Archive for dezembro \07\-04:00 2012

Reclamações intermináveis
07/12/2012

– E ela vem e começa a reclamar sabe? Nem chega em casa e já põe defeito nas coisas.

– E você?

– Eu sei lá, nem sei mais o que fazer. Na verdade fico meio com medo dela.

– Entendo. E quando você fica com medo, como reage?

– (pensa) Hum… eu acho que eu faço assim: tipo, tento agradar ela para ver se não vai ter briga sabe como?

– Perfeitamente, o problema, me parece é que você não vai conseguir agradar ela.

– É… tipo, eu me lembro muito de uma vez que ela disse: compra lá para mim o CD novo de uma banda que ela curte lá. Daí eu fui e comprei, você acredita que ela reclamou de eu ter comprado para ela o CD que ela própria pediu para eu comprar?

– Acredito sim. Agora assim, meu caro: já entendeu que agradar não vai funcionar?

– Já.

– Então tens que adquirir outros comportamento não acha?

– É… mas qual?

– Vamos ver assim ó: com o que você tem que lidar para ter um comportamento novo?

– Com ela?

– Não é algo em você

– Com o medo que eu sinto dela?

– Perfeito! Veja bem, a sua reação ao seu medo é buscar agradar. Você se faz menor que ela e pede “pelo amor de Deus não briga comigo: ó como sou bonitinho”.

– (risos) É mais ou menos isso mesmo…

– Então… isso não deu o resultado que você quer, o que daria?

– (Pensa) Eu não sei ao certo… tem que ser algo diferente disso… eu meio que cedo para ela não é?

– Sim

– Então acho que tenho que parar de ceder!

– Boa, como fazer isso?

– Hum… posso mandar ela à merda quando ela fizer essas coisas!

– Pode, é um recurso, não creio que ele vá melhorar a situação como um todo, mas deixe como um último recurso, de que outra forma você pode para de ceder?

– Eu me lembrei de uma vez que eu simplesmente olhei para ela e disse: “tá, e o que você quer que eu faça?” E ela ficou me olhando meio assustada e não falou nada, depois de uns 15 minutos ela veio e me pediu desculpas por estar sendo chata!

– Ótimo, do que você foi atrás quando fez essa pergunta?

– Ah eu não sei direito… mas foi como se eu dissesse para ela: “porra, se faz de um jeito é ruim, se faz do outro também… que merda hein?”

– Exato! Trocando em miúdos você solicitou os critérios que ela usaria para saber se aquilo era bom ou ruim, como ela não tinha caiu toda aquela encenação por terra.

– Cara… vou usar isso todo dia agora!

– (Risos) Isso, e me conte como foi depois!

Muitas vezes as pessoas fazem críticas com fundamentos, com argumentos que são adequados ou inadequados, porém existentes. Outras pessoas estão sempre criticando e não tem critério, fazem a crítica pela crítica e nunca param de realizá-la. Tentar agradar uma pessoa com este comportamento é pedir para viver no fracasso, com medo e baixa auto-estima. Pelo fato de que não importa o que seja feito, será criticado. A grande saída numa situação como essa é fazer como o cliente fez: buscar os critérios do que seria adequado.

Aqui dividem-se em basicamente dois tipos de pessoas: aquela que não tem critério nenhum e as que tem, porém tem dificuldades em expressá-los. Se for o segundo caso você irá perceber que a pessoa tem algo à dizer, porém não sabe exatamente como. Geralmente a pessoa com dificuldade sente-se ouvida e acolhida quando lhe perguntam: tá e como você quer, especificamente? Se for o primeiro caso, geralmente ocorre como aconteceu com o meu cliente acima: a pessoa se afasta quieta e depois pede desculpas. Geralmente, não quer dizer sempre e existem pessoas que irão reagir de forma explosiva, indicando que você tocou num ponto sensível para ela que ela não sabe como lidar. Não é sua responsabilidade, é dela, talvez você possa/queira oferecer-se para ajudá-la nisso, no entanto, dar o limite e deixar a pessoa buscar novas respostas é algo muito benéfico para a relação, neste sentido você pode oferecer ajuda dizendo para ela como se expressar: “meu bem, se você quer algo feito de uma forma específica me diga, se estiver ao meu alcance eu farei, mas não suporto mais essas críticas a toda hora, me faz sentir mal comigo mesmo e eu não aceito mais isso”.

Abraço

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Quero terminar! (?)
05/12/2012

– Daí eu falei para ela assim: então tá, vamos terminar então.

– Ah é? Opa, decidiu então é?

– Ah sim, chega né?

– E decidiu de verdade isso? Ou foi mais para ver se ela se toca?

– (pensa) É… sei lá… ela tipo, ficou meio chocada manja? Na verdade fiz para dar um cutucão sabe?

– Então, de fato, você não decidiu terminar?

– É… na verdade não.

– Hum… e se… ela não mudar, mas continuar no jogo de sedução com você: quanto tempo você aguenta?

– Ah, sei lá…

– Complicado não é mesmo?

– Ai cara… é… não queria ter pensado nisso desse jeito droga!

– Tava mais fácil você “por cima” tendo dado um corte não é?

– É!

– Pois é, mas, de repente você acaba se cortando nessa história não é mesmo?

– Ai cara… o pior de ouvir você falar é que já aconteceu isso antes: deu um fora numa outra namorada e ela “aceitou” o término, semana seguinte ela ficou com outro cara e eu morri de raiva.

– Terminar é uma decisão difícil, por essa mesma razão não deve ser usada levianamente sabe?

– To entendendo…

Terminar uma relação é uma decisão complexa, envolve sonhos, expectativas, refazer um futuro, se desapegar, lidar com o medo do arrependimento, com a dor da saudade e mais um monte de outros fatores.

Terminar também causa medo, muitas pessoas se usam desse medo para intimidar seus conjugues dizendo por exemplo: “não aguento mais, vamos terminar!”; “Agora deu, não quero mais saber de você” e outras frases típicas de momentos de raiva. o problema é que muitas vezes este “terminar” na verdade significa um “pelo amor de Deus mude esta ou aquela característica em você porque eu te amo e não quero viver sem você”.

Quando é este o caso geralmente é um término que não termina. Para aquele que iniciou o “término” situação horrível: ter que voltar atrás de algo que ele próprio disse que não queria mais; para quem “levou” o “término” nada menos pior: ficar na corda bamba do medo de que isso ocorra novamente. Aí ocorre que muitas vezes durante umas duas semanas à uns 2 meses as coisas “se acalmam” para depois voltar tudo na mesma.

Pense bem: o que você quer é terminar e partir para uma nova relação porque esta relação – a relação e não a pessoa em específico – não é o que você quer? ou você só está dizendo que quer terminar para ver o que o outro faz? “Para dar um gelo”, para dar um “susto”. Reflita porque este gelo e este susto podem – e geralmente o fazem – voltar-se contra você mesmo e o pior podem simplesmente não funcionar e então ficarás com dois problemas nas mãos: resolver as emoções não resolvidas do “término” do relacionamento e ficar sem relação.

Abraço

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Explosões
03/12/2012

– Quando vi já foi!

– Sei bem como é! Mas me conte: já teve alguma vez que você não estourou?

– Ah sim, tem né?

– E qual jeito você prefere? Estourar ou não?

– Eu não sei ao certo… quando eu não estourei foi bom, mas quando eu estouro não posso falar que não fico bem também.

– Hum… e você  fica bem o tempo todo, durante a explosão e depois?

– É… muitas vezes eu me sinto mal depois, acho que exagerei sabe?

– Sei e daí você pede desculpas e procura ter um comportamento mais adequado da próxima vez?

– Não… não posso dar o braço à torcer.

– E é aí que você tem que manter a sua resposta de explosão o tempo todo.

– É… mais ou menos isso.

– Explodir tem um lado bom que geralmente afasta as pessoas e as “ameaças” que elas trazem… o lado não tão bom é que ao explodir você só aprende a se afastar da situação e não a resolvê-la.

– Entendi…

– Que tal buscarmos novas formas de você reagir ao invés da explosão?

– Posso tentar

– Perfeito! Tenho certeza que você vai conseguir!

 

É muito difícil ficarmos com raiva de uma situação que sabemos como lidar. Podemos não gostar da situação ou ficarmos chateados de ter que passar por ela, no entanto, não ficamos com raiva. As atitudes de raiva como lutar, xingar, bater e explodir são atitudes de quem já esgotou os seus recursos e, por isso, precisa atacar para manter a sua integridade.

O problema da agressão é que ela funciona, disse um sociólogo que não me recordo o nome. A maior parte das pessoas busca sair de perto, evitar um confronto, por isso quando se relacionam com uma pessoa explosiva é comum que esta se imponha sobre aquela. O problema é que isso deteriora a relação à médio e longo prazo. Além deste problema existe outro: o agressor não se torna mais competente: uma vez que ele apenas afasta o problema se impondo, ele não está aprendendo a resolver de fato a situação, apenas a deixá-la reprimida e existe uma grande diferença entre resolução de conflitos e repressão de conflitos.

Daí que praticamente toda a vez que uma pessoa explode – podem existir outros motivos, mas esta generalização é muito útil – ela estará na verdade buscando destruir ou afastar uma situação da qual/ na qual ela não sabe o que fazer, não sabe como reagir, tem medo. Medo, esta é a palavra-chave por detrás de toda a manifestação de raiva ou de explosão. É pelo medo que a pessoa explode – luta – para aniquilar o que lhe causa transtorno.

Se você explode com constância está na hora de deixar o orgulho de lado e buscar aprender. Perguntar-se: o que realmente tem me incomodado nesta situação? O que posso fazer nela? Como isso pode melhorar? Que comportamentos posso ter? Como posso me perceber nessa situação? Isto pode ajudar você a se libertar das “rédeas da explosividade” – muitos dos clientes com quem trabalhei viam-se presos à este comportamento – lembre-se: se você usa a explosão sabendo o que está fazendo ela está servindo você como uma resposta, no entanto, se você sempre reage assim e não consegue discernir quando o faz é porque você está sendo usado pela sua explosão.

Abraço

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