Archive for julho \30\UTC 2012

Negligência
30/07/2012

– Pois é, agora estou percebendo como todas aquelas decisões me fizeram mal.

– Que bom não é?

– Bom? Como assim?

– Bem, boa parte das suas decisões eram tomadas para fugir da situação, tapar o sol com a peneira, lembra-se?

– Sim, me lembro.

– O que não quer dizer que os problemas se resolviam por causa disso.

– Sim, é verdade, infelizmente. E o pior é que eu não buscava resolver mesmo!

– Pois então, agora você está vendo o resultado das suas escolhas e pode escolher se daqui para frente quer repetir ou mudar a forma de resolver os seus conflitos.

– Não tem nem o que pensar Akim, é suicídio emocional continuar do mesmo jeito.

– Ótimo, parabéns, agora você está começando a assumir responsabilidade sobre suas escolhas. Agora vai começar a fazer a diferença.

– Entendo. É, de fato eu negligenciei muitas coisas na minha vida não acha?

– Acho! Que bom que você está percebendo, agora não preciso mais te dizer que você está negligenciando, você já pode perceber sozinha né?

– (risos) É sim. Fica mais fácil de agir quando posso ouvir eu mesma dizendo isso.

– Perfeito, agora vamos começar com a parte bacana: aprender algo novo.

– Isso!

 

É comum ver as pessoas negligenciarem suas necessidades e desejos pessoais em prol da mais variada gama de motivos possíveis: por causa do social, família, conjugue, vergonha, baixa auto-estima. Independentemente do motivo negligência gera danos que podem ser sentidos logo ou à longo prazo, mas que serão sentidos.

O passo número um para a negligência é colocar a responsabilidade sobre a nossa situação em qualquer elemento que não nós mesmos. Não se colocar em primeiro lugar e nem como responsável pela nossa felicidade e bem-estar é a atitude mais negligente que podemos ter em relação à nós. É como ter um filho e achar que alguém – não você – tem que fazer algo por ele e ficar esperando que a sociedade lhe dê comida, a escola educação, a “vida” ensinamentos e ficar ausente.

“Não basta ser pai, tem que participar” era o que dizia a propaganda. O mesmo vale para nós: não basta sermos nós mesmos, temos que participar das nossas decisões ativamente, com consciência de que somos nós os responsáveis pela nossa vida. Começar pelas “pequenas coisas” é o passo mais desafiador e que gera mudanças muito positivas. Isso porque as pequenas coisas acontecem o tempo todo e em maior quantidade, se começarmos com elas, rapidamente mudamos e sentimos os efeitos dessa mudança em nossa auto-estima, humor e disposição.

Comece pelas pequenas coisas sempre deixadas para depois, arrumar um armário, dar aquele telefonema, sair com aquela amiga, visitar os pais, comprar um casaco, ouvir uma música relaxante, dizer um “pequeno” não, dizer outro “pequeno” sim e por aí vai. Sempre tendo como foco o seu bem-estar. Não deixe para depois, aja agora!

Abraço

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Aprendendo a viver
27/07/2012

– Eu ainda me sinto inseguro Akim, mas mesmo assim tem valido à pena fazer essas pequenas mudanças.

– Vale mesmo não vale? Não doeu nem te matou fazer essas adaptações não é?

– Sim, na verdade sinto que mesmo com medo se eu faço posso aprender com aquilo.

– Com certeza.

– E tem sido muito legal, porque vai me dando vontade de fazer mais coisas, fico mais alegre sabe?

– Sei, é bom quando a gente cuida da gente, motiva e dá energia.

– É verdade, é verdade. Parece que estou começando a viver agora (risos)

– (risos) É, para uma parte da sua vida você está mesmo.

– Eu tenho percebido que nesse momento eu continuo ficando brabo com algumas coisas, mas que eu penso diferente

– Como você tem pensado?

– Penso que eu quero resolver a situação, quero aprender com ela sabe? Eu me coloco mais como se fosse algo que eu tenho que dar uma resposta e antes eu ficava com medo e fugia da situação sabe?

– Sim é isso mesmo, concordo com a tua colocação, várias vezes vimos aqui na terapia você fugindo de situações importantes para você, que bom que agora estás olhando de frente não é?

– É, muito bom!

 

Se a vida tivesse manual muito não iriam lê-lo. Se tivesse vídeo introdutório alguns iriam pular o vídeo ou dormir enquanto assistiam.

A diferença real é quando nos colocamos como causa da nossa vida. Enquanto culpamos o mundo, sociedade, capitalismo, socialismo, pessoas, atitudes por nossa infelicidade não ficamos curiosos com o que ocorre à nossa volta, não nos fazemos perguntas interessantes, não criamos objetivos, não nos comportamos de maneira à alcançar nossos sonhos e – principalmente – nada aprendemos.

O fator fundamental da aprendizagem é o interesse. Interessar-se pela própria vida é uma arte, talvez porque em si a vida não tenha um sentido, somos nós quem devemos criar este sentido. Aprender a viver a vida que queremos é uma arte pois é singular, podemos trocar informações com outras pessoas, mas no fim somos nós quem executamos ou não mudanças e comportamentos em nossas vidas.

Como você aprende? Como você se motiva e se interessa por si próprio? Como mantém esse interesse frente às frustrações que a vida nos traz? Essas perguntas – e outras – são importantes de se fazer para compreendermos melhor como estamos vivendo a nossa vida, porque mesmo sem manual nós criamos algumas regras a questão mais importante para nós é se essas regras tem nos ajudado a chegar onde desejamos.

Abraço

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Ciúmes
25/07/2012

– Então, eu fico louco quando acontece isso.

– Imagino que sim, mas me diga, esse rapaz que escreveu “linda” no facebook da sua namorada, é realmente uma ameaça?

– Como assim?

– Pelo que você me conta, estás com ciúmes dela não é?

– Sim.

– Então, para sentir isso você está percebendo o carinha como um “intruso” perigoso se eu bem te conheço não é?

– (risos) É, já aconteceu antes né?

– É.

– Mas eu não quero mais sentir isso desta forma.

– Perfeito, então me conte, o fato de ele dizer “linda” para a sua namorada, quer dizer, especificamente que o seu relacionamento está por um fio?

– É, na verdade não.

– Pois é, de que forma você pode encarar este comentário de modo que você sinta outra coisa além de ciumes?

– Hum… (Pensativo) posso imaginar que ela é linda mesmo e que está sendo apreciada por outras pessoas. E que eu estou com essa pessoa linda.

– Bem mais interessante não é? Como você se sente pensando desta forma?

– É mais leve, pensando assim consigo até “ficar contente” com o comentário. (risos)

– Com certeza.

Ciúme é uma atitude mental. Pode ter suas origens em limites muito rígidos em relação as “fronteiras” do relacionamento, baixa auto-estima ou em uma percepção real de que o relacionamento está “em perigo”.

“Fronteiras” muito rígidas são aqueles relacionamentos em que qualquer pessoas que se aproxime do outro é um perigo em potencial, a pessoa vê amigos, desejos ou atividades do conjugue  como elementos perigosos que podem roubar a pessoa amada.

A auto-estima baixa pode ter a ver com insegurança – a pessoa não se julga competente para manter uma relação, não percebe que sabe o que fazer, auto-imagem – a pessoa não consegue se imaginar como uma pessoa que pode ter um relacionamento satisfatório ou com um problema em outra área da vida da pessoa que está deixando-a insegura e essa emoção está sendo canalizada para a relação.

A terceira origem é quando a auto-estima está em dia e os limites são adequados. É quando percebe-se que a relação está, de fato, definhando. Neste momento o interesse por outra pessoa pode soar como um interesse de fato e está na hora do casal conversar sobre o que está acontecendo, sobre como recuperar a paixão, amizade e amor que o relacionamento tinha antes. É o momento de reavaliar o relacionamento.

Abraço

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Crises
23/07/2012

– Pois é Akim, estou neste turbilhão hoje, esta semana.

– Entendi, e como está para viver neste turbilhão?

– Complicado sabe? Daqui a pouco quero fazer uma coisa, depois não quero, logo dá vontade de jogar tudo para o alto.

– Conheço bem essa rotina, parabéns!

– Parabéns?

– Sim, claro. Toda vez que entramos em “crise” estamos passando por um momento em que o que não está muito certo em nosso vida se intensifica. Nossas incompetências ficam mais à flor da pele, as respostas que não temos começam a gritar pedindo solução, daí ficamos neste descontrole aparente.

– Mas e o que eu faço?

– Preste atenção à sua crise, perceba, anote o que está passando pela sua cabeça, sem julgar, nem querer resolver de imediato. Neste momento não adianta querer fazer algo, mais importante é perceber o que ocorre contigo, teus comportamentos, pensamentos e emoções.

– Sei e no que isso me ajuda?

– Simples: quando a tempestade emocional baixar você saberá o que precisa concertar na sua vida, poderá avaliar o que está passando na sua mente com mais calma.

– Entendi, perceber sem julgar é isso?

– É.

– Vou tentar.

Crises são estes momentos em que as tensões se acumulam. Pode estar ligado à um acontecimento específico ou não, o que geralmente percebemos nesses momentos é que várias informações competem na cabeça da pessoa exigindo atenção. Justamente por este fato não é o momento de dar atenção à tudo o que vem, mas sim de perceber estas “demandas” internas e anotá-las sem julgar o que ocorre.

Uma vez feito isso a tormenta dá uma acalmada, aí, quando as emoções estão com menos intensidade é um momento adequado para rever as demandas e decidir o que fazer com cada uma delas.

As crises não são ruins, pelo contrário, são muito boas por terem esta função de explicitar – para nós mesmos – o que estamos passando. A armadilha é imaginar que temos que dar conta de tudo no mesmo instante, não dá certo e cria uma ansiedade gigantesca. É como se você fosse o chefe de uma empresa e num determinado dia todos os seus gerentes chegam com reclamações sobre seus setores: não dá para resolver tudo no mesmo dia, solicita-se que eles anotem tudo o que está errado para depois o chefe decidir por onde começar.

Abraço

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Julgamentos
20/07/2012

– Eu fico muito brabo quando percebo que as pessoas ficam falando sobre mim sabe Akim?

– Sei sim, o que te deixa brabo especificamente?

– Ah, como que elas podem ficar falando de coisas que as vezes nem sabem? Inventando história, fofocando! Acho horrível isso.

– Entendo perfeitamente, é uma situação chata mesmo né?

– É sim.

– Pois é, mas assim… Qual o problema em saber que os outros tem opiniões sobre você ou que “fantasiam” histórias contigo?

– Sei lá… eu quero que pensem algo bom de mim sabe?

– Sei, é uma boa meta. No entanto é complicada porque a decisão sobre o que os outros vão pensar e dizer sobre você não cabe 100% à você não é?

– É, é verdade.

– Daí que te irrita tanto, e dá um trabalho enorme porque você tem que ficar se ocupando de tudo o que pensam e que podem vir à pensar sobre ti não é mesmo?

– É sim, bem chato.

– De fato. Como seria simplesmente permitir que pensem de você o que quiserem?

– Não consigo fazer isso, é muito pra mim.

– Sei, mas me diga honestamente: não é isso o que já ocorre?

– Como assim?

– Ora, cada pessoa pensa de ti o que quer independente do que você faça. Ou vai me dizer que você não tem opiniões sobre os outros também?

– É, tenho

– E tem pessoas que podem fazer o que quiserem, você não vai  mudar a sua opinião sobre elas não é mesmo?

– É.

– Aí está, o que vale para você vale para os outros.

– Entendo. É, acho que me desapegar da necessidade de fazer todos pensarem sobre mim do mesmo jeito vai me ajudar né?

– Sim, porque organizar o pensamento de todas as pessoas com quem você convive para que pensem todas do mesmo jeito sobre você é uma meta no mínimo irreal.

– (risos) é verdade.

Ter opiniões sobre pessoas, lugares, filmes, é algo natural ao ser humano. Fazemos isso para organizarmos nosso mundo interno, sem isso não conseguiríamos viver.

Cada pessoa cria a sua opinião de acordo com seus valores, crenças, gostos e momento de vida de forma que duas pessoas que pensem exatamente da mesma maneira é algo impossível de encontrar.

Daí que ter como meta que as pessoas pensem de nós exatamente o que queremos é complicado. O que podemos fazer é expor nossas atitudes através do nosso comportamento, palavras e emoções. A forma pela qual o outro julgará isso cabe à ele e aos valores e critérios que ele utiliza independente da atitude que tivemos.

Uma pessoa honesta, por exemplo, pode ser julgada por otária ou “caxias”. Uma pessoa respeitosa pode ser julgada como “banana” ou “mané”. Assim como uma pessoa desonesta pode ser julgada – a admirada – como “esperta”. Visto isso buscar que todos percebam o nosso comportamento da mesma forma é impossível. Mais ainda: é reduzir demais a percepção humana pois um mesmo comportamento pode ser útil em um contexto de vida, mas inútil em outro e os julgamentos tem a ver com a vida de cada pessoa.

Desta forma talvez seja interessante permitir que as pessoas tenham suas opiniões e que você se defenda das opiniões quando for necessário ao invés de buscar fazer isso o tempo todo controlando o que pensam sobre você.

Abraço

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Papéis
18/07/2012

– Pois é, na verdade agora eu sei o que vai acontecer Akim então estou mais ou menos preocupado sabe?

– Sabe é?

– Sei sim, isso já aconteceu tantas vezes que eu já até sei o que vai acontecer.

– Entendo. E você está feliz com o seu papel nessa novela?

– Como assim?

– Bom, se você já sabe o que vai acontecer você está praticamente interpretando um personagem não é? Como se já tivesse lido a história e agora fosse só dramatizar.

– Hum, nunca pensei dessa forma, mas é isso aí. É… não estou exatamente feliz com esse papel não.

– Imagino. Como seria mudar o papel?

– Seria um desafio, algo que nunca fiz.

– Este papel que você interpreta te faz bem? É o papel que você quer para a sua vida afetiva-conjugal?

– Definitivamente não.

– Perfeito, agora temos que pensar em qual novo papel você gostaria de interpretar, vamos lá?

– Ótimo

 

Nas relação da vida é comum as pessoas interpretarem papéis, assumirem um “jeitão” com uma pessoa ou em um ambiente. O problema surge quando esse papel fica tão cristalizado que a pessoa acha que não tem como mudar ou não se toca que está vivendo um papel que não gosta, que não lhe faz bem.

Neste momento precisamos refletir não apenas sobre os atos que temos, mas principalmente sobre quem somos nessa relação.

Embora um tanto abstrata de início essa pergunta pode lhe ajudar a perceber que a forma pela qual você age está intimamente ligada ao como você se percebe, como você se vê enquanto pessoa. Esta forma de se perceber pode ser mudada, modificando, assim, o jeito de agir e o como a pessoa interpreta o que lhe ocorre.

E você, que papel assume na sua relação?

Abraço

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E se não gostarem?
16/07/2012

– Mas e se eles não gostarem? E se rirem de mim?

– Qual o problema?

– Como assim? Estou fazendo isso para as pessoas verem e gostarem, se ninguém gostar acabou!

– Hum, interessante, pensei que você gostava disso.

– Ah sim, eu gosto. Tem muito de mim nisso.

– Ahh melhorou. O segundo passo é algo assim: “como assim acabou”?

– Acabou oras…

– Acabou ooouuu significa que aquilo que foi produzido ali não foi do agrado do povo?

– É, que aquilo não foi do agrado.

– E se não foi do agrado, o que você tem que fazer?

– Fazer outra coisa…

– Pois é… simples não é?

– É, simples é… mas fazer isso na hora que é difícil.

– Será enquanto você continuar levando a “rejeição” do público para o lado pessoal.

– Ah é… isso de novo é?

– Sim, isso de novo

– Tá, entendi.

Coco Channel realizou um desfile certa vez que foi um grande fiasco. Nem ela própria gostou do desfile, as críticas foram as piores possíveis ela estava “ultrapassada”. No entanto, sua atitude frente à rejeição foi uma nova criação a qual arrancou aplausos dos críticos de moda e ótimas críticas escritas nos jornais.

Ter nosso trabalho rejeitado faz parte, agradar à todos é utopia o problema é quando se foca nas pessoas que não gostaram e se toma a crítica para o lado pessoal. O que está sendo criticado é o trabalho e quando a pessoa tem essa ideia em mente ela pergunta ao crítico: o que, especificamente, não está bom. Esta atitude mata dois coelhos com uma só cajadada: 1. se a pessoa realmente criticou o trabalho e tem comentários importantes para dar quando perguntamos estamos indo além e abrindo espaço para o outro dar as dicas para a evolução do nosso trabalho; 2. se é uma questão pessoal a pessoa não consegue manifestar uma crítica elaborada, a “crítica” fica ruim e insossa, daí que, mesmo assim abrimos o espaço, mas fica evidente que a questão é pessoal e você nem precisa mais se preocupar com isso.

Espere pela crítica, ela virá, recebe-a de braços abertos e tenha um bom papo com ela, o único que tem a ganhar é você mesmo.

Abraço

Temos mais um post que complementa este: “rejeição” confira

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Quero parar
13/07/2012

(Depois de alguns minutos de sessão na qual o cliente estava relatando suas melhoras)

– Então Akim, eu queria falar uma coisa com você, mas tô meio assim.

– Diga lá.

– É que… sabe… que nem hoje, eu te falei dessas coisas todas… estou sentindo que estou bem melhor sabe?

– Ô, com certeza, está sim. À olhos vistos.

– Obrigado, pois é e daí assim, tipo, já faz algum tempo que essas coisas estão boas, me sinto sabendo o que fazer, como fazer, me sinto bem diferente já, quando piso na bola sei como concertar, não acha?

– Concordo contigo, quando você me relata algo que fez que não foi bom pra ti logo em seguida já tem me contado como concertou a situação ou o que fez com a emoção gerada.

– Pois é… sabe Akim… estou pensando em parar com a terapia!

– Mas que beleza!!

– Beleza é? (Risos) Que bom que você acha.

– Sim, porque você não está me relatando que quer parar uma terapia, mas sim que já aprendeu – e eu concordo contigo – o que se propôs a aprender neste tempo de terapia. Você, de fato, está muito mais competente do que quando chegou, está sabendo como lidar com as situações, um expert!

– (Risos) Ah, obrigado, você acha então que não tem problema de eu parar?

– Nenhum, estás parando pelo motivo certo: porque aprendeu o que precisava e enquanto seu terapeuta também percebi isso através dos seus relatos. Está de parabéns pelo seu processo, pelos resultados e por toda a mudança que você fez em ti.

– Que bom ouvir isso de você, fico feliz e aliviado.

– Tens todo o merecimento por isso! Aproveite!

“Terminar a terapia” sempre é um tema de tabu nos consultórios.

De uma forma muito pragmática a terapia que termina assim envolve um processo como esse que descrevi; no qual a pessoa fez as mudanças que desejava e sente-se competente para lidar com a manutenção dessa mudança.

Terapias que terminam por medo em envolver-se com emoções, memórias ou processos que podem causar dor ou ansiedade ao cliente, por mal-entendidos entre o cliente e o terapeuta, por simples negligência ou por fatores como mudança de cidade e falta de recursos para manter a terapia não envolvem o aprendizado da mudança o que pode ser prejudicial ao cliente que vai voltar à sua rotina sem os recursos necessários para realizar mudanças voltando, assim, aos mesmos problemas mais cedo ou mais tarde. Não manter a terapia é sempre uma escolha por esta razão não julgamos isso de forma alguma.

Mas acabar com o aval dado por si próprio de “expert” naquelas situações que atrapalhavam a vida da pessoa é extasiante. Na verdade muitas linhas da psicologia encaram o final do processo de terapia desta forma, praticamente uma “formatura” na qual a pessoa aprendeu muitas lições e agora sente-se “formada” em si própria e nos problemas que agora sabe resolver. Para um terapeuta esse momento é muito gratificante e ficamos felizes de concordar com o cliente quando ele chega nesse momento!

Abraço

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“Só” isso?
11/07/2012

– O problema é que eu tenho só isso para mostrar sabe?

– Como assim “só isso”?

– Ué, só isso oras. Não tenho nada mais complexo, elaborado.

– Sim, mas isso é o que você tem não é mesmo?

– É, mas é uma porcaria.

– Já te vi, outras vezes, se referindo à sua produção da mesma forma. Como seria se você pudesse ver o que tem de bom na sua obra?

– Hum, difícil.

– Igualmente difícil vai ser você crescer com o seu trabalho então. Você reconhece esse padrão no qual você fica desqualificando o seu trabalho?

– Sim.

– Veja bem, esse é o padrão que você deve mudar agora para começar uma nova etapa do seu crescimento.

– Como vou fazer isso?

– Simples: pegue a obra, veja tudo nela que você, honestamente, gosta, aprecia, acha que está bom. Diga para você mesmo “isto está bom”, é uma educação no sentido de você aprender a ver o que você fez, e valorizar (dizer-se: “isso que eu fiz está bom”).

– Hum

– Que tal tentarmos com a sua obra agora?

– Tá. É, eu gostei dos traços do desenho e também gosto muito de como eu desenvolvi o tema, acho que isso está muito bom.

– Perfeito. É por aí, quando você for falar, fale sobre isso.

– Entendo. É… acho que se eu fizer isso com mais coisas posso ter mudanças.

– Sim, pelo que você me relata, você já sabe o que fazer, lhe falta confiança, uma vez que você faça esse exercício começas a ganhar essa confiança.

– Entendi.

Menosprezar algo que criamos é diferente de apreciar. Menosprezar é uma atitude que, geralmente, envolve o todo e diz: “está uma droga”. É uma generalização que destrói todo o sentido do que foi criado.

Apreciar significa olhar para o que se fez, separar o que se gostou e o que não se gostou e poder expôr aquilo que gostamos, raciocinar com outros sobre o que não gostamos e arrecadar mais idéias para uma próxima tentativa.

Geralmente o menosprezo tem a ver com uma baixa auto-estima que pode, por exemplo, se expressar em uma crítica muito rigorosa, “preguiça” de realizar os objetivos, afastamento dos desejos. É algo como: “quem sou eu para querer/conseguir isso? Quem sou eu para afirmar que isso que eu fiz é bom?”

É importante melhorar a atuo-estima e a auto-imagem gerando uma nova identificação, uma mais rica, que envolve tanto as críticas quanto o lado positivo da pessoa – e aqui cabe uma ressalva: o lado bom é o que, de fato, está bom não significa mentir ou minimizar problemas, mas sim dizer que o que está bom, está, de fato, bom e merece ser valorizado por isso.

Abraço

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Não sei porque
09/07/2012

– E daí me deu isso sabe? Não sei porque.

– Hum, quer dizer que vocês estavam lá apenas conversando e daí, de repente você ficou super ansioso?

– É isso.

– E sobre o que estavam conversando?

– Nada demais, coisas da vida.

– Sei, e que coisas da vida são essas?

– Ah, não me lembro bem ao certo, mas coisas normais sabe?

– Sei. Tente lembrar do momento em que você sentiu o que sentiu: o que você estava conversando?

– (pensativa)

– Tínhamos acabado de falar sobre os problemas na empresa dele.

– Sei. E antes?

– Ele falou sobre uma viagem que ele quer fazer, sobre os problemas na empresa dele que talvez ele tenha que sair de lá.

– Hum, e esses temas não significam nada para você? Eu me lembro de você ter falado sobre isso mais de uma vez ao longo das últimas sessões.

– (Pensativa) É, agora, você colocando assim dessa forma, na verdade não eram apenas coisas do cotidiano não.

– Ótimo, agora começamos a entender um pouco melhor o que te angustiou não é?

– Sim. Esse negócio do emprego dele é complicado para mim. Se ele sai vai demorar um pouco para voltar ao mercado, mesmo que seja durante pouco tempo sou eu quem vai segurar as pontas sozinhas e não sei se consigo fazer isso.

– Pois é, me parece que vamos ter que trabalhar com isso não é mesmo?

– E outras coisas também.

 

Lembrar de um evento inteiro tal como ele foi com 100% dos detalhes não é algo que nós humanos conseguimos fazer. Isso porque a quantidade de detalhes que nos escapam são enormes. Daí que sempre lembramos de partes ou do que foi importante para nós.

Um outro mecanismo também ocorre quando omitimos alguns pedaços da informação que são importantes, mas que omitimos por alguma razão. Geralmente deixamos esses detalhes de lado por não sabermos como lidar com eles, por eles nos causarem medo ou ansiedade. Quando não queremos olhar para isso geralmente esses detalhes desaparecem da nossa memória.

Uma das ideias é buscar lembrar da emoção e buscar o momento em que ela surgiu, começar a fazer todas as conexões para ir buscando as informações que ficaram omitidas por estas defesas que, neste momento, estão apenas ajudando a afastar a dor, mas não à resolver o problema.

Reconhecer é o primeiro passo para resolver um problema. Quando temos dificuldade em reconhecer nossos medos e limitações omitimos informações importantes de nós mesmo e ficamos com uma sensação estranha quando sentimos ansiedade ou medo, por exemplo. Essa estranheza geralmente se resolve quando paramos para verificar nossas emoções e os momentos em que as sentimos.

 

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