“Cura”

– Bem, daí o que eu fiz? Peguei e disse: não, não vou até lá com vocês porque para mim isso não tem sentido.

– Hum… olhe só que coisa e o que aconteceu depois?

– Então, eu não fui, fiquei em casa e fiz o que eu achei de deveria estar fazendo.

– E foi bom?

– Sim, foi ótimo. Depois eu tive mais umas atitudes destas sabe?

– Ah é é?

– Sim, (risos) eu decidi que não iria mais ficar em casa mofando, mas que iria curtir um pouco mais a vida.

– Opa, esta é uma boa não é?

– Sim.

– E como está sendo?

– Pois é, saí algumas vezes e me senti muito bem, até deu mais vontade de começar a trabalhar ano que vem.

– Me conte.

– Então, eu falei para mim mesma que só ia pegar grana emprestada caso precisasse mesmo, fiz minhas contas e acho que vou conseguir manter uma renda para sustentar o que eu preciso sustentar.

– Mas que coisa ótima hein? Parabéns! Pelo jeito algo despertou aí dentro né?

– Pois é… bem essa a sensação.

 

“Não tenha medo, culpa ou vergonha de desejar o que você deseja”.

Esta frase fala muito sobre o processo de terapia. O termo “cura” em Psicologia é um grande tabu, pois não se pode falar em cura sem se falar em doença. Mas como definir um doente em termos psicológicos?

O que tenho visto em consultório, no entanto, não é tão difícil de explicar. Geralmente as pessoas sentem-se “curadas” quando aprendem algumas competências que afetam a sua forma de pensar, sentir e de agir no mundo. Estas mudanças geralmente estão ligadas aos desejos que elas antes tinham, mas que não seguiam. De uma forma simples, quando as pessoas se conectam com “o seu processo” e aprendem uma forma de sustentar este processo – com suas alegrias e tristezas – geralmente elas começam a falar em parar a terapia – sentem-se “curadas”.

Não quero, aqui, pregar que a Psicologia deva se basear nisso e que esta seja a verdade absoluta. Apenas estou trazendo relatos de pessoas que acompanhei ao longo dos anos e que me mostraram que “estar curado” – psicologicamente falando – tem muito a ver com aceitar viver o seu próprio processo de vida com os desejos que sentimos e as conseqüências de viver estes desejos no mundo de forma criativa e responsável. O que me fez lembrar de Joseph Campbell quando ele diz que a vida deve ser vivida “em termos de vida”.

Talvez a cura esteja simplesmente em assumir quem somos, nossos desejos, nossas forças e limites e nos perguntar como vamos usar isto no mundo? De que forma vamos nos divertir com “o que temos aqui” – dentro de nós.

Abraço

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