Archive for outubro \31\UTC 2012

Angústia
31/10/2012

– Me sinto angustiado nesses dias que fico sem fazer nada sabe?

– Sim eu entendo. Como você se sente contigo mesmo nesses dias?

– Ah, parece que sei lá, que eu sou um vagabundo entende?

– Ãhã. Agora pense comigo: o fato de não estar fazendo nada neste dia em específico lhe transforma necessariamente em um vagabundo?

– Hum, acho que não. Nos outros dias eu trabalho.

– Perfeito! Além disso: vagabundo segundo o conceito de quem?

– Como assim?

– Ora, para você se dizer: eu sou um vagabundo, é necessário ter um “conceito” de vagabundo não é?

– Entendi… ah é que meu pai, por exemplo, trabalha todos os dias, nunca para, é meio workaholic sabe?

– Sei. Bem… tem uma diferença entre um vagabundo e um workaholic não?

– Tem sim.

– Entre essas diferenças, onde você está segundo os seus conceitos?

– Bem, eu acho que estou no caminho de ser uma pessoa responsável profissionalmente. Eu já pago minhas contas e tenho conseguido cada vez mais trabalhos.

– Ótimo, ainda não chegou lá 100%, mas também não está na estaca zero.

– Isso.

– Muito bem. De que forma a “angústia” que você sente pode ser direcionada à seu favor, tendo como meta “chegar lá”?

– Acho que ao invés de eu me achar um vagabundo, posso começar vendo o que já consegui fazer para me animar para o que ainda preciso fazer. Traçar alguns planos para o dia e mandar ver!

– Mande ver então!

– Show!

Angústia, ao contrário do que pensamos é uma emoção altamente positiva. Ela é um combustível muito forte para mudanças, se você guiar a sua angústia na direção certa ela te impulsiona, senão ela te queima e este é o perigo da angústia.

Geralmente a falta para a angústia uma direção, um comportamento. Outras vezes, como no caso acima, ela precisa, também, ser depurada. O cliente se angustiava porque “ficar sem fazer nada” era o sinônimo de “vagabundo” e estas pessoas – nos conceitos desse cliente – não vão “chegar lá”. Portanto, ficar sem fazer nada era o mesmo que ir à falência.

Este é um caso em que a angústia se associa à identidade da pessoa, ou seja, quando ela esta angustiada porque a situação lhe faz identificar-se com um papel que ela não deseja para si. Inicialmente precisamos nos des-identificar com este papel identificando os critérios que nos fizeram nos identificar com ele. Como no exemplo: ficar um dia sem trabalhar = vagabundo, mas será mesmo isso? No caso do cliente não! Ele tinha um dia “de folga”, mas pagava todas as suas contas e sobrava um pouco de dinheiro ainda. Portanto, ao rever os seus conceitos ele conseguiu se des-identificar do papel de vagabundo.

O segundo passo foi usar a emoção gerada para melhorar ainda mais a auto-imagem do cliente; no caso ele já deu os primeiros passos quando disse: “posso começar vendo o que já consegui fazer para me animar para o que ainda preciso fazer”; ele se identifica com as competências que ele possui e se anima, com isso a angústia está sendo direcionada para melhorar a auto-estima e confiança dele, o segundo passo fica, então, claro: montar um plano para o dia e “mandar ver”.

A angústia é positiva quando a direcionamos, dê uma direção para essa energia ao invés de mantê-la presa no peito rodando e rodando e te consumindo no processo. Simplesmente pergunte-se: que atividade eu poderia fazer par transformar essa angústia em orgulho, motivação, confiança, felicidade ou satisfação? Faça isso e “mande ver”.

Se não vier nenhuma resposta talvez você queira se perguntar: quando sinto esta angústia, como me sinto comigo mesmo? E então fazer o que fiz com meu cliente, des-identificar-se de um papel inadequado e criar os comportamentos para assegurar-se de que você será algo que quer ao invés de algo ou alguém que não quer!

Abraço

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Fora do centro
29/10/2012

– Então ele disse que ia sair com a namorada!!

– Hum, complicado né?

– Muito! Onde já se viu ele nos trocar por aquela menina!

– É… complicado mesmo… as pessoas tem a mania de crescerem e começarem a fazer escolhas próprias não é?

– Como assim?

– Ora, o que você está me dizendo é que seu filho cresceu, aprendeu a pensar sobre a vida e agora está fazendo escolhas.

– Hum…

– Esta escolha em específico te deixou um pouco braba, mas enfim, é uma escolha.

– Ai… não gostei mesmo dessa escolha dele…

– A questão é que agora você não é mais o centro da vida dele não é mesmo?

– Não  me fale isso… eu sei… é isso mesmo…

– Pois é… mas veja lá, esta é uma oportunidade riquíssima para vocês. Ser mãe, agora pode significar algo novo se você souber lidar com as novas escolhas dele.

– É… é verdade… mas como fazer?

– O que te incomoda mais nessa escolha dele?

– Ele não vai estar próximo de nós sabe? Está indo…

– Sim, entendo perfeitamente. Agora: esta distância é, necessária e exclusivamente ruim? Estar “longe” não pode ser bem aproveitado também?

– Hum… se eu for pensar dessa forma… acho que sim né?

– Claro. Você e o seu marido não ficam grudados o tempo todo não é?

– Não.

– E isso acabou com a relação de vocês?

– (risos) Não, não. É até bom porque tem o que conversar depois sabe?

– Perfeito! Que tal usar essa mesma ideia com o seu “pequeno”?

– Vou tentar!

 

Os momentos em que os filhos começam a se tornar mais responsáveis é muito conturbado e muito rico. Conturbado porque todo um esquema familiar precisa ser revisto, modificado e rico pelas mesmas razões. Pense numa plantação: o que iria acontecer se o agricultor cuidasse das plantas sempre do mesmo jeito? Se ele não fizesse uma distinção entre os momentos de limpar a terra, plantar, regar, adubar e depois colher? E se ele resolvesse cuidar das plantas sempre arando e limpando a terra?

Não iria dar muito certo, obviamente. Pois isso é o que muitas famílias – na melhor das intenções – fazem com seus filhos: os tratam como sementes quando eles já estão dando frutos. É óbvio que os pais, quando olham para os filhos conseguem ver a criança que ele foi, o bebê que ela foi, no entanto, trocar esta lembrança pela realidade é um erro atroz.

A principal tarefa de uma família quando os filhos começam a crescer é ser capaz de rever as regras de conduta, abrir espaço para a nova individualidade da “criança”, aprender a colocar limites negociando-os e aprender a lidar com a distância que essas fases começam a trazer.

O grande problema surge quando a individualidade não é levada à sério. Os novos desejos, ideias e atividades devem ser encaradas como as primeiras tentativas da pessoa rumo à uma grau cada vez maior de responsabilidade. É nesse cenário que criam-se mágoas como a do exemplo acima: “você está me trocando”. Injetar culpa, raiva ou mágoa nas primeiras tentativas de independência de uma pessoa é minar toda a auto-confiança que ela possa vir a desenvolver.

Portanto, aprenda a distanciar-se de uma forma saudável. Quando uma pessoa começa a desejar ser mais responsável é necessário que os pais entendam o recado sem levarem isso para o lado pessoal. E se levarem, é importante buscar ajuda para compreender o porque disso.

Abraço

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Não dá para negar
26/10/2012

– E me dá um ódio quando ele faz isso sabe?

– Ô sei sim. Você tem falado sobre essa raiva já faz uns 25 minutos nesta sessão… fora as outras.

– (Risos) É verdade… nossa.

– Ele é muito importante para você não é?

(Silêncio. O cliente fica me olhando parado e sem dizer nada)

(Akim diz) – Você o ama muito né?

– … é…

– E eu imagino que tudo isso que você fica com raiva é como se, de certa forma soasse para você como um “eu não te amo”, faz sentido isso para você?

– Faz.

– Que tal trabalharmos um pouco com isso então?

– Acho que é melhor né? Não dá para fugir…

– Não, não dá…

Quando algo não nos incomoda não nos incomoda. Não, isso não é redundância, muitas vezes as pessoas passam uma sessão inteira falando sobre um determinado tema e depois dizem: “ah, mas isso não me incomoda”. Imagine se incomodasse!

No entanto geralmente o que ela está falando em específico realmente não a incomoda, mas sim o que aquilo significa para ela. No exemplo acima, por exemplo, os vários conflitos do cliente com o pai significavam que o pai não o amava. O trabalho seguiu clarificando esta questão entre os comportamentos do pai e como o cliente via estes comportamentos, a interpretação que ele fazia e se estas interpretações necessariamente preci savam levar à conclusão da falta de amor. Algumas se perceberam como infantilidades, outras como coisas que magoavam o cliente e ele aprendeu, então a lidar com estas de uma forma diferente, pró-ativa e responsável.

É importante ficarmos atentos aos assuntos que falamos “e não tem importância para nós”, pois se não tem importância mesmo, geralmente não ficamos usando nosso tempo para discuti-los.

Abraço

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Confiar em si
24/10/2012

– Eu não sei se consigo nem mesmo viver direito!

– Entendi. Me diga uma coisa: o que você sabe fazer bem?

– NADA!

– Hum, me parece que você consegue sem problemas falar não é mesmo?

– Ã? Como assim?

– Falar, você está falando comigo agora não está?

– Sim…

– Falar, andar, ver horário, chegar no horário…

– Sim… sim… mas tipo… não é disso que eu estou falando.

– E do que você está falando?

– Estou falando de vencer na vida entendeu? De conseguir chegar lá!

– Claro, mas “chegar lá” – seja onde for – requer pequenos comportamentos não é mesmo? Sem eles ninguém “chega lá”.

– Hum…

– Na sua profissão, por exemplo, falar é fundamental e você faz isso muito bem.

– Tá, entendi… se eu não conseguir valorizar os pequenos passos…

– Exato.

As pessoas falam muito sobre auto-confiança, mas não percebem como ela é simples.

A auto-confiança tem a ver com valorizarmos as nossas competências de acordo com critérios pessoais, por exemplo: Me sinto confiante em fazer uma macarronada. Porque? Porque sei como fazer, tenho as competências necessárias. Já para pilotar um avião eu não me sinto confiante, não sei como se faz.

Quais as armadilhas que impedem as pessoas a constituírem uma boa auto-confiança?

1. Critérios muito perfeccionistas:

“Eu não posso errar”. Este é um destruidor-nato de auto-confiança pois quem nunca pode errar e comete um pequeno erro não se   acha competente, portanto, não vai sentir confiança em relação ao que errou, no entanto errar faz parte, não é o erro que define uma incompetência.

2. Critérios muito amplos:

“Ainda não cheguei lá”. As pessoas tem metas de vida e é preciso checar cada pequena parte das mates. Se você já fez as fundações da casa, por exemplo, ainda não está com a casa pronta, mas já deu um passo importante. Quando a pessoa avalia apenas a meta final e de forma ampla é muito difícil sentir-se confiante, se ela, por outro lado, dividir a meta em pequenos passos e checar cada um deles será diferente. Inclusive ajudará a identificar os pontos que ela precisa crescer e desenvolver.

3. Falta de aceitação:

Muitos de nós sabem que fazem coisas boas, apenas não reconhecem. Por timidez ou vergonha não se permitem dizer (se): “faço isso bem”. Quem não aceita isso não permite que essa competência “exista” em sua mente e o que não existe não pode ser valorizado, logo a auto-confiança não se cria.

Aceite suas qualidades, pense nos pequenos processos e crie critérios de avaliação de acordo com suas necessidades.

E se eu não souber nada, como faço para me manter auto-confiante?

Simples: todo ser humano aprende, logo você e todo o ser humano tem a competência para, numa situação totalmente desconhecida manter uma percepção aberta ao aprendizado e conseguir entender o que precisa fazer e então, fazer!

Abraço

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Bullying
22/10/2012

– E aí fica me ligando e me chamando de gorda, doida, falsa sabe? O que eu faço?!

– Entendi. Muito bem, tem várias coisas para fazer, vamos começar com a “básica” ok?

– Tá.

– Como você reage que a pessoa liga e te chama de gorda?

– No começo não liguei muito, mas agora fico chateada, quero revidar, mas não sei como. Na verdade não sei se consigo e isso me frustra!

– Entendi. Porque você acha que não consegue revidar?

– (…) no fundo é porque tem coisas que a pessoa fala que eu também falo para mim mesma sabe?

– Humm, entendi, por exemplo?

– Doida e falsa eu sei que não sou, mas o “gorda” me pega…

– Entendi. Bom, vamos lá: o que seria um peso ideal para você? Como vocês saberia que está num peso bom?

– Hum… difícil dizer… mas acho que se eu tivesse um manequim 40 estaria muito bom.

– Perfeito! O que seria um manequim de gorda?

– Algo em torno de um 56, 58 eu acho!

– E o seu está aonde?

– Estou vestindo um 44.

– Beem longe de um 56 não é?

– É.

– Ótimo, agora eu quero que você faça assim: Crie duas telas de tv na sua frente e imagine em uma a imagem de uma pessoa com manequim 56 que para você é a gorda, na outra a do manequim ideal para você: 40 e entre elas a sua no manequim 44.

– Ok, já fiz.

– Ótimo, agora imagine ele te ligando e dizendo que você tem o manequim da tela de 56 e compare com o que você é e decida por si só: ele está dizendo a verdade ou está “viajando”?

– Viajando completamente!

– Perfeito, como você reage com uma pessoa que está viajando completamente?

– (Risos) Eu tenho uma atitude cômica, acho engraçado quando alguém “viaja” e “viajo” junto sabe?

– Sei, humor é ótimo nesses momentos.

– Eu diria algo sem nexo assim como ele está dizendo para mim sabe? Tipo: daí seu ouriço do mar, tudo bem?

– Ótimo, o importante é você manter esta distinção e responder de acordo entende?

– Entendi sim. Ele pode me chamar do que ele quiser, mas só me afeta se bater com o que eu mesma penso de mim.

– Isso aí.

 

Bullying é algo que sempre existiu e vai continuar existindo. Todos os seres humanos degradam outros seres humanos em suas falas e atos é só ver os horários políticos para checar isso. A grande questão à respeito de como tratar a violência não é “proibi-la” como tem se feito propaganda, mas sim instrumentalizar as pessoas para que elas saibam como reagir à violência, como dar limites, como não se identificar com o que o agressor diz, como buscar ajuda quando necessário, como responder à uma acusação falsa, como manter sua auto-confiança e auto-estima. Isso sim nos ajudará a lidar com o bullying e não ficar falando “feio” para aquele que comete o bullying – até porque quem comete o faz, geralmente, porque também é vítima! A grande resposta para a violência não é proibi-la, mas sim dar ao violento novas formas de poder conviver com suas dificuldades pessoais que é a causa real da violência – genericamente falando.

No exemplo acima, foi trabalho exatamente isso: competência. O cliente aprendeu a ter um critério próprio sobre seu peso e a defender esta percepção, no próxima semana quando perguntei sobre a pessoa que fazia as ligações o cliente me disse que falou “e aí ouriço-do-mar” a pessoa ficou muda do outro lado da linha, desligou e não ligou novamente. Aprender a se defender, ter competências sociais ao invés de vitimizarmos ainda mais as vítimas de bullying é o caminho.

Abraço

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Hierarquia de critérios
19/10/2012

– E então meu caro… eu fiquei preocupado com não ter feito aquelas coisas. Eram importantes para mim sabe?

– Sei sim, mas me conte, o que será que aconteceu para você não fazê-las?

– Eu não sei… quando vi estava lá e não fiz nada que eu queria.

– Lembre do momento em que você desistiu ou no qual você ficou “empacado” entre uma coisa e outra.

– Ok.

– O que você pensou? O que você se disse nesse momento?

– Não sei ao certo, mas pensei que minha família não iria aprovar o que eu queria fazer por um lado e que eu tinha responsabilidades por outro.

– E daí fazer algo que você “simplesmente” queria não batia com a pressão de se sair bem com a família ou com as suas outras responsabilidades?

– Sim.

– Perfeito. Podemos dizer, então, que a sua família e as suas responsabilidades entraram em conflito com o seu desejo é isso?

– É, pode-se dizer assim.

– Ok, olhe que bacana: você está em um momento no qual se responsabilizar por você é importante e, ao mesmo tempo, terá que reavaliar, ou melhor, re-valorizar alguns outros pontos da sua vida: família e responsabilidades.

– Como assim?

– Simples: se fossemos imaginar uma hierarquia me parece que “família” e “responsabilidades” estariam em cima de “pessoal” não é mesmo?

– (Risos) Ah tá, entendi, é bem assim mesmo! Eu estou em último lugar nesse sentido.

– Ótimo, o que temos que trabalhar agora é em uma re-hierarquização dos seus critérios entende? Para que o lado “pessoal” possa ser expresso sem culpa, com convicção.

– Entendi!

Criamos nossa vida dando prioridades à alguns temas: família, empresa, amor, profissão. Ao longo dos anos é natural que alguns destes temas sofram alterações em suas importâncias. Isso pode ocorrer por situações que a pessoa passou – algumas pessoas, depois de um ataque cardíaco que quase os mata colocam a família e os relacionamentos num patamar mais alto que o trabalho – por mudanças naturais do ciclo da vida – um casal que coloca a critério “filho” em primeiro lugar logo após o nascimento da criança – ou por mudanças nos objetivos pessoais – num processo de terapia, por exemplo, a pessoa descobre o prazer em ser mais solta e deseja mudar a forma de trabalhar dando mais valor ao critério “satisfação pessoal” do que ao critério “dinheiro” ou “status”.

Quando estas situações ocorrem é necessário colocar os critérios novamente na balança e negociar consigo próprio o que se quer com cada um deles, mudando muitas vezes a forma de pensar e de se comportar de maneira que – ao final da negociação – todos os critérios sejam satisfeitos dentro da uma perspectiva nova de vida que a pessoa criou para si.

Existem várias formas de realizar este processo e cabe ao terapeuta ajudar a pessoa a chegar ao consenso entre suas várias “partes” ou em relação aos seus vários critérios de forma que ela faça mudanças de forma pró-ativa e responsável, “sabendo o que está fazendo”.

Abraço

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O amor e o medo
17/10/2012

(Esposa) – Eu só queria que ele assim… me respeitasse sabe?

(Esposo) – Mas eu respeito você meu amor! Tenho uma super consideração por você!

(Ambos se olham e ficam em silêncio durante alguns segundos)

(Akim) – Que interessante não é? O que um quer o outro está querendo dar, mas me parece que a entrega não consegue ser feita não?

(Ambos) – Pois é!

(Akim) – Desde que começamos o trabalho aqui, percebo que cada um de vocês senta em um lado do sofá, existe um limite bem definido entre vocês dois aqui (aponto com a mão o espaço entre os dois).

(Eles olham para o espaço, olham-se e dão uma risada suave)

(Akim) – Será que este espaço pode estar atrapalhando a comunicação de vocês? Será que quando um fala alguma coisa ela “se transforma” ao longo deste espaço e chega do outro lado diferente?

(Esposa) – Eu acho que sim Akim, para mim, pelo menos, faz todo o sentido.

(Esposo) – Nunca tinha pensado nisso desse jeito, mas não tenho o que dizer ao contrário… de fato, acho que não consigo mostrar para ela o quanto ela é importante para mim.

(Akim) – E o que será que está atrapalhando a comunicação então?

(Eles se olham e ela vira e diz): “Eu acho que, para mim, é medo”.

(Ele faz que “sim” com a cabeça e dá uma leve olhada para o lado, ela baixa a cabeça. Lentamente eles se olham “de canto de olho” e dão um sorriso suave)

(Akim) – Eu concordo com vocês… acho que estes medos que não são ditos – nem mesmo de vocês para vocês – acabam criando um abismo entre vocês, mesmo tendo amor de um lado e de outro. Que tal começarmos a tentar construir uma ponte nesse buraco?

(Ambos acenam “que sim” com a cabeça)

Muitas pessoas entendem que o oposto de amor é raiva ou ódio. Em meus atendimentos tenho visto que seu oposto está mais para o medo do que para a raiva.

O medo paralisa a ação, desvirtua a comunicação e acaba por criar exatamente o que ele mais teme. Medo desgasta, empobrece a relação é ele quem, de fato, retira a espontaneidade e robotiza as pessoas. Ou então começa – para se “proteger” – a agir de maneira agressiva com o outro, responder-lhe com agressões, insultos e ironia. Nesse momento o respeito começa a ser quebrado e a sensação de “desamor” começa a se instalar.

Daí para diante viver à dois é complicado e doloroso. A sensação de estar “pisando em ovos” é constante. Essa dinâmica acentua o medo ainda mais e temos, então, um ciclo vicioso e doloroso para os dois – e, quando é o caso, para os filhos, amigos e parentes.

Vencer o medo e aumentar a auto-estima são fatores fundamentais para começar a dizer o que precisa e aprender a cuidar do outro, de si e da relação de uma maneira a criar um ambiente que consiga acolher as emoções sem julgá-las e, ao mesmo tempo, dando um “encaminhamento” para o que acontece entre os dois.

Quando podemos expressar livre e responsavelmente as emoções começamos a criar um ambiente no qual o amor possa florescer e que o medo seja acolhido e transformado em conhecimento e profundidade no casal.

Abraço

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O que você quer mesmo?
15/10/2012

– E o meu problema é com essas pessoas que não me escutam sabe?

– Sim, com certeza é muito chato isso não é?

– É.

– Mas você me contou que tem algumas pessoas com as quais você se sente ouvida não é?

– Sim sim, com certeza!

– Hum e o que faz com que você se sinta ouvida por elas?

– Então… é algo assim: quando eu falo com elas não tem aquela coisa de ficar me dizendo o que fazer ou de discordar de mim sabe? Elas até falam, mas parece que me escutam primeiro para depois falar, eu me sinto acolhida sabe?

– Sim. Este acolhimento é o que é importante para você?

– Hum… nunca tinha pensando nisso… acho que sim…

– Pense: estas pessoas apenas te ouvem, não dizem nada, nem que sim, nem que não, mas você tem essa sensação de acolhimento. Você se sente bem de ter falado com elas?

– Sim.

– Ótimo, então o que você quer é que falem com você ou sentir-se acolhida?

– É… acho que o segundo…

– Como se alguém te colocasse no colo? Desse um “porto seguro” para quando você se sente insegura?

– Sim, isso mesmo! Tanto que muitas vezes depois de falar eu consigo chegar nas respostas sozinha.

– Perfeito. Posso dar uma sugestão então?

– Claro!

– Que te parece de chegar para essas pessoas que “não te escutam” e, ao invés de pedir para te escutarem, pedir um colo porque você “esta meio mal hoje”?

– Hum…. eu acho que é isso mesmo que eu tenho que fazer. Com certeza elas não vão me negar isso, acho que vão até gostar!

– Perfeito!

 

Quando queremos algo é importante saber para que isso é importante. Muitas vezes queremos algo – como, por exemplo, “que me ouçam” – mas este algo é importante não por si só, mas sim, pelo que ele trará para nós – “acolhimento” – quando percebemos a importância do que queremos, podemos reavaliar se as formas pelas quais queremos alcançar isso são adequadas ou não.

Um exemplo clássico é o desejo de “ter mais dinheiro”, geralmente perguntamos às pessoas duas coisas: quanto dinheiro à mais e para que vai servir esse dinheiro. Muitas vezes a pessoa entende que a finalidade do dinheiro é mais importante do que o dinheiro em si e que ele serve, apenas como instrumento para alcançar um fim. Entre o dinheiro e o fim a pessoa quase sempre fica com o fim. Por exemplo temos o conceito de “saúde”: “se eu tiver mais dinheiro pago um plano de saúde para minha família”. Isso pode ser alcançado com um emprego no qual não se ganhe mais, mas que tem um plano de saúde familiar.

Esta flexibilidade é importante quando estamos em uma relação porque nos faz buscar o que de fato nos interessa ao invés de ficarmos parados em discussões que não tem relevância e apenas desgastam a relação. Todos nós temos formas diferentes de avaliarmos se estamos ou não recebendo afeto, amor, atenção, importância. É importante sabermos qual é a nossa forma, qual a forma do nosso parceiro e – principalmente – para que eu quero isso, de verdade.

Abraço

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Oficina do diabo
13/10/2012

– Aí Akim, ela me disse que era só uma questão de tempo agora.

– Hum e daí?

– Aí que eu fiquei pensando o que ela quis dizer com isso sabe? Será que foi uma indireta para mim? Será que ela estava simplesmente querendo terminar o papo ou será que era algo como se ela quisesse me alertar sobre outra coisa sabe?

– Sei… e?

– E aí eu não sei sabe, fiquei a semana toda pensando nisso… Não sei o que fazer…

– Você perguntou para ela o que ela quis dizer?

– Não.

– Pergunte, próximo assunto?

Mente desocupada, oficina do diabo. Quando a mente está ocupada demais, também pode ser.

Muita vezes as soluções são muito mais simples do que podemos imaginar. Em alguns momentos queremos criar mil e um pensamentos e estratégias e ficamos apenas andando em círculos sem sair do lugar.

Remoer os pensamentos até a exaustão sem conseguir criar para si nenhuma ação concreta que te ajude com o problema não ajuda. Como no caso acima muitas vezes o mais simples é somente ir até a pessoa e perguntar o que ela quis dizer com o que disse. Aprendi que quando começamos a criar muitas hipóteses acabamos não conseguindo discernir nenhuma, o “mais” nesse caso é “menos”.

Abraço

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Olhar para trás
10/10/2012

– Pois é Akim, agora que isso aconteceu eu percebo o quanto que eu devia ter feito diferente.

– Imagino, você tem, hoje, duas lições importantes. Quais são?

– Duas? Bom a primeira é não deixar mais para ontem o que me faz feliz, o que eu preciso fazer.

– Sim e a outra?

– Ai, não sei… pense, tem a ver com o como… melhor com o quando você percebeu isso.

– Quando? Você quer dizer que eu precisei passar por toda esta confusão para aprender?

– Mais ou menos. Veja, você está, novamente, repetindo um padrão de comportamento seu: toda vez que você passa por uma situação complicada você se dá conta quanto você deixou coisas importantes de lado não é?

– Sim, é isso.

– Pois é, e quando será que você irá jogar esta percepção para o futuro?

– Como assim?

– Você sempre percebe as coisas depois que elas passaram, tem os aprendizado, mas o seu futuro volta para lhe ensinar, novamente a mesma coisa. Será que já não é hora de o seu futuro começar a ser escrito diferentemente?

– Hum… me parece que sim né? não quero mais sofrer isso tudo novamente.

Muitas pessoas caminham para o futuro de costas, olhando apenas para o que já se passou.

Embora isso possa garantir aprendizados, não garante que ela vai conseguir aplicar, no futuro, esses aprendizados.

Quando aprendemos algo em nossas experiências com a vida é importante pensarmos em quando vamos precisar destes ensinamentos novamente para que eles não se percam, mas que fiquem à postos para quando precisarmos deles novamente.

Depois de ter um aprendizado sempre pense em quando você poderá usar esse aprendizado no seu futuro ao invés de simplesmente deixar isso ao acaso.

Abraço

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