Medos e medos

– Aí eu começo a olhar e fico pensando: “mas e se o vento ficar mais forte e começar a destelhar a casa?” “E se cair uma árvore em cima da casa e matar alguém?”.

– E se acontecer isso, o que você vai fazer?

– Ah, eu não sei…

– Bom, quando morre alguém a gente geralmente fica triste, enterra a pessoa, chora e mais tarde vai fazendo luto. Com relação à casa você vai ter que ver os danos e começar a reparar.

– Mas e se…

– Só um pouco… deixe-me cortar você um pouquinho. Será que o problema especificamente está no que fazer com as coisas que dão medo ou em ficar criando um monte de medos para resolver?

– (risos) Eu faço isso né?

– Faz sim. Será que não está na hora de começar a dar limite para os medos?

– Eu acho que sim, na verdade, para a cabeça  que fica criando os medos né?

– Exato, eu também acho.

 

Muitas vezes as pessoas tem medos. Outras vezes elas fabricam os medos. Buscam em qualquer situação um elemento para temer. Mentes inquietas e ansiosas elas não aprenderam a organizar algo fundamental ainda: limites.

Geralmente pessoas que não aprenderam a dar limites de forma adequada andam assustadas por aí sempre buscando identificar o próximo elemento agressor. Suas colocações não são inadequadas, o fato é que estão sempre à busca somente dos elementos que causam o medo e quando estão diante de uma situação “pequena”, “simples” começam a fantasiar uma transformação daquela situação em algo que elas não vão conseguir controlar.

O fato fundamental é sempre esse: conter e dar limites. Até hoje tenho percebido que este tipo de comportamento vem de pessoas que tiveram uma educação ansiosa e muitas vezes cheia de ameaças, no entanto ao invés de mostrar a ameaça e ensinar a pessoa sobre como resolver apenas abandonava a pessoa lá e a deixava com medo sentindo-se insegura e incapaz de resolver a situação. A pessoa cresce e este comportamento: buscar situações nas quais ela é incapaz de resolução se mantém, acaba a pessoa que tem medo da própria sombra.

Trabalhamos com isso ensinando como se defender de alguns medos, colocando limites na fantasia e, principalmente, aprendendo a dar limite para pessoas que a desqualificam de qualquer forma para com que elas aprendam a se defender de pessoas que agridem moralmente. Este limite é importantíssimo pois – geralmente – é onde inicia-se o processo de auto-desqualificação e posterior medo.

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