Archive for fevereiro \06\-04:00 2013

Atitude mental
06/02/2013

– Pois é Akim, eu fico com este ciúmes besta e preciso me livrar disso sabe?

– Claro que sim, eu gostaria que você fizesse um pequeno exercício durante esta semana, pode ser?

– Claro que pode!

– Nós vamos fazer aqui inicialmente e depois você vai praticar isso em casa tá bem?

– Certo!

– Eu quero que você se lembre da última vez em que sentiu-se com ciúmes

– Ok

– Lembre agora da fantasia que você criou que te deu ciúmes.

– Certo eu fiquei imaginando que ela estava atrasada porque estava com um outro cara

– Ótimo, perfeito! Eu quero agora que você imagine esta cena em que ela está com um outro cara de modo que você está vendo o cara de costas certo?

– Tá!

– Agora eu quero que você, aos poucos, ande pela cena até poder ver o rosto do cara

– Ok, estou quase lá!

– Excelente, quando você finalmente consegue ver o rosto, você vê o seu próprio rosto!

– Ã?

– Isso mesmo! Você vai fazer isso em casa com as suas fantasias e depois vai fazer ao vivo e vai imaginar com profundidade o que “este cara” faz que seduz a sua mulher.

– Ã… tá bem…

(uma semana depois)

– E então, como foi?

– Estranho pra caramba… mas eu tive um final de semana ótimo…

– Que bom!

– Pois é… eu ficava imaginando o tal cara e quando eu colocava a minha cara lá e me via fazendo um monte de coisas aconteceu um negócio estranho… comecei a me comportar de uma forma diferente com a minha mulher!

– Excelente! Parabéns! E, pelo jeito, pra melhor não é?

– Cara… sim… estou muito menos inseguro, quando me sinto assim faço logo o exercício e aprendi que posso aprender com o meu ciúmes e que eu sou um cara mais legal que eu acho que sou.

– Que ciúmes bom hein?

– Ótimo! (Risos)

Atitude mental: o que imaginamos e como imaginamos.

Nossa mente não distingue real de imaginário, muitas pessoas após verem um filme de terror ficam com medo de que o monstro as pegue, que o fantasma vá lhes fazer mal, isso tudo porque a mente não faz diferença entre o que está na tela e o que é real. Sabemos conscientemente que existe uma diferença, no entanto uma vez que a informação entra na mente para ela aquilo é o real.

O caso do ciúme é um ótimo exemplo disso. Mesmo que o conjugue seja 100% fiel o que importa é o que o ciumento coloca em sua mente. O alvo do ciúme pode andar com uma câmera na cabeça o dia todo, isso não satisfaz o ciumento, pois ele colocou em sua mente uma imagem na qual ele está sendo traído e, portanto, acaba por viver aquela fantasia tal como se fosse real.

O mesmo ocorre quando uma pessoa está se preparando para uma prova, inciar um casamento ou uma competição ou para qualquer situação na qual a pessoa visualize o que vai ocorrer ou o que ela quer que ocorra – ou o que ela teme que ocorra. Quando tememos algo e imaginamos isso passamos pelo mesmo processo, mesmo que não seja real, vivemos o medo como real e começamos a orientar a nossa atenção, nossa percepção para qualquer detalhe que venha a validar a nossa fantasia e, então, passamos a nos comportar de acordo com o que estamos vivendo em nossas mentes e – agora – em nossa “realidade”.

Mudar a atitude mental é começar a inserir novos elementos em nossa realidade subjetiva ou percebê-la de uma nova forma. Assim como no caso acima em que solicitei que o ciumento visse a si próprio como o amante de sua esposa, um verdadeiro nó no cérebro da pessoa que começa a ter vários efeitos que mudam a realidade interna vivenciada pela pessoa, geralmente muda, também, a realidade “externa” ou seja os comportamentos que a pessoa tem e os resultados que ela consegue no mundo.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Espontaneidade
04/02/2013

– Ai Akim, eu acho um saco isso manja?

– Manjo?

– Porra meu, eu não posso nem assoviar em paz que lá vem: blablabla, nhenhenhé!

– Você está realmente nervoso não?

– Cara, esta gúria TOLHE a minha individualidade! Ela não quer que eu seja eu!!!

– É complicado mesmo… me faz lembrar daquela vez que ela ficou braba contigo porque queria ler na cama durante a noite e você queria dormir e ela disse algo do tipo: “mas eu preciso ler um pouco antes de dormir para pegar no sono”.

– (silêncio breve) Você quer dizer algo com isso?

– O que você acha?

– Bom, você sempre quer… e eu acho que entendi… é algo do tipo: eu tenho coisas que enchem o saco dela e vice-versa?

– Algo do tipo… encheção de saco não é exclusividade de ninguém né?

– (risos) Entendi…

– A questão meu caro, é como você vai lidar com isso, negociar o seu assovio entendendo que é uma expressão da sua individualidade, que você pode fazer isso a hora que quiser, porém, a sua namorada simplesmente e espontaneamente não gosta de assovio.

– Entendi…
A espontaneidade é uma característica muito desejada pelas pessoas nos seus relacionamentos. Tanto querem ser espontâneas quanto desejam que o outro seja espontâneo com elas. No entanto, a espontaneidade assumiu ao longo dos anos uma valorização que não lhe é adequada e isso tem causado muitos conflitos.

Espontâneo é aquilo que ocorre de forma livre, sem artifícios, poderíamos dizer: que é natural da pessoa. Porém pense: duas pessoas se juntam e uma delas “espontaneamente” adora assoviar enquanto que a outra “espontaneamente odeia o som estridente do assovio. Elas começam a se relacionar e, de repente, aquela que gosta de assoviar começa a assoviar, obviamente, com o tempo a outra se irrita.

Ser espontâneo em uma relação não quer dizer que o parceiro deve assumir tudo o que é seu. Ele pode gostar ou não do que é “natural” à você. E isso não significa tolher a individualidade de ninguém, mas sim que duas pessoas diferentes possuem gostos e preferências “espontaneamente” diferentes e nem sempre elas podem coincidir, pelo contrário, muitas vezes podem ir e direções totalmente opostas.

Agora, quando ocorre a união destas características temos um momento mágico, divertido, descontraído. Momentos que sempre são lembrados com saudades e desejo que ocorra novamente. Quando duas pessoas espontaneamente possuem desejos semelhantes, características, manias semelhantes isso é uma verdadeira delícia. É um encontro.

Lembrando Pearls da Gestalt: “não vim à este mundo para satisfazer as suas expectativas, você não veio à este mundo para satisfazer as minhas expectativas. Se nos encontramos é lindo, senão, não há nada a fazer.”

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Sobreviver ao fim
01/02/2013

– Então, ela terminou comigo já faz um tempo, mas eu ainda estou muito mal…

– Eu sei, tenho visto isso. É normal ficarmos tristes com o término de uma relação não acho que isso está inadequado.

– Pois é… eu também, mas não sei… tem algo que não está certo…

– Ah, muito bem, de fato tem algo que não está certo no seu luto… o que você pensa que é?

– Eu não sei… parece que eu perdi algo sabe?

– Além da relação?

– Sim…

– O que seria?

– Eu não sei cara…

– Pensa: o que parou de acontecer que antes acontecia?

– Você falou isso e me veio uma coisa na cabeça… quando eu estava com ela era como se ela fosse um porto seguro para mim sabe? Eu, de certa forma, me apoiava nela, ou ela me dava apoio… os dois na verdade… e eu acho que eu perdi isso quando terminamos…

– Eu também acho…

– Complicado…

– Sim, mas com uma ótima oportunidade de crescimento… diga-me: se você perdeu o apoio dela, quem irá te apoiar agora?

– Eu acho que é eu não é?

– É uma boa pedida.

– É… eu me lembro que nós conversamos uma vez sobre isso e eu percebi que tinha que mudar isso, agora vou ter que mudar na marra (risos).

– Pois é… vamos começar?

– Vamos…

 

Todo término de relacionamento, traz aos envolvidos a  necessidade de aprender a se reorganizar no pós-relacionamento. Muitas pessoas tem grandes dificuldades em criar uma nova rotina de vida. Algumas porque não aceitam o término, outras porque estão com muita raiva ou tristeza para conseguir criar novas rotinas e outras por causa de culpas e arrependimentos.

O caso que eu relatei acima é muito comum: duas pessoas – e aqui pode ser um casal, pai e filho, amigos, enfim qualquer relação – em que uma apóia a outra. Uma delas aprende a depender desta relação e quando a relação se vai ela não sabe o que fazer, uma parte dela permanece eternamente em luto, ligada à falta que os comportamentos do outro fazem hoje na vida dela. É uma tristeza que parece não ter sentido, uma mágoa que parece que não se cura, algo, por vezes, difícil de identificar, mas que está lá enquanto sensação e quanto mais se tenta fugir dela, mas ela se faz presente.

A grande sacada aqui é perceber o que foi perdido. Uma vez que a pessoa detecta o que foi perdido poderá, então, começar a desenvolver em si o que tinha com o outro. Esta feita a dependência se rompe e a pessoa se torna livre daquela relação. O mais interessante é que a própria relação da pessoa com ela própria muda quando ela consegue fazer os aprendizados necessários. Ela poderá, então, se colocar em novos relacionamentos de uma forma nova e ter mais qualidade nas suas relações.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

%d blogueiros gostam disto: