Archive for maio \30\UTC 2012

Diz que me disse
30/05/2012

– Daí meu irmão falou que não vai me ajudar com a mãe, isso me dá uma raiva.

– Hum… sei, dá mesmo. Mas me conte, você ouviu isso dele?

– Na verdade não, foi a mulher que cuida da minha mãe que disse que ele disse.

– Interessante, porque as poucas vezes que você me disse que você pediu diretamente para ele, ele sempre ajudou não é?

– É.

– Não seria o caso de você checar com ele antes de já ficar braba com ele e ficar usando a sua sessão aqui comigo “refletindo” sobre algo que alguém lhe disse que o outro disse?

– Acho que sim né?

– É, pode ligar para ele aqui mesmo se quiser.

Muitas vezes precisamos checar as informações que recebemos antes de ficar brabos com as pessoas que supostamente “disseram aquilo”. Em terapia é importante o terapeuta ajudar o cliente a quebrar o ciclo da fofoca. Existem famílias que comunicam-se quase que exclusivamente por fofoca. É um tal de disse que me disse que torna qualquer comunicação real quase impossível.

E o pior: a pessoa passa dias se consumido por causa de uma informação que nem sabe se é real. E começa a fazer conjecturas sobre o porque do porque do porque a pessoa que “disse”, disse aquilo de fato. Criam-se verdadeiros monstros dessa forma, tomem cuidado com isso!

Abraço

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Necessidade de realidade
28/05/2012

– Pois é, então é isso, eu já pensei em tudo.

– Ótimo, então quer dizer que você já sabe de tudo o que eu estou falando não é?

– É.

– Que não estou trazendo nenhuma novidade certo?

– Certo.

– Ótimo, então me diga, o que você poderia fazer agora?

– Agora?

– É, se você não estivesse aqui na sessão, onde poderia estar e fazendo o que?

– Hum… poderia estar indo em uma das palestras que sei que está tendo lá no instituto que vou e poderia fazer algumas perguntas inteligentes, ouvir as pessoas e fazer algumas amizades.

– Ótimo, então vá lá agora!

– Agora? Agora?

– (Abrindo a porta) Sim, vá lá agora e me ligue depois para contar o que aconteceu, vá para o mundo! Váaa e seja felizzzz!

Terapia não é feita para um eternos refletir. Refletir é bom, eu particularmente adoro. No entanto, é quando a pessoa aplica aquilo que podemos fazer novas reflexões! O real, o agir são partes do processo terapêutico, sem um novo agir, um novo perceber não vai haver um novo sentir. E sem isso não há mudança, não há insight. Por isso ocasionalmente, dou à meus clientes uma idéia: faça, não pense, você já pensou comigo muito sobre isso, agora é hora de agir!

Esta menina adorou a palestra – ela conseguiu pegar em tempo ainda – e me contou que fez alguns contatos que mais tarde enviaram clientes para ela e que se tornaram amigas de grupos de estudos. Uma nova experiência para ela, novas reflexões sobre sua vida, novos rumos, novo sentir, novo viver!

Pensou bem? Então AJA!

Abraços

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O tempo e eu
25/05/2012

– Pois é Akim, estou desanimada com isto tudo que te contei.

– Ótimo!

– “Ótimo”, como assim? Te digo que perdi minha fé nas coisas, perdi a esperança que vai dar tudo certo e você me diz “ótimo”?

– É bem isso. Durante toda sua vida você sempre teve essa fé de que “as coisas” dariam certo. Bem, o que “as coisas” fizeram por você?

– Não muita coisa.

– Exato. Quem sabe não é mesmo de perder fé e motivação em uma crença como essa? Olhe bem: você sempre esperou que tudo fosse ficar bem, mas nunca se colocou para fazer alguma coisa dar certo ou ficar bem. Daí que a crença perdeu força, ainda bem!

– Isso tem a ver com quando eu falo que não me sinto no controle de minha vida?

– Certamente. Você não se coloca mesmo nesse controle. Fica à parte esperando as coisas fazerem isso por você. Perder fé nisso é um bom negócio.

– (risos) E no que tenho que colocar fé?

– No que você acha?

– Em mim?

– Que tal lhe parece? Colocar fé que você pode resolver seus problemas sozinha, aprender, desenvolver-se e controlar a sua vida.

– Parece interessante.

– Continue com o desinteresse então!

– (Risos) Entendi.

“Sorte é uma questão de talento” (Martin Scorcese), “Nenhum vencedor acredita no acaso” (F. Nietszche).

Muitas vezes queremos que tudo dê certo. Até aí ótimo. No entanto, enquanto “dar certo” depende de nós temos que agir também.

Quanto mais o tempo de nossa vida passa, mais percebemos isso. Ou nos movemos em direção à algo ou isso nunca irá vir até nós.

Possuir fé na nossa capacidade de aprender, de nos desenvolvermos é a base da auto-confiança. Ver nossos progressos passados, nos prepararmos para os futuros e irmos buscando nossa evolução.

O tempo que passa não volta atrás. Embora isso possa criar angústia num primeiro momento, deve, na verdade servir de impulso para a motivação. É como se a vida fosse uma grande festa com hora para acabar. Ninguém sabe ao certo que horas vai terminar, mas vai. Assim tudo o que podemos fazer é aproveitar a festa do nosso jeito, com coisas que nos fazem bem. E, para isso, temos que correr atrás.

Até onde eu vou?
23/05/2012

– Pois é Akim, agora eu consegui e fiz o que eu deveria ter feito.

– Ótimo, muito bom, é isso aí mesmo. Não doeu né?

– Não (risos) mas foi difícil.

– Bom, isso pode até ter sido, mas tu conseguiu não é?

– É sim!

– Ótimo, agora é que vem o verdadeiro desafio meu caro. Agora é manter essas mudanças para que se tornem um hábito em ti.

– Sei, eu também estava pensando nisso, agora eu tenho que continuar fazendo isso né?

– Sim, você já fez a mudança, agora tens que perpetuá-la no tempo.

– É, agora tenho que me policiar para manter o que preciso fazer.

– Isso aí! Tem algo que você acha que pode atravancar o seu processo agora?

– Eu acho que tem umas situações que são mais difíceis.

– Perfeito, como você já sabe o que tem que fazer apenas reflita: o que mais você tem que aprender para conseguir fazer o que tem que fazer nessa situação específica?

– Ok

Mudar é algo rápido. Questão de segundos, minutos fazem uma mudança. Hábito é algo diferente, precisa de mais tempo para ocorrer. Tempo e determinação. A pessoa deve fazer, fazer e fazer novamente. Quando digo “fazer” me refiro ao comportamento observável, estado emocional, pensamento, tudo que deve estar alinhado para que a pessoa consiga realizar novamente o comportamento. É algo que vai além de um treino de comportamento, é um treino de atitude física, psicológica e emocional.

Porque treino? Porque já se sabe o que tem que fazer, o conceito já está entendido, daí que o que resta é a prática. É alinhar, pensamentos, sentimentos e comportamentos; alinhar a identidade, crenças, recursos, comportamentos nos ambientes que a pessoa vive e enfrenta seus problemas. Todo esse processo resume-se em duas palavras: integridade e coerência. Ser íntegro é agir, pensar e sentir em uma só direção, estar coerente é fazer o que você prega.

E você? Quais os comportamentos que você sabe que tem que fazer, que talvez até já tenha tido, mas que deixou parar no tempo?

Mantenha-se firme em suas convicções, integridade, no final é o mais importante.

Abraço

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Criando problemas
21/05/2012

– É bem isso mesmo…

– Ótimo.

– Mas… sabe porque eu não faço isso?

– Não.

– E se não der certo depois? E se eu fizer e me arrepender?

– Hum, entendi. Você tem medo de que essa nova atitude não dê certo ou que você se arrependa dela não é?

– Sim, isso mesmo.

– Pois é, agora imagine você no futuro sem tomar esta atitude que você julga hoje, ser o que tem que fazer, como você se sente?

– Arrependida de não ter tentado.

– Pois é, arrependida você já está. A “coisa” já não está dando certo de modo que se isso ocorrer, na verdade não muda muita coisa. Só que você terá errado de uma forma diferente, o que já é um aprendizado.

– Ai meu Deus…

– É, bem ele mesmo. Você está agora, criando um problema pra ti, ele não existe, então simplifique tua vida tá?

– Ok, vou tentar…

Muitas vezes achamos a solução para um de nossos problemas, no entanto, hesitamos em tentar. Nessa hesitação precisamos criar alguma história para nós mesmos para justificar nossa hesitação. Aí começamos a criar problemas.

Não saber não implica em não tentar ou não poder aprender. Portanto estas respostas não são válidas como argumentos para postergar uma tomada de atitude.

Erros todos cometemos, no entanto, errando também se aprende. Uma vez tomada uma decisão errada nunca mais a tomamos novamente quando nos permitimos verificar que ela era errada mesmo.

Algumas vezes devemos refletir, outras vezes devemos sentir a situação em outra o que precisamos é simplesmente agir.

Abraço

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Raiva
16/05/2012

– Daí eu fico pensando na situação sabe e me dá uma vontade de matar ela!

– Sei, fica com raiva né?

– É mais que raiva, é fúria sabe? Me dá até medo às vezes. Só que eu não bato nem nada… fico quieto e vou minando a relação.

– Ah é?

– É. Andei pensando nisso essa semana e é bem assim  que eu ajo. Eu não enfrento, eu fujo sabe? Fujo e depois fico de tocaia só esperando para dar o bote.

– Que interessante hein?

– É… muiiito, mas é uma droga também.

– Com certeza. Me conte assim: o que você poderia fazer ou teria que aprender a fazer para reagir diferente numa situação como esssa e não precisar fugir para ficar de tocaia depois?

– Boa pergunta, porque é um inferno isso. Eu não gosto de ficar de tocaia depois… Me faz mal.

– Sim, sim. Para ficar de tocaia o tempo todo tens que ficar com aquela raiva o tempo todo né?

– É.

– Então, o que tens que fazer de diferente?

– Ah Akim… eu acho que eu tenho que falar as coisas na hora sabe? Tipo ao invés de fugir da discussão ou do problema falar logo. Se eu fizesse isso – e eu já fiz algumas vezes – eu não ia ficar pensando depois.

– Perfeito, e acho que tem mais alguma coisa não tem?

– Ah… tem sim. Aguentar ficar lá depois de falar (risos) você sabe que eu tenho dificuldade com isso não sabe?

– Sei sim, mas é bem esse o seu aprendizado: aprender a se defender dessas situações que te dão medo de enfrentar. Se você fizer isso, vai ver como essa fúria assassina vai sumir (risos)

– (risos) É verdade, some sim porque eu já fiz isso uma vez ou outra.

– Perfeito, vamos imaginar algumas situações em que você precisa se defender ok? Prática é fundamental agora!

– Vamos lá!

Toda raiva tem, por debaixo dela um medo. A expressão da raiva ou tende a destruir o objeto que a causou ou a fugir dele, é uma atitude de defesa, se precisamos nos defender é de algo que nos atormenta. Pessoas muito raivosas geralmente são pessoas medrosas por dentro, que não sabem se defender adequadamente.

Daí que para lidar com a raiva é importante nos perguntarmos qual o medo que eu tenho e ao qual estou reagindo? Quanto mais isso se ficar claro, mais você poderá ver o que tem que fazer para se defender adequadamente da situação, dispersando, assim, a raiva.

É só pensar em situações que lhe davam raiva antes e que hoje não dão mais. O que mudou? A sua reação. Sempre que aprendemos a nos defender a raiva se evapora, enquanto não aprendemos ela fica lá. Ela é um sinal, sinal de que você precisa aprender a se defender adequadamente em uma determinada situação.

Em qual situação você tem sentido raiva? Como você pode se defender dessa situação de uma forma adequada?

Abraço

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Quem manda?
14/05/2012

– Pois é… não sei direito o que acontece… eu quero sempre saber o que ele está fazendo sabe?

– Sei sim. Pra que você precisa saber disso o tempo todo?

– Ah Akim, não sei direito. Acho que… sei lá… para…

– O que acontece se você não souber?

– Ahh… ai eu fico doida (risos). Fico imaginando se ele não tá saindo com alguém ou indo em algum lugar que não está me contando.

– E você acha que se você ficar controlando isso não vai acontecer, é isso?

– É… de certa forma acho que sim… mas agora que você falou… ai que medo… ele pode né? Fazer coisa errada mesmo eu controlando não pode?

– Pode. Pode fazer “coisa errada”, “coisa certa”… na verdade, me parece que ele pode viver a vida dele não é isso?

– É…

– Embora possa te parecer estranho o que eu vou dizer, ele é um ser humano e viveu a vida dele muito bem antes de você aparecer. Ele não te pertence minha cara… Ele é ele.

– Eu sabia que você ia dizer isso… eu tenho muito medo disso sabe? Eu até sei, mas acho que não queria saber. Eu acho que preciso que ele me obedeça para eu ter certeza que ele vai ficar comigo, vai me amar sabe?

– Claro que sei. Mas eu me pergunto: será que não existe uma forma mais tranquila e saudável para você viver sua relação e o seu amor? Comandar o tempo todo e controlar o tempo todo é muito cansativo não acha?

– (risos) Sim, acho sim. Ai… é difícil, pensar nisso dá um medo.

– Vamos começar a trabalhar com seus medos então. Pelo que você me conta você é uma pessoa muito bacana, não acho que você merece um relacionamento de tensão ininterrupta para saber se teu namorado está ou não te traindo, acho que você merece se sentir segura, se entregar e viver algo pleno, você não acha?

– Acho!

Talvez uma das tarefas mais difíceis numa relação seja aceitar que o outro é o outro e que, por essa razão, ele é “incerto”. Não sabemos o que vai vir da pessoa que está com a gente – nem sabemos o que vai vir de nós com muita certeza.

Geralmente tendemos a negar isso e começamos com o desejo de ou controlar o outro querendo mudá-lo ou então agradá-lo ao máximo para garantir que ele não irá fugir. Essas formas de agir ao invés de aliviar a tensão apenas a mantém ou até aumentam-na.

Aceitar a “incerteza” do outro e, portanto, da relação é o que realmente pode nos trazer alívio. Aceitar, no entanto, implica em aceitar completamente. E isso envolve aproveitar a relação enquanto é, como é. É como ir à uma festa. Toda festa, por definição é algo indefinido, nunca sabemos como vai ser, no entanto, nos entregamos à ela e buscamos a diversão nela, procuramos nos extasiar com o que acontece nela, “nos apaixonar” pelo evento. Ou sair logo quando vemos que não é algo que queremos. Nunca tentamos “mudar a festa” sempre a aceitamos.
Aceitar que o outro é o outro envolve respeito por quem ele é e qual relação vai para frente sem respeito? Aceitar também implica em apreciar o outro tal como é? Apreciar não é algo importante? Finalmente, aceitar o outro nos permite nos aceitar também e largar mão do controle da festa para poder aproveitar a festa. Que relação vai pra frente quando não é aproveitada?

Aproveite!

Abraços

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Estressado, eu?
11/05/2012

– Hum, você parece estar passando por um bom período de estresse não é?

– Estresse? Não, não. Eu estou cansado e essa campanha está puxando a gente um monte, mas não estou estressado não.

– Ah é? Hum, o que é estresse para você?

– Ah… estresse é quando a gente fica brigando com todo mundo, irritado não é isso?

– Não é beeem assim não…

“Estresse” hoje tem o significado de “raiva” ou “irritação”. Falamos: “Beltrano é muito estressado” porque é uma pessoa briguenta, ou raivosa. Equívoco, irritação é uma característica do estresse e, geralmente, quando ocorre é porque a pessoa já estava sob estresse à muito tempo.

Estresse tem a ver com situações de tensão. Situações que exijam mais da gente. Daí que, por exemplo, ter filhos ou uma preparar uma festa de aniversário – situações “positivas” – também são estressantes.

No exemplo acima, a empresa estava numa campanha e o cliente estava dormindo menos, se alimentando com mais gorduras e carboidratos, muito mais atento que o normal e dando um “gás” fenomenal. Isso são os hormônios do estresse agindo e nos fazendo mais rápidos, mais atentos, mais espertos até. Conhece aquela pessoa que gosta de ser pressionada? Ela adora o efeito dos hormônios do estresse nela. Esta é a primeira fase do estresse. É normal, esperada e nosso organismo está preparado para ela.

O problema é quando esta situações se mantém ou se agrava ou a pessoa sai de uma situação como essa e cai na próxima e depois em mais outra. Problema porque? Porque os hormônios são produzidos pelo organismo e essa produção exige o sacrifício de elementos do nosso organismo que não podem ser sacrificados durante muito tempo. O preço de se manter o estresse por muito tempo é que começamos a sacrificar o nosso próprio organismo para manter os hormônios em funcionamento em um determinado momento o organismo começa a ceder. Não só fisicamente, mas também emocionalmente. Nesse momento é que começa a irritação e as brigas.

Toda vez que você está numa situação que, de alguma forma, é uma pressão – mesmo que leve – saiba que você, muito provavelmente, está usando do estresse para passar por ela. Se você faz isso muito, aprenda a como dar à você mesmo momentos de recuperação. O estresse é muito bom, é uma resposta que temos para os desafios da vida, no entanto, usar ele demais pode nos prejudicar.

Não sinto nada
10/05/2012

– E aí foi isso, minha filha me visitou, depois de todo esse tempo e eu, simplesmente, não senti nada.

– Entendi… você já me contou que isso aconteceu outras vezes em outas situações não é?

– É.

– É como se você sentisse uma “indiferença” à essas situações?

– É… é bem isso. Estranho, mas é isso.

– Indiferença é uma emoção.

– Ã?

– É… é isso mesmo. Quando alguém é “indiferente” com você, você não sente?

– Sinto, é horrível.

– Pois é, indiferença é uma emoção. É uma forma de reagir afetivamente à alguma situação. Nos sentimos indiferentes, como se aquilo não pudesse nos atingir, nos afetar, não é isso?

– É!

– Pois bem, e o que aconteceria se isso te afetasse?

– Hum… acho que entendi…

– O que você entendeu?

– Sempre tive que ser forte sabe? E acho que, de alguma forma, ao longo dos anos ser forte se tornou ser indiferente. Sempre penso nas coisas como “é apenas mais uma coisa”… Mas é duro isso, porque parece que tudo meio que perde o sentido sabe?

– Sei. Sei bem como é.

– Porque se tudo “é apenas mais uma coisa” para que ligar ou me importar?

– Pois é. O que acontece se você liga ou se importa?

– Parece que eu fico mais fraca.

– Claro. Ser forte significava não sentir, se você sentir você é fraca. No entanto se você for “forte” a vida perde o sentido, ao passo que se for “fraca” a vida ganha sentido. Me diga será que não é o momento de você repensar o que é ser forte ou ser fraco? Ou quem sabe perguntar-se se forte e fraco se aplica à sua vida nesse momento?

– É… preciso mesmo… Sabe Akim, eu simplesmente não sei o que fazer se eu tiver uma perda, ou se eu estiver indo num caminho errado. Por isso nem quero pensar sobre sabe?

– Pensar não… sentir. Não é?

– É.

– Muito bem, agora você me deu a deixa que eu precisava. Está claro o que você tem que começar a aprender para “ser forte” de uma outra maneira: aprender o que fazer se tiver uma perda ou perceber que não está no caminho certo.

– Hum… é… verdade, nunca tinha pensado nisso.

– Ótimo, vamos pensar juntos então?

– Vamos!

“Não sentir” e “sentir indiferença” são duas sensações radicalmente diferentes.

“Não sentir” é algo que muito dificilmente sentimos. Quando uma situação não nos provoca uma reação emocional é porque ela é tão cotidiana que não precisamos de emoções para vivê-la, daí que não nos angustia.

Indiferença é uma emoção que, geralmente, está ligada à nos proteger de algum situação com a qual não sabemos como lidar, como resolver. Daí que quando sentimos indiferença rapidamente notamos porque ela é uma reação afetiva à uma situação. Diferente de “não sentir”, “sentir indiferença” é algo que de certa forma nos causa uma certa angustia.

Porque causa angústia?

A indiferença é uma emoção útil e adequada quando estamos numa situação em que o que ocorre não nos diz nada ou não nos toca de fato. Ou seja, realmente somos indiferentes à situação. Numa situação como essa a indiferença aparece e não nos angustia.

No entanto, aprendemos a ser indiferentes com situações que nos tocam, que dizem alguma coisa para nós e que não sabemos como lidar de uma forma adequada. Famílias que tiveram seus entes queridos perdidos durante uma guerra, por vezes geram um sentimento de indiferença para lidar com a dor e a dúvida de se o ente está vivo ou morto e se tornarão à vê-lo um dia. Num caso como este a indiferença está para proteger a pessoa das suas dúvidas, angústias e medos sobre o ente perdido. Embora proteja ela não é tão adequada pois está mascarando perguntas que precisam de respostas mais adequadas de um entendimento mais útil e que não seja facilmente projetado para as outras áreas da vida da pessoa – por exemplo, um filho que resolve se mudar ou ir estudar em outra cidade também pode sofrer da mesma indiferença.

Para a indiferença que angustia temos que nos perguntar: o que esta indiferença está protegendo? Que outras respostas posso dar para lidar melhor com essas questões?

Abraço

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Liberdade de pensamento
09/05/2012

– Pois é Akim, mas sabe o que é? Eu sempre agi dessa forma, sempre deu certo por isso é tão difícil me livrar disso.

– Eu sei, com certeza. Agora o ponto é que você já percebeu que esse jeito não funciona mais, algumas coisas mudaram ao longo dos anos não é mesmo?

– Sim.

– Será que não está na hora de conclusões novas e mais adaptadas ao presente?

– É, acho que sim.

Liberdade de pensamento não significa liberdade para escolher uma ou outra linha de pensamento.

Liberdade de pensamento significa ser livre para exercitar o pensamento, mesmo que isso destrua suas antigas conclusões e convicções. A pessoa que tem a mente realmente livre não se apega às suas conclusões se elas se mostram insuficientes, ela simplesmente aprende a pensar algo maior, mais amplo, mais rico e chega à novas conclusões, novas idéias, novos comportamentos e, finalmente, à uma nova experiência em sua vida.

Quais são as idéias às quais você se apega? Como seria sua vida se você questionasse essas idéias?

Abraço

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