Exclusivo

– Pense assim: se você tivesse a certeza que ele está pensando em você o tempo todo você ficaria mais tranquila?

– Sim.

– E se ele estivesse contigo o tempo todo, mas você soubesse que ele não está pensando só em você nesse período, bastaria para você apenas a presença dele?

– Não.

– O que te parece isso?

– Parece que eu quero que ele fique o tempo todo pensando em mim né?

– É. E quando você acha que ele não está você simplesmente desmonta. E, pelas nossas sessões, não é uma questão de ele estar pensando em outra mulher, mas sim de não estar pensando em você não é mesmo?

– É bem isso. Mas isso atrapalha Akim. Nem só ele, mas a minha vida vira um inferno nesses momentos.

– Com certeza.

– Que tal começar a flexibilizar um pouco estes critérios de amor?

– Como assim?

– Me parece que para você ser amada é igual à pessoa ter que ficar o tempo todo contigo na cabeça né?

– É.

– Só que você sabe que isso não é possível. Que tal flexibilizar um pouco isso então?

– Hum, pode ser, mas sabe o que? Me dá medo de não ser assim.

– Com certeza. Vamos fazer os dois trabalhos então: aprender a flexibilizar e a lidar com os medos que vão surgir daí, o que acha?

– Vamos lá.

Há uma diferença entre “ser especial” para alguém e “ser exclusivo” para alguém. Ser especial significa que você tem um lugar de destaque na vida da pessoa. Ser exclusivo significa que você “é único” para aquela mesma pessoa. Isso vale para muitos casos de ciúmes em que o ciumento apenas o é por desejar ser único na vida da pessoa. Tarefa sempre fadada ao fracasso por definição.

É um tanto óbvio dizer que não é possível ser exclusivo a não ser que você trancafie a pessoa num sótão e não permita à ela nenhum acesso com mais nada o resto da vida dela – e isso é um tanto exagerado sabe? Daí que é necessário aprender a redefinir os critérios que usamos para entender que somos amados. O desejo de ser exclusivo é um desses critérios, obviamente, ao mexer nesse critério vão aparecer alguns medos (o mais óbvio: como sei que serei amado se não for exclusivamente?) o trabalho terapêutico vai auxiliar a pessoa nas duas frentes: estabelecer critérios mais reais e lidar com os medos. Afinal de contas: é possível que quem nos ama goste de outras coisas e pessoas; o fato de estar conosco não implica exclusividade, mas sim escolha.

Abraço

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