Archive for dezembro \31\UTC 2012

Processos
31/12/2012

– Mas eu não consegui dizer tudo o que eu precisava!

– Eu sei, eu sei. O que você conseguiu fazer?

– Bem… eu consegui controlar a minha ansiedade, respirar fundo, me concentrar e dizer um pouco do que eu precisava.

– Perfeito! Comparando isso com o que você fazia uns dois meses atrás, houve evolução?

– É, se eu for comprar houve sim. Antes eu ficava emburrada uma semana e não falava nada.

– Pois é. Tudo é um processo e você já começou o seu, agora tem que manter-se nele.

– Eu sempre me cobro demais né?

– Você sabe que sim, mas não tem problema cobrar-se menos também é um processo e você também já está bem melhor nele não é?

– (Risos) É verdade. Antes eu achava que eu era uma idiota de não falar, agora sei que tenho medo e estou tentando mudar isso.

– Perfeito!

 

Muitas vezes queremos mudanças rápidas. Algumas são possíveis, outras denotam a ideia de processo.

O que é um processo?

Significa que a pessoa não está apenas mudando um pequeno comportamento, mas todo um conjunto de comportamentos, percepções e ideias que ela tem sobre si e sobre o mundo que fazem com que ela sinta e aja de determinada forma. Quando estamos fazendo mudanças generativas, por exemplo, fazemos uma reorganização de todo o sistema de funcionamento da pessoa o que faz com que a mudança se dê por fases.

Muito comum, por exemplo, a pessoa entender a ideia da mudança em uma sessão, depois de quatro sessões ela vem e fala sobre uma mudança de comportamento que ela teve, depois de mais um tempo, ela fala sobre novas ideias em relação à seus relacionamentos, trabalho, vida pessoal que tem a ver com a ideia inicial. Mais tarde ela começa a ter alguns comportamentos novos, altamente criativos com os quais até se assusta às vezes, mas que comenta com grande empolgação ou com dúvidas sobre “estar indo no caminho certo”.

Tudo isso faz parte de um processo de mudança. Poucas mudanças ocorrem de maneira rápida – um dia para o outro – a maior parte delas denota mais tempo para que todo o sistema se reorganize com base em novos conceitos. Por isso, para você que está lendo isso eu digo: “não tema o progresso lento, tema apenas ficar parado”. Um bom terapeuta lhe ajudará sempre a perceber a diferença entre estar parado e estar realizando um processo. Preocupe-se em checar se o que você está fazendo hoje está um pouco melhor do que você fazia antes, se estiver, está no caminho certo.

Abraço

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Intenções
28/12/2012

– E ai ela fica lendo essas coisas de idiota sabe?

– Sei, complicado não é?

– Pois é! Me dá nos nervos. Eu até falo isso para ela, mas é difícil da pessoa ouvir.

– Você diz que a literatura dela é de idiota?

– Ah, eu falo mesmo, tem que falar o que é sabe?

– Entendi. E qual o intuito seu ao dizer isso para ela?

– Que ela não seja uma idiota, que não deixe ninguém falar mal dela e nem ficarem caçoando dela.

– Hum… você chama sua filha de idiota querendo que ninguém a chame de idiota é isso?

– (silêncio)É…

– (com tom de voz jocoso) É como se fosse um treino então?

– Tá… entendi o que você quis dizer… não é por aí né?

– É… fica complicado criar uma boa auto-estima chamando ela de idiota né?

– Vou mudar isso agora…

Muitas vezes as pessoas tem ótimas intenções, porém na sua aplicação acabam provocando justamente o oposto do que desejam.

É importante que tenhamos em mente o que desejamos e que fiquemos atentos aos resultados do que estamos provocando. Seres humanos são peritos em insistir nos erros, mas é justamente quando começamos a sair dos erros que começamos a aprender.

Dicas para ajudar: crie o objetivo em mente, e crie, junto com ele as formas pelas quais você vai identificar que atingiu o seu objetivo. Como assim? Simples: de que forma sei que atingi/ estou atingindo este objetivo? O que vou ver, ouvir, falar e fazer enquanto estiver me aproximando dos meus objetivos? Além disso: tenha certeza de que você é o único responsável pelo seu objetivo. Quando colocamos nossos objetivos nas mãos de terceiros a coisa complica, inviabiliza.

Estas duas dicas embora simples fazem muita diferença em transformar nossas intenções em ações adequadas para elas.

Abraço

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Rapidez e qualidade
27/12/2012

– O que eu quero é mudar o jeito que eu tomo minhas decisões!

– Perfeito, o que você quer mudar na sua forma de tomar decisões?

– Quero tomar decisões mais rapidamente.

– Entendi. E para que isso é importante?

– Bem, estamos em um mundo no qual precisamos de decisões rápidas não é mesmo?

– Ah sim, claro. Velocidade hoje é tudo. Porém deixe-me te perguntar: o que é mais importante nestas decisões que você quer tomar: velocidade ou precisão?

– Os dois.

– Claro, mas vamos hierarquizar; em primeiro lugar vem?

– (pensativo) Bem, acho que tenho que tomar decisões certas rapidamente.

– Perfeito. É importante ter velocidade, porém correr sem saber para onde está correndo nem sempre é uma decisão sábia.

– Entendi.

– Me diga, em que áreas você está precisando tomar mais decisões sábias com mais velocidade?

– Creio que em todas…

– Bem, então vamos começar uma por uma vendo o que é preciso em cada uma delas para que uma decisão seja considerada “sábia”

– Vamos

 

Como dizia o comercial: potência não é nada sem controle. O mesmo vale para a velocidade.

Zygmunt Bauman famoso sociólogo diz que nossa sociedade hoje “corre” não para chegar em algum lugar, mas porque “tem que” correr. Ele faz a metáfora como se fossemos ciclistas: se pararmos de correr caímos da bicicleta. Até onde tenho visto a percepção de Bauman está correta, tanto que em vários lugares do mundo está começando a existir o “movimento SLOW”. “Slow food, cities, sex”; um movimento que visa diminuir esta velocidade ou, pelo menos, dar-lhe algum sentido além da velocidade por si só.

No caso de decisões, por exemplo, velocidade é algo fundamental – principalmente no universo corporativo e dos relacionamentos – no entanto ser veloz e ser sábio são duas características diferentes. Atendo várias pessoas que se arrependem de “não ter pensado um pouco mais antes de dizer” o que disseram. Este “pensar um pouco mais” é uma característica que hoje não é tão valorizada, mas que faz toda a diferença no final. Aprender a ser mais rápido envolve aprender a ser mais certeiro, saber quais elementos considerar ao tomar uma decisão. Quando a pessoa pratica esta percepção ela começa a se tornar “mais rápida”, não porque ela é rápida, mas porque aprende a tomar os elementos fundamentais da questão e analisá-los adequadamente, daí cria-se a impressão de que ela “é rápida”.

Para que você possa treinar a rapidez é importante que viver de acordo com o que é fundamental em cada decisão seja um hábito forte e enraizado em você. Uma pessoa que tem critérios sobre sua vida, mas não os usa não será rápida quando precisar usar estes critérios; é como ter um computador de última geração, mas nunca usá-lo, quando precisamos dele demoramos para conseguir o que queremos.

Assim estes dois elementos se tornam importantes: saber quais os critérios a serem considerados em cada tipo de decisão que você tem que tomar e tornar estes critérios partes integrantes da sua pessoa. Isto fortalece e acelera a sua tomada de decisão não porque você precisa correr, mas porque tem segurança sobre o que está fazendo. No final nem é velocidade, é apenas firmeza de propósito.

Abraço

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“Cura”
24/12/2012

– Bem, daí o que eu fiz? Peguei e disse: não, não vou até lá com vocês porque para mim isso não tem sentido.

– Hum… olhe só que coisa e o que aconteceu depois?

– Então, eu não fui, fiquei em casa e fiz o que eu achei de deveria estar fazendo.

– E foi bom?

– Sim, foi ótimo. Depois eu tive mais umas atitudes destas sabe?

– Ah é é?

– Sim, (risos) eu decidi que não iria mais ficar em casa mofando, mas que iria curtir um pouco mais a vida.

– Opa, esta é uma boa não é?

– Sim.

– E como está sendo?

– Pois é, saí algumas vezes e me senti muito bem, até deu mais vontade de começar a trabalhar ano que vem.

– Me conte.

– Então, eu falei para mim mesma que só ia pegar grana emprestada caso precisasse mesmo, fiz minhas contas e acho que vou conseguir manter uma renda para sustentar o que eu preciso sustentar.

– Mas que coisa ótima hein? Parabéns! Pelo jeito algo despertou aí dentro né?

– Pois é… bem essa a sensação.

 

“Não tenha medo, culpa ou vergonha de desejar o que você deseja”.

Esta frase fala muito sobre o processo de terapia. O termo “cura” em Psicologia é um grande tabu, pois não se pode falar em cura sem se falar em doença. Mas como definir um doente em termos psicológicos?

O que tenho visto em consultório, no entanto, não é tão difícil de explicar. Geralmente as pessoas sentem-se “curadas” quando aprendem algumas competências que afetam a sua forma de pensar, sentir e de agir no mundo. Estas mudanças geralmente estão ligadas aos desejos que elas antes tinham, mas que não seguiam. De uma forma simples, quando as pessoas se conectam com “o seu processo” e aprendem uma forma de sustentar este processo – com suas alegrias e tristezas – geralmente elas começam a falar em parar a terapia – sentem-se “curadas”.

Não quero, aqui, pregar que a Psicologia deva se basear nisso e que esta seja a verdade absoluta. Apenas estou trazendo relatos de pessoas que acompanhei ao longo dos anos e que me mostraram que “estar curado” – psicologicamente falando – tem muito a ver com aceitar viver o seu próprio processo de vida com os desejos que sentimos e as conseqüências de viver estes desejos no mundo de forma criativa e responsável. O que me fez lembrar de Joseph Campbell quando ele diz que a vida deve ser vivida “em termos de vida”.

Talvez a cura esteja simplesmente em assumir quem somos, nossos desejos, nossas forças e limites e nos perguntar como vamos usar isto no mundo? De que forma vamos nos divertir com “o que temos aqui” – dentro de nós.

Abraço

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Primeiras impressões
21/12/2012

(Akim pergunta ao grupo)

– Muito bem gente, vocês estão vendo o colega aqui, agora me digam o que vocês estão vendo sobre ele?

(Grupo responde)

– Ele está brabo.

– Está sério!

– Eu acho que ele está meio bicudo só!

(Akim):

– Perfeito… cada um disse uma coisa! Agora pensem: se esta pessoa fosse o chefe de vocês, ou o esposo de vocês, ou um amigo vocês iriam reagir à esta pessoa de acordo com a percepção de cada um não é isso?

(Grupo):

– Sim.

(Akim):

– Perfeito. No entanto, pedi para ele fazer uma cara de sono. Ele está simplesmente com sono.

Sempre que vemos um ser humano instintivamente buscamos dar um significado à sua expressão facial e corporal para podermos nos situar sobre como lidar com esta pessoa, o que fazer caso ela venha até mim. É um processo muito rápido no ser humano, nossa evolução privilegiou esta característica que fez com que ao longo dos anos aqueles que conseguiam criar respostas rápidas sobre o outro prevalecessem sobre os que não conseguiam.

Isto, no entanto, tem um custo. A primeira leitura que fazemos pode não ser precisa. E se não for vamos nos comportar como se fosse. Disso decorrem muitos problemas de comunicação e de relacionamento que são meramente enganos da nossa percepção. Não é “o que” percebemos, mas sim o significado que atribuímos à isso. Ao ver olhos franzidos a pessoa diz: “brabo”; e se for apenas dor?

A grande questão é se seremos capazes de avaliar a nossa percepção e checar se o significado que atribuímos ao que vemos do comportamento do outro é, de fato, correto. Pessoas que se conhecem à muito tempo conseguem uma avaliação mais precisa – notem o termo “mais precisa”, pois 100% de certeza neste quesito é impossível – do que se passa dentro da outra pessoa. Como? A partir de ter como base várias e várias experiências com a pessoa se comportando da mesma forma.

Conseguimos perceber padrões de comportamento que nos indicam que é muito provável que a pessoa esteja sentindo x ou y, mães com seus filhos desenvolvem isto muito facilmente; é o famoso: “não consigo mentir para mim mãe, ela sabe quando minto”. Não é por causa de um poder paranormal ou “instinto materno”, mas sim pura observação a respeito do tom da fala, da leitura do corpo e da face, sobre como começa a conversa que ao longo do tempo apontam para o mesmo significado vez após vez. Quando a pessoa junta este “banco de dados vivencial” ela começa a “predizer” o que o outro está sentindo.

Assim, fica a dica: perceba e tire suas conclusões, depois trate de avaliar se elas são corretas, perguntando para o outro, observando para checar se é aquilo mesmo. Isso vai ajudar muito as suas relações!

Abraço

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A vida parou?
19/12/2012

– Pois então, tenho esta sensação de que a vida parou sabe?

– Sei

– Mas assim, sei que não é isso, mas também não sei o que é

– Hum, me conte: como você sabe que a “vida parou”?

– (reflete) Não sei porque, mas quando você me perguntou isso eu lembrei que eu não queria ter ido no parque este final de semana, mas não fui.

– O que você fez que não foi no parque?

– Ah, eu fui ver um filme no cinema.

– Hum… e o parque ficou de lado?

– É, ficou…

– Você tem feito muito isso ultimamente?

– Não fazer o que eu quero?

– É.

– Sim.

– Hum… daí a vida “para” né?

– Faz sentido…

 

“Minha vida parou”. Ouço esta expressão várias vezes em consultório.

Geralmente as pessoas reclamam do trabalho, da vida financeira que não está indo adiante. Logo mais essa parte se arruma e elas continuam tendo esta “estranha sensação”. Até hoje o que tenho percebido é que quando a vida da pessoa para não é porque a vida parou de verdade, mas sim porque ela não está fazendo o que desejaria estar fazendo, torna-se um tédio tão profundo que é como se a vida tivesse parado por completo.

Tédio é quando gostaríamos de estar fazendo alguma coisa e não estamos. Para sair da sensação de tédio só precisamos fazer qualquer pequeno movimento que esteja mais direcionado ao que desejamos. É impressionante o quanto que pequenos movimentos já tiram a pessoa do tédio e colocam “em movimento”, deixando-a mais animada e motivada com a vida.

Muitas vezes as pessoas estão há tanto tempo nesta rotina que simplesmente não conseguem mais sequer vislumbrar o que elas desejam. É um “torpor” do ato de desejar. Geralmente se dá com pessoas que já abandonaram tantas vezes dos seus objetivos que terminam por nem querer senti-los novamente. Cria-se uma sensação de falta de palavra “comigo mesmo”.É importante assumir um compromisso com o ato de ir atrás do que se deseja para vencer o tédio e a sensação de que a vida não anda. Ao assumir e realizar a pessoa se coloca em movimento, mas se ela apenas desejar e não realizar vai alimentar o tédio novamente. não irá para frente!

Algumas vezes a pessoa tem que ficar apenas com ela durante alguns dias – pequenas sessões diárias de ficar só, ouvindo uma música que gosta, ou comendo uma comida que gosta – para então poder começar a se fortalecer nos seus objetivos novamente. Após isto deve começar a tomar qualquer pequena atitude que o guie em direção ao objetivo se quiser assumir grandes atitudes, também vale! Manter este sistema geralmente leva a pessoa a motivar-se cada vez mais para manter o mesmo esquema – ele é auto-reforçador – e com isso ter prazer em desejar ao invés de tédio.

Abraço

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Manutenção
17/12/2012

– Então Akim, eu acho que estou indo bem nos meus objetivos de terapia!

– Concordo.

– Eu estou agora assim: pensando no que eu preciso fazer para manter isso sabe?

– Claro que sim, o que você acha que precisa?

– (Pensa) Eu não sei ao certo, mas acho que eu tenho que começar a fazer mais amigos. Sei lá, me relacionar mais, me soltar mais.

– Perfeito, de que forma isso iria ajudar você a manter as suas mudanças?

– É que assim, se eu fizer isso eu vou estar… ampliando acho que é a palavra, o que eu já estou fazendo comigo para outras áreas entende?

– Perfeitamente. Muito bem, que te parece de começar a fazer isso?

– Hum, aí acho que vou começar um novo tema de terapia porque para mim isso é meio complicado.

– Pois bem então, vamos começar um novo tema

O post de hoje serve para ilustrar um pouco sobre a rotina de terapia. Muitas vezes as pessoas vem com um objetivo, uma meta, algo que desejam para si e começam a alcançar este objetivo. Quando começam a fazer isso vem o desejo de “sedimentar” a mudança e torná-la um novo hábito, mas como se faz isso?

A melhor resposta que temos por enquanto é que quanto mais significativa for a mudança na vida da pessoa, mais ela irá ser importante e mais fácil será para que ela seja uma parte integral da pessoa. Porque? Se eu tenho um comportamento apenas em uma área da minha vida, por exemplo, ele será restrito àquela área. Se eu usar o mesmo comportamento em várias ou em todas as áreas da minha vida, este comportamento irá se tornar uma marca registrada minha. Por exemplo: uma pessoa que é organizada no trabalho porque “tem que ser”, mas chega em casa ou na vida conjugal e é uma bagunceira de marca maior é diferente daquela que é organizada em todas as áreas da vida.

Quando a pessoa começa a levar um mesmo comportamento para as outras áreas ela terá que fazer adaptações, repensar seus valores e pensar no como executar o comportamento, também deverá se portar de forma semelhante em diferentes ambientes o que requer aprendizado. Enquanto faz isso ela fica o tempo todo pensando e repensando a sua vida em termos daquela mudança isso faz com que ela grude na cabeça da pessoa. Alguns, com o tempo acabam retirando a mudança de algumas áreas por perceber que não é tão útil ali, mas depois que a mudanças nas áreas em que é necessária já estão plenamente solidificadas.

Fica a dica: quer mudar de uma maneira forte, envolvente e rápida? Faça a mesma mudança em todas as áreas da sua vida, exagere. No começo será, de fato, um exagero, depois de aprendido você faz os ajustes necessários.

Abraço

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Medos e medos
14/12/2012

– Aí eu começo a olhar e fico pensando: “mas e se o vento ficar mais forte e começar a destelhar a casa?” “E se cair uma árvore em cima da casa e matar alguém?”.

– E se acontecer isso, o que você vai fazer?

– Ah, eu não sei…

– Bom, quando morre alguém a gente geralmente fica triste, enterra a pessoa, chora e mais tarde vai fazendo luto. Com relação à casa você vai ter que ver os danos e começar a reparar.

– Mas e se…

– Só um pouco… deixe-me cortar você um pouquinho. Será que o problema especificamente está no que fazer com as coisas que dão medo ou em ficar criando um monte de medos para resolver?

– (risos) Eu faço isso né?

– Faz sim. Será que não está na hora de começar a dar limite para os medos?

– Eu acho que sim, na verdade, para a cabeça  que fica criando os medos né?

– Exato, eu também acho.

 

Muitas vezes as pessoas tem medos. Outras vezes elas fabricam os medos. Buscam em qualquer situação um elemento para temer. Mentes inquietas e ansiosas elas não aprenderam a organizar algo fundamental ainda: limites.

Geralmente pessoas que não aprenderam a dar limites de forma adequada andam assustadas por aí sempre buscando identificar o próximo elemento agressor. Suas colocações não são inadequadas, o fato é que estão sempre à busca somente dos elementos que causam o medo e quando estão diante de uma situação “pequena”, “simples” começam a fantasiar uma transformação daquela situação em algo que elas não vão conseguir controlar.

O fato fundamental é sempre esse: conter e dar limites. Até hoje tenho percebido que este tipo de comportamento vem de pessoas que tiveram uma educação ansiosa e muitas vezes cheia de ameaças, no entanto ao invés de mostrar a ameaça e ensinar a pessoa sobre como resolver apenas abandonava a pessoa lá e a deixava com medo sentindo-se insegura e incapaz de resolver a situação. A pessoa cresce e este comportamento: buscar situações nas quais ela é incapaz de resolução se mantém, acaba a pessoa que tem medo da própria sombra.

Trabalhamos com isso ensinando como se defender de alguns medos, colocando limites na fantasia e, principalmente, aprendendo a dar limite para pessoas que a desqualificam de qualquer forma para com que elas aprendam a se defender de pessoas que agridem moralmente. Este limite é importantíssimo pois – geralmente – é onde inicia-se o processo de auto-desqualificação e posterior medo.

Falar…
12/12/2012

– Pois então, na verdade eu até penso, mas na hora não consigo dizer.

– O que te impede de falar isso?

– Eu acho que é um pouco de várias coisas: não venho de uma família que não fala muito sobre o que está sentindo e eu tenho medo de falar sobre isso.

– Medo do que?

– Ah não sei bem ao certo… eu já falei algumas coisas ao longo da minha vida e sabe… me ferrei entende?

– O que aconteceu especificamente?

– Algumas vezes caçoaram do que eu falei, outras ficaram até brabos comigo.

– Entendi e como você reagiu à isso?

– Acabou que eu fiz o mesmo de sempre: fiquei cada vez mais quieto.

– Entendi. Mas me diga uma coisa: será que não seria mais interessante você aprender a se defender quando te caçoam ou quando ficam brabos contigo do que ficar quieto?

– (Pensa) Nunca tinha pensado nisso.

– O que te parece?

– Sei lá… parece algo que eu nunca tentei. De fato, eu sou daqueles que “pago para não entrar numa briga” sabe?

– Sei sim, imagino. O problema é que às vezes a gente tem que saber como se defender né?

– Hum… to entendendo… algo como: se eu puder fazer isso não preciso ficar quieto e daí não vou ter todos estes problemas que estou tendo agora?

– Muito bom, é isso mesmo.

– Me ajude com isso então, quero tentar!

– Claro, vamos lá!

Expressar nossas emoções e desejos é algo fundamental para o desenvolvimento de uma relação sadia. No entanto, para muitas pessoas isso é um sério problema.

Seja por uma educação punitiva ou fria na qual os sentimentos e a expressão deles assim como dos desejos eram severamente reprimidas, ou então por uma educação na qual esta mesma expressão não era levada à sério as pessoas aprendem a se fechar, calar. A questão, no entanto, não é a repressão, mas sim o registro que fica e diz que “se calar é melhor”.

É o que eu escuto no consultório: “é melhor ficar quieto do que provocar e ter uma briga”, “prefiro não falar nada para evitar discussões”, “fica aquele climão ruim e eu não gosto disso”, “tenho medo que ele (a) fique brabo e me dê um fora”. São várias as frases que caem no mesmo tema: “é melhor calar”. Mas será mesmo assim? Calar é melhor à curto prazo apenas por evitar uma situação constrangedora, no entanto, relações são compromissos à longo prazo – espera-se, pelo menos. Quando pensamos nos malefícios causados à longo prazo calar não é, nunca, a melhor opção.

Expressar, no entanto, não significa falar de qualquer jeito ou – como muitos fazem – “vomitar” as emoções e impôr que o outro “dê um jeito”. É importante saber o que se quer ao expressar um afeto. Ter a intenção clara irá facilitar a sua vida caso você precise defender o seu ponto de vista – caso seja necessário. O caso do cliente acima, por exemplo, ele percebeu durante o seu processo que precisava aprender a como sustentar a sua opinião e ter comportamentos adequados à ela, geralmente ele falava o que queria, mas não se comportava de acordo. Ao longo do tempo o conjugue acabava por desvalidar o que ele dizia – e neste caso o conjugue também tinha uma necessidade de dominação grande que facilitava o processo. Quando ele aprendeu a sustentar o que desejava, o que sentia e se comportar de acordo com aquilo ele começou a falar de forma muito mais natural, sem ansiedade e com convicção.

Pergunte-se: qual o problema em falar: o que dizer? O que eu quero ao dizer? As conseqüências que terei que enfrentar depois de dizer? Essas perguntas simples vão dar uma luz para você saber o que precisa trabalhar para poder, simplesmente, falar.

Abraço

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Saindo da paralisia
10/12/2012

– E o que ela me disse acabou comigo…

– Que coisa hein? E me conte assim, só para eu saber: quando foi isso?

– Depois que saí daqui semana passada.

– Hum… então quer me dizer que você está “deprê” já faz uma semana por causa de algo que alguém te disse?

– (Olha para mim com cara de espanto) É né? Ouvindo você falar parece exagero né?

– Ainda mais que ela não te disse assim, nada demais né? Foi um toque só.

– É né?

– Pois é… então me diga o que você fez com isso que essa pessoa te disse para você ficar “nesse estado”?

– Hum… é aquilo de eu levar para o lado pessoal e ficar me desvalorizando em todas as áreas da minha vida?

– Exato, muito bom. Pega um comentário e coloca em cheque, em dúvida todo o resto. Agora, vamos lá: como se resolve isso? Você já sabe!

– É aquele exercício de lidar com críticas… eu nem perguntei direito para ela o que ela estava querendo dizer…

– Legal, é isso mesmo!

– Nossa… só de pensar nisso agora já parece que saiu um caminhão dos meus ombros…

– Boa!

Quando estamos paralisados geralmente alguma coisa nos aconteceu que nos deixou em um estado de muita proteção. Esta proteção, no entanto, pode não ser uma resposta adequada para a situação que a gerou e a pessoa acaba com dois problemas. No caso acima, ela só precisava checar se a crítica era adequada e como melhorar os pontos levantados – caso julgasse necessário.

Quando a pessoa se esforça e identifica a situação agressora está melhor equipada para lidar com a situação porque vai poder ver o que realmente ela precisa fazer para lidar com aquela situação específica e então voltar  à sua atividade normal. Existem agressões que são mais fortes ou que vem em momentos mais sensíveis e acabam gerando um dano maior. É importante dar um tempo para que a defesa o proteja para, mais tarde voltar e ver “como sair dessa”.

Se você está se sentindo paralisado pergunte-se: o que o está paralisando? Desde quando está se sentindo assim? O que aconteceu naquele dia? De que forma comportar-se desta maneira vai ajudar você? Estas perguntas podem ser um bom início para você sair da paralisia!

Abraço

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