Archive for janeiro \30\UTC 2013

Mudando o ponto de vista
30/01/2013

– Eu não consigo me ver fazendo isso Akim.

– Entendo, qual o problema, te parece algo inadequado ou difícil de ser realizado?

– Não, não é isso. Percebo que é bem isso que eu devo fazer e até já fiz isso algumas vezes. O problema é que eu não me vejo fazendo isso.

– Hum e como você se vê?

– Ah, como a  boba da história, sempre me ferrando.

– Bem, então o seu comportamento está adequado para esta história.

– Como assim??!

– Oras, se você se vê como a boba da história, me parece que está agindo – ou no caso, não agindo – de acordo não é?

– (Pensativa) É verdade…

– Como você teria que se ver para agir de forma diferente?

– (Pensativa) Acho que como alguém merecedor de um bom relacionamento.

– Ótimo, é uma boa ideia, que tal começarmos a fazer isso?

– Vamos

– Quando foi a última vez que sentiu-se merecedora de algo?

– Hum…

Muitas vezes as pessoas não tomam atitudes por um fator “simples” não se percebem como pessoas que teriam aquela atitude. Sua identidade não combina com o que sabem que devem fazer. Enquanto esta percepção de si se mantém elas sofrem por saberem o que fazer, como fazer, mas não sentirem que podem ou devem fazer, a “auto-imagem” delas não combina com o comportamento que desejam ter.

A forma pela qual nos percebemos é uma imagem que criamos em nossa mente com a qual nos identificamos. Criamos um elo, um vínculo entre a imagem e a nossa definição de “eu”. Identificar-se é algo como “me sinto igual à…” à um vagabundo, um grande homem, um falsário, um gênio e por aí vai. Cada um de nós possui uma identificação mesmo que não se dê conta dela e, muitas vezes, isso é um empecilho para a mudança.

Para um processo de mudança dar certo muitas vezes é importante trabalhar com a aquisição de uma nova forma de identificar-se, de perceber-se. Para isso é importante sempre começar com algo que a pessoa deseja alcançar, com o sentido da mudança, uma vez adquirido o sentido começamos a buscar a resposta para a pergunta: “quem sou eu nisto?” Esta resposta é uma criação da pessoa, ela vai criar a resposta mais interessante para ela e aprender a se identificar com esta resposta.

É muito comum na área de psicologia – e creio que em todas as outras também – ouvirmos a seguinte frase: “agora sinto que sou um psicólogo”. O que esta frase quer dizer? Simples: que a pessoa agora conseguiu identificar-se com a profissão, ela, agora, ao fechar os olhos e pensar em um psicólogo consegue ver-se nesta imagem.

E você? Com o que você se identifica hoje? É isso o que você quer ser?

Quem é você? Só isso? O que mais é você? O que mais, o que mais…

Abraço

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Arrependimento
28/01/2013

– E depois disso eu conversei com ela, mas ficou aquela coisa chata.

– Entendi, e o que você quer com isso?

– O que eu quero é me livrar dessa coisa chata!

– Qual o nome dela?

– Sei lá é arrependimento eu acho

– Perfeito, porque você está sentindo este arrependimento?

– Por causa da situação que ficou!

– Então a situação que foi gerada não era algo que você queria, é isso?

– Não!

– Ótimo e essa situação foi gerada pelo seu comportamento não foi?

– Sim.

– Então problema é a situação ou o comportamento que a gerou?

– O comportamento

– Posso dar uma sugestão então?

– Pode sim

– Que tal, ao invés de se livrar do arrependimento, você usar ele como força motriz para você nunca mais ter o mesmo comportamento nessa situação?

– Hum, acho perfeito, eu nunca mais quero isso de qualquer forma…

– Ótimo, em seguida trabalharemos com o que fazer ao invés do que foi feito!

– Legal, estou me sentindo mais leve de pensar assim

 

“Estou me sentindo mais leve de pensar assim” esta sensação é muito comum quando a pessoa começa a raciocina o arrependimento de forma adequada.

Qual a forma adequada?

Para responder esta pergunta, vamos precisar entender que o arrependimento não é uma emoção ruim. Na verdade gosto de dizer que não existem emoções boas ou ruins, existem emoções e cada uma delas nos guia por um caminho específico de aprendizagem e experiência. O que eu concordo é que existem emoções que desgastam mais do que outras e por isso precisam ser tratadas com respeito, seriedade e eficiência. O arrependimento é uma delas. A pessoa pode arrepender-se a vida toda se não souber o que fazer com o arrependimento, tornado-o até mesmo uma melancolia e uma depressão.

O arrependimento é uma emoção que nos avisa que realizamos alguns comportamentos cujo resultado não era o que queríamos. Fizemos algo – segundo os nossos critérios – que não foi adequado. A partir deste entendimento é fácil lidar com o arrependimento.

Em primeiro lugar evidencie o que você fez que julga inadequado, em segundo lugar crie um comprometimento em não realizar mais aquele comportamento naquele contexto, talvez o comportamento em si não seja inadequado, apenas inadequado naquela situação. Em terceiro lugar crie um comportamento alternativo para usar no lugar daquele. Comportamento pode ser um ato, uma fala, um pensamento, um tipo de entendimento ou todas estas coisas juntas.

Passadas estas dicas, fica mais uma: antecipe! Quando antecipamos nossas ações refletindo sobre como agimos, o que sentimos conseguimos nos precaver de nos arrependermos de alguma atitude. É aí que mora a criatividade e inventividade humanas. Faça sua vida diferente hoje, invente, crie, divirta-se!

Abraço

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Metas monstruosas
25/01/2013

– Mas daí eu olho para isso e me dá um medo sabe?

– Sei sim. Mas vamos por partes: já vimos que a meta é interessante para você e que você tem todo o repertório para desenvolver ela certo?

– Sim.

– Acha que existe mais alguma  coisa que possa te impedir de alcançar a meta?

– Não.

– Acha que alcançar esta meta vai lhe trazer algum problema?

– Não, já vimos o problema que tinha e acho que aquela solução já está 100%.

– Perfeito, então vamos fazer um exercício sobre o seu medo da meta para você me dizer se te ajuda ok?

– Tá ótimo.

– Muito bem, toda  a meta, quando olhamos para ela de uma vez só é grandiosa.

– Certo

– No entanto, nenhuma meta já nasce pronta, ela vai sendo criada a partir de pequenos comportamentos

– É verdade

– Pense  aí com você quais são os comportamentos que você terá que ter para alcançar a sua meta.

– Tá, pensei,

– Agora quero que, ao invés de olhar para a meta toda, olhe para cada um destes comportamentos ao longo do tempo que você programou para cumprir o seu objetivo.

– Ok

– Agora olhe para a meta desta forma, dá medo?

– Não… é bem tranquilo…

– Perfeito! Agora refaça o seu plano anual pensando na meta desta forma: como uma soma de pequenos comportamentos que você controla e sabe como fazer.

– Legal! Fica bem mais tranquilo.

– Ótimo!

Metas, muitas vezes, assustam as pessoas. Desejar algo, comprometer-se gera uma ansiedade em outros. Um dos pontos fundamentais é como olhamos para a nossa meta.

É importante termos a meta toda à nossa frente para que possamos saber onde desejamos chegar. Para colocar em prática, no entanto, é outra estratégia: precisamos dividir a tarefa em partes que possamos dar conta, que sejam realizáveis. Muitas pessoas me perguntaram como eu fiz a caminhada de Santiago de Compostela, minha resposta: com um passo depois do outro. Na prática são os pequenos comportamentos que concretizam os sonhos de todos nós, o sonho, desta forma deve ser pensando não como uma causa, mas como um mero resultado.

Assim sendo na hora de sonhar, o foco deve ser o projeto acabado, pronto e finalizado. Isto é o que nos motiva, que empolga e nos faz agir de acordo com o sonho. Na hora da prática temos que colocar o sonho em termos concretos, práticos e simples para que possamos operacionalizar ele, sem isso não vamos construir nada.

O seu sonho lhe parece muito grande? Divida a parte prática em pequenos comportamentos, vá dividindo até chegar na parte dos comportamentos que você tem que tomar para realizar o sonho como um todo, isso vai te ajudar a agir.

Abraço

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Apreciar-se
23/01/2013

– Mas eu me acho feia! Não posso me sentir bonita só porque os outros querem!

– Eu entendo e concordo. Mas me diga: como você sabe que é feia?

– Ah, eu tenho olhos né?

– Claro e o que eles vêem em você que você entende como feio?

– Ah, tudo! Eu tenho umas marcas de varizes, meu nariz é meio esquisito e eu não gosto muito do meu cabelo.

– Entendi, o que mais?

– (silêncio) Ah… sei lá… acho que é isso assim.

– Hum… então você é feia poque tem umas marcas de varizes, seu nariz é meio “esquisito” e você não gosta muito do seu cabelo, é isso?

– É.

– Tá ok… bom… imagino que quando você vai se arrumar para sair, por exemplo, deve ficar um bom tempo olhando para o nariz esquisito e esse cabelo não é?

– Ai… nem me fale… às vezes a roupa está legal mas o cabelo mata tudo…

– Como assim a roupa está legal? Como pode ficar legal em você, você é feia! E feia é feia oras!

– Mas eu sinto que tem roupas que ficam legais em mim…

– Roupas que ficam legais… em você?

– É.

– Como poderia?

– Ai Akim, pô… sei lá… tem roupas que ficam bem no meu corpo oras…

– Isso não existe, tem roupas que realçam a beleza que o corpo já possui, mas deixar belo não faz.

– Tá, então é isso

– Hum, mas então quer dizer que o seu corpo possui beleza naturalmente e que algumas roupas realçam essa beleza?

– (silêncio) É…

– Olhe só que coisa… fico me perguntando: será que haveriam outras partes que você gosta em você e que não dá muito valor?

– Ah sei lá… talvez…

– Como seria se você também desse atenção para estes “detalhes”?

– Não sei… não consigo nem imaginar isso…

– Que te parece de tentar?

– Ai… tá… posso tentar então…

– Ótimo, vou pegar o espelho então para você se olhar um pouco.

[Ela se olha e começa a enumerar algumas partes que acha bela nela própria]

(Akim diz) – Então… como é olhar para as partes que você julga belas em ti?

– É… diferente… parece que não é verdade sabe?

– Sei, você sempre enfatizou somente um lado seu, talvez agora seja a hora de enfatizar outro… me pergunto: que outras coisas positivas além da beleza será que você não olha em você?

– (suspiro profundo) É… acho que você tocou um tema importante.

Aprender a se apreciar é algo muito importante e, infelizmente, muito mal visto hoje em dia. Embora vivamos em uma época que diz que devemos ser belos, elegantes e inteligentes se uma pessoa diz que é assim é tida como metida, “tá se achando”. Nada mais contraditório e errôneo, afinal, humilde é aquele que vê as coisas tal como são e quando se trata de auto-apreciação, se eu acho bela uma determinada parte minha – por exemplo – quem pode dizer o contrário? Isso não significa que todos vão concordar com você, no entanto, é importante sabermos ver a nossa própria beleza, inteligência, enfim apreciarmos nossas qualidades; isso alimenta a auto-estima e auto-confiança.

O grande “truque” é uma questão de foco. Pessoas que se acham feias e burras, por exemplo, geralmente colocam o foco em algo que não gostam em si ou em uma experiência mal sucedida ou em algum erro que cometeram e passam a vida toda olhando sempre para este mesmo defeito, termina que – com o tempo – este “detalhe” vira o “todo” e a pessoa passa a se identificar com o detalhe. No caso da beleza, por exemplo, a pessoa passa a se identificar com um ou dois “defeitos” que ela encontra em si ao invés de focar em todo o restante e nas partes que ela gosta em si. Assim ajudamos a pessoa a observar e valorizar mais as partes que gosta em si e aprender como lidar com  aquelas que ela não gosta.

E você no que foca: no que te faz sentir bem consigo ou naquilo que te deprime em você mesmo?

Abraço

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Problema de peso
21/01/2013

– Então os resultados estão sendo bons. Antes de comer agora eu penso e… estou fazendo como você falou… se não me sinto bem com o resultado não como aquilo e como outra coisa.

– Ótimo, bem, como você bem disse os resultados estão sendo bons.

– É… bem… na verdade é assim, eu estou meio ansioso com isso.

– O que está te deixando ansioso?

– Por exemplo: sexta agora eu cheguei em casa do trabalho e geralmente pedia uma pizza para comer vendo um filme. Daí não pedi a pizza porque eu quase sempre ficava mal comigo mesmo sábado de manhã quando me pesava.

– Ok, e o que te deixou ansioso?

– Então… eu não pedi a pizza, mas peguei um filme para ver… no meio do filme deu uma solidão sabe? Tipo foi muito ruim ver o filme sozinho aquele dia! E isso que o filme nem era triste, era de aventura!

– Hum, entendi perfeitamente. E aí, o que você entendeu disso aí?

– Ah, sei lá… na verdade fiquei triste só.

– Então era tristeza e não ansiedade?

– É, depois eu fiquei ansioso, tipo: porque estou me sentindo desse jeito?

– Entendi, e qual foi a sua conclusão?

– Não sei… solidão? Tipo: sempre fico sozinho comendo pizza sexta à noite?

– Faz sentido para você isso?

– Faz.

– Me parece que esse é o caminho não é?

– É.

– Ao tirar a sua pizza você sentiu-se só, antes a pizza te fazia companhia, mas tirando ela, ficou só. Que tal mudar isso?

– É… é um bom tema… eu acho que chegou a hora de eu começar a fazer amigos mesmo…

– Pelo jeito não é um tema de hoje  não é?

– Não… já faz tempo isso…

– Bom, nunca é tarde para começar não é?

– É, chegou a hora!

Questões relacionadas à peso dificilmente possuem um fator apenas orgânico. Geralmente vários fatores psicológicos estão envolvidos. Porque? Simples: pois o problema, na maior parte dos casos é o comportamento de comer em excesso. Excluindo casos em que a pessoa possua algum problema físico, tais como: hipotireoidismo, diabetes ou síndrome metabólica; o restante são questões que são resolvidas com mudanças de hábitos.

Nenhum hábito se forma por acaso, está associado à vários fatores: estilo de vida da pessoas, suas facilidades e dificuldades de vida social, profissional e pessoal, crenças, ambiente e fatores emocionais. No caso acima, por exemplo, a pizza era um comportamento – um hábito – que estava associado ao fato da pessoa não ter muitas habilidades desenvolvidas para conhecer e manter relacionamentos de amizade e namoro com outras pessoas, esta dificuldade se organizou de forma a trocar a busca de novas pessoas – dificuldade – por passar na locadora e pegar uma pizza – facilidade – e assim ficou. Para mudar o hábito não basta apenas parar de pegar a pizza, é necessário, também, começar a aprender como fazer amigos, manter relacionamentos e toda a sorte de comportamentos e habilidades que a vida em grupo necessita.

Lembre-se sempre de que o peso é o menor dos problemas, o maior e mais importante é comportamento que cria o peso. Peso não é causa de problema, mas sim conseqüência. Conseqüência de uma alimentação inadequada, de uma vida estressada, de uma vida com poucos amigos ou horizontes, de muita ansiedade, enfim, dos vários fatores que criam o problema do comer de forma inadequada.

E você: quais comportamentos deveria modificar para ter uma alimentação mais adequada? O que será que cria este hábito?

Abraço

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O outro em mim
18/01/2013

– Me dá uma raiva quando ela faz dessas… fica se fazendo de coitada!

– Dá nos nervos é?

– Nossa… com certeza! Eu não consigo imaginar como uma pessoa foi criada dessa forma.

– Sei, como foi a sua educação em relação à isso?

– Para mim é o seguinte: pare de chorar e faça acontecer!

– Entendi, choro não era com vocês é?

– Sim. Eu até me lembro de uma vez que eu tinha apanhado na escola e meu pai chegou e me disse: “tá, vai chorar ou vai dar o troco?”

– Uau, espartano o negócio!

– Sim.

– Mas isso não quer dizer que você não fique inseguro ou com medo de vez em quando né?

– … É… acho que todo mundo fica não?

– E como você reage quando fica assim?

– … Eu sei lá, acho que faço o que sempre fiz: ataco!

– Sim. Mesmo que esteja com medo, ataca. E quando você não sabe o que fazer?

– Eu tento sempre agir eu acho, às vezes fico quieto pensando até agir.

– Entendi. E ela não é assim né?

– Nem um pouco…

– Pois é… o que ela mostra que você não consegue mostrar?

– A dúvida… insegurança. É isso que me pega nela né?

– O que acha?

– É sim… pensando agora vejo que eu fico brabo porque quando ela faz assim eu quero fazer algo para ajudar ela, não quero ver ela insegura, sem saber como agir porque eu não gosto de ficar assim.

– Perfeito, isso mesmo.

Todo dedo que aponta tem três dedos que voltam. Sempre que uma características nos outros nos irrita muito ou nos deixa brabos temos que olha para nós mesmos.

Dizemos que os outros são nossos espelhos, no entanto é preciso fazer um entendimento disso. Espelho não deve ser entendido no sentido literal de o que eu vejo é exatamente igual ao que eu faço: existem pessoas que não gostam de roubo e não roubam, por exemplo. Quando falamos em espelho o entendimento que se deve ter é de que o que vemos é um reflexo de algo nosso. Reflete algo da nossa natureza naquela natureza. Essa reflexão não é necessariamente uma cópia, mas também algo que completa o reflexo que temos de nós.

Por exemplo o conjugue de um adicto. Não é por se irritar com o vício que ela também se torna uma viciada, no entanto esta característica do outro pode ter um reflexo dela na questão da dependência. Ela pode não ter vícios com substâncias, mas pode ter uma dependência emocional com alguém ou alguma coisa, por exemplo.

Assim, sempre que algo no outro nos aborrece ou irrita é hora de ver o que de mim está sendo refletido neste comportamento desta pessoa. Pode ser que você perceba uma ligação direta: “são tão teimoso quanto meu pai”, “sou tão controladora quanto minha mãe”. Perceba então como você faz isso e como pode melhorar isso em você.

Também pode ser que a ligação seja indireta, ou seja, algo no comportamento da pessoa te irrita e você não tem aquele comportamento, mas tem algum outro que complementa – de alguma forma – o da outra pessoa. Um caso clássico é pessoas que não gostam de gente “folgada”, geralmente quem não gosta de gente folgada não sabe relaxar ou dar limites. Quando aprendem um ou ambos comportamentos acabam por ficarem menos intransigentes com pessoas folgadas.

Quando se aprende a lidar com a característica que nos ofende conviver com as pessoas que exibem estas características fica mais simples. A pessoa não tem que necessariamente conviver, mas ela abre esta opção. Se não quiser será por escolha de outros tipos que a interessam mais e não por não saber como lidar com alguma característica que a enerva.

Abraço

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Merecimento
16/01/2013

– E eu quero muito outra pessoa, mas não sei se mereço…

– Entendo… o que te faz crer que não merece?

– Ah, sei lá… eu simplesmente acho que não é para mim sabe?

– Como assim? Não é para você porque você não se acha capaz de conseguir ou porque acha que tem algum defeito que a impediria de ter acesso à isso?

– (Silêncio) Eu acho que um pouco dos dois sabe?

– Não, me conte mais.

– Eu não sei chegar em uma mulher, esta que esta comigo foi meio que sorte sabe?

– Entendi, e o outro?

– Ah sei lá, eu me acho meio chato para falar a verdade. E… não consigo me abrir direito, acho que sou burro, não sou uma pessoa legal, boa.

– O que te faz crer nisso?

– Chato porque eu sou meio nerd e gosto de falar destes assuntos, burro porque sei lá… tipo, eu sou meio lerdo para falar com as pessoas sabe? E eu, às vezes tenho muita raiva das pessoas, daí acho que não sou uma pessoa muito bacana, sei lá, não deve ser certo sentir isso.

– Entendi… hum, temos um monte de fatores aí. Vamos um passo por vez, mas antes disso me diga: se você sentisse que sabe falar de vários assuntos, estivesse mais “ligeiro” para falar com as pessoas e soubesse como administrar suas raivas sentiria-se merecedor?

– Acho que sim… sim.

– Perfeito, a ideia agora, então é ajudar você com estes elementos. Muitas vezes não vamos atras de algo que achamos que não é para nós ou não merecemos, mas ficar parado por causa disso não é uma boa ideia.

– É… nunca pensei por este lado.

– Ótimo, agora você pode!

– Legal!

Merecer significa “estar nas condições de obter, ser digno de”, existe uma frase de Luís de Camões que diz: “melhor é merecê-los, sem os ter, que possui-los sem os merecer”. A temática do merecimento é muito comum em nossa cultura e nos faz refletir sobre ter ou não as competências necessárias para conquistar algo.

Assim “merecer” é algo muito simples: merece aquele que consegue conquistar. Para cada conquista um leque diferente de habilidades é requerido e nunca temos apenas uma forma de alcançar um objetivo. Conquistar a confiança é diferente de conquistar uma posição em uma empresa, mas um pode incluir o outro. Se eu não consigo passar confiança, dificilmente terei uma posição mais elevada em uma empresa.

Desta forma quando alguém diz não ser merecedor o que temos que avaliar é se ela está se referindo às competências necessárias para alcançar algo, se está fazendo um juízo moral de si ou se está colocando obstáculos em seu caminho.

Quando a pessoa está, de fato, se referindo à competências o “tratamento” tem a ver com a pessoa desenvolver habilidades. Sim, baixa auto-estima pode ter a ver com a simples aquisição de um comportamento, principalmente se este comportamento é desejado e faz bem à pessoa que o deseja ter mas não o possui.

Quando temos um juízo de valor a ideia é perceber se o juízo tem algo à ver com a conquista do objetivo em si. Por exemplo, uma pessoa que é altamente criativa e escreve muito bem, mas que é altamente desorganizada e sente-se envergonhada de mostrar seu trabalho, algo como: “sou desorganizada portanto ninguém vai gostar do que escrevo”. Neste caso uma coisa não tem nada a ver com a outra, é de conhecimento geral que muitas vezes o artista tem uma péssima organização, seu ateliê é um verdadeiro caos, porém seus escritos são ótimos, fantásticos; então vamos separar uma coisa da outra e ajudar a pessoa a reforçar sua auto-imagem de artista de sucesso (e desorganizado). Se o juízo de valor tem algo à ver voltamos à primeira etapa e vamos ajudar a pessoa a contornar a situação com a aquisição de novos comportamentos e atitudes. O Juízo de valor também pode ser uma questão emocional que precisa ser trabalhada de uma forma diferente, tem mais a ver com a forma pela qual a pessoa percebe uma dada emoção e vai culminar na aprendizagem de saber lidar de uma forma diferente com esta emoção.

No último caso, a colocação de barreiras, podemos ter duas atitudes: ajudar a pessoa a resolver os obstáculos que ela coloca, ajudá-la a perceber se o obstáculo realmente está ali e precisa ser resolvido ou então questionar a necessidade dela de colocar obstáculos. Geralmente esta última é mais útil para a pessoa porque a faz refletir sobre possíveis ganhos secundários que a pessoa está tendo em manter as coisas do jeito que estão – mesmo que ela deseje mudar.

E você? Merece esta mudança que está querendo fazer?

Abraço

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Preocupação x decisão
14/01/2013

– Desta vez fiz diferente com ele.

– Me conte

– Quando ele disse: “mas você vai mesmo?” Eu disse que sim, que eu ia.

– E ele?

– Ele ficou me olhando durante alguns segundos e me perguntou: e eu? Daí eu continuei olhando para ele como quem diz: “pois é, o que você vai fazer?”

– Hum, o que você aprendeu com isso?

– Aprendi que antes eu ficava pensando por ele e desta vez ao invés de ficar me preocupando com o que ele iria ou não fazer ou dizer eu agi, decidi e fiquei ali com ele para resolvermos o que ele poderia fazer enquanto eu estivesse na minha atividade.

– E como terminou isso?

– Então, ele acabou pensando que poderia fazer ir ler um livro ou ver um filme enquanto eu fazia a minha reunião com as minhas amigas. Eu convidei ele, mas quem não quer ir é ele, então ele é quem tem que fazer algo e não eu.

– Entendi. E como isso é diferente do que você fazia?

– Eu sabia que ele não queria ir e acabava sambando para abrir mão da minha reunião mesmo não querendo. Abria mão só porque ele não queria ir junto sabe? Mas acho que não consigo passar a minha vida sem esta reunião, me faz falta e eu não estou fazendo nada de errado.

– Com certeza não, perfeito, então antes você abria mão porque ele não queria ir junto e agora você assumiu que este encontro é importante para você e que você não deve abrir mão, é isso?

– Sim.

– Perfeito, fez as pazes com você então é?

– Engraçado você dizer isso. É bem isso que eu senti. Minha briga não era com ele, era comigo. Eu ficava me preocupando com o que poderia acontecer ao invés de decidir o que eu iria fazer. Quando decidi que as reuniões eram importantes para mim, sabe… para eu me descontrair, jogar conversa fora… eu me sinto melhor na relação depois dessas conversas, me sinto livre e isso me dá mais vontade de voltar para ficar perto dele. (Risos) Ele lucra muito comigo indo nessas reuniões.

– Tenho certeza que sim!

– Pois é, e então eu decidi e resolvi colocar isso para ele. E foi assim, numa boa, sem brigas nem nada. Apenas combinei e pronto.

– Ótimo, parabéns!

 

Existe uma grande diferença entre preocupar-se com alguma coisa e decidir por alguma coisa ou atitude. A maior parte de nós confunde uma coisa com a a outra.

Preocupar-se significa que você fica raciocinando – eternamente – os pró e contras que “podem” ocorrer. Fica remoendo o remoído do moído sem chegar à uma atitude no mundo, concreta e real. Decidir significa que você raciocina sobre o assunto e assume uma atitude no mundo.

Obviamente o processo de decisão pode ser um processo mais longo, no entanto ele busca esta atitude enquanto o processo de preocupar-se afasta-se desta atitude. A pessoa preocupada é aquela que geralmente executa poucas mudanças na sua forma de agir no mundo porque gasta a energia e o tempo necessários para a mudança pensando e se angustiando em suas fantasias, já a pessoa de decisão se angustia buscando uma resposta adequada e quando a encontra a executa.

Ambos podem errar, geralmente a pessoa de decisão pode tomar uma decisão sem ter todos os elementos ou pode acabar sendo precipitada. A pessoa preocupada geralmente erra por omissão – acaba pensando tanto que não faz nada e depois lamenta-se quando a oportunidade passa por ela.

A grande dica é perguntar-se: para quando vou tomar uma atitude frente à este tema?

Se não existe resposta para esta pergunta é muito provável que você esteja apenas postergando. Preocupando-se em demasia com o assunto ao invés de estar buscando uma resposta para agir.

Para passar da preocupação para a decisão existem dois fatores fundamentais: perceber a necessidade e sentir-se responsável pela resolução da situação.

Quando a pessoa sente a necessidade, mas não se percebe responsável ela fica apenas raciocinando sobre o tema. Irá ter uma boa percepção do que ocorre, mas isso não vai mudar em nada – ou quase nada – a vida dela pois ela nunca fará nada com isso.

Quando a pessoa não percebe a necessidade ela nem sequer irá pensar sobre o tema.

Quando a pessoa percebe o problema e percebe-se responsável por ele – algo do tipo: “isto” precisa ser resolvido + sou eu quem vai fazê-lo + posso fazê-lo – ela começa a pensar em termos de atitudes, comportamentos e isso tem uma grande diferença pois neste ensaio o cérebro começa a representar as atitudes até que encontre uma que seja adequada à situação e quando o cérebro cria esta resposta começa a impulsionar a pessoa em direção à atitude ao invés do conformismo.

Abraço

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Repetições
11/01/2013

– Akim, estou meio entediada com a terapia, não sei se está levando à algum lugar.

– Hum, muito bem, me diga o que está causando esta sensação?

– Ah, tudo o que falamos vira e mexe cai no mesmo ponto. É como se eu estivesse sempre repetindo o mesmo erro.

– Pois é, você tem toda razão, é bem isso mesmo.

– Então, tá vendo!

– Estou, e você?

– Como assim? Vendo o que?

– Vendo o erro que você comete toda a vez? E que você ainda não mudou o comportamento, a atitude?

– (Fica em silêncio me observando)

– (Mantenho o silêncio)

– Sim.

– Perfeito, e me conte: o que te faz, ainda repetir a mesma resposta?

– Chega na hora eu não consigo fazer diferente.

– O que te impede?

– Não sei… acho que eu travo sabe?

– Sei sim… Você acha que ainda falta algo para você compreender o porque é importante esta mudança de atitude?

– Não, não… eu já sei… de fato eu já sei… acho que preciso aprender a focar em algo diferente.

– Perfeito, no que, por exemplo?

– Em vir aqui da próxima vez te contar algo diferente

– É um começo, que tal experimentar?

– Tá…

 

Repetir um comportamento é algo comum, todos fazemos isso. O único problema é quando o comportamento é inadequado ou nos faz sofrer. Quando repetimos um comportamento inadequado provocamos dor em nós mesmos.

Em um processo de terapia é comum ter a sensação de que “tudo volta no mesmo ponto”, é um fato, organizamos nossas vidas com algumas orientações fundamentais e quando a terapia se inicia é atrás destes fundamentos que vamos para checar qual deles precisamos compreender melhor ou mudar. quando esta compreensão surge começa o processo de mudança de atitudes, sentimentos, pensamentos e de comportamentos. Enquanto estas mudanças não ocorrem a pessoa volta sempre ao mesmo ponto, porque? Para aprender.

Buscamos – de forma inconsciente – a mesma situação várias e várias vezes com o intuito de aprendermos algo com ela, de superarmos aquele aprendizado e passarmos para o próximo, enquanto não fazemos isso, repetimos o mesmo cenário. Por isso diários são úteis em terapia: com o registro dos eventos fica mais fácil perceber as situações e comportamentos que repetimos – isso vale também para a escolha de parceiro afetivo. Escrever um diário e acompanhá-lo durante um tempo lendo-o semanalmente ajuda a pessoa a compreender as suas repetições e também o que deve fazer de diferente, ele fornece dicas e compreensão sobre os porquês e os como fazer para mudar.

Fica a dica.

Abraço

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Expectativas II
09/01/2013

– Eu me sinto culpado quando ele fala isso.

– Entendi, mas me conte: de que forma isso te faz sentir-se culpado especificamente?

– Então… não sei ao certo… eu sinto que deveria fazer o que ele quer, mas não sei porque não faço.

– “Não sabe porque”?

– É… eu não me sinto tão empolgado para fazer algumas coisas com a minha namorada

– Sei e porque tem que se sentir culpado por isso?

– Porque eu deveria me sentir empolgado

– Deveria?

– Ah, não sei… acho que sim.

– Porque?

– Porque ela queria que eu me sentisse assim.

– Mas não se sente não é?

– É…

– Pois é… qual o mal disso? Eu sei que ela queria que você ficasse empolgado, mas, de fato você tem que se empolgar apenas porque ela quer? Ou, no caso, com algo que não te empolga?

– (Silêncio) Eu acho que não…

– Pois é… creio que a sua expectativa de querer agradar ela está se mostrando mais forte nessa situação do que de agradar à si. Que tal assumir que a atividade lá na te empolga da forma que ela gostaria e negociar com ele isso ao invés de se culpar?

– Parece mais saudável… embora seja difícil para mim

– Ok, que acha de tentar?

– Ok!

 

Criamos expectativas não apenas em relação ao comportamento dos outros, mas também com relação ao nosso comportamento, emoções e pensamentos.

A expectativa que criamos com relação à nós mesmos geralmente causa culpa ou “auto” decepção. Nos desanimamos com nós mesmos quando percebemos que não estamos conseguindo cumprir o que nos programamos para realizar. O problema é quando as expectativas que criamos estão desconectadas da nossa pessoa ou colocadas de uma forma inadequada à nós.

No exemplo acima fica claro que a necessidade de agradar o outro fez com que a pessoa organizasse uma expectativa de gostar de tudo o que a namorada iria gostar: de se animar com as coisas que ela queria que ele se empolgasse. Atividade fadada ao fracasso infelizmente por serem duas pessoas diferentes. É importante nos perguntarmos para que aquele comportamento é realmente importante, se ele está organizado de uma forma adequada antes de nos culparmos por não sermos ou agirmos de uma determinada forma.

A auto-expectativa pode ser mais corrosiva do que a expectativa com relação aos outros porque a pessoa se cobra o tempo todo sobre algo que – muitas vezes – nem sequer é da responsabilidade dela ou simplesmente não tem sentido nenhum. No entanto, enquanto não se questiona a expectativa ela fica ali como um chefe chato sempre dizendo que você não é bom o suficiente ou competente o suficiente e merece sofrer por isso.

Abraço

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