Archive for agosto \31\UTC 2012

Independência
31/08/2012

– E o que eu quero é ser assim sabe? Independente!

– Sim, claro, quem não quer? Me conte: o que é independência para você?

– É não depender de ninguém para nada sabe? Fazer o que eu quero!

– Entendo… interessante: seu conceito de “independente” envolve o outro “não depender de ninguém”.

– Hum é verdade…

– Daí que me parece que você sabe que é independente quando não depende, mas isso não significa, necessariamente que você sabe manter o que você deseja, sustentar o seu próprio desejo.

– Hum… nunca tinha pensado nisso, mas faz sentido até… Tem várias vezes que eu penso em fazer alguma coisa, mas na hora eu desisto e faço outra nada a ver, depois me culpo.

– Sim, é disso que estou falando. A frase: “sou independente, pois busco me responsabilizar pelos meus desejos, sonhos e problemas e criar as minhas respostas para eles” mexe com você de alguma forma?

– Sim… eu acho, que, na verdade é isso que eu quero sabe? Tenho um monte de sonhos, mas não consigo correr atrás… acho que o que eu preciso é disso.

– Ótimo, então vamos trabalhar para isso, certo?

– Perfeito!!

“Procuramos independência, acreditamos na distância entre nós”; a música do Capital Inicial fala sobre o tema de sermos independentes. Na verdade “independência” no sentido que queremos dar não existe. Ou seja, nenhum ser humano é independente do outro, todos nós possuímos uma conexão em maior ou menor grau. qualquer ser humano afeta e é afetado por outro ser humano, dai que independente no sentido de “eu me basto só” é uma falácia filosófica no sentido de que nenhum ser humano é alienado do restante do universo, ele vive dentro do universo, sendo, portanto, uma parte dele; e biológica até: precisamos de dois seres para nos criarem e além disso temos hoje o conhecimento dos neurônios espelhos que mostram que o cérebro humano é programado para criar vínculos.

Mas então, o que é ser independente?

A independência tem muito mais a ver com a atitude que temos frente à nossos desejos, sonhos e problemas do que se eu “me basto sozinho”. Por exemplo: uma pessoa que busca a ajuda de um engenheiro para construir a sua casa não é uma pessoa independente porque está “dependendo” do engenheiro para construir a sua casa? Ela deveria aprender engenharia e construir sozinha – obviamente sem pedreiros também? Fazer os tijolos, a madeira, o aço e tudo mais que envolve uma casa? Isso é a ideia do “me basto sozinho”.

Ter a atitude é buscar as soluções pelo meu próprio pensamento, pela minha própria ação. Isso pode envolver eu buscar a ajuda de um terceiro, por que não? Se eu tenho dúvidas e conheço quem pode me ajudar, é uma atitude independente buscar as informações com essa pessoa. Diferente disso é esperar que alguém me traga as respostas, ou que alguém me diga o que fazer. A dependência não se cria quando aceitamos sugestões de alguém, quando entregamos à alguém algo nosso ou quando abrimos nossos problemas com outras pessoas; ela começa a surgir quando acreditamos que somente essa pessoa terá as soluções e que nós não temos o que fazer sem ela. É nesta atitude que reside a real dependência.

Exercitar a nossa independência é exercitar a escolha, o livre pensar e agir. Nada tem a ver com não poder contar com outras pessoas ou aprender com elas, mas sim em perder o vigor e a atitude de raciocinar livremente consigo sobre tudo o que vive e entregar-se à vida como uma folha levada ao vento.

Abraço

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Sabotagens
29/08/2012

– Daí ele me ligou e falou que queria conversar comigo.

– E você?

– Eu falei que sim, nos encontramos e foi a mesma coisa de sempre.

– Sim

– Daí ele quis me ver outro dia e quando vi, já tinha topado de novo.

– E?…

– Mas foi assim, acabou que combinamos mais ou menos e ele ficou de me ligar mais tarde…

– Sei…

– E ele não ligou e eu fiquei naquela meio que sem saber o que fazer e mandei uma mensagem perguntando o que ele queria fazer…

– Tava correndo atrás dele de novo já então é? (risos)

– Hã… é… hum… droga…

– Calma, acontece… imagino já o resto da história, mas vamos entender melhor esse “passo atrás”.

– Tá bem, vamos lá…

“Sabotagem” é um termo que usamos quando a pessoa está fazendo algo que está dando certo para ela e, “do nada” simplesmente para de agir daquela forma. A pessoa pára a academia de repente, volta a beber, vai conversar com quem quer distância; enfim: tem uma atitude que é contrária ao que ela quer, precisa, deseja e abre mão de um outro comportamento que estava dando certo e sendo útil para ela.

Usualmente a sabotagem ocorre porque o novo comportamento não está bem alicerçado ainda. Alguma questão de auto-estima, auto-imagem, alguma crença ainda possibilita que o comportamento antigo se manifeste no mesmo contexto, da mesma forma que antes gerando o mesmo resultado. Sem problemas, o importante é perceber a sabotagem e perceber o que fez com que você voltasse atrás. Detectado o elemento é importante que se dê atenção para este elemento para criar novas estratégias para que ele não venha a incomodar no futuro.

Abraço

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“Flow”
27/08/2012

– Hoje eu acordei e me senti diferente. Ontem eu havia acordado e tido um sonho no qual alguém me dizia: “calma, você está no caminho certo!”. Daí percebi que eu estava mais calmo ontem sabe?

– Sim, perfeito.

– E hoje quando eu acordei senti que eu não estava pensando muito na vida como eu sempre faço, estava mais concentrado no que eu estava fazendo. As coisas pareciam mais simples, sabe quando você tem aquela sensação de que o tempo para?

– Sim, é uma sensação muito boa não é?

– É sim, eu tive isso o dia todo e agora percebo que estou simplesmente concentrado, não estou fazendo força entende?

– Sim, entendo sim. Você tem feito um trabalho no sentido de se dedicar mais ao que realmente importa à você não tem?

– É, a minha terapia se resume nisso: “isso é importante para mim?”

– Muito bem colocado! Aí você tem me descrito que ao longo das semanas e meses a sua atenção tem se voltado para o que você tem feito e para os resultados que você tem atingido.

– É.

– E também me diz que tem se sentido mais confiante em relação ao que você tem feito, à você  mesmo enquanto pessoa não é?

– Pois é, é bem isso.

– Então, parabéns. Essa sensação é parte dos resultados que você vem colhendo. Você consegue estar mais relaxado, porém atento, alerta e as coisas parecem mais simples para você porque são as importantes e você está 100% ligado nelas. Cansado, mas feliz.

– Sim, é bem isso mesmo.

– Perfeito, você já ouviu falar de “estado de ‘flow'”?

– Não, o que é isso?

Martin Seligman em seu livro “Felicidade Autêntica” fala sobre a pesquisa de Mihaly Csikszentmihalyi sobre o que fez com que alguns de seus compatriotas, frente à destruição causada pela guerra, sucumbissem à depressão e angústia enquanto outros mantinham leveza e alegria. Suas pesquisas o levaram ao conceito de “flow” que tem a ver com uma gratificação profunda pelo que se está fazendo ou vivendo.

Algumas das características principais do estado de Flow são: uma tarefa desafiadora e que exige habilidade, existe concentração, objetivos são claros, feedback é imediato, o envolvimento é intenso e natural, existe um senso de controle, a consciência do “eu” desaparece e o tempo “para”. Um adendo importante: não existe emoção positiva em estado de flow. Segundo a pesquisa, emoção e consciência estão lá para corrigir a trajetória, quando o que você faz está perfeito, não há necessidade delas.

Em terapia quando as pessoas começam a se alinhar frente aos seus desejos mais profundos, comprometer-se com suas necessidades e desejos frequentemente começamos a ouvir este tipo de relato no qual a ansiedade cede lugar à uma calma controlada, o fazer se torna mais importante que as preocupações e existe uma gratidão frente ao que a pessoa já possui e ao que já está fazendo. Resultado de um processo no qual o crescimento pessoal continua, porém de uma forma diferente em que se cobrar cede lugar ao se envolver consigo.

Para mais informações leia o livro “Felicidade Autêntica” de Martin Seligman e/ou a atualização de sua pesquisa; “Florescer”.

Abraço

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Ansiedade
24/08/2012

– Aí eu fico muito ansiosa sabe?

– Sim, sim. Agora me conte: com o que você fica ansiosa?

– (pensativa) Eu não sei direito… acho que fico esperando uma resposta sabe?

– Sim, perfeito.

– É isso eu acho, fico pensando em quando vai vir a resposta e como ela não vem eu fico sem saber o que fazer.

– Isso mesmo, tá muito bom. Agora pense: que resposta seria adequada para essa situação?

– Hum… bem, eu acho que eu poderia dar uma resposta eu mesma, ou então, esquecer a situação até que venha a resposta porque eu não vou poder fazer nada mesmo, então não adianta ficar pensando.

– Muito bom, você que conhece bem o seu dia-a-dia e você mesma: essas respostas parecem que vão te ajudar? Você vai conseguir colocá-las em prática?

– Sim para as duas perguntas… vai dar certo sim até porque quando eu consigo não ficar ansiosa é isso que eu faço, agora tenho que fazer isso sempre nessa situação.

– Muito bom!

Ansiedade é uma emoção que tem a ver com algo que não sabemos fazer em uma determinada situação a qual vamos enfrentar. Geralmente a pessoa ansiosa tenta se afastar das situações que causam ansiedade ou busca minimizar os sintomas físicos. Embora essas respostas “ajudem”, elas não resolvem o problema.

A questão fundamental da ansiedade é aprender uma forma de reagir à situação de maneira adequada. Uma vez que a pessoa aprenda isso a ansiedade se desfaz. Juntamente com isso a pessoa pode buscar respirar mais devagar, prestar atenção ao ambiente e relaxar como forma de minimizar os sintomas físicos, mas a resolução da ansiedade só vem – de fato – pela aprendizagem.

Da próxima vez que estiver ansioso, pare e respire, buscando diminuir o ritmo dos pensamentos e da respiração. Sente-se confortavelmente numa cadeira. Assuma uma atitude de quem já teve problemas no passado e os resolveu e então pergunte-se: o que devo fazer nessa situação? Se a resposta não vier, vá atrás: busque amigos, livros, filmes, terapeuta, qualquer pessoa ou instrumento que te ajude a dar uma resposta para a sua pergunta.

Abraço

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Tédio
22/08/2012

– Então, estou entediado com tudo isso sabe?

– Sei, pelo que você me conta as coisas não fazem sentido né?

– É. Eu queria estar fazendo alguma coisa, mas não tenho tesão para fazer nada.

– Entendo. Mas me diga, onde estaria esse tesão?

– Não sei, deveria estar no que eu estou fazendo não é?

– E não está?

– Não

– Então onde está?

– (pensativo)

– O tesão, motivação somos nós quem criamos. Nós é quem emprestamos sentido para o que fazemos. Como você dá sentido ao que você faz?

– Hum, acho que não dou.

– Entendo, bom, vamos trabalhar com algumas experiências para você fazer e vamos ver o resultado que isso vai trazer, o que me diz?

– Vamos lá.

Tédio é uma sensação que nos informa que gostaríamos de estar vivendo algo que não estamos vivendo neste momento. Podemos fazer isso de duas formas básica: a primeira é simplesmente não estarmos fazendo o que realmente desejamos; a segunda é não sabendo aproveitar o que estamos fazendo.

Para a primeira é importante criarmos oportunidades para fazermos oque desejamos, criar o compromisso de buscar nossos desejos. Esse compromisso pode ser começar a ter atitudes pequenas, mas que levem ao objetivo maior.

A segunda já é um pouco mais complexa pois envolve descobrir como criamos a nossa motivação. Muitas pessoas não sabem sentir prazer e envolvimento com o que estão fazendo. Uma das primeiras metas é aprender a sentir prazer no que está fazendo. Descobrir qual o elemento da experiência que você está tendo que lhe dá prazer. Para isso é necessário sentir – com o tato, visão, audição, gosto e cheiro – a experiência e destes elementos detectar qual o que lhe dá prazer. Depois disso podemos desejar passar pela experiência prazerosa novamente e com isso começar a gerar a motivação para ir novamente fazer o que gostamos. Com isso começamos a “matar” o tédio.

Abraço

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Expectativas
20/08/2012

– Então eu fico me achando uma pessoa ruim sabe?

– Sim, sei sim. Da forma pela qual você fala, parece que você não acerta nunca né?

– É e isso está me matando.

– Me diga uma coisa: quando você avalia o seu comportamento, seus resultados, geralmente foca o que você está conseguindo ou o que não conseguiu?

– Geralmente o que não deu certo

– Hum, pois é, daí você faz um monte de coisas, mas no final sempre fica com a seguinte frase na sua mente: “não consegui isto, aquilo e aquele outro, droga!”

– É por aí.

– Como você quer sentir-se bem contigo se ao avaliar o que faz sempre fica com essa frase na mente?

– Hum… é difícil né?

– Quase impossível. Aí que gostaria que você experimentasse fazer o seguinte: faça uma lista das suas exigências e depois comece a verificar o que é possível de fazer dentro da sua rotina e o que você já faz.

– Entendi.

– Semana que vem, me conte dos resultados tá? (risos)

– Ok (risos)

Criamos muitas expectativas sobre o comportamento dos outros e sobre o nosso também. Como sempre o mundo também nos oferece várias expectativas para cumprirmos e precisamos aprender a lidar com as demandas internas e externas.

Toda a expectativa é uma fantasia que criamos sobre como as coisas deveriam ser. As “coisas” pode ser o mundo, a sociedade, uma viagem, nossos companheiro e claro, nós mesmos. A fantasia tem a ver com nossos desejos, medos, anseios e necessidades, por este motivo sempre precisamos checar que tipo de expectativas estamos criando para nós, o mundo ou os outros. A expectativa também tem um outro componente: ela não tem a ver com a realidade e esse componente é o fundamental para lidarmos com ela.

Se eu quero uma pessoa atenciosa, por exemplo, e encontro alguém atencioso não estou criando expectativa. Desejei alguém com uma característica, busquei e encontrei, perfeito. Se eu quero isso, mas encontro e começo a me relacionar com alguém que não é assim e começo a querer que essa pessoa mude, entro no campo da expectativa. Se torna expectativa porque espero que algo que não é seja.

O mesmo vale para nossa atitude conosco: podemos querer ser super-homens, mulheres-maravilhas, mas isso não está adequado ao real. Quando criamos uma expectativa irreal sobre nós e não conseguimos dar conta geralmente nos sentimos culpados por não conseguir. No entanto é importante ver quais são as expectativas e quais delas possuem um pé no chão. Pé no chão não significa desistir para sempre de algo importante, mas sim, verificar de forma concreta o que é necessário para que aquilo possa ocorrer, qual o passo a passo para tornar um desejo viável ao invés de apenas nos culpabilizarmos por “não conseguir”.

Abraço

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Sobre falar e agir
17/08/2012

– Eu preciso dizer o que estou pensando sabe?

– Sim, é importante fazer isso, mas me diga, ao dizer, o que você espera que vai acontecer?

– Espero que as coisas mudem oras.

– Perfeito e de que forma isso que você vai dizer vai mudar efetivamente as coisas?

– Hum, não sei ao certo, mas acho que vai dar uma mudada.

– Pode ser que sim, mas, me de um exemplo de mudança possível disso

– Ah… se ele entender como eu me sinto pode ser que melhore algo né?

– Sim, mas e com relação à você mudar o seu comportamento?

– Como assim?

– Ora, se tem coisas que não estão lhe agradando talvez junto com falar você possa mudar as suas atitudes em relação ao seu parceiro e, assim, melhorar “as coisas”.

– Hum… não tinha pensado nisso.

– É uma questão de mudar a estratégia, ao invés de esperar que as palavras gerem no outro uma mudança, faça você uma mudança no seu comportamento que mantenha a sua integridade pessoal e a da relação. Que te parece?

– Hum… como falei, não tinha pensado nisso.

– Quer pensar?

– Quero

– Então vamos lá: pense em três comportamentos que você pode começar a ter e que vão ser uma ação sua para melhorar algum aspecto da sua relação.

– Ok.

 

Depositamos esperanças demais na fala. Esperamos que ela por si só faça com que os outros mudem suas percepções e atitudes. Quando o outro possui esta disponibilidade isso ocorre, mas quando não possui, fica complicado. Além disso outros fatores entram em cena durante uma conversa, as emoções, por exemplo, podem distorcer palavras e intenções.

Desta forma, além da fala – que usada com o intuito de esclarecer é ótima – podemos – e devemos – aprender a flexibilizar o nosso comportamento para ter mais atitudes com nosso parceiro. “Flexibilizar” significa desenvolver em nós a competência de criar vários comportamentos na direção de buscar os nossos objetivos, de harmonizar uma relação, de nos mantermos íntegros e mantermos a nossa relação íntegra também.

Ter estas atitudes envolve estar em contato constante com o limiar do nosso conhecimento, saber observar as reações do nosso parceiro, estar comprometido com o seu desejo de construir com essa pessoa uma relação feliz.

Porque nos comportarmos de forma diferente? Simples: uma relação não é algo extático, é uma eterna construção. É como a metáfora do jardim: ele nunca está pronto, necessita de cuidado, apreciação e manutenção constantes. Como a relação muda, evolui, as pessoas também o fazem e antigos comportamentos podem, hoje, não ser mais úteis. Evoluir, por sua vez, é um aprendizado, ou seja, o casal está aprendendo junto e como estão aprendendo, parte-se do pressuposto de que ainda não sabem – se soubessem já estariam fazendo diferente – e como os dois não sabem, como se pode ficar apenas cobrando uma nova atitude? O mais sensato é começar a mudar os seus comportamentos, pensamentos e, com isso, começar a ajudar o outro a  mudar com você.

Abraço

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O outro e a mudança
15/08/2012

– E então eu entendi que ele queria isso de mim sabe?

– Sei e você, o que fez?

– Ah Akim, não sei ao certo. Fico pensando nisso de me adaptar aos desejos dele sabe?

– Sim, como é isso para você?

– Ah, é complicado sabe? Não quero ficar mudando toda a minha rotina por causa dele, não quero me adaptar à ele o tempo todo.

– Entendo, mas me diga: é isso que está sendo exigido de você?

– Como assim?

– Ele está querendo que você mude o tempo todo se adaptando à todos os desejos dele?

– É, tipo, não é bem isso, mas é que eu fico com medo de que seja sabe?

– Sei sim, me diga: como se comportar frente aos desejos dele de uma forma que seja boa para ele e para você?

– Hum… não sei

– Então vamos pensar um pouco…

– (pensando) Hum, talvez se eu pensar se o que ele quer é bom para mim ou ruim para mim e decidir a partir disso?

– Como se você estivesse avaliando: se eu fizer essa mudança, estarei mantendo minha integridade ou estarei perdendo-a?

– Isso, bem isso.

– Me parece uma boa estratégia para usar, que te parece de usar ao longo de umas duas semanas e me contar o resultado?

– Ótimo, vou fazer.

Quando o tema é uma cobrança de mudança de comportamento exigida pelo relacionamento geralmente as pessoas ficam em dois extremos: ou não mudam nada, nunca, por ninguém ou mudam tudo o tempo todo. Ambos os casos são forçados e envolvem uma falta de compromisso com a relação, ambos nunca negociam o primeiro o faz nunca dando espaço para as necessidades do parceiro (limite excessivo), o segundo nunca dando espaço para as suas necessidades (falta de limites).

Mudar “pelo outro” é algo que deve ser avaliado com critério. Qual critério? O da manutenção da sua integridade. A mudança em si, o comportamento à ser mudado ou adquirido é o que menos importa nesse momento. De fato o que importa é se essa mudança estará violando você. O mais irônico é que podemos falhar com a nossa integridade mesmo sem a cobrança de mudança do nosso parceiro: podemos fazer uma escolha que vai contra os nossos princípios e valores e, com isso, estaremos quebrando a nossa integridade. Coloco esse fato para a reflexão de que não é a escolha do comportamento o que é mais importante, mas sim se este está de acordo com seus valores, princípios e desejos.

Reflita: se eu fizer essa mudança estarei me mantendo “ético” comigo mesmo? Estarei mantendo minha integridade, meus valores e princípios?

Se a resposta for “sim”, isso significa que a mudança não vale a pena. Tente negociar ou então aprenda a dizer o “não” mostrando que você não tem nada contra o desejo do outro, mas que essa mudança – para você – não é “ecológica”.
Se a resposta for “não” significa que a mudança não lhe afetará enquanto pessoa, se esse for o caso, porque não mudar? Adote uma atitude curiosa em relação à mudança que está sendo exigida e procure aprender com ela.

Abraço

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“Insight”
13/08/2012

– Quando cheguei ela ainda estava braba comigo e eu falei para ela ir lá em casa.

– E ela?

– Não quis, daí eu falei para ela que se ela não fosse era porque não me amava.

– Hum… e aí?

– Ela disse: “a não, chega disso”.

– (Risos suaves) Chega mesmo né?

– Então eu percebi o seguinte: que eu estava sendo criança. Ela tinha ficado braba por bobeira, mas eu estava sendo criança na minha resposta entende?

– Claro.

– Aí eu pensei assim: não quero isso mais pra mim! Pedi desculpas para ela e falei que eu iria lá para a gente conversar.

– Opa, que ótimo e como foi o papo?

– Maravilhoso. Falamos um monte de coisas difíceis para mim, mas eu estava sereno de verdade, consegui resolver a situação e pensar enquanto conversávamos, foi maravilhoso.

– Aprendeu bastante então é?

– Com certeza, quero agir assim sempre agora.

“Insight” é um termo que usamos para quando a pessoa tem uma “sacada” sobre um tema que ela está pensando.

Porque deixar o insight apenas no campo cognitivo? Um insight pode ser tanto cognitivo quanto comportamental, pode vir das duas formas ao mesmo tempo, como foi o caso do exemplo acima: ele percebeu que estava sendo criança e logo mudou o seu comportamento.

Agir de uma forma diferente e se surpreender com o resultado é uma forma de insight também, é algo que se descobre sobre si mesmo através da via da ação, além da via da reflexão. É quando um comportamento, uma atitude “adormecida” emerge dentro de nós e toma seu lugar em nossas vidas. Produz uma mudança na percepção de mundo da pessoa.

Isso tem a ver com a disposição da pessoa em se manter atenta à um fato, e buscar soluções diferentes para a situação. Envolve o compromisso com os desejos pessoais, sonhos e desafios. Insight nunca vem de graça, parece que vem “do nada”, mas é sempre o resultado de um exercício.

Abraço

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Controle
10/08/2012

– Aí fico pensando: o que ela está fazendo agora? E, logo logo, me dá uma vontade de ligar e saber entende?

– Entendo sim.

– E eu fico nessa várias vezes por dia.

– Compreendo, para que é importante esse controle para você?

– Ah, sei lá. Saber o que ela está fazendo, tipo eu fico meio ansioso se eu não sei entende?

– Claro, mas tem alguma coisa além de aquietar a ansiedade você nesse controle você não acha?

– Hum, é, sei lá. Tipo… É importante.

– O que acontece se você não tem esse controle? O que, especificamente, te deixa ansioso?

– Eu fico meio que sem saber o que fazer, preciso daquele controle para daí fazer as minhas coisas.

– Isso aí, o controle te dá um senso de orientação. Sem esse senso, você fica perdido é isso?

– É.

– Perfeito, agora, o que você me diz de ao invés de conseguir esse senso através desse controle, se você conseguir ele através de ti próprio?

– Hum… nunca tinha pensando dessa forma.

– Te parece interessante?

– Sim… acho que se eu ficar bem comigo, fica melhor com o outro né?

– Perfeitamente e deixa  a pressão nela de lado não é?

– Sim sim

Controle. Saber onde está, com quem está, quando sai, para onde vai então… perguntas que muitas pessoas se fazem necessitando de uma resposta. No entanto, controle nunca é por acaso, sempre possui uma finalidade. Esse “fim” geralmente está envolvido com alguma coisa que a pessoa não sabe como lidar adequadamente. No caso acima, aprender a viver a própria vida era o tema, a pessoa sentia-se mais feliz apenas quando um outro lhe dava um suporte emocional para que ele tomasse suas decisões, sem o outro ficava perdido.

Controlar os passos do outro é complicado pois demonstra falta de confiança e isso é um requisito básico em qualquer relação. O controle cria uma falsa sensação de tranquilidade, falsa porque não está baseada na pessoa, mas sim associada aos comportamentos de uma outra pessoa e na premissa que apenas se o outro manter-se dentro de um determinado padrão poderei ficar tranquilo. Nada mais frustrante e angustiante.

Compreender quais lacunas tentamos preencher através do controle e aprender novos recursos, comportamentos para usar no lugar do controle para resolver – de verdade – o problema é a solução para esta situação. As soluções podem envolver: melhora na auto-estima e/ou atuo-confiança, aprender a viver sozinho, lidar com frustrações, aprender a se entregar, aprender a confiar, aprender a dar limites e melhorar a comunicação. Existem outras possibilidades ainda, no entanto a ideia é sempre a mesma: sair do controle para garantir a sua liberdade.

Abraço

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