Archive for fevereiro \27\UTC 2013

Nunca mais
27/02/2013

– Eu não sei Akim, foi isso que eu te falei: estou mal e não sei com o que!

– E aí, o que você acha que está pegando?

– Já te falei que não sei!!

– Você me falou sobre um monte de coisas hoje… família, relacionamento, trabalho, faculdade, amigos etc… mas tem um ponto que você não quer falar não tem?

– (silêncio)

– Tem algo que você sabe bem que está à flor da pele… e sobre isso você não quer falar… vou esperar por você decidir.

– Eu sei sobre o que você está falando… mas não sei se quero falar.

– Ok, tome o seu tempo para decidir.

– Ah que droga! Não adianta não querer falar disso… praga!!

– É… não adianta mesmo… Vamos começar pelas beiradas… porque você não quer falar sobre isso?

– (Silêncio) É que… depois do colegial eu prometi que nunca mais ia viver este tipo de coisa que estou vivendo agora!

– Hum… promessa difícil de cumprir não é?

– Ah… pois é… mas eu acho que é isso sabe? Eu tinha prometido para mim… eu não queria viver isso nunca mais!

– Eu sei… e entendo porque é muito dolorido, mas isso é pelo que você está passando agora… se não viver isso agora terá que ficar mascarando o óbvio e isso também dói, não dói?

– Dói… na verdade… não é que dói… é que dá muito trabalho tudo, eu vivo tenso e tem essa… porra desse fantasma que fica na minha cabeça o dia todo!

– Pois é… Eu sei que naquela época foi esta a promessa que você fez, mas que tal atualizar a vida… muito tempo se passou não foi?

– Talvez esteja na hora mesmo…

A adolescência é uma fase em que as pessoas fazem muitas promessas para elas próprias: de que não vão mais sofrer, não vão mais amar, não vão mais se decepcionar… São promessas que não são muito estudadas dentro da Psicologia de forma geral, mas que tem aparecido muito no meu consultório e resolvi escrever este post para falar sobre elas.

Geralmente elas advém de uma crise ou um problema que a pessoa viveu na época e que a solução não foi exatamente “feliz”, daí a frustração e daí a promessa. O grande problema de realizar uma promessa neste momento é que não temos uma solução boa para resolver o problema, portanto, fazemos uma promessa com uma qualidade baixa de entendimento e resposta emocional e comportamental.

Esta promessa começa a guiar a vida da pessoa de uma forma inadequada pois ela passa a evitar as situações que a aproximam daquela situação vivida tempos atrás. Esta evitação a mantém “incompetente” à respeito de como lidar com a situação e com seus próprios afetos em relação à situação. Quando dizemos “nunca mais” é importante lembrarmos que esta palavra pode se gravar em nossa mente e realmente criar a ilusão de que poderemos “nunca mais” passar por algo… mas, como se vive sem “nunca mais” sentir amor? Vontade de ficar com alguém? É muito difícil e as defesas criadas para estes fins mais atrapalham do que ajudam.

Assim, é importante lembrarmos das promessas que nos fizemos na adolescência porque podemos estar usando-as ainda como forma de guiar nossas vidas – nem sempre para melhor. Recapitular estas promessas nos abre a possibilidade de atualizarmos o que prometemos e, com isso, termos uma vida mais adulta e mais feliz.

Abraço

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Saudades
25/02/2013

– Não quero ficar pensando nele.

– Mas porque?

– Eu sinto falta do que tínhamos juntos…

– Sente saudades é?

– Sim.

– O que você faz quando ela vem?

– Eu tento esquecer dela… coloco de lado e vou tentar fazer outra coisa.

– Entendi… bem, como já conversamos sei que hoje você está sentindo saudades dele, me permite fazermos uma experiência aqui?

– Sim.

– Ótimo, quero que você simplesmente permita essa saudades emergir e me conte o que você está lembrando e, enquanto estiver fazendo isso, quero que “deguste” dela, lembre das sensações.

– Ok… eu me lembro de como era bom os meus passeios no parque com ele… fui lá esses dias por isso lembrei… ficávamos lá passeando e conversando sobre um monte de coisas, tomávamos um sorvete depois… era tão bom…

– Ótimo… muito bem… não mata não é?

– Não… estava até pensando de ir lá caminhar com uma amiga minha esses dias, antes de ter ido lá de verdade.

– Ah é?

– Sim. Hum que interessante… porque não convida ela de verdade agora?

– É, vou fazer… nossa… que engraçado… lembrar dele agora não parece tão pesado.

– Não parece não é?

– É!

– Parabéns!

 

Muitas pessoas temem a saudade. Não querem lembrar-se de como algumas coisas boas foram, de fato boas. Isso aprisiona o sentimento e faz com que a pessoa tenha que ficar sob constante vigia das suas emoções e reações. Lembrar que algo foi bom não significa ter que fazer a mesma coisa com a mesma pessoa novamente, simplesmente significa que você está lembrando de algo que foi bom. Geralmente o medo vem em associar a sensação boa com a pessoa que não está mais junto com a gente, no entanto, a sensação boa deve ser associada com a experiência e não com a pessoa. Geralmente as pessoas que lidam bem com saudades fazem isso de forma “natural” e o resultado é que lembram de coisas boas e querem repeti-las em outros lugares com pessoas novas, pois o compromisso é para com o seu bem-estar.

Saudade é uma emoção que sentimos quando algo/ alguém que foi bom para nós termina e não volta mais. É um retorno ao passado lembrando das coisas que foram boas e queremos sentir novamente. Algo como: Foi bom + sinto falta + quero novamente. A confusão se cria por associar o “foi bom” com aquela situação e não com a sensação interna da pessoa. Quando a pessoa atinge este tipo de atitude mental ela passa a reorganizar as suas memórias de saudades e coloca-las adequadamente em sua vida ficando sem medo de sentir saudades do que quer que seja!

Abraço

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A vida da família
22/02/2013

Marido (Mo) – Pois é Akim, agora estou entendo o que você está me dizendo… e concordo contigo sabe? A gente não teve muito tempo mesmo para ser marido e mulher…

Esposa (Es) – É… o nosso filho veio bem cedo… eu… a gente ama ele, de verdade, mas nunca tivemos mesmo o tempo para nós dois nos curtirmos… até os noivinhos do nosso bolo de casamento: a noiva estava grávida no bolo!

– Pois é… e agora o garotão está numa fase de abrir as asas e alçar voo não é?

Mo – É…

Es – Sim… e agora, como nós ficamos?

– Então gente, o que vocês entendem que devem fazer agora? Os conflitos de vocês tem a ver com a vida natural da família: os filhos crescem e se vão, logo, os pais devem fazer o que?

Mo – bom… acho que se a gente não se aproveitou antes está na hora de fazer isso agora não é?

– O que vocês acham?

Es – Eu acho que vai ser um tanto difícil, mas acho que é isso mesmo… eu fiquei muito tempo como mãe… nem sei se sei ser mulher de novo!

Mo – Sabe sim… a gente aprende junto!

– Opa, que bacana! É isso mesmo, gostei que você falou isso (esposa), vai ser um desafio de fato o importante é vocês buscarem nesse desafio a intimidade de vocês.

Es – É, eu entendo acho até que com o tempo vai ficar divertido.

Falamos de fases da vida… geralmente pensamos em pessoas quando pensamos isso, no entanto famílias também possuem “fases da vida”. Cada fase marcada por “tarefas” específicas que devem ser realizadas quando buscamos a criação de um ambiente e um relacionamento saudável e feliz.

A família que apresentei aqui estava em uma fase na qual o filho estava “alçando voo”, ou seja, indo criar o seu mundo. Os problemas da família decorriam disso porque precisavam renegociar o estilo de vida que levavam até agora, questões como dormir fora de casa, dinheiro, casa própria, trabalho se tornam importantes neste momento da vida e é importante que sejam discutidas e negociadas.

Junto com isso um outro fator: o casal que até então tinham sido muito “pai e mãe” agora poderiam ser mais “marido e mulher”. É interessante, mas aqui também existem novas negociações e novos limites: cada um dos dois envelheceu, teve novos aprendizados e talvez deseje elementos diferentes de uma relação do que à 20 anos atrás. Tudo isso faz o casal precisar desenvolver uma nova intimidade, novas atividades e interesses.

Qual a fase na qual a sua família se encontra? Começando a vida à dois? Bebe à caminho? Filhos pequenos ou já crescidinhos? Filhos indo embora? Pense na sua família como se fosse uma pessoa e você vai começar a perceber que ela possui fases e que cada fase precisa de um cuidado específico isso ajuda muito a entender e resolver pequenos problema do cotidiano.

Abraço

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Tornando-se um adulto
20/02/2013

– Pois então Akim… sabe eu entendi uma coisa sobre a minha vida nestes dias.

– O que foi?

– Estava vendo um filme e ele me chamou atenção para um fato: eu não me vejo como um adulto.

– Ah é? E como você se vê?

– Me vejo como um idiotão de 15 anos brigando com os pais para poder sair de casa numa boa.

– Uau.

– Pois é… pensei a mesma coisa… sabe… acho que está na hora de eu mudar isso.

– Opa, também acho, afinal de contas você não tem mais 15 aninho né?

– Então! Exatamente!

– Como você quer mudar isso?

– Eu quero me ver de uma forma diferente, me sentir diferente comigo mesmo.

– Perfeito, como você quer se ver, como quer se sentir?

– Acho que está na hora de eu me ver como alguém que cometeu erros – perceba que a frase está no passado – mas que sobreviveu e está buscando novas experiências. Como um adulto que sabe identificar seus gostos, seus desejos e buscar realizá-los, como responsável sobre a minha vida…

– O que mais?

– Sabe… eu sempre tive a sensação de que não aditava eu fazer nada porque a minha vida não iria mudar com isso… quase como seu eu me visse como um incapaz… mas não era bem um incapaz, era mais como se não adiantasse mesmo.

– (Silêncio “permissivo”)

– E daí eu percebi que sempre me senti assim porque nunca consegui mudar meu pai, minha mãe… mas na verdade não era eles quem eu tinha que mudar mesmo né?

– Pois é…

– Daí entendi que eu me acho um incompetente por não conseguir mudar algo que não sou eu quem deve mudar… algo que não depende de mim.

– Boa sacada

– E com isso entendi que os movimentos que eu fazia para mudar o meu redor tinha que voltar para mudar eu.

– Perfeito

– Então eu quero me ver como alguém que pode realizar coisas, que pode mudar a sua vida, alguém que pode fazer a diferença para si próprio e que consegue mudar o seu comportamento! Melhor: usar-se de uma forma útil para si próprio.

– Muito bom hein?! Acho que teremos um belo trabalho daqui para a frente!

O que é ser adulto?

“Ser” refere-se à pergunta: “quem/o que sou”? Esse tipo de pergunta trata do tema da identidade. Portanto “ser” adulto tem a ver com assumir a identidade de adulto. Identificar-se com uma imagem, crenças, comportamentos que na concepção da pessoa a tornam uma adulta.

Tornar-se adulto tem tido cada vez mais a conotação de ser capaz de manter o seu estilo de vida de forma responsável. O adulto diferencia-se do adolescente por aceitar as conseqüências das suas escolhas, torná-las metas e continuar buscando a sua individualidade. O adulto, de uma forma poética, assume a  responsabilidade por todo o processo de ser quem é e porque quem deseja vir à ser.

A percepção de realização, ou seja, a sensação de auto-competência surge neste cenário como uma das principais características do adulto. É a identificação com uma pessoa que pode conseguir realizar seus sonhos, vencer desafios, provocar mudanças em si, escolher e agir em prol desta escolha. Tornar-se adulto, neste sentido, significa não apenas saber que tem sonhos, mas saber-se capaz de buscá-los e realizá-los.

O “bônus” vem quando além disso somam-se a percepção dos limites pessoais e de tempo, ou seja, o adulto agora também consegue perceber que sua vida possui limites dentro dos quais ele deverá aprender a viver. Não como conformismo, mas como “regra do jogo”, como uma quantidade de recursos limitada que ele deverá utilizar como matéria-prima para criar-se e recriar-se.

Este jogo, por sinal, é o grande tema de nossa sociedade hoje: criar-se e recriar-se. A percepção de que isso é uma condição social hoje, mesmo que não detentora de todos os meios para alcançar o fim, é fonte tanto de uma sensação de libertação quanto de angústia.  No entanto, este é o jogo do momento no qual todos estamos envolvidos e a grande questão é como vamos jogar o jogo de ser quem somos no mundo que habitamos.

E neste jogo a principal característica do adulto no que tange à questão de “ser” – identificar-se – um adulto é de conseguir sair de uma atitude de dependência psicológica de submissão e de necessidade de aprovação dos pais, professores, amigos e sociedade para uma atitude de autoridade sobre si próprio. Ele desenvolve um “ego de autoridade” sobre sua própria vida, este “ego de autoridade” não é dado pela sociedade, mas sim conquistado individualmente, o próprio adulto se dá esta característica. Esta é uma das virtudes fundamentais do adulto em contraposição à criança ou ao adolescente.

Segue abaixo um link de uma entrevista de Jospeh Campbell falando sobre os rituais de iniciação na vida adulta em sociedades primitivas.

Abraço

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Segundo plano
18/02/2013

– Mas Akim, eu não entendo isso… eu sei que tenho que me colocar em primeiro plano, mas chega na hora eu estou lá de novo em segundo plano!

– Eu sei, vamos lá… quando você está com suas amigas como você faz para desejar, planejar e prestar atenção em si?

– (fica pensativa) Eu não sei direito… parece que quando estou com elas eu “me entrego”.

– “Se entrega”? Como assim?

– Ah, eu não fico pensando no que eu quero.

– Ahá, perfeito! Então você não pensa no que quer quando está com elas é isso?

– Sim.

– E como você faz para tomar decisões quando está com elas visto que não pensa no que quer?

– (fica pensativa)

– Hum… acho que daí eu simplesmente vou onde elas querem…

– Exato… veja, isso não está necessariamente errado, mas a questão é: você realmente precisa “não pensar no que quer” quando está com elas?

– Hum… acho que não né? Eu posso fazer os dois: “me entregar” e pensar no que eu quero.

– Pode sim, que tal lhe parece?

– Melhor que eu faço hoje, porque daí eu posso escolher o que eu quero fazer ou até dar opinião do que fazer!

– Excelente, que tal tentar isso ao longo da semana?

– Perfeito!

 

Este relato fala sobre o início de um processo de auto-valorização. Foi a primeira de várias sessões nas quais a cliente aprendeu a se colocar com amigas, família e conjugue valorizando a sua opinião, desejos e gostos. Um processo muito bonito e árduo.

Sim, árduo; valorizar-se não é um processo passivo, é um processo ativo e que exige da pessoa que o deseja. Exige que ela se coloque em primeiro lugar, deseje e realize seus desejos, preste atenção em si, se defenda, ame, corra atrás do que quer, lide com as conseqüências e saiba errar e reparar seus erros, peça perdão, saiba ganhar e perder e valorizar ambos com os aprendizados que eles tem.

Colocar-se em primeiro plano envolve uma atitude mental simples com muitas conseqüências – imaginar você com seus desejos antes de imaginar os desejos dos outros. Parece simples – e é – o que realmente faz as pessoas não fazerem isso são as conseqüências deste processo e todo o trabalho que ele envolve – citei acima alguns itens. É muito importante colocar-se em primeiro plano quando você está tomando decisões que o afetam diretamente, escolhendo seu destino, onde gastar o seu dinheiro ou onde investir o seu afeto.

Colocar-se em segundo plano é simplesmente seguir o que é dito. Também envolve aprendizados e conseqüências, muitas pessoas não sabem colocar-se em segundo plano e sofrem com isso. Alguns casos simples são pessoas que “tem que dizer o que pensam”, não importa se aquilo vai ser útil para ela, se importa ou se ela será ouvida. Muitas vezes é útil colocar-se em segundo plano como quando estamos percebendo que alguém realmente precisa de nossa ajuda e teremos que adiar algo que queremos para ajudar esta pessoa, ou quando não estamos tomando decisões que nos afetam diretamente e que são pouco importantes para nós, mas altamente importantes para o outro.

O problema surge – quase que sempre – quando a pessoa se engessa em uma atitude ou em outra. Quem se engessa em primeiro plano se acha o sol do universo, como se tudo dependesse dele, fosse para ele e se dirigisse à ele. Já quem se engessa em segundo plano é sempre o coitado do mundo, ninguém lhe presta atenção. É interessante notar que é possível sentir-se como coitado mesmo sendo uma pessoa engessada em primeiro plano: pois ela pode querer que todos sigam as suas regras e quando não o fazem, ela sente-se mal “ninguém quer brincar do meu jeito” e sente-se vítima.

Para fechar, vale a pena lembrar do seguinte: é sempre uma questão de resultado e de contexto quando colocar-se em primeiro ou segundo lugar. Se você estiver fazendo escolhas altamente importantes para você, que vão afetá-lo diretamente e que dependem de você, use a primeira pessoa, se não relaxe e “curta a onda”.

Abraço

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Valorizando a mudança
15/02/2013

– O que me falta Akim é  me colocar de uma forma diferente na minha vida.

– Opa, e que forma é essa?

– Eu não sei, mas é assim como se eu sentisse o que eu sinto, como seu eu realmente estivesse aqui sabe?

– “Como se”?

– (risos) Como se é dose né? Mas traduz o que eu sinto sabe?

– Sim.

– Que é como se eu não tivesse poder sobre a minha vida, como se o que eu fizesse não fizesse diferença.

– Então que atitude você tem que tomar e o que irá te ajudar a manter esta atitude?

– (Pensativo) Eu acho que se eu começar a tomar atitudes frente ao que eu sinto e perceber se o que eu fiz gerou alguma diferença isso vai me ajudar a me sentir mais dono de mim, mais “poderoso” em relação à minha vida. Entende o que eu digo?

– Claro, o que está me dizendo é que se você tiver atitudes e perceber as mudanças que estas atitudes fazem na sua vida você irá se sentir de uma forma diferente, mais poderoso e isso vai te ajudar a manter as novas atitudes, é isso?

– Sim

– Ótimo. Então é uma questão de percepção?

– É né? Perceber o que eu faço e o resultado que isso gera.

– Hum… me parece uma boa lição de casa.

Muitas pessoas reclamam que sua vida “não sai do lugar”, que não conseguem “fazer nada de diferente”; muitas vezes elas simplesmente obtém estes resultados porque não fizeram nada para sair do lugar ou fazer diferente mesmo! Agora, o problema em vários casos é que elas não percebem que podem e/ou que a sua ação faz diferença na vida delas.

Um dos erros muito comuns que geram este tipo de distorção é dimensionar o seu “poder pessoal” de acordo com a mudança de terceiros: se eu fizer diferente, meu pai vai fazer; portanto se meu pai não mudar os seus comportamentos é porque eu não sou competente. Fracasso garantido, pois a mudança no outro depende muito mais dele desejar a mudança do que necessariamente você realizá-la por ele. O que fica garantido com a mudança do seu comportamento é que este comportamento será mudado e a sua percepção do mundo ao seu redor pode ser modificada por causa disso.

É importante percebermos os resultados que nossas mudanças causam em nós. Perceber a relação entre o comportamento e o resultado nos motiva e anima para que busquemos ter outros comportamentos em outras situações. Certa vez atendi uma pessoa que explodia muito facilmente em suas relações, depois de um tempo de terapia quando ela conseguia conversar normalmente sentia o resultado que isso provocava nela – mesmo que a conversa não fosse muito boa – ela sentia-se muito mais “dona de si” e “calma” do que antes, além de não ter as eventuais crises de culpa por ter gritado de forma desnecessária com o conjugue. Perceber esta relação é importante no processo de mudança e de auto-confiança.

Experimente ter comportamentos diferentes nas situações que hoje lhe causam problemas e perceba os resultados que esta mudança de comportamento traz, continue até encontrar uma que o satisfaça e então mantenha a atitude. Lembre-se os resultados devem ter a ver com você e não com o outro!

Abraço

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Valorizando a mudança
15/02/2013

– O que me falta Akim é  me colocar de uma forma diferente na minha vida.

– Opa, e que forma é essa?

– Eu não sei, mas é assim como se eu sentisse o que eu sinto, como seu eu realmente estivesse aqui sabe?

– “Como se”?

– (risos) Como se é dose né? Mas traduz o que eu sinto sabe?

– Sim.

– Que é como se eu não tivesse poder sobre a minha vida, como se o que eu fizesse não fizesse diferença.

– Então que atitude você tem que tomar e o que irá te ajudar a manter esta atitude?

– (Pensativo) Eu acho que se eu começar a tomar atitudes frente ao que eu sinto e perceber se o que eu fiz gerou alguma diferença isso vai me ajudar a me sentir mais dono de mim, mais “poderoso” em relação à minha vida. Entende o que eu digo?

– Claro, o que está me dizendo é que se você tiver atitudes e perceber as mudanças que estas atitudes fazem na sua vida você irá se sentir de uma forma diferente, mais poderoso e isso vai te ajudar a manter as novas atitudes, é isso?

– Sim

– Ótimo. Então é uma questão de percepção?

– É né? Perceber o que eu faço e o resultado que isso gera.

– Hum… me parece uma boa lição de casa.

Muitas pessoas reclamam que sua vida “não sai do lugar”, que não conseguem “fazer nada de diferente”; muitas vezes elas simplesmente obtém estes resultados porque não fizeram nada para sair do lugar ou fazer diferente mesmo! Agora, o problema em vários casos é que elas não percebem que podem e/ou que a sua ação faz diferença na vida delas.

Um dos erros muito comuns que geram este tipo de distorção é dimensionar o seu “poder pessoal” de acordo com a mudança de terceiros: se eu fizer diferente, meu pai vai fazer; portanto se meu pai não mudar os seus comportamentos é porque eu não sou competente. Fracasso garantido, pois a mudança no outro depende muito mais dele desejar a mudança do que necessariamente você realizá-la por ele. O que fica garantido com a mudança do seu comportamento é que este comportamento será mudado e a sua percepção do mundo ao seu redor pode ser modificada por causa disso.

É importante percebermos os resultados que nossas mudanças causam em nós. Perceber a relação entre o comportamento e o resultado nos motiva e anima para que busquemos ter outros comportamentos em outras situações. Certa vez atendi uma pessoa que explodia muito facilmente em suas relações, depois de um tempo de terapia quando ela conseguia conversar normalmente sentia o resultado que isso provocava nela – mesmo que a conversa não fosse muito boa – ela sentia-se muito mais “dona de si” e “calma” do que antes, além de não ter as eventuais crises de culpa por ter gritado de forma desnecessária com o conjugue. Perceber esta relação é importante no processo de mudança e de auto-confiança.

Experimente ter comportamentos diferentes nas situações que hoje lhe causam problemas e perceba os resultados que esta mudança de comportamento traz, continue até encontrar uma que o satisfaça e então mantenha a atitude. Lembre-se os resultados devem ter a ver com você e não com o outro!

Abraço

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Amor Próprio
13/02/2013

– Eu não sei se eu me amo sabe?

– Sei sim, que bom que tocou no assunto.

– Pois é… eu percebo que eu faço coisas pelos outros, mas não por mim.

– E é assim que você percebe que não se ama?

– Sim, eu sou uma pessoa de atos entende?

– Entendo. E o que você quer fazer com esta percepção?

– Fiquei pensando nisso durante a última semana. Acho que é simples: quero aprender a me amar.

– É uma escolha bacana não é?

– Sim, eu acho!

– O que você precisa fazer para se amar?

– Ai é que está a pergunta boa… eu não sei ao certo…

– Pense em alguém que você ama e me conte como você sabe que tem amor por ela

– Eu faço coisas por esta pessoa, deixo de fazer coisas por mim, penso nela antes de pensar em mim, antecipo as necessidades dela…

– Perfeito, agora, quero que pense em você e tente se imaginar fazendo as mesmas coisas por você

– É difícil pensar nisso… fico com um certo receio…

– Isso… o que torna isso difícil?

– Eu fazer por mim sem pedir para ninguém sabe?

– Ah, claro! Quer dizer: para fazer pelos outros você não precisa de permissão, mas para fazer por si, você precisa ter a permissão de alguém, é isso?

– Sim.

– De alguma forma esta atitude que você quer tomar iria prejudicar você mesma ou outra pessoa importante para você?

– Não

– Quem poderia lhe dar esta permissão?

– Quando eu era pequena era meu pai quem dava…

– Imagine ele, agora, sorrindo e lhe permitindo fazer isso do jeito mais amoroso que ele conseguiria.

– Ok.

– Imagine que ele te explica porque está lhe permitindo e te dizendo o quanto isso é importante.

– Ok.

– Agora imagine você mesma num espelho se dizendo isso e, quando você fala, o tom da voz é o do seu pai.

– Que sensação estranha…

– Me conte

– É como se… ele estivesse dentro de mim agora, me autorizando a ser feliz (lágrimas caem dos olhos fechados)

– Ótimo, que presentão ele te deu hein? Vejo que isso te emociona muito!

– Sim

– Perfeito… agora gostaria que você tentasse se imaginar fazendo por si o que acha que deveria fazer

– Agora eu consigo…

– Perfeito, me diga: ao fazer qual a sensação que isso te causa?

– De estar me cuidando, eu mesma dando cuidados à mim.  É ótimo isso… libertador sabe?

– Com certeza!

 

 

Amar. Talvez um dos maiores mistérios e desejos da humanidade. Amar e ser amado, um tema básico pelo qual todos passamos em várias fases de nossa vida.

Cada pessoa tem a sua fórmula, a sua percepção de amor por isso definir o que é amor é um tanto complicado.

Na verdade, hoje entende-se que mais importante do que definir teoricamente o que é o amor o mais importante para as pessoas é que elas tenham a experiência do amor em suas vidas.

Sentir-se amado, sentir que ama, ter a experiência termina por ser mais importante do que definir previamente o que é amar, na verdade, como diz o poeta, “amar se aprende amando”.

No entanto, muitas vezes temos travas em relação à isso, no exemplo acima a pessoa podia amar os outros, mas não podia se amar. Não se sentia livre para fazer isso como se precisasse de uma permissão, quando conseguiu a permissão ela sentiu-se livre, como se algo dentro dela que desejasse sair agora pudesse ir para o mundo e se manifestar. Para esta pessoa o amor tem muito a ver com liberdade e com cuidado, agir de forma a sentir essas emoções.

O drama de “não poder” é um dos que ajudam a manter o amor próprio preso dentro de si. Existem outros como o “não mereço”, “não consigo” e um dos que, para mim é muito triste: “não importa”.

Este último drama tem a ver com a pessoa entender-se como incapaz de amar a si e terminar por dizer à si própria: “não vou esquentar a cabeça com isso, não consigo mudar nada mesmo”. É a sensação de incompetência, incapacidade em perceber que as ações que ela tem fazem diferença em sua própria vida. Muitas pessoas passam por isso durante anos sempre achando que as ações que poderiam ter não iriam valer de nada. Terminam por não mais agir e por não mais sonhar, desejar ou sequer se importar consigo próprias, “vão levando” (o que e para onde não se sabe) e se distanciam de seus próprios afetos, uma vida cinza.

Amar a si tem a ver com conseguir direcionar para você mesmo os mesmos afetos, comportamentos, atitudes que direcionaria para qualquer pessoa que você diria que ama. É literalmente imaginar se o que fazemos e pensamos cria em nós a sensação do amor-próprio – que, como já disse, é diferente para cada pessoa – e ter estas atitudes e a sensação como guia para manter ou descartar comportamentos e pensamentos. Até hoje nunca conheci alguém que não soubesse como se amar, apenas conheci pessoas que não usam para si os comportamentos que tem com outras pessoas em relação ao amor seja por não sentir que merece, que não vai conseguir, que não pode ou que não se importa e, uma vez que essas barreiras caem por chão elas começam a dizer: “ah… é só isso?” e eu adoro dizer: “sim, é só isso”. Amar, ao que me parece é simples o que é complexo é sabermos exatamente o que e como fazer e, uma vez de posse desses elementos fazer.

Não se permita manter crenças que vão contra você, “não merecer”, “não conseguir”, “não poder”, “não se importar” são ideias que limitam o que você pode fazer com você mesmo, amplie, permita-se, faça!

Que tal dizer para essas ideias limitantes: “hoje vou te dar férias e viver sem você por apenas um dia” e ver o que acontece? Experimente, quem faz sempre as mesmas coisas tem sempre os mesmos resultados!

 

Abraço

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Conseqüências
11/02/2013

– Tá Akim, agora eu já entendi o que eu quero… só que tem um problema

– Qual?

– Então… eu fico pensando nas conseqüências dessa mudança, no que eu vou ter que mudar para fazer isso.

– Perfeito, é isso mesmo, não apenas pensar, mas agir também.

– Tá… mas e como eu me motivo para fazer essas mudanças?

– Hum… entendi, como?

– Ai não sei…

– Pense: para que você quer esta mudança?

– Eu quero para começar a realizar os meus sonhos

– Ótimo, pense nos seus sonhos, pense em você concretizando eles

– Sim…

– É bom? É o que você quer?

– Sim…

– Enquanto você pensa nisso, pense nas mudanças que vai ter que fazer para alcançar as suas metas.

– Tá…

– Como parecem agora?

– Parecem mais tranquilas de executar…

– Ótimo, tá aí a sua fonte de motivação!

Toda mudança traz mudanças. Esta frase pode parecer óbvia ou simples, mas ela é bem verdadeira!

Sempre que queremos fazer algo novo em nossas vidas precisamos mudar hábitos, comportamentos, atitudes e isso exige trabalho. Muitas vezes exige que deixemos de lado coisas que considerávamos importantes ou que enfrentemos situações que achamos difíceis. Como se manter motivado então?

Uma das formas mais básicas é esta que eu apresentei agora: relembrar os ganhos que vou ter com o objetivo. Visualizar e se imaginar com o que você quer, com o que é importante para você é um motivador muito forte para as pessoas, quando realizamos este procedimento a maior parte das pessoas começa a reorganizar a sua mente em prol de querer aprender as novas competências.

De certa forma é desorganizar a forma pela qual o cérebro está pensando: “ai vai ser difícil fazer algo que eu não sei fazer” por “cara, eu vou ganhar aquilo se eu fizer isso”. Associando o objetivo e a recompensa que vamos ter ao consegui-lo com a aprendizagem conseguimos nos manter motivados por longos períodos.

Abraço

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Vampiros emocionais
08/02/2013

– Estou cansado de viver sempre a mesma história… de não me sentir amado.

– Pois é, eu sei… está na hora mesmo de mudar o disco não é?

– Sim… mas não sei como fazer.

– Veja lá: você já compreendeu que está repetindo uma história sua e que também está repetindo a história dos seus pais nisso tudo não é?

– Sim.

– No entanto, existem alguns pontos nos quais você conseguiu mudar a sua história não existem? Momentos nos quais você fez algo diferente.

– É, teve sim…

– Pois é… e o que foi, exatamente que você fez nessas situações?

– Sabe Akim… se eu for pensar bem eu acho que eu não deixei as pessoas tirarem a minha energia, eu me coloquei tal como eu preciso me colocar e elas acabaram vindo junto.

– Entendi, está me dizendo que quando você se coloca você usa a sua energia à seu favor e quando não o faz “dá” para os outros usarem?

– É… acho que é algo assim.

O termo “vampiro emocional” ficou muito popular entre as pessoas e dentro da psicologia também. Vampiro é aquele que cria uma relação na qual um lado dá muito e o outro suga muito, podemos fazer a analogia com várias emoções e comportamentos: amor, compreensão, carinho, alegria, vitalidade e competências.

A grande questão, no entanto, é que toda a pessoa que é sugada não é vítima por acaso. Ela possui uma série de comportamentos e atitudes mentais que a colocam como “alvo fácil” para serem manipuladas e “sugadas”. A grande questão quando trabalhamos com pessoas assim é aprendermos a fortalecer a vitalidade e o amor-próprio delas – porque ela percebem que estão sendo sugadas, mas continuam ali.

Criar o hábito é muito mais fácil do que parece – pelo menos em conceito – requer que a pessoa se atente à todos os comportamentos, atitudes mentais e emoções que ela faz, sente e vive e perceba: quais dela me fazem bem? Após fazer X me sinto muito bem, sempre que começo o dia pensando de forma Y eu consigo me sentir melhor e lidar com mais facilidade com os problemas do cotidiano.

Após fazer esta relação a pessoa deve começar a colocar na sua vida pessoal a seguinte pergunta: este comportamento que vou realizar agora – seja ele qual for – está me levando na direção de cuidar de mim e/ou me sentir bem e/ou resolver meus problemas e/ou me tranquilizar e/ou melhorar o meu relacionamento? Se a resposta for “sim” continue, se for “não” e for possível evitar, evite, não faça, realize outro comportamento qualquer.

O que isso tem a ver com os vampiros? Quando a pessoa  que é uma “vítima” começa a sentir na pele que o seu comportamento faz a diferença em relação à como ela se sente, somado com a sensação inigualável de sentir-se bem consigo mesmo ela simplesmente não consegue mais ser uma vítima. A noção de ser “sugada” assume uma conotação dolorosa e repugnante dentro dela própria e ela passa a não mais permitir que seu belo pescocinho seja mordido.

Abraço

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