Archive for novembro \30\UTC 2012

E eu?
30/11/2012

– Pois é Akim, mas assim eu estou cansada sabe? Faço tudo pelos outros e ninguém… ninguém me dá uma folga!

– É, eu sei. Mas o problema é que tem que ser assim mesmo…

– Mas como assim?! Não é isso que eu quero!

– Ah, isso eu sei e concordo contigo, mas veja: qual o seu papel dentro da família?

– (Reflete um tempo) Eu sou a cuidadora, que faz tudo por todos.

– Pois é, não está incluso neste papel “que os outros te deem uma folga” justamente porque é o contrário disso que esse papel representa.

– Ah meu Deus e o que eu faço então?

– Quer uma folga?

– Sim.

– Se dê uma folga!

– (Para e fica olhando para mim) Me dar uma folga… como?

– Simples: diga para todos: “hoje é o meu dia ‘off” tem comida no fogão é só esquentar, vou no salão fazer meu cabelo, uma massagem nas costas, ver um filme, comprar umas roupas e depois eu volto pra casa ok?

– Não sei se eu consigo fazer isso…

– Eu sei, este foi um exemplo de comportamento, vamos trabalhar agora, com as bases para você fazer isso do seu jeito, o que acha?

– É, eu preciso disso.

Várias pessoas querem algo para suas vidas. Várias pessoas fazem o que precisam fazer para alcançar este algo – dinheiro, afeto, emprego, etc – e conseguem!

Outras pessoas querem algo para suas vidas e fazem coisas que não levam para este fim – querem dinheiro e não trabalham, querem afeto e se afastam das pessoas – e não conseguem o que querem.

O exemplo deste cliente pode ser usado para vários fins, mas achei interessante mostrar que quando queremos algo devemos checar se o que estamos fazendo realmente nos leva para este fim. É incrível a quantidade de pessoas que descobrem em terapia que o grande problema não eram os outros, nem os seus objetivos, ou nenhum grande trauma de infância, mas simplesmente que estavam fazendo as coisas erradas para conseguir o que queriam para suas vidas.

Como se avalia isso?

Simples: o que tenho feito está me aproximando do que eu quero? Se sim, continue; se não mude a estratégia.

Embora pareça simples – e é – grande parte das pessoas não faz isso. Elas insistem no erro. Dizem coisas como: “o mundo é injusto”, “as pessoas não me entendem”, “ninguém me dá uma chance”, “tudo é difícil para mim” e continuam dia após dia mantendo o mesmo comportamento, as mesmas atitudes mentais, tendo as mesmas emoções e as mesmas experiências de vida.

Fica a dica: não está se aproximando do que você quer? Mude suas atitudes – comportamentos, pensamentos, estratégias; invente, tente, faça sua vida diferente!

Abraço

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Abrir mão?!
28/11/2012

– Pois é Akim, eu entendi, mas assim, não quero abrir mão do que eu faço hoje.

– Entendi, mas assim: você não precisa abrir mão.

– Como não? Não é isso que eu tenho que mudar?

– É sim, no entanto mudar não significa não fazer mais.

– E o que significa então?

– Vamos lá: para que é importante este teu jeitão?

– Ah sei lá… eu acho que é com ele que eu me aproximo das pessoas.

– Perfeito, sendo solicita, aberta, você acaba criando proximidade, que é algo que você quer não é isso?

– Sim!

– O importante então, é fazer a coisa deste jeito ou criar a proximidade?

– Criar a proximidade…

– Perfeito, a única forma de criar proximidade é esta que você usa?

– Não… tem outras, eu não sei usar direito, mas tem outras.

– Ótimo, agora a pergunta importante: quando esse jeitão que você tem hoje é adequado?

– Hum… ah sei lá… algo como se eu conhecer mais as pessoas e já tiver tido um… retorno por parte delas sabe?

– Hum… muito bom! O que você está me dizendo é que é melhor ir com calma no quanto você se doa nas relações e ir aos poucos criando intimidade ao invés de querer ser amiga de 10 anos em 10 minutos?

– (Risos) É… acho que é mais ou menos isso.

– Perfeito, agora você tem um discernimento para quando usar este teu jeitão, o nosso trabalho agora é ajudar você a criar os outros jeitões.

– Tá, entendi!

 

Muitas pessoas tem medo de mudar porque acham que precisam abrir mão dos seus comportamentos ou do seu jeito; que vão, com isso, abrir mão do seu “eu”.

Nada mais equivocado, por vários motivos:

1. Não é necessário abrir mão de nenhum comportamento, apenas adequar o comportamento ao contexto. Todo comportamento pode ser útil em uma dada situação, o grande problema é que nós, seres humanos, nos fixamos em alguns comportamentos e nos tornamos rígidos: usamos o mesmo comportamento em todas as situações e é óbvio que não vai funcionar sempre, daí nos frustramos.

2. Existe uma grande diferença entre o que eu faço e o que eu sou. O nosso eu não se resume na adoção ou recusa de um comportamento. O alcoolista quando para de beber deixa de ser ele mesmo? A pessoa aos 25 mantém os mesmos comportamentos, sonhos e desejos de quando tinha 5? Mudar, adquirir novos comportamentos e perspectivas faz parte do desenvolvimento humano e complementa o “eu” ao invés de “perdê-lo”.

3. Muitas vezes – a grande parte delas – ficamos fixados em um comportamento por algo maior do que “gosto”, geralmente temos medo de evoluir. Acabamos freando a nossa evolução pessoal e a nossa felicidade muitas vezes por medo de experimentar o novo.

Então, se você está com medo de mudar pense bem: “será que você precisa abandonar um comportamento ou apenas usar ele em contextos mais adequados?”; “Será que o seu “eu” vai se perder de fato ou será que você apenas estará abraçando uma perspectiva mais abrangente de você mesmo?”; “o que você faz hoje e não quer mudar é porque está funcionando 100% para você ou você simplesmente tem medo, receio das conseqüências de fazer diferente?”

Abraço

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Quem sou?
26/11/2012

– Pois é Akim foi daí que eu percebi que, no começo da relação eu não estava bem por causa dela.

– E pelo que era?

– Eu estava bem. Eu estava me fazendo bem e daí eu fazia com ela aquilo que me fazia bem.

– Hum… bacana isso não?

– Pois é, daí, com o tempo eu parei de fazer isso para não desagradar ela, não brigar, essas coisas.

– E aí?

– E aí, danou-se né? Tá no pé que estou hoje. E isso que me deixou intrigado sabe? Não era ela… era eu.

– Pois é. Era você, de fato. Quando você leva a sua relação para o que te faz bem, você fica bem!

– E quando começo a desistir para não desagradar… me ferro.

– Por aí. Agora, o mais importante é o que te faz abrir mão.

– Pois é… fiquei pensando nisso também. Eu acho que eu estou demais nos outros.

– Hum… continue

– É como se os meus grupos fossem a minha referência de ser sabe? Eu sei quem sou enquanto estou com os outros, se não me sinto só e sem direção.

– Perfeito, muito bom! O que você quer fazer com esta percepção?

– Eu não sei direito, essa pergunta é difícil: “O que eu quero?” Sabe?

– Sim

– Acho que o que eu quero é me sentir “eu”, livre para ser quem sou, mesmo que me afrontem. E daí algo como “conviver” com o outro ao invés de pelo ou para o outro entende?

– Muito, vamos começar então!

Criar a identidade é uma tarefa pela qual todos passam. Algumas pessoas, por insegurança, por serem muito mimadas ou por serem altamente boicotadas no processo de individualização acabam por tentar criar a sua identidade nos outros. A pessoa busca ela, mas no corpo de uma outra pessoa.

Existe, então, uma questão complexa porque ao mesmo tempo que ela possui desejos e vontades, termina por imaginar estes desejos – próprios – em relação à um outro, ou então simplesmente assume desejo de terceiros para si como se fossem próprios. Ao longo do tempo este esforço todo desmorona e a pessoa sente-se esgotada, com raiva das pessoas que não a deixam crescer.

No exemplo acima, por exemplo, temos um caso de boicote, no qual os movimentos de independência foram boicotados e a pessoa sente-se mal em expressar seus próprios desejos e sentimentos. Quando o faz e é criticada fecha-se em copas novamente. Então um trabalho importante de ser realizado é o de ajudar a pessoa a responsabilizar-se pelos próprios desejos e desvincular estes desejos da aprovação de terceiros, aprender a checar o que faz bem para ela e o que não faz, o que ela quer e o que não quer.

Com isto em mãos a pessoa começa a poder ter novos comportamentos para viver no mundo de acordo com o seu desejo. Ela passa, por exemplo, a modelar os outros ao invés de viver para os outros. Passa a responsabilizar-se pelos seus desejos ao invés de culpabilizar os outros por eles. Passa a manter-se de pé em uma desavença ao invés de sucumbir à menor das críticas.

Constantin Stanislavski um ator e diretor Russo de teatro tem uma frase que é perfeita para esta situação, ele dizia: “Ame a arte em você”.

O que ele queria dizer é que podemos gostar ou ver a arte dos outros, apreciar. Mas é a arte em nós o que realmente nos faz artistas. E criar uma identidade é como quando o ator cria um personagem, não há certo ou errado, mas há um caminho para ele percorrer, que somente ele pode compreender e experimentar. Cada um de nós é um ator, neste sentido buscando gerar o personagem que somos a cada fase de nossas vidas.

Por isso, ame a arte em você e ela o guiará para si.

Abraço

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Responsabilidade demais cansa
23/11/2012

– Pois é, percebo que sou o centro de tudo lá em casa sabe?

– Como assim?

– Se eu não me mexo, nada acontece. Eu tenho que pensar tudo por todos o tempo todo.

– “Tudo por todos o tempo todo”? Puxa só de pensar nisso me deu uma canseira!

– É, pois é, imagina então viver isso todos os dias.

– Complicado… mas me conte: como você faz para assumir todas essas responsabilidades?

– Como assim?

– Ora, você está me dizendo que pensa tudo por todos o tempo todo. Obviamente tem coisas nisso tudo que não são de sua responsabilidade não é?

– É, eu até meio que sei disso…

– No entanto, você pega essa responsabilidade como sua ainda. Estou interessado em saber como você faz isso.

– Eu acho que eu quero ver todo mundo bem sabe? Cuidar de todos.

– O que você está me dizendo é que você gosta de ver todos bem e quer cuidar de todos e desta forma você assume responsabilidades que não são suas?

– Sim, acho que é isso.

– Entendo, mas me conte: será que a única forma de cuidar é assumir responsabilidades pelos outros?

– Hum… não sei ao certo… me parece que sim, mas acho que não. Faz sentido?

– Claro que faz. Você sempre teve esta experiência, no entanto, alguma coisa dentro de ti diz: será que é só assim?

– É… às vezes me pergunto se não estou exagerando sabe?

– Sei, quando você se pergunta isso?

– Quando eu falo para as pessoas fazerem coisas que eu sei que elas sabem que devem fazer.

– Perfeito, um ótimo exemplo, neste momento, quando você diz para a pessoa fazer algo que você mesmo sabe que ela sabe fazer você está cuidando dela?

– Hum… acho que não, eles até reclamam comigo que eu sou chato.

– E deve ficar mesmo, porque o “cuidar” nesse caso vira uma “cobrança”.

– Preciso mudar isso sabe? Até para eu me aliviar mais, é muito desgastante pensar o tempo todo pelos outros.

– Com certeza! Vamos lá: em primeiro lugar eu quero que você perceba ao longo desta semana quando você assume responsabilidades que não são suas e então se pergunte: o que está me motivando a fazer isso? Se não fizer, o que vai acontecer?

– Tá ok.

– Isso vai te ajudar a entender quando você precisa cuidar e quando você não precisa cuidar e além disso vai nos dar uma noção bem clara do que te motiva a fazer isso certo?

– Ok, vou fazer.

 

Pessoas que são responsáveis são aquelas que conseguem arranjar uma resposta adequada para resolver um problema, alcançar uma meta ou ter determinada experiência. Responsabilidade está intimamente ligada ao que quero fazer, tenho que ter respostas para alcançar o que preciso, quero ou desejo.

Existem pessoas que tomam para si a necessidade de gerar respostas para problemas, desejos, metas que não são delas. E fazem isso de uma forma rígida, contínua e sem discriminação de situação ou pessoa. Neste caso a pessoa se torna “super” responsável. “Super” no sentido que está sendo mais do que o preciso, além da conta. Geralmente a pessoa tem uma boa intenção por detrás disso, como no caso acima, no entanto, esta boa intenção não se manifesta da forma mais adequada. Quando assumimos a responsabilidade pelos outros de forma crônica, estamos, na verdade, invadindo um território que não é nosso. Isso desgasta a relação dos dois lados e geralmente gera muita mágoa: de um lado quem ajuda sente-se sempre menosprezado e o ajudado sente-se pressionado.

O início da solução é compreender que motivos fazem a pessoa se responsabilizar pelos outros, podem ser vários: medo, desejo de cuidar, necessidade de ser aceito e encorajado, carência afetiva. Começamos a perceber isso quando nos perguntamos o que está nos motivando a fazer o que estamos fazendo e o que aconteceria se eu não fizesse isso. Ao se perguntar isso você começa a compreender o medo que está alicerçado no comportamento e como você representa esse comportamento para si próprio. Muitas pessoas querem ser bons pais, por exemplo, e desejam ser reconhecidos por isso e agem superprotegendo os filhos, a superproteção tem o intuito de proteger, mostrar-se um bom pai e ser reconhecido mais tarde, não fazê-lo implica em ser um pai ruim e não ser reconhecido. Aí começamos a perguntar: será esta forma -superproteção – a única forma de ser um bom pai? De que outras formas/ fontes você pode buscar reconhecimento? Que tal você aprender a se auto-reconhecer?

Tudo o que fazemos busca uma resposta, muitas vezes temos que nos perguntar se o que estamos fazendo está nos trazendo a resposta que desejamos.

O segundo momento trata de aprender as competências necessárias para adequar a responsabilidade e sobre como conseguir – de outra forma – o que a pessoa deseja. Mas isso é para outra gotinha.

Abraço

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Metas terapêuticas
22/11/2012

– E lá no trabalho o pessoal agora fica um falando mal do outro sabe? É um saco isso! Porque eles não param e simplesmente olham para entender que todos estão no mesmo barco?

– É uma boa ideia né?

– Pois é, mas se fosse só isso sabe? A minha filha também está com alguns problemas e eu não sei o que fazer. Ela fica reclamando para mim das coisas do casamento dela que não tá indo muito bem e eu fico angustiada com isso.

– Hum…

– E depois tem também a minha mãe que não anda nada bem, ela está sempre com algum problema novo, alguma situação nova para reclamar.

– Entendi. E me diga: o que você quer com tudo isso?

– Como assim?

– Eu entendi que o pessoal do seu trabalho está com problemas, sua filha e mãe estão com problemas, no entanto eu não entendi o que você quer com isso.

– Ah eu não sei.

– Ótimo, então vamos pensar

– (pensa e diz) Eu acho que talvez eu não tenha muito o que fazer com essas situações né?

– Pois é né? E com quais você tem?

– Teria que ser com as minhas né?

– É uma escolha. E o que você quer para você?

– Aí complica.

– Então vamos descomplicar…

Em terapia é muito importante sabermos o que a pessoa quer. Muitas vezes “o processo” terapêutico resume-se na pessoa adquirir a capacidade de decidir o que quer e formular de uma forma adequada os seus objetivos de vida. Porque isso é importante?

Muitas vezes as pessoas sofreram com alguma experiência de vida ou então estão sofrendo por não saberem como lidar com uma dada situação. No entanto, cada ser humano olha e interpreta a situação de uma forma diferente e isso significa que cada pessoa irá tentar buscar uma solução específica para a mesma situação. Por exemplo: duas pessoas podem estar com problemas com o companheiro, uma delas decide então que deve “sentir-se novamente bem consigo” enquanto a outra decide que “deve aprender a dar limites nos seus relacionamentos de forma firme”. Nunca é óbvio o que a pessoa quer como resposta à uma situação de incômodo.

O que ela quer nem sempre isto está claro e é por isso que devemos pesquisar com cuidado o que a pessoa quer e quais os motivos que a levam desejar isso. Quando sofrem uma decepção amorosa muitas pessoas decidem “ir à desforra”, por exemplo, isso pode oferecer uma sensação de “vingança”, no entanto, não ajuda a pessoa a se fortalecer – na maior parte das vezes – para uma nova relação. Muitas pessoas são ótimas para relatar os problemas, mas isto por si só não gera a mudança. Ela ocorre quando a descrição do problema se liga à uma atitude psicológica de gerar uma resposta à situação e à uma atitude comportamental – interna e externa.

Uma das perguntas que mais fazem meus clientes pensar é: “ok, entendi o problema, agora me diga: o que você quer fazer com isso?” Encontrar a resposta para esta pergunta é metade do caminho a outra metade é implementar a resposta. E você: O que quer?

Abraço

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Esquecer
19/11/2012

– Daí Akim, quando eu vi, já passou o dia e eu não fiz nada.

– Entendi, e quando você percebe que não fez nada, se sente mal contigo?

– Sim, fico me culpando.

– Ok. E as coisas que você precisa fazer são coisas que você sabe como fazer?

– Até sei.

– E está disponível para ficar sempre responsável por elas?

– Hum… não sei ao certo…

– Você se sente competente para realizar tudo o que tem que fazer sempre? Motivado?

– Na verdade não. Às vezes eu me empolgo, mas nem sempre sabe?

– Sei sim. É uma questão de começarmos a entender mais sobre essas coisas que você não sabe fazer ao certo e sobre como você decidiu por se comprometer com elas.

– Como assim?

– Ora, temos que ver se você realmente sabe fazer o que se propôs e porque se propôs. Decidir é algo simples para você?

– Hum… nem sempre.

 

Muitas pessoas tem sofrido com a procrastinação. Algumas ficam fazendo várias coisas ao invés de ir direto ao ponto, outras “esquecem” e passam o dia sonhando acordadas com outras coisas ao invés de fazer o que se propuseram a fazer: a procrastinação pode vir de várias formas algumas pessoas dormem ou passam o dia vendo TV.

Uma questão é se a pessoa sabe fazer o que se propôs: muitas pessoas procrastinam por não saberem fazer suas tarefas ou alcançar suas metas e, com medo do fracasso, não avançam e ficam esquivando-se da tarefa. Esquivar é quando queremos evitar algo que nos faz ou pode nos fazer mal. Por exemplo: sem saber o que decidir muitas pessoas “adiam” uma decisão. Nesse caso, ao aprender como se faz a pessoa passa a agir.

Esta questão nos traz para uma segunda que pode ser decorrente dela: auto-confiança. A pessoa sente-se auto-confiante quando sabe que sabe fazer as coisas. Então se ela não sabe pode querer esquivar-se como no exemplo acima. No entanto, em alguns casos precisamos ajuda a pessoa a saber que sabe fazer as coisas. Explico: muitas pessoas sabem como se faz, no entanto, não dão crédito à isso que sabem. É aquele pessoa que todos percebem que tem uma aptidão para alguma coisa – escrever, vender, pintar – mas que ela não se vê assim, ela não consegue acreditar nas suas competências, um problema geralmente de auto-confiança agregado com auto-estima.

Uma última questão que pode ter a ver com as duas anteriores é se a pessoa sabe tomar decisões. Muitas pessoas optam por rotinas que não querem e não conseguiram dizer “não” no momento certo. Então postergam por não desejar, de fato, o que estão fazendo. Aceitam por razões equivocadas como um senso inadequado de lealdade, pena, medo de dizer não. E acabam sem viver nem a vida que querem e nem a vida que os outros querem para elas, o que é gera um grande problema para a auto-estima e para a auto-confiança.

Pessoas que fazem o que se propões geralmente tem uma visão clara dos benefícios que a atividade vai lhes trazer, buscam por novas formas de executar a tarefa, mais informações; são auto-motivadas: criam suas metas e objetivos sozinhas, sabem se parabenizar e avaliar o seu progresso. A decisão fica sempre por conta delas, dificilmente fazem algo que não querem mesmo e quando o fazem buscam, na atividade, os benefícios que ela trará e alguma forma de diversão ou prazer em realizá-la.

Abraço

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Proteger-se
16/11/2012

– Tenho medo quando as coisas esquentam por lá.

– Medo do que?

– Eu não sei, não me sinto seguro por lá quando tem brigas.

– Mesmo quando a briga é entre eles?

– E que eles brigam comigo também!

– Como eles fazem isso?

– Por exemplo: às vezes, se eu faço algo para mim e não faço para todo mundo ficam dizendo que eu sou egoísta, que não faço nada pelos outros sabe?

– Entendi. E você faz coisas pelos outros?

– Faço sim, mas parece que nunca é suficiente.

– Ok, entendi. vamos começar por este pequeno exemplo que você trouxe, sei que tem mais, mas vamos começar por aqui, pode ser?

– Tá.

– Você vai começar dizendo, com uma voz bem calma: “eu faço isso, aquilo e aquile outro aqui em casa. Não vejo que eu não faço nada. Se quiserem algo de mim é só pedir”. Entendeu como é para fazer?

– Sim.

– Ok, então experimente e me conte as novidades depois.

 

É importante saber nos defender. Proteger-se geralmente vem de comportamentos simples que “desarmam” os ataques. É como na arte marcial: não contra atacamos com o intuito de destruir o oponente (pense bem: realmente vale a pena destruir quem amamos? Mas às vezes temos que nos defender deles), mas sim de aniquilar o ataque que foi desferido contra nós. Esta é a percepção mais importante: invalidar o ataque, não a pessoa. É uma atitude de respeito e que nos ajuda a não criar culpas e arrependimentos desnecessários com nossos atos.

No caso acima, por exemplo, quando se diz que alguém “nunca faz nada” geralmente é uma grande generalização. Aí a ideia foi atacar o ataque bem onde ele se forma: espere um pouco, eu realmente não faço nada, nunca, em nenhum momento? Claro que não. Talvez a pessoa não tenha feito algo em um momento específico e o outro tenha ficado brabo, por qualquer razão que seja.

O importante, então, é perceber de onde vem a agressão pois é este comportamento que vamos ter que trabalhar. Nunca com a pessoa em si, não é isso com que devemos nos preocupar. Apenas com os atos que ela tem, é um “jogo” neste sentido, em que não existem perdedores ou ganhadores, apenas o jogo em si. Se não gostamos do jogo é importante sabermos nos guiar para um jogo mais interessante.

Abraço

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Eu, que não confio em mim
14/11/2012

– E fico sempre nessa, receoso de que ela reclame do trabalho entende?

– Claro. Agora, me diga, porque você fica sempre receoso?

– Ah, porque não sei ao certo se está bom.

– E de que forma você poderia saber se está ou não?

– Hum… sei lá sabe? Tipo não sei ao certo, mas parece que tudo o que eu faço não é muito bom.

– Ah entendi o seu critério… perigoso ele não?

– Como assim? Qual critério?

– Pense no que você acabou de dizer e me diga qual o critério que você tem para saber se ago foi ou não bem feito.

– (Pensativo) Hum… eu?

– Isso. “tudo o que EU faço não é muito bom”. Portanto, como você o fez, não estará bom!

– Entendi.

– Que tal arranjar outros critérios para verificar se você fez ou não algo bom?

– É… acho que preciso né?

 

Só podemos dizer que fizemos algo bem feito ou mal feito de acordo com um conjunto de critérios para avaliar o que fizemos.

Sem critérios não podemos julgar ou avaliar alguma coisa eles são partes fundamentais da nossa vida e de nossas decisões. No entanto, podem existir muitos problemas com nossos critérios: podem ser rígidos demais, exagerados, inadequados para uma dada situação. E existe uma classe especifica de critérios que devemos tomar um certo cuidado: auto-imagem.

Quando usamos nossa auto-imagem como um critério devemos prestar muita atenção com relação à adequação. No caso acima, por exemplo, o cliente dizia que sabia que algo estava errado porque havia sido ele quem fez. Critério de algo bom ou ruim: “eu”; se “eu” fiz = ruim. Não é adequado, obviamente.

Nestes casos precisamos trabalhar com a questão da auto-estima, imagem e confiança; além de ajudar a pessoa a separar o seu “eu” das suas competências: uma coisa é quem eu sou, outra o que faço e quão bem faço.

Abraço

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Mudanças
12/11/2012

– Pois é eu estou percebendo que estou diferente

– Como você percebe isso?

– Por exemplo, eu consigo expressar a minha opinião agora, mesmo frente à opiniões que eu discordo sabe?

– Sei.

– E eu não me sinto mal e nem envergonhado, simplesmente eu discordo e expresso a minha opinião.

– Perfeito!

– É. Eu não fico o tempo todo falando tudo para todo mundo entende? Mas quando eu acho que devo eu falo o que penso e me sinto bem fazendo isso.

– Muito bom, parabéns pelo seu progresso!

– Obrigado. Eu também senti que desde que trabalhamos o tema do afeto eu consegui fazer mais mudanças, os temas que eu tenho trazido para sessão são diferentes agora.

– Com certeza. Bem observado.

– Quando a gente consegue se amar tudo fica diferente né?

– Fica. Bem mais fácil e sem culpas não é?

– Fica sim.

 

Trouxe este relato para ilustrar um ponto muito importante em terapia. Falamos, de uma forma geral, que existem dois caminhos para a evolução: pelo amor e pela dor.

Este cliente nos traz um exemplo muito bacana sobre aprender com o amor. Após conseguir amar-se ele começou a desenvolver novos comportamentos que apenas aumentam ainda mais o amor dele por ele próprio. Agora, a grande pergunta é: como aprender pelo amor?

É algo interessante pois é mais simples e menos dolorido. A questão é que aprender pelo amor dá um trabalho muito maior pois envolve a pessoa olhar para ela própria e firmar um compromisso: “apenas farei aquilo que for bom para mim, que me ajudar na minha evolução”. Ao firmar este compromisso ela terá um trabalho homérico para desenvolver as competências necessárias para manter este acordo com ela, terá que ter coragem para enfrentar as situações que ela teme, auto-crítica para saber se está indo no caminho certo e reconhecer erros e acertos, humildade para aceitar os erros e acertos, comemorando as “vitórias” e mudando o comportamento nas “derrotas”.

É importante deixar muito claro que “o que é bom para mim” não é sinônimo apenas de atividades prazerosas e que não me causam esforço, pelo contrário. Significa comprometer-se com o que vai me fazer melhor para eu mesmo, portanto, vai me colocar em situações que são desagradáveis, vou lidar com a frustração de não ter conseguido – vez ou outra – o que eu quis, terei que me incomodar para aprender novas reações, novos comportamentos forçando os meus hábitos antigos, terei que me sacrificar – de uma certa forma – pelo que eu desejo, pelo que me faz melhor e isso nem sempre é fácil ou agradável; por exemplo: passar o feriado estudando ao invés de ir para a praia se divertir não é prazeroso, porém se eu quero passar no vestibular ou em um concurso ou fechar o meu mestrado é algo que terei que fazer.

Obviamente, também envolve atividades prazerosas. A grande diferença é que elas são aceitas de uma forma muito diferente: não há vergonha ou culpa em dizer para si e para os outros que estou fazendo algo agradável para mim apenas porque quero, posso e me faz bem. Não vou precisar dizer à um cliente: não posso “porque tenho um compromisso”; posso dizer: “nesta semana estou saindo de férias, vou aproveitar para descansar um pouco, mas assim que voltar posso lhe atender.” Qual a vergonha em dizermos isso? Apenas quando o ato do amor pessoal ainda não está bem sólido.

O aprendizado pela dor – apenas para comparação – é o famoso “fiz caca, agora preciso limpar”. Não existe vergonha nenhuma em aprender desta forma pois não conseguimos antever tudo na vida da gente, é um tipo de aprendizado que faz parte e deve ser tratado com tanta importância quanto o outro. A diferença é que, em alguns quesitos, as pessoas já entenderam o que precisam para fazer a mudança e continuam “deixando a vida levar” – sempre para o mesmo lugar. Aprender pela dor é isso: saber o que tem que fazer e não fazer. Saber o que tem de errado e não mudar, não corrigir. Porque pela dor? Porque geralmente essas pessoas mudam apenas depois que acontece algum desastre ou que algum problema fica tão crítico que ou resolve ou resolve, não há a escolha de criar uma nova relação um novo comportamento, ele vem “na marra” e é só aí que a pessoa muda. Como eu disse: muitas vezes é assim, mas outras – várias outras – não é necessário ou até mesmo saudável.

E então, o que você quer: aprender pelo amor ou pela dor?

Abraço

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Nova fase
09/11/2012

– Eu fiz o que eu não devia ter feito.

– O que foi?

– Voltei lá.

– Hum…

– Não sabia direito o que fazer sabe? Daí acabei indo lá de novo e daí adivinha né? Mesma coisa de sempre…

– Claro, tu já sabe como é lá não sabe?

– Sim sim…

– Então, o que você está precisando? Você já sabe que aquilo lá não vale mais à pena para você, aquele lugar com aquelas pessoas, portanto…

– Preciso aprender a ir num lugar novo né?

– Isso, ter novas metas!

– Então me dê uma ajuda!

– Claro, vamos lá!

Terminar uma fase e começar uma fase nova é um trabalho psíquico e emocional.

Se você não sabe realizar este trabalho é muito provável que faça escolhas inadequadas, repita as mesmas escolhas ou volte à opção anterior. Para evitar isso escrevi este post baseado em experiências de clientes. Não pretendo ser exaustivo aqui, mas estas linhas gerais irão ajudar muito você à ir para uma nova fase.

O primeiro trabalho é verificar tudo o que ocorreu de bom e que você quer manter para a próxima fase. É importante fazer um levantamento das coisas positivas e torná-las – quando possível – um critério para a próxima fase esta é uma forma de manter o seu compromisso com a evolução pessoal.

O segundo passo é verificar tudo o que você não fez de adequado para não repetir. Aqui um adendo é importante pois é exatamente neste quesito que você pode vir à buscar uma terapia. O que você fez de bom e sabe como fez é só repetir o comportamento, mas aquilo que fez e não gostou talvez se torne um desafio, se precisar, busque ajuda!

O terceiro passo é projetar o que você vai querer. Este é um momento em que você pode estar sem idéias, sem perspectiva. Esse momento é o “mais perigoso”, porque? Pois o “vazio” é sentido de uma forma mais forte e aqui a pessoa pode querer se apressar para não sentir mais isso, ao fazer isso ela faz escolhas indevidas – ou leva sorte. O principal ponto aqui é você conter o vazio – conter é diferente de reprimir – para poder desejar algo novo. Desejar é algo que leva um certo tempo, ele é criado aos poucos e não rapidamente dentro de nós. É o que Keleman chama de “incubação”, incubar o “vazio” para gerar o desejo. Este passo é fundamental para ir para uma nova fase. Aqui também você pode vir a desejar a ajuda de um profissional para te guiar no processo.

Estes três passos simples vão ajudar você a aprender como gerar um desejo autêntico para ir em busca de novas aventuras em qualquer área da sua vida.

Abraço

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