Archive for março \29\UTC 2013

Dai-me forças
29/03/2013

– Eu sei que uma fase já passou, mas daqui a pouco vem na minha cabeça: “e se der errado?”

– Entendo… e o que você faz quando esta pergunta vem à sua cabeça?

– Eu tento esquecer dela…

– Como seria se ao invés de esquecer, você encarasse ela?

– Encarar? Você sabe que eu não sou muito boa nisso…

– Sim, eu sei… mas talvez esteja exatamente aí a “oportunidade” que essa “crise” está lhe trazendo não é?

– Pode ser…

– Vamos pensar assim: que tipo de pergunta a sua mente poderia lhe fazer que te ajudasse nessa situação ao invés de te deixar com medo e fazer você correr dela?

– Isso tem a ver com eu encarar as coisas não tem?

– Claro!

– (Pensa durante um tempo) Eu acho que eu poderia tentar ficar mais forte sabe?

– Hum, me parece uma boa ideia, como seria isso?

– Acho que se eu me perguntasse: o que mais posso fazer para me sentir segura? Eu iria ficar mais… no comando sabe?

– Quer dizer ao fazer esta nova pergunta você se coloca de forma ativa na situação?

– Isso!

– E se colocar de forma ativa ajuda a encarar não é?

– Sim

– Alem disso a pergunta é muito boa porque ela visa criar “mais segurança” para você, logo você ficaria mais “forte”, é isso?

– É bem isso…

– Ótimo, então teste isso, faça essa pergunta na sua mente em relação à essa situação e veja o que ocorre dentro de você

– Ok. (Fica alguns segundos de olhos fechados e dá um pequeno sorriso) Pronto.

– Como foi?

– Ótimo… a minha mente simplesmente deu uma limpada sabe? A coisa toda diminuiu de tamanho e virou como um jogo… eu até pensei numa colega minha que já passou por isso e vou conversar com ela para pegar mais algumas dicas.

– Ótimo! Muito melhor do que fingir que está tudo bem não é?

– É… nossa… de mudar essa frase agora me sinto até mais confiante…

– Perfeito!

 

Vi no facebook certa vez uma frase que pedia à Deus forças para lidar com os problemas da vida ao invés de uma vida sem problemas. Achei a frase instigante, mas como fazê-lo?

Ocorre que dependendo do que e como representamos os problemas em nossa mente vamos direcionar o nosso raciocínio para um lugar ou para outro. Muitas pessoas passam por situações idênticas e tem resultados muito diferentes com elas, enquanto algumas se saem muito bem outras se saem muito mal. Um dos fatores que contribui para isso é a forma de encarar a situação e a forma de se encarar na situação.

As pessoas dizem sobre seus problemas: “Parece que isso vai me engolir”, “é uma coisa muito grande para eu lidar”, “é um beco sem saída”. Cada uma destas frases fala sobre o como a pessoa enxerga, percebe a situação. A frase é um indicativo do estado interno da pessoa, modificar a frase começa, lentamente, a modificar o como a pessoa percebe a situação. É como se o que nos dizemos fosse uma lente de uma câmera e dependendo da lente você percebe coisas diferentes, se bater uma foto com uma lente com um zoom muito próximo você irá ver um grande problema, se afastar o zoom irá perceber a coisa em perspectiva.

Assim a grande pergunta é: qual a pergunta que tenho que me fazer para gerar em mim a sensação de segurança, de estar ativo frente ao desafio, de sentir que posso lidar com isso? Cada pessoa terá uma resposta diferente, mas estes três elementos são fundamentais pois envolvimento ativo, capacidade e segurança são fundamentais para lidar com situações que são desafiadoras.

Se você está passando por uma situação que lhe dá frio na barriga, busque uma pergunta que vai lhe ajudar a perceber a situação de uma forma diferente. Perceber as coisas de uma forma diferente faz com que nos posicionemos de uma forma diferente, nos faz buscar soluções ao invés de choramingar e nos afastarmos da coisa, nos faz querer ser mais fortes ao invés de reclamar do mundo e ao final sempre nos traz mais sabedoria do que estagnação.

Abraço

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Aprender com a vida
27/03/2013

– Pois é Akim, mas sabe, eu estou passando por tudo isso, estou fazendo um monte de coisas, mas parece que eu ainda não aprendi nada!

– Entendi, mas você realmente acha que não está aprendendo nada?

– Não… eu devo estar aprendendo alguma coisa, mas não consigo ver isso direito

– Perfeito… então vamos fazer um exercício?

– Sim

– Imagine todo o processo que você passou como se fosse um filme, busque se ver nesse filme como se você estivesse se vendo em uma tela e passe por todos os detalhes que você viveu.

– Ok.

– Agora passe o filme rapidamente de trás para frente e novamente do começo ao fim.

– Ok

– E então, como está a sensação de não ter aprendido nada?

– Nossa… diminuiu… na verdade… a sensação de que aprendi aumentou. Eu agora consigo ver tudo o que eu fiz, acho que eu estava muito envolvido com a situação e por isso não estava conseguindo prestar atenção ao que aprendi.

– Perfeito, agora que você já sabe que sabe, pode confiar mais no que aprendeu não é?

– Sim. Consigo até imaginar outras situações nas quais usar o que eu aprendi.

– Ótimo!

 

“Aprender com a vida” é uma filosofia ótima, no entanto precisamos saber como fazer isso. Este exercício que fiz com o cliente é uma das várias formas que existem.

Muitas pessoas passam por experiências muito positivas onde aprendem muitas coisas, mas não fazem o registro disso, não refletem sobre o que aprenderam. Uma das formas de refletir é repassar mentalmente tudo o que você já fez e os resultados que obteve. Repetir este caminho mentalmente faz com que a pessoa repeita todos os passos do que aprendeu e, com isso, ela gera aprendizado para ela.

É muito importante realizar o processo de registrar o que você aprendeu com uma determinada situação. Geralmente as pessoas sentem-se mais competentes e percebem que podem utilizar o conhecimento adquirido em outras situações, generalizando o aprendizado o que o torna mais forte na pessoa. Isso é muito interessante e ajuda a manter a auto-confiança em alta.

E você, o que tem aprendido com a vida?

Abraço

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Relaxar
25/03/2013

– Ultimamente tenho me sentido estranho.

– Porque?

– É que parece que eu tenho feito muita coisa na minha vida, mas não tenho me sentido tão cansado.

– Não se sente cansado ou não se sente estressado?

– Acho que estressado!

– Hum… poxa, mas que coisa boa isso! O que tem de estranho?

– Pois é né? Eu não sei ao certo… mas parece que eu tinha que estar super estressado para as coisas estarem saindo desse jeito, mas como não estão me sinto estranho.

– Como você se sente?

– Tranquilo… relaxado… eu estou correndo e de noite capoto na cama… sinto o cansaço, mas sem aquela pressão que eu sentia antes.

– Entendi… e, se não me engano este era uma das suas metas aqui não é? “Fazer as coisas de forma mais leve”.

– É verdade… mas é estranho… é diferente…

– Com certeza, agora temos que começar a te ajudar a entender este “estranho” e torná-lo “familiar”, que tal?

– Eu acho bom!

Queremos trabalhar, estudar, fazer amigos, sair, ter uma boa condição física, viajar e… e… e… e… E mais um monte de coisas.

Nada de errado com isso, mas, como isso está, de fato, melhorando a sua vida? Como você vive estas coisas todas? São apenas mais uma carga de pressão social que você resolveu colocar sobre seus ombros ou é algo que realmente “alimenta a sua alma”?

Hoje relaxar tem uma conotação ou de férias ou de vagabundagem. Creio que precisamos reviver o conceito de “cansaço” em oposição ao conceito de “ficar estressado”. Todos sabemos que o estresse possui um componente psicológico e emocional muito forte no sentido de que a percepção que a pessoa tem das situações e sua capacidade de lidar com elas influenciam diretamente a quantidade de “estresse” que ela irá sofrer ou suportar.

Quando as pessoas começam a se conhecer mais, compreender melhor as suas reações e perceber onde, de fato, precisam investir a sua energia elas começam a “fazer mais coisas” e de forma mais relaxada. Este “relaxado” não é igual à sair de férias, ou fazer corpo mole, é, simplesmente, realizar o que tenho para fazer sem tensões extras. Focar nos problemas e resolvê-los, aprender a lidar com preocupação, ansiedade de modo que estas emoções não atrapalhem o que você está fazendo agora. Isso é relaxar ao fazer, é estar num estado de “alerta relaxado”, alerta porque você precisa prestar atenção ao mundo e reagir à ele, relaxado pois você não cria tensões, apenas usa a sua energia para a ação.

Quando vamos fazer um esporte radical pela primeira vez, por exemplo, é normal ficar com o corpo todo tenso, por causa do medo. Esta tensão se soma à tensão do esporte em si, causando um desgaste ainda maior. Já quando estamos acostumados com o esporte e conseguimos relaxar nosso corpo ainda temos o desgaste do esporte, mas não temos mais o da tensão que o medo criava. Essa é  a diferença! Começamos, então a usar a energia e gerar energia positiva que nos motiva e nos deixa alerta ao invés de criar tensão desnecessária.

Abraço

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Vingança
22/03/2013

– Eu quero mais é que ela se quebre toda!

– Eu imagino… mas, no que isso ia te ajudar?

– Ah… pelo menos eu ia me sentir vingada sabe? Ela me ferrou, tem que se ferrar também!

– Sim, claro que entendo, mas isso não ia te ajudar a saber como se defender numa próxima ia?

– Não…

– Pois é, e como não é a primeira nem a segunda vez que isso ocorre, não acha que está na hora de você mudar o seu comportamento?

– Ai Akim… eu sei, mas… ah é tão difícil mudar isso em mim.

– Eu sei, no entanto, toda a vez que você começa a relação dessa forma você mesma já sabe que vai trazer problemas para você no futuro não é?

– É… eu ainda disse isso um tempo atrás né?

– Disse. Você já tinha percebido que ia entrar nessa enrascada de novo… agora não coloque a culpa nela, mas assuma a responsabilidade das suas escolhas, o que acha?

– Eu tenho que fazer isso… senão vou ficar sempre na mesma…

– Pois é…

 

Vingança tem muito a ver com o desejo de ver o outro tão ferido quanto ele nos feriu. É um sentimento de “fazer justiça”, mas, que no final das contas acaba não ajudando a pessoa que foi “vítima”.

No meu consultório tenho visto que as pessoas vingativas tendem a repetir o mesmo comportamento que as colocaram em uma situação complicada no passado. Elas repetem os mesmos padrões e então acabam sendo feridas de novo e de novo, só que, ao invés de aprenderem algo novo, tendem a desejar simplesmente que a pessoa que as feriu sofra também.

O cerne do problema, então, se torna modificar o pensamento, sentimento e comportamento da pessoa que sofreu para que ela torne-se mais sábia no futuro e não entre nas mesmas “roubadas”, ou então, que saiba como se defender delas. Isso acaba gerando na maior parte das vezes uma mudança na forma de ver as pessoas, a si própria e de como se relacionar. As pessoas terminam buscando perfis de pessoas diferentes para elas.

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Medo
20/03/2013

– Estou com medo sabe?

– Sim, entendo você.

– Eu não sei como lidar com isso?

– Como assim?

– Não sei o que fazer quando fico com medo.

– Bem, me diga o que você já faz.

– Eu não sei… acho que fico mais quieto, na minha entende?

– Claro, uma atitude normal.

– Então é normal ficar mais na minha?

– Sim. Você está buscando se proteger com isso?

– É… sinto como se estivesse fazendo isso.

– Perfeito. Agora a pergunta pode ser: o que você quer fazer com o objeto do seu medo?

– Hum… entendi… eu acho que tenho que aprender a lidar com essa situação!

– Ok, então vamos trabalhar com isso.

– Tá bem.

 

Este post é dedicado à várias pessoas que sentem medo e ficam culpando-se por sentirem medo, não há porque sentir culpa ou vergonha de sentir medo de alguma coisa.

Muitos medos advém de nos sentirmos incapazes de lidar com uma dada situação, podemos realmente não saber como lidar ou podemos não nos permitir lidar com ela e, por estas duas razões o medo não deve ser tido como uma fraqueza, mas sim como uma possibilidade de aprendizado.

Obviamente, aprender enquanto estamos com medo não é nada fácil. Por esta razão precisamos entrar em contato com nossas competências pessoais para nos sentirmos um pouco mais seguros. Isso para que possamos nos abrir à possibilidade de aprender coisas novas que vão nos ajudar na situação. Pedir ajuda também não é feio, principalmente se você se sente inseguro sobre o que fazer peça ajuda à uma pessoa que você sabe que pode te ajudar, o aprendizado pode ser feito através de um amigo, tutor ou terapeuta.

O medo é melhor trabalhado quando aceito. Quando  a pessoa aceita que está com medo ele diminui parte da sua força, pois a pessoa consegue começar a raciocinar os elementos que causam o medo nela e com isso começa a encontrar saídas tanto no que tange aos comportamentos quanto ao que tange às suas emoções, percepções e entendimentos.

Se você está com medo, aceite-o, este é o primeiro passo. Assim que ele se tornar mais suave pense sobre o que lhe causa medo e busque ajuda se precisar.

Abraço

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Limites
18/03/2013

– Eu tive uma experiência meio triste…

– Qual?

– Estou sentindo que eu estou um tanto fraco para enfrentar uma situação.

– Hum… entendi…

– É assim… estou lidando com ela, mas me sinto fraco sabe?

– Como se estivesse no limiar das suas forças?

– Sim.

– Algo como um limite?

– É… isso mesmo… limite…

– Perfeito para você não é? Encontrar um limite?

– Sim.

– Ótimo… e como está sendo? Que aprendizado você está tirando disso?

– Acho que vou começar a tirar de agora em diante… até agora estava mais é me lamentando mesmo…

– Entendo, vou te ajudar com isso então

– Ok

 

Todos temos limites! Vivemos uma era que anuncia uma vida sem limites, sem conseqüências, mas o fato é que tanto um quanto o outro existe. Somos mortais para começo de conversa, somos seres humanos, tudo isso representa um limite.

Geralmente quando nos deparamos com algo que é limitante podemos nos sentir tristes e desmotivados, o que é normal de se esperar. No entanto, ao encontrar um limite também podemos nos sentir motivados à sair da nossa zona de conforto e descobrirmos novas formas de viver e encarar a vida.

Para viver isso é importante que a pessoa viva duas experiências: a primeira – que é necessária para muitas pessoas – é como celebrar um luto. Ou seja, entender que você chegou numa parte da sua experiência na qual você não possui mais competências, chegou no seu limite. Isso muitas vezes machuca a pessoa ou a entristece, a faz temer pelo futuro e ficar ansiosa. É importante poder viver a dor, tristeza ou raiva que isso traz. Além disso é também importante viver a fase de “e agora, o que vou fazer com isso?” para se adaptar ou readaptar à novos comportamentos, viver a situação de uma forma distinta, nova que vai solicitar da pessoa novos comportamentos.

Abraço

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Um dia azul
15/03/2013

– Pois é Akim, hoje estou tristão…

– Sim, você me contou sobre um monte de invertidas que você levou esta semana não foi mesmo?

– Pois é… Eu não estou conseguindo me manter muito forte sabe?

– Ah é? Que interessante… porque você tem que se “manter forte”?

– Ah… tenho que continuar com a vida não é?

– É claro, mas e essa tristeza não faz parte dela? Não merece receber cuidado?

– Vi um post no facebook esses dias: “sabe qual o problema de parecer forte o tempo todo? As pessoas passam a achar que você não tem sentimentos”.

– Pois é… quem sabe está na hora de você poder mostrar para elas e para você mesmo que tem sentimentos?

– Como?

– Como você poderia fazer para cuidar dessa tristeza?

– Eu acho que hoje eu poderia ir para casa e me cuidar só…

– Poderia não é mesmo?

– Sim…

– A pergunta é: que posso fazer para me sentir bem? Obviamente sem negar ou apagar a existência da tristeza pois ela é importante.

– Entendi!

 

Tristeza é uma emoção que faz muitas pessoas saírem correndo, ninguém quer sentir tristeza, mas afinal, para que serve a tristeza?

Sentir-se triste é importante quando temos uma perda qualquer ela é extremamente adequada de ser sentida para que possamos refletir sobre o que ocorreu, sobre a perda que tivemos e para nos acostumarmos com a ausência daquilo que foi perdido para que possamos mais tarde investir nossa energia em outras coisas.

O grande problema da tristeza é que as pessoas acabam por intensificarem a tristeza e tornam-se melancólicas. A forma pela qual entendemos a tristeza e lidamos com ela é o que faz a diferença. Minha experiência me mostra que quanto mais conseguimos aceitar as emoções de dor e perda que a tristeza traz com a perspectiva de que aquilo é uma fase de luto mais a pessoa consegue lidar bem com a tristeza e passar da tristeza para reinvestir sua energia em outras atividades. Alguns neurocientistas postulam, inclusive, que a introspecção e diminuição do ritmo que a tristeza traz é uma reação biológica que tem como objetivo justamente manter a pessoa em um estado no qual ela estará pensando, refletindo sobre o que ocorreu.

Umas das formas mais interessantes de lidar com a tristeza é cuidar dela, aceitar o sentimento, perceber o que está sendo perdido – e porque – e reinvestir a energia em novas fontes de prazer, satisfação e motivação sem querer acelerar o processo – nem retardá-lo.

Abraço

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Aceitação
13/03/2013

– Preciso praticar a auto-aceitação Akim…

– Opa, que legal, o que você tem dificuldade de aceitar?

– Como assim?

– Ora, se você precisa praticar a auto-aceitação tem coisas em você que você não aceita não é?

– Hum… verdade… sabe… não sei direito, mas eu tenho dificuldade de dizer “não”, só que eu acho isso horrível em mim.

– Entendi…

– Eu acho que eu deveria ser uma pessoa bem diferente, colocando limites em todos e tal, mas de verdade… sou um bundão.

– (risos) Ah é é? Sei… bem, vamos lá… você consegue perceber situações nas quais você é “bundão”?

– Sim… várias…

– Então consegue reconhecer, perceber e validar que isso faz parte do seu comportamento, de você?

– Sim… acho que sim…

– Ótimo, isto é aceitar.

– Mas eu não gosto disso!

– Aceitar é uma coisa, concordar é outra.

– Hum… então eu não concordo com isso!

– Show, o critério que você me disse que queria expressar era colocar limites em todos! Isso é sempre possível?

– Não muito… às vezes é mais difícil.

– Sim, ao invés de pensar em você como um bundão, como você poderia pensar quando não consegue, visto que é muito difícil mesmo?

– Poderia pensar que tenho o que aprender ainda?

– Pode, como seria se você pensasse isso quando não consegue dar limites ao invés de se ver como um bundão?

– Bem melhor… consigo aceitar e concordar… Assim… em partes, sei que não é errado, mas quero fazer diferente ainda entende?

– Sim, e como te parece esta solução? Melhor que antes?

– Bem melhor mesmo… tira um peso das costas!

Existe uma diferença entre “aceitar” e “concordar”. Muitas pessoas fazem confusão com estas duas nomenclaturas.

Aceitar consiste em perceber algo que está ali da forma que está. Envolve o uso da percepção e da validação. Observo algo e valido que aquilo existe, literalmente coloco o na coisa percebida o valor de “real”, “existente”.

Concordar tem a ver com critérios. Envolve perceber algo, validar algo e avaliar de acordo com critérios pré-estabelecidos se gosto ou não daquilo, se concordo ou não com aquilo, se me faz bem ou não e por aí vai.

Quando falamos em “nos aceitar” estamos trabalhando com a noção de perceber comportamentos, sentimentos, pensamentos e atitudes que temos. Aceitar a forma pela qual vivemos a vida, nossas potencialidades, limitações, frustrações, coisas que gostamos, que não gostamos. Enfim, aceitar tudo o que percebemos de nós e em nós. Por esta razão quando dizemos “me aceitar” precisamo compreender do que estamos falando, pois não conseguimos captar o todo que somos com nossa razão.

No entanto, “aceitar” não significa gostar, concordar e querer manter. Podemos aceitar coisas em nós que não gostamos. Aceitar significa perceber, gostar significa avaliar. Sem a aceitação não é possível a avaliação, porém é importante avaliarmos de forma adequada para não reprimir algo que não gostamos.

Quando nos referimos à sermos aceitos pelos outros precisamos ter estes dois conceitos em mente, pois é possível que nos aceitem e que não gostem da forma pela qual agimos. A pessoa aceita o seu comportamento, ela o percebe e reconhece, mas não o valida. Aprender a lidar com esta dimensão da questão ajuda muito a pessoa a aprender a se relacionar e a lidar com aceitação ou rejeição.

Abraço

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Abandono
11/03/2013

– E eu fiquei pensando na nossa consulta sabe?

– Sim, que bom.

– Pois é…daí pensei que tenho muito medo desta coisa de ser abandonado

– É um medo bem forte seu não é?

– É sim, e eu me lembrei de uma cena em que minha mãe me dizia: não provoque teu pai, porque se ele ficar brabo resolve largar a gente e daí vamos ficar pobres e podemos até morrer.

– Que forte isso não?

– Pois é.

– O que você pensa sobre isso hoje?

– Eu sei que é bobeira, mas sempre que penso naquela cena fico com medo de ser abandonado.

– Topa fazer uma experiência?

– Sim!

– Lembre da mesma cena, só que quando a sua mãe falar eu quero que você imagine que ela está falando com você adulto, imagine como se fosse numa tela de televisão ela falando com você, adulto lá naquela imagem.

– (o peito se ergue suavemente) Nossa… agora eu falei e a minha mãe ficou quieta.

– Sério? O que você disse para ela?

– Disse: que se o pai nos abandonasse eu ia pegar um trabalho qualquer e pronto.

– Como se sente agora?

– Akim… me caiu uma ficha: eu só serie abandonado se eu me abandonar.

– Perfeito!

“Ser” abandonado é uma questão que tem muito a ver com a identificação que a pessoa faz de si própria. Quando dizemos que somos algo estamos nos referindo à nossa imagem, ao como nos percebemos.

Quando nos percebemos como abandonados a imagem corriqueira que fazemos é de uma pessoa – na verdade algo mais parecido com um objeto – que é posto de lado por alguém; como um brinquedo velho jogado fora. No entanto o problema é que se essa imagem se repete em nossa mente acabamos nós mesmos por viver uma vida de abandonados, ou seja, adaptamos o nosso comportamento, nossas emoções ao como nos percebemos e passamos a viver a vida tal como abandonados.

Quando crianças que são deixadas para adoção conseguem entender que elas possuem um valor por elas próprias, que são dignas de viver e serem felizes começam a se preocupar com elas mesmas. Quando elas não conseguem isso se tornam vítimas de algo que ocorreu com elas pois passam a perpetuar o pensamento de “eu sou um abandonado”, “mereço ser deixado de lado” e assim começam desde cedo jogar suas vidas fora. Esse fenômeno não ocorre apenas com crianças abandonadas, mas também com adultos e adolescentes que sofrem desilusão amorosa. Sentem-se abandonados e com o tempo indignos de amor.

Um dos fatores principais é a pessoa conseguir modificar a forma pela qual se vê, assim como fiz com meu cliente. Fizemos uma técnica na qual ele se colocou na mesma cena só que de posse de mais recursos para saber o que fazer consigo, assim que ele percebeu que poderia se cuidar mesmo que o pai se fosse a sua relação consigo próprio mudou. Ele não mas se viu como uma pessoa que poderia ser abandonada porque ele próprio não se abandonaria.

Pessoas podem optar por viverem suas vidas longe de nós, mas só nos sentiremos abandonados de fato quando nós também desejarmo isso.

Abraço

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Foco
08/03/2013

– Agora tenho conseguido me focar mais

– Com certeza fica muito evidente isso em você.

– Pois é Akim, estou bem feliz com isso. Agora que tenho me focado mais perco menos tempo com bobeira e dou respostas de forma bem mais tranquila.

– Eu imagino.

– Eu só sinto medo de que possa perder isso sabe?

– Entendo perfeitamente… vamos lá: o que dá fundamento ao foco que você criou?

– Hum… não sei direito o que responder

– É só pensar lá atrás: o que você modificou na sua forma de lidar com você mesma que te possibilitou criar o foco?

– Ah… me cuidar.

– Isso… lembra? Quando você decidiu que ia se cuidar começou a criar seus objetivos e fazer e depois disso uma coisa alimentava a outra. E resultou no foco.

– É verdade…

– Seu foco é um resultado, se você estiver atenta à si e cuidando de você, vai manter o foco. Só perde se parar de cuidar.

– E isso vai ser difícil!

– Ótimo!!

Focar é um processo não é uma causa. Muitas pessoas me procuram dizendo que precisam de “foco” em suas vidas. O foco é uma decorrência natural da pessoa que aprender a cuidar de si, se amar, se proteger e com base nisso vem o foco.

Foco é quando escolhemos voluntariamente algo do mundo no qual posicionar a nossa visão, atenção. Para ter foco é preciso ter intenção antes, ninguém sai “focando” por aí sem ter um fim, um objetivo. Daí que quando temos alguém que não consegue colocar foco na sua vida é porque está sem objetivos para a mesma ou com objetivos traçados de uma forma inadequada, que mais ajuda a se perder do que a se achar.

Isso tudo porque focar exige uma energia alta, não é um trabalho fácil, ele demanda dedicação da pessoa. Quando não existe um propósito e um afeto positivo da pessoa para com ela mesma o foco não se mantém, fica frágil e quebradiço. É necessário aumentar a auto-estima e a auto-imagem para a pessoa se responsabilizar, de fato, pelos seus desejos. Focar também significa des-focar. Quando coloco a minha atenção e intenção sobre algo estou abrindo mão do restante e, por esta razão, a pessoa precisa estar forte em suas convicções ou acabará perdendo o foco original.

Se você está precisando focar comece se perguntando: para que você precisa de foco neste momento? Qual objetivo e em qual área você está precisando desenvolver?

E para fechar: você merece?

Abraço

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