Archive for junho \29\UTC 2012

Confrontos
29/06/2012

– E aí Akim eu falei que não ia mais ficar só eu lavando a roupa de todo mundo.

– Muito bem, é isso mesmo.

– Afinal de contas, eu também trabalho, não trabalho nem um pouco menos do que ninguém lá. Porque só eu tenho que lavar a roupa e ainda levar bronca se eu não lavo?

– Porque você acostumou todo mundo com esse jeito (risos).

– (Risos) É, foi mesmo. Mas agora chega sabe? Assim, o pessoal não gosta de lavar roupa? Ok, mas não é por isso que eu tenho que fazer todo o serviço sempre, vamos dividir né?

– É uma proposta legal.

– Antes Akim eu ficava pensando assim: “ai, mas eu posso fazer isso”…

– Claro que “pode”. Você “pode” fazer um monte de coisas, mas junto com essa questão tem outra: “devo”?

– É. É essa que eu entendi que eu também tinha que responder sabe? Eu sempre quis dar uma de bonitinha para todo mundo, agradar todos sabe? E agora entendi que não adianta e que eu também tenho que cuidar de mim.

– Com certeza. E esse pessoal que você falou eles são um pouco folgados, o que aumenta a necessidade de você se cuidar.

– É, agora eu estou aprendendo a confrontar Akim.

– Isso mesmo, a se proteger!

 

Muitas vezes é necessário confrontar uma pessoa em uma relação seja ela de trabalho, pessoal ou familiar. No entanto confrontar não significa brigar com o outro para destruir ele ou fazê-lo mudar o seu ponto de vista, significa defender a sua integridade, fazer uma demanda e negociar.

Muitas pessoas evitam os confrontos porque não querem magoar o outro, criar conflitos, não sabem lidar com a resposta do outro frente às suas demandas, não conseguem se posicionar de forma adequada. No entanto isso não retira a necessidade desse comportamento.

Confrontar é um ato de amor. É importante dizer isso. Amar e se relacionar verdadeiramente dá trabalho, o confronto quando necessário é um deles. Este é o primeiro passo para um bom confronto: saber que se faz isso pelo afeto mútuo e individual, não para brigar e destruir o outro ou a relação, mas para deixá-la sempre viva, enquanto for possível.

Confrontar também deve ser algo feito de maneira sóbria, ou seja, a pessoa deve saber quais são os seus critérios, o que ela realmente deseja e expressar bem isso, sem impôr, apenas comunicando e verificando com o outro a possibilidade da realização do seu pedido. Este critério deve ser claro para a pessoa, declarar que deseja algo e depois voltar atrás é um caminho rápido para perder auto-estima e deixar a relação mais confusa ainda: peça o que é realmente importante!

Abraço

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O que os outros vão pensar?
27/06/2012

– Daí, Akim, entrei lá e tentei me comportar legal sabe? Para as pessoas me notarem, queria agradar à todos.

– Sei sim. E como foi?

– Ah, foi meio complicado. Algumas pessoas conversaram comigo, mas outras não. Fiquei achando que não fui muito bom.

– E como seria se você “fosse bom”?

– Acho que todos iriam querer falar comigo depois do curso, pelo menos dar um “oi” sabe?

– Sim, sim. E me diga uma coisa: dessas pessoas que foram falar com você, quantas eram pessoas que você queria que falassem com você?

– Como assim?

– Você buscou se comportar de uma forma a agradar todos não foi?

– Foi.

– E você não observou o comportamento dos outros para ver aqueles que você gostaria que se aproximassem de você?

– Hum… não.

– Que coisa! Quer dizer que você não liga muito para quem vai se aproximar de você desde que se aproxime?

– Parece que sim né? Estranho.

– Pois é… como seria se você buscasse conhecer as pessoas e ver aquelas que valem a pena para você conhecer mais e investir em uma amizade, por exemplo?

– Seria bem diferente do que eu faço hoje, algo que eu acho que preciso aprender.

 

É algo muito interessante quando prestamos muita atenção ao que os outros pensam de nós: não paramos para pensar no que nós pensamos dos outros. O resultado é uma relação sempre tensa e nem sempre espontânea na qual interpretamos cada olhar, cada palavra, cada gesto como um sinal de aprovação ou reprovação do nosso eu. Isso é muito desgastante.

Além de desgastar, também tira o foco de outra atividade importante no convívio social: identificar as pessoas que nós desejamos nos aproximar e conhecer. Enquanto nos importamos com o pensamento dos outros não conseguimos nos importar com o nosso pensamento. Aqui, inclusive, vale uma ressalva: é muito difícil sabermos com certeza o que se passa na cabeça de outra pessoa, mais complexo ainda quando não conhecemos ela adequadamente e pior ainda se ela está junto com várias outras pessoas, pois nunca se pode saber ao certo para quem foi direcionado o “olhar de desdem”, por exemplo.

Um outro ponto importante é que a preocupação exagerada pode, muitas vezes, ser um tiro no próprio pé. É o que chamamos de “profecia que se auto realiza”. Ao pensarmos que não estão gostando da gente em uma festa, por exemplo, começamos a nos comportar de uma forma diferente da habitual e, então, começamos a chamar atenção por aquele comportamento o qual faz com que algumas pessoas, de fato, desaprovem-nos e então construímos, nós mesmos, a nossa cova.

Procure perguntar-se: que tipo de pessoas eu quero para a minha vida? Que tipo de comentários eu vou dar atenção? As pessoas podem julgar qualquer pessoa de qualquer forma pelos mais variados motivos. Agradar à todos é uma tarefa impossível por este fato. Assim é melhor comprometer-se a criar seus próprios limites em relação ao que você vai levar e ao que você não vai levar do julgamento dos outros. E por fim indagar-se o que você está achando das pessoas que ali estão: quem você quer conhecer melhor?

Abraço

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Rejeição
25/06/2012

– … e aí Akim ela me deixou lá e foi pra casa dela!

– E você o que fez?

– Eu liguei para ela, passei por lá e nada!

– Complicado né? Como você está se sentindo com isso?

– Rejeitadíssimo óbvio né?

– Esperado. Ela deixou bem clara a escolha que ela fez não foi?

– É claro demais.

– Foi… está sendo difícil para você de lidar com a escolha dela não é?

– Cara, ela me rejeitou, você espera que isso seja tranquilo?

– Não, rejeição é sempre complicado. Escolhas é um pouco mais tranquilo, mas a rejeição é mais complicada.

– Como assim “escolha é mais tranquilo” e “rejeição é mais complicado”?

– Ela escolheu estar longe de você, mas, aí dentro você sente isso como se ela tivesse rejeitado o seu eu por completo. Imagino que você deva estar sentindo um idiota, sem atrativos, burro, feio, coisas assim não é?

– É… bem por aí… Mas porra, “escolheu ficar longe de mim” e “me rejeitou” dá na mesma!

– Quase. O problema de se sentir rejeitado é que você está se acusando de alguma coisa. E o que ela rejeitou foi a sua companhia a possibilidade de estar contigo e não o seu eu. Como ela poderia rejeitar o seu eu? Só se ela fosse uma maga e te apagasse da existência!

– Hum… você quer dizer que ela não tem como me rejeitar, mas tem como rejeitar querer ficar comigo é isso?

– É.

– Não dá na mesma?

– Não.

– Rsrs… mas eu sinto do mesmo jeito!

– Eu sei, vamos trabalhar para te ajudar com isso. Perceba rejeitar o seu eu só é possível com o seu aval, por isso eu sabia que você estava se sentindo feio e burro. Ninguém consegue rejeitar o eu do outro sozinho, podem discordar e não desejar estar junto com o outro, mas não conseguem rejeitar, simplesmente pelo fato de você existir!

– Hum… eu entendo, mas não consigo sentir dessa forma.

– Ok, compreender essa diferença já é um primeiro passo.

 

Quando as pessoas se dizem “rejeitadas” é necessário entendermos como esse processo ocorre.
Rejeitar alguma coisa é um sinônimo para “não quero isso, quero aquilo”. É como se você estivesse em um restaurante, e o garçom lhe sugere um prato e você diz: “hum, obrigado, mas não quero isso não, prefiro um filé à parmeggiana”. Desta forma ninguém é “rejeitado” pois “rejeição” nada mais é do que a constatação por parte daquele que “rejeita” – o termo adequado é escolhe – de que o que está sendo “rejeitado” não é exatamente aquilo que o “rejeitador” deseja.

O que  ocorre dentro de nós é que compreendemos a escolha do “rejeitador” como algo pessoal. “Ele está ME rejeitando”, ou seja a escolha assume um caráter de identidade e a pessoa toma a escolha do “rejeitador” como uma definição de eu: um “eu rejeitado”. Para isso é necessário partir do suposto que é o outro quem me define ou quem me rejeita. Se o outro me aceita eu existo se não não existo sou “rejeitado”. O termo “rejeitado” significa aquilo que não é aceito, que é descartável sempre sob um ponto de vista – existe alguém que toma a decisão de descartar, não aceitar. Por isso que a pessoa se sente um lixo, feia, burra pois ela passa a se desqualificar.

Esse entendimento que o “rejeitado” cria é que é o problema. Sim a companhia dele foi rejeitada, a pessoa não deseja aquele tipo de companhia para ela, no entanto, não é um problema pessoal com o “rejeitado”, mas sim uma questão de definição do “rejeitador” sobre com quem ficar ou não. Daí que tomar a “rejeição” como uma definição de identidade é problemático por ser um julgamento auto-criado e “falso” (no sentido lógico).

O primeiro passo então é fazer essa diferença entre ter sua companhia, trabalho, arte rejeitada e o seu “eu” rejeitado. Este último só pode ser rejeitado se a pessoa tomar a rejeição como pessoal. Geralmente a baixa auto-estima, limites muito rígidos, pouca flexibilidade em habilidades interpessoais contribuem para tomar a rejeição como pessoal. Fica a dica do que cuidar.

Reconheça que as pessoas TEM a possibilidade de desejarem estar com outras pessoas que tem características diferentes das suas e que isso não tem nada a ver contigo, tem a ver com elas, escolhas delas, desejos delas. E que, por sua vez, existem pessoas que desejam estar com pessoas com as suas características e é nestas que vale a pena apostar. Dica: a principal destas pessoas pode ser você! Que tal contemplar a alternativa? Você se sente bem sozinho?

Abraço

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Exclusivo
22/06/2012

– Pense assim: se você tivesse a certeza que ele está pensando em você o tempo todo você ficaria mais tranquila?

– Sim.

– E se ele estivesse contigo o tempo todo, mas você soubesse que ele não está pensando só em você nesse período, bastaria para você apenas a presença dele?

– Não.

– O que te parece isso?

– Parece que eu quero que ele fique o tempo todo pensando em mim né?

– É. E quando você acha que ele não está você simplesmente desmonta. E, pelas nossas sessões, não é uma questão de ele estar pensando em outra mulher, mas sim de não estar pensando em você não é mesmo?

– É bem isso. Mas isso atrapalha Akim. Nem só ele, mas a minha vida vira um inferno nesses momentos.

– Com certeza.

– Que tal começar a flexibilizar um pouco estes critérios de amor?

– Como assim?

– Me parece que para você ser amada é igual à pessoa ter que ficar o tempo todo contigo na cabeça né?

– É.

– Só que você sabe que isso não é possível. Que tal flexibilizar um pouco isso então?

– Hum, pode ser, mas sabe o que? Me dá medo de não ser assim.

– Com certeza. Vamos fazer os dois trabalhos então: aprender a flexibilizar e a lidar com os medos que vão surgir daí, o que acha?

– Vamos lá.

Há uma diferença entre “ser especial” para alguém e “ser exclusivo” para alguém. Ser especial significa que você tem um lugar de destaque na vida da pessoa. Ser exclusivo significa que você “é único” para aquela mesma pessoa. Isso vale para muitos casos de ciúmes em que o ciumento apenas o é por desejar ser único na vida da pessoa. Tarefa sempre fadada ao fracasso por definição.

É um tanto óbvio dizer que não é possível ser exclusivo a não ser que você trancafie a pessoa num sótão e não permita à ela nenhum acesso com mais nada o resto da vida dela – e isso é um tanto exagerado sabe? Daí que é necessário aprender a redefinir os critérios que usamos para entender que somos amados. O desejo de ser exclusivo é um desses critérios, obviamente, ao mexer nesse critério vão aparecer alguns medos (o mais óbvio: como sei que serei amado se não for exclusivamente?) o trabalho terapêutico vai auxiliar a pessoa nas duas frentes: estabelecer critérios mais reais e lidar com os medos. Afinal de contas: é possível que quem nos ama goste de outras coisas e pessoas; o fato de estar conosco não implica exclusividade, mas sim escolha.

Abraço

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Minha resistência
20/06/2012

– Pois é Akim, mas sabe o que é? Quando eu vou começar já vem uma voz na minha cabeça que me desanima.

– Hum, e o que essa voz diz?

– Sei lá, fala que não vai dar certo, que é melhor nem tentar.

– E você o que faz?

– Não faço!

– E depois de um tempinho que você não fez, como se sente?

– Muito mal.

– E daí você acaba dando razão àquela voz não é?

– É. Tipo não faço porque me acho idiota, mas daí depois de um tempo me acho idiota por que não fiz.

– Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais é?

– (risos) Algo assim.

– Pois é, você gosta de alimentar essa voz não é?

– Como assim?

– Ora se você me diz que num primeiro momento você não faz porque se sente idiota e que num segundo momento você se sente idiota por não ter feito você está, com os teus atos, alimentando essa voz, porque nos final você mesma se acha idiota não é?

– Hum, faz sentido.

– Como seria se você alimentasse aquela outra você que você me contou que é fraquinha, mas que existe e te empolga.

– Acho que seria melhor né?

– Eu também acho

– Mas como faço isso?

– Te comporte de acordo com o que você crê que deve se comportar. Aprenda a valorizar suas conquistas, por menores que sejam se dizendo: “consegui isso, com o meu esforço”. Como te parece?

– Pode funcionar.

– Excelente, isso é o primeiro passo, que tal você experimentar e nos falarmos semana que vem sobre algumas coisas que você fez?

– Acho que pode ser também!

– Perfeito!

Muitas vezes não percebemos que nossos próprios comportamentos validam uma imagem negativa que temos de nós mesmos. É como se – ao nos comportarmos – alimentássemos uma ideia sobre quem somos. Podemos nos comportar de acordo com o que acreditamos que é bom para nós ou ao contrário e, com isso, compreender que somos pessoas de boa índole ou que somos pessoas “más”.

Uma vez ouvi de um poeta que o importante na vida é nunca perdermos a capacidade de nos surpreender com nós mesmos. Ao nos surpreendermos a pergunta: “quem sou” fica em aberto. Por exemplo, se me compreendo como um capacho dos outros, uma pessoa que sempre diz amem para tudo o que me dizem e que é sempre humilhada eu me surpreendo quando coloco um limite adequado em alguém ou quando mostro minha insatisfação ou quando nego agir de determinada forma para manter a minha integridade. É no momento em que a pergunta se abre que podemos escrever novas respostas. Estas novas respostas vão, aos poucos, criando uma nova forma de nos encararmos, uma nova resposta para a pergunta “quem sou”.

Que noção de “eu” você tem alimentado com seus atos? Que comportamento poderia te ajudar a se surpreender com você mesmo?

Abraço

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Máscaras
18/06/2012

– E eu acabo não falando o que eu quero.

– Sim. Porque você não fala?

– Ah sei lá. Se eu falar eu acho que ele vai ficar brabo sabe?

– Sim. Mas, o que você precisa fazer para não mostrar a sua raiva?

– Nem sei, é bem… eu acabo sendo gentil sabe?

– Sim, exatamente. E o que esse “ser gentil” não mostra sobre você?

– Que eu fiquei magoado com o que ele falou.

– Perfeito, agora pense: como fica o relacionamento sem essa informação importante?

– É… fica complicado porque ele vai continuar fazendo aquilo.

– Exato e você sendo gentil. Sabe, eu entendo a sua intenção, no entanto, este comportamento não está te guiando para deixar a relação “melhor”. Pelo contrário está fazendo com que uma pessoa muito importante se manifeste.

– Eu né?

– Exatamente, você mesmo. Toda a sua gentileza “mascara” a sua indignação com relação à algumas formas dele te tratar.

– Não posso mais ficar me escondendo né?

– Poder você pode, mas o que você quer fazer de verdade?

– Preciso, Akim, me mostrar.

– Muito bom!

Não expressar o que gostamos e o que não gostamos dentro de uma relação gera, à longo prazo, um efeito complicado de lidar na prática. É quando passamos uma imagem de nós que não tem a ver com quem somos de fato.De um lado temos a pessoa que “mascara”. Esta sabe o que está acontecendo dentro dela, mas não mostra. De outro temos a pessoa que não sabe o que está ocorrendo dentro da outra e apenas consegue perceber o comportamento dela.

Quem mascara comete falta dupla: contra si ao não tomar conta do que é importante para si, contra o outro por deixá-lo na ilusão de que sabe com quem está se relacionando. A ilusão priva o companheiro de saber quem é você e, ao longo do tempo, você mesmo se priva de você pois ao não exercitar o seu desejo tudo dentro de si começa a ficar insosso, sem vida, sem empolgação.

Quem está “de fora” apenas percebe o comportamento e associa isso à personalidade da pessoa. Ao longo do tempo começa a achar estranho alguns “rompantes” que o outro tem “por nada”. Compreende, então, que existe “algo errado” ali, algo que ele não conhece, de fato. No entanto, estranho é conviver com um outro o qual não conhecemos e que deveríamos por termos nos escolhido mutuamente.

Quem mascara muitas vezes sente medo de fazê-lo. É o momento de se perguntar se os motivos que o levaram a aprender a se mascarar são ainda presentes ou se são apenas os “fantasmas do passado” assombrando o presente.

Quem está “de fora” muitas vezes ou não liga ou tem comportamentos que ajudam a pessoa a se fechar. Talvez seja a hora de aprender a ouvir e lidar com frustrações e críticas vindas do outro.

Dicas superficiais, porém se casam com você, porque não experimentar? Para quem as dicas não se ajustam, entre em contato comigo.

Abraço

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O tamanho do problema
15/06/2012

– Aí eu me sinto pequena sabe? Eu olho para tudo aquilo e de repente tem um monstro na minha frente!

– Entendo. E aí, o que você faz?

– Eu sei lá! Fico com medo né? Paralisada.

– Paralisada, é isso mesmo. É assim que te percebo, tu cria o objetivo, mas daí olha para “o monstro” e daí fica com medo de realizar ele.

– É isso mesmo.

– Ótimo, quero que você faça o seguinte então: quero que você se afaste do monstro até conseguir ver ele de uma distância na qual você possa ver as partes dele.

– Ok e agora?

– Agora separe as partes do monstro e coloque elas numa seqüência até você transformar o monstro em algo que você consiga fazer.

– Tipo separar algo para fazer hoje e depois amanhã e assim por diante?

– Isso, e manter essa organização fixa na sua mente, para você transformar o monstro num plano.

– Ok, consegui.

– Ótimo, olhe para o “monstro” agora, como ficou?

– Hum, agora dá vontade de fazer (risos)

– Excelente! Mãos à obra então não é?

– É!!

Muitos problemas nos parecem grandes quando olhamos para ele como um todo.

É uma forma de ver a situação: pegamos todos os passos para a resolução do problema e olhamos para esse conjunto todo de uma só vez entendendo como se ele tivesse que ser resolvido todo de uma vez só. Geralmente isso cria uma ansiedade enorme.

Dar um passo para trás e ver que esse todo é um todo e que pode ser dividido em partes facilita muito a vida e tranquiliza as emoções. Todo problema grande precisa ser organizado em hierarquias para poder ser resolvido. É como fazer uma casa, por exemplo, não adianta nada se preocupar com a cor dos móveis da sala se, antes, não temos os fundamentos para colocar a casa pra cima. Primeiro os fundamentos, depois as paredes e assim vai.

A ideia é criar um problema que seja possível de ser resolvido no tempo ao invés de criarmos “monstros” para nós mesmos.

Abraço

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Limites II
13/06/2012

– E daí, você foi falar com ela?

– Fui sim. Fui fazer o que eu tinha que fazer: ela me ligou e começou com o mesmo papo.

– E você?

– Eu falei para ela: eu preciso te fazer uma pergunta, você vai ou não vai voltar ao trabalho? Daí ela ficou se enrolando e eu respondi: “eu não entendi”, preciso de uma resposta direta: sim ou não?

– Muito bem, o que ela respondeu?

– Eu precisei fazer isso mais umas duas eu três vezes até que ela, finalmente disse que não ia mais.

– Muito bem, é isso aí. E como você está se sentindo?

– Bem e mal (risos) bem porque agora eu sei que ela não vem mais e mal porque vou ter que arranjar outra pessoa para colocar no lugar dela agora.

– Mas pelo menos você já sabe o que tem que fazer não é? E não está mais remoendo o remoído dentro da tua cabeça não é mesmo?

– Isso sim e nem culpando mais ela pelo jeito dela de falar. Mas que é um saco lidar com gente assim é.

– (Risos) Ah sim, com certeza. Agora o pior é deixar a pessoa fazer isso contigo não é mesmo?

– É verdade.

Continuando com o tema dos limites a próxima sessão com o cliente mostrou que ele reorganizou as suas prioridades.

Quando ele colocou: “saber se essa pessoa vai ou não continuar trabalhando comigo” como uma pergunta que ele precisava responder acima de todas as coisas e não se permitir (limite) sair sem resposta, teve os comportamentos adequados para lidar com a pessoa e com a situação. Conseguindo a resposta se acalmou e ficou “tranquilo” em relação ao limite que havia dado.

É importante perceber esse posicionamento dele. O limite inicial foi para ele, criado a partir das necessidades dele e, então, colocadas no comportamento que ele precisava ter em uma dada situação. Não tem nada a ver com o comportamento do outro, mas sim no como reagimos frente à esse comportamento para atingirmos algo que queremos.

Abraço

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Limites
11/06/2012

– Daí ela me ligou e foi falando que não poderia ir no compromisso que tínhamos marcado e que depois ligava.

– E você?

– Pois é, eu fiquei meio confuso, e sem saber o que fazer. Porque ela estava fazendo aquilo?

– Você perguntou?

– Não, não perguntei. Ela deveria ter falado de outra forma sabe?

– Claro que sei. No entanto, ela não falou. E a questão de fato é: como você reagiu?

– Bom eu ouvi ela e acabei ficando quieto.

– E ficou, melhor, está com a dúvida do porque ela fez isso aí dentro te consumindo não é?

– É

– Pois é… o que faltou?

– Ela falar diferente?

– Não.

– Ela ser mais compreensiva comigo?

– Não. Foco! O que no SEU comportamento faltou?

– Hum… (pensativo) Faltou eu perguntar diretamente o que eu precisava saber?

– Muito bem. E com isso poder falar de fato com ela.

– É… verdade. Eu queria que ela tivesse essa atitude, mas não dá para esperar isso de todo mundo não é?

– Não, não dá. Quando você precisa colocar um limite, você precisa colocar um limite.

– Entendi…

 

Limites. Geralmente as pessoas se preocupam em como dar os limites aos outros.

Embora isso seja importante, também o é saber dar limites à si, por exemplo: “não me permite agir de uma forma que fere a minha auto-estima”, isso é um “auto-limite” e é tão – ou mais – necessário do que o “limite para o outro”.

A questão é que quando o “auto-limite” está bem alicerçado o limite para o outro se torna simples e não trabalhoso. Às vezes a pessoa precisa aprender a adequar um pouco mais a forma de dar o limite ao outro, mas fica muito mais simples.

Problemas surgem quando as prioridades que criam os nossos limites não estão muito claras para nós mesmos. Daí agimos de uma forma “quebrada” um dia nos damos limite, outro dia não. Enquanto essa atitude se mantém ficamos à mercê das circunstâncias, com uma autonomia e responsabilidade reduzidas sobre nosso comportamento e acabamos – como no caso acima – projetando nos outros ou no mundo essa responsabilidade.

Assim o primeiro passo para “dar limites” é “ter os limites” estabelecidos dentro de você mesmo. Quais são as atitudes que você permite que as pessoas tenham com você? Quais as que você deseja que tenham? Como você reage quando as pessoas tem essas atitudes e quando elas não tem essas atitudes?Você sinaliza isso claramente ou simplesmente “deixa passar para não criar caso”?

A resposta para essas perguntas vai ajudar você a clarear a forma pela qual você dá os limites à si e – por conseqüência – aos outros.

Abraço

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Simplificar
08/06/2012

– Aí eu fico sem saber o que fazer. Porque eu penso nessas novas propostas e não sei para onde que eu quero ir. Fico pensando em como cada uma delas ser boa ou má, como cada uma vai ter as repercussões e daí fico pensando em como eu poderia solucionar as repercussões, mas daí também penso que não sei de verdade como é dentro de cada uma destas novas empresas e fico meio insegura de pensar que eu poderia estar fazendo algo lá dentro porque eu não sei se vou poder de verdade entende?

– Sim.

– E daí que eu começo a entrar em parafuso porque as coisas ficam sem poder ser ditas e eu fico insegura de estar onde estou e começo a ficar meio chateada com o pessoal do meu trabalho e com os supervisores, porque eles não dão uma ajuda para a gente? Ficam lá sabendo que não está nada bem e a gente que se ferre. E isso é uma outra questão minha porque eu sempre penso nisso nessas horas e sabe como é: fico remoendo a situação porque simplesmente não consigo entender…

– Tá bom, deu. Só um pouco. O que você está me dizendo é: você não sabe qual empresa escolher, é isso?

– Sim, é isso e…

– Calma… só um pouquinho. Quais os teus critérios para ver para qual empresa você vai? Você já os tem claros para você?

– Não.

– Ótimo, então em primeiro lugar nós vamos fazer isso ok?

– Tá.

Muitas vezes colocamos vários problemas dentro de um carrinho, sacudimos e ficamos tentando resolver aquela bagunça. Bagunça  que nós mesmos criamos.

Simplificar é, muitas vezes, a palavra de ordem. Ir na questão mais simples, mais dedutível da questão e resolver “apenas” aquele ponto.

Com essa cliente, por exemplo, ela ficou durante um tempo pensando no que era importante para ela num emprego, listou, priorizou as escolhas em primeiro, segundo e terceiro lugar e depois olhou para as opções escolhendo a mais adequada. Pronto, todo aquele bafafá foi embora, sumiu e nem dos supervisores ela estava mais precisando falar.

Simplifique, porque complicar?

Abraço

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