Amor Próprio

– Eu não sei se eu me amo sabe?

– Sei sim, que bom que tocou no assunto.

– Pois é… eu percebo que eu faço coisas pelos outros, mas não por mim.

– E é assim que você percebe que não se ama?

– Sim, eu sou uma pessoa de atos entende?

– Entendo. E o que você quer fazer com esta percepção?

– Fiquei pensando nisso durante a última semana. Acho que é simples: quero aprender a me amar.

– É uma escolha bacana não é?

– Sim, eu acho!

– O que você precisa fazer para se amar?

– Ai é que está a pergunta boa… eu não sei ao certo…

– Pense em alguém que você ama e me conte como você sabe que tem amor por ela

– Eu faço coisas por esta pessoa, deixo de fazer coisas por mim, penso nela antes de pensar em mim, antecipo as necessidades dela…

– Perfeito, agora, quero que pense em você e tente se imaginar fazendo as mesmas coisas por você

– É difícil pensar nisso… fico com um certo receio…

– Isso… o que torna isso difícil?

– Eu fazer por mim sem pedir para ninguém sabe?

– Ah, claro! Quer dizer: para fazer pelos outros você não precisa de permissão, mas para fazer por si, você precisa ter a permissão de alguém, é isso?

– Sim.

– De alguma forma esta atitude que você quer tomar iria prejudicar você mesma ou outra pessoa importante para você?

– Não

– Quem poderia lhe dar esta permissão?

– Quando eu era pequena era meu pai quem dava…

– Imagine ele, agora, sorrindo e lhe permitindo fazer isso do jeito mais amoroso que ele conseguiria.

– Ok.

– Imagine que ele te explica porque está lhe permitindo e te dizendo o quanto isso é importante.

– Ok.

– Agora imagine você mesma num espelho se dizendo isso e, quando você fala, o tom da voz é o do seu pai.

– Que sensação estranha…

– Me conte

– É como se… ele estivesse dentro de mim agora, me autorizando a ser feliz (lágrimas caem dos olhos fechados)

– Ótimo, que presentão ele te deu hein? Vejo que isso te emociona muito!

– Sim

– Perfeito… agora gostaria que você tentasse se imaginar fazendo por si o que acha que deveria fazer

– Agora eu consigo…

– Perfeito, me diga: ao fazer qual a sensação que isso te causa?

– De estar me cuidando, eu mesma dando cuidados à mim.  É ótimo isso… libertador sabe?

– Com certeza!

 

 

Amar. Talvez um dos maiores mistérios e desejos da humanidade. Amar e ser amado, um tema básico pelo qual todos passamos em várias fases de nossa vida.

Cada pessoa tem a sua fórmula, a sua percepção de amor por isso definir o que é amor é um tanto complicado.

Na verdade, hoje entende-se que mais importante do que definir teoricamente o que é o amor o mais importante para as pessoas é que elas tenham a experiência do amor em suas vidas.

Sentir-se amado, sentir que ama, ter a experiência termina por ser mais importante do que definir previamente o que é amar, na verdade, como diz o poeta, “amar se aprende amando”.

No entanto, muitas vezes temos travas em relação à isso, no exemplo acima a pessoa podia amar os outros, mas não podia se amar. Não se sentia livre para fazer isso como se precisasse de uma permissão, quando conseguiu a permissão ela sentiu-se livre, como se algo dentro dela que desejasse sair agora pudesse ir para o mundo e se manifestar. Para esta pessoa o amor tem muito a ver com liberdade e com cuidado, agir de forma a sentir essas emoções.

O drama de “não poder” é um dos que ajudam a manter o amor próprio preso dentro de si. Existem outros como o “não mereço”, “não consigo” e um dos que, para mim é muito triste: “não importa”.

Este último drama tem a ver com a pessoa entender-se como incapaz de amar a si e terminar por dizer à si própria: “não vou esquentar a cabeça com isso, não consigo mudar nada mesmo”. É a sensação de incompetência, incapacidade em perceber que as ações que ela tem fazem diferença em sua própria vida. Muitas pessoas passam por isso durante anos sempre achando que as ações que poderiam ter não iriam valer de nada. Terminam por não mais agir e por não mais sonhar, desejar ou sequer se importar consigo próprias, “vão levando” (o que e para onde não se sabe) e se distanciam de seus próprios afetos, uma vida cinza.

Amar a si tem a ver com conseguir direcionar para você mesmo os mesmos afetos, comportamentos, atitudes que direcionaria para qualquer pessoa que você diria que ama. É literalmente imaginar se o que fazemos e pensamos cria em nós a sensação do amor-próprio – que, como já disse, é diferente para cada pessoa – e ter estas atitudes e a sensação como guia para manter ou descartar comportamentos e pensamentos. Até hoje nunca conheci alguém que não soubesse como se amar, apenas conheci pessoas que não usam para si os comportamentos que tem com outras pessoas em relação ao amor seja por não sentir que merece, que não vai conseguir, que não pode ou que não se importa e, uma vez que essas barreiras caem por chão elas começam a dizer: “ah… é só isso?” e eu adoro dizer: “sim, é só isso”. Amar, ao que me parece é simples o que é complexo é sabermos exatamente o que e como fazer e, uma vez de posse desses elementos fazer.

Não se permita manter crenças que vão contra você, “não merecer”, “não conseguir”, “não poder”, “não se importar” são ideias que limitam o que você pode fazer com você mesmo, amplie, permita-se, faça!

Que tal dizer para essas ideias limitantes: “hoje vou te dar férias e viver sem você por apenas um dia” e ver o que acontece? Experimente, quem faz sempre as mesmas coisas tem sempre os mesmos resultados!

 

Abraço

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