sua vida”, está relacionado com outras partes da rotina da pessoa, constitui a forma pela qual ela se vê e pensa a si e o mundo e, ao mudar esta parte, estará afetando todo um conjunto complexo de variáveis.

Emagrecer, por exemplo, o simples ato de comer um pouco menos e realizar mais exercícios físicos em uma família que tem como valor familiar o almoço à mesa no qual todos se fartam – e esse “fartar-se” é um sinal de “adoro você e sua comida” – pode se tornar complicado. Se realizar exercícios físicos significa que o filho(a) vai sair de casa e temos um casal de pais super protetores isso também pode significar um problema. Rapidamente “comer menos” e “praticar exercícios” se tornam um problema muito maior do que a simples logística que os envolve e isso enfraquece o poder da pessoa em realizá-lo, traz problemas não pensados anteriormente.

Em um processo de terapia faz parte refletirmos sobre o impacto que as mudanças vão trazer para a pessoa e para o círculo de pessoas importantes próximo à ela. Muitos processos param não porque a pessoa não sabe como operar a mudança em si, mas sim porque ela não sabe lidar com algumas das consequências dessa mudança. Sempre perguntamos: de que forma esta mudança poderia trazer algum efeito negativo? Que outras áreas da sua vida esta mudança irá afetar? Costumo dizer: “toda mudança traz mudanças” e é  bom pensarmos para nos preparamos para elas.

Abraço

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Morte
10/04/2013

– Tenho pensado muito sobre a vida sabe? O tempo que temos aqui.

– E o que você tem pensado?

– Na verdade tenho pensado um pouco sobre a minha morte… me dá um medo isso… uma coisa estranha.

– Fale mais sobre essa “coisa estranha”.

– Quando eu penso que a minha vida chegou no fim me dá um frio na barriga… como se estivesse perdendo meu tempo sabe?

– Hum… tempo para o que?

– (pensativo) tempo para… não sei ao certo… acho que tem coisas que eu quero fazer, viver…

– E tem feito, vivido?

– Não…

– Se você tivesse feito ou estivesse fazendo, como seria pensar na sua morte?

– Mais recompensador

– Recompensador?

– Sim… é como se ela se tornasse um final digno de uma vida… dá para entender?

– Eu consigo e como isso fica para você?

– Fica como um chamado… entendi que preciso parar de enrolar a minha vida

Quando se fala sobre morte geralmente entramos no tema do “medo do desconhecido”, gostaria de trilhar outro caminho, pois temer o que não se conhece é algo inconcebível, se a nossa mente não consegue fantasiar algo à respeito, não consegue temer. Se não conhecemos algo o que tememos não é esse algo, mas nossas fantasias sobre este algo.

No que tange à fantasias em torno da morte, geralmente elas tem a ver com a vida que a pessoa levou – ou leva. Os sentimentos que ela tem em relação ao seu momento final geralmente são encontrados em larga escala durante a sua vida também, Stanley Keleman diz que a pessoa morre como viveu, sendo o ato de morrer o último “ato” que ela irá realizar em vida.

Assim é interessante porque pensar na morte é uma forma “invertida” de pensar na vida. Invertida porque pensamos no fim para repensarmos o “meio”, geralmente a reflexão sobre a morte – a boa reflexão – se traduz, mais tarde, na aquisição de novos valores, novos comportamentos e atitudes, na necessidade de reconstruir relacionamentos com pessoas importantes, enfim, de reorganizar a vida da pessoa em prol de uma experiência de vida mais significativa.

É como se a morte fosse um teste: estou vivendo a minha vida, hoje, de uma forma que me dá significado? Se eu morresse agora, morreria feliz? Não conseguimos experienciar a morte enquanto humanos pois não temos nenhuma experiência dela, assim nos pensarmos mortos tem um significado profundo no qual nos imaginamos com todas as possibilidades exauridas, e, em posse desta visão, refletirmos as possibilidades que estamos vivendo: elas realmente valem à pena? Elas realmente me trazem o que preciso? Não se trata, necessariamente de novas escolhas, muitas vezes é, simplesmente uma nova forma de viver, um novo jeito de olhar o que já se vive.

Abraço

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Exposição
08/04/2013

– A minha mãe me expunha demais, eu não gostava disso!

– Como ela fazia isso?

– Ela ficava me mostrando para as amigas, elas achavam lindo, mas eu não gostava, queria brincar só e não ficar como objeto de exposição.

– Entendo. Como você lida hoje com expôr-se?

– É complicado para mim, eu tenho uma certa aversão, me lembro sempre de como me sentia antes.

– Então hoje, quando você tem que se expôr, é como se você fosse uma criança novamente?

– Mais ou menos isso.

– Mas colocar uma criança num papel adulto não dá muito certo mesmo não é?

– É verdade…

– Como seria se você colocasse um adulto no lugar da criança quando você precisa se expôr.

– (pensativo) Acho que eu não me lembraria da minha mãe me expondo para as amigas e pensaria no que eu quero ali… afinal de contas não vou ficar me expondo à toa não é?

– Com toda certeza: propósito de ação me parece uma coisa bem adulta. Imagine a última vez em que você precisou se expor e imagine como seria se você fizesse desse jeito.

– (pensativo) Hum… parece que tira um peso do meu peito… me sinto mais leve… confiante até!

– Ótimo!

 

Exposição é um tema delicado e complexo para o ser humano. Mostrar o que temos em nós significa que aquilo poderá ser aceito, rejeita do ou ignorado. Conviver com esta certeza não é algo fácil para muitas pessoas.

Alguns dos temas que começamos a trabalhar é como a pessoa aprendeu a se expor – ou, no caso – ser exposta. A diferença é muito grande, quando somos expostos podemos gostar daquilo ou não, desejar aquilo ou não; de acordo com isso a pessoa começa a associar a exposição com experiências boas ou ruins, agradáveis ou desprazerosas.

Além disso trabalhamos com uma noção importante: a resposta frente à exposição pode ser de aceitar, rejeitar ou ignorar o conteúdo da proposta e não o eu da pessoa. O “eu” de alguém não pode ser negado, aceito ou rejeitado por alguém simplesmente porque o ser humano não tem acesso à totalidade do “eu” de ninguém. Podemos ignorar comportamentos, solicitações de afeto, desejos, mas não o “eu”. Essa noção é muito importante para que a pessoa não leve a resposta “para o lado pessoal”.

Por final, um outro elemento é o o que, como e para que se expôr. No caso acima, a pessoa fazia um trabalho mental de colocar-se no papel de criança toda vez que ia se expôr. Obviamente, como suas experiências infantis não tinham sido adequadas, ele não gostava da experiência. No entanto, uma vez que começou – e o trabalho depois disso se aprofundou – a se colocar como adulto – assumindo uma nova atitude frente à exposição – ele começou a perceber a exposição de uma nova forma, com novos recursos para usar. A noção de propósito foi a primeira: para que vou fazer isso? O que é muito saudável: ele tinha aprendido a ser um “objeto de exposição”, agora estava expondo o que queria e com um motivo próprio, ou seja, estava buscando algo ao se expor.

Abraço

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