Archive for janeiro \30\UTC 2012

“Não sei”
30/01/2012

– Como seria se você tivesse esse novo comportamento?

– Não sei.

– Hum e como você sabe que não sabe?

– Hum… não sei  também.

– Então preste atenção, o que não está acontecendo dentro de você quando você se imagina com o novo comportamento?

– Na verdade eu não consigo me imaginar tendo ele.

– Ok!

 

Sempre que falamos “não sei” estamos nos referindo à uma experiência que se opõe à experiência do “sei”.

Quando dizemos: “Sei”, dizemos porque dentro de nós temos a experiência de “saber”. Quando não temos essa experiência dizemos: “não sei”. O importante é buscar compreender o que está faltando na sua experiência de “não sei” para buscar as respostas e torná-la um “sei”.
No caso acima, por exemplo, a pessoa conseguia imaginar o comportamento e como ele seria bom, só não conseguia “se ver” tendo o comportamento. O trabalho passou então a ensiná-lo a como se ver tendo aquele comportamento. Com isso, rapidamente ele pode “saber” o que mudaria na vida dele!

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Essa tal “liberdade”
23/01/2012

– Mas então eu acho que não vai rolar

– O que te faz crer nisso?

– Ah, é assim: eu até curto estar com ela e tal, mas sei lá não quero ficar preso sabe?

– Sim, sim, você preza a sua liberdade não é?

– Isso mesmo!

– Interessante que essa sua liberdade não te permite ficar com quem você quer não é mesmo?

– Ã? Como assim?

 

Liberdade não significa não viver as conseqüências de nossas escolhas e toda escolha tem conseqüências.

Como dizem os existencialistas: somos 100% livres para escolher qual prisão queremos para nós.

Liberdade, neste sentido, quer dizer poder perceber as escolhas que lhe estão disponíveis, as conseqüências dessas escolhas e se perguntar: neste momento, qual destas escolhas eu creio que será a melhor para a minha evolução?

Abraços

Dia dos Pais
20/01/2012

– Meu pai é foda mesmo. Eu peço isso ele me dá aquilo ou nem dá porque não entendeu.

– É… teu pai não é do jeito que você queria que fosse né?

– É, nem de perto.

– Mas imagino que você também não é exatamente do jeito que ele quer não é mesmo?

– Como assim?

– Vocês tem DIFERENÇAS. Você é de um jeito e ele queria que você fosse de outro. Assim como ele é de um jeito e você queria que ele fosse de outro.

– Hum, é verdade.

– Que tal então tentar amar o pai que você tem do jeito que ele e do jeito que dá para amar ao invés de ficarem, tanto você quanto ele brigando pelo que vocês não querem ser?

– Hum… facilita né?´

– É.

Na gestalt terapia eles tem um dizer assim: Eu sou eu e você é você, não vim à este mundo para viver de acordo com as suas expectativas e você não veio à este mundo para viver de acordo com as minhas.

Temos o pai que temos, do jeito que ele é e não do jeito que queremos que fosse.

Se relacionar com a realidade muitas vezes pode ser duro, mas é, com certeza, mais libertador e menos penoso.

As formas do amor (ou fôrmas?)
20/01/2012

– (Ela) Eu me sinto sufocada, ele não me deixa respirar!

– (Ele) Não entendo quando ela fala isso! Eu amo ela, como que poderia fazer isso? Eu acho que você é que é muito fria!

– (Terapeuta para ela) Você é do tipo que gosta de ficar abraçada o tempo todo falando “te amo meu chuchuzinho?”

– (Ela) Não! Nunca fui!

– (Terapeuta para ele) Mas você é não é?

– (Ele) Adoro ficar agarrado com ela.

– (Terapeuta para ambos) Vocês já pensaram que ele pode não ser “grudendo” e ela pode não ser “fria”, mas, simplesmente vocês terem formas muito diferentes de demonstrar afeto? Ele sendo esse chicletes e você mobilizando o casal para as atividades como viajar?

Ambos entreolham-se e começam a sorrir.

 

Quando dizemos; “amor”, “amar” pensamos que todos estão pensando a mesma coisa que nós.

Não é assim!

Cada um ama e é amado de uma forma singular, própria. O chicletinho precisa de abraço, o agitado precisa se movimentar e o intelectual precisa compartilhar suas idéias.

Importante é saber como queremos ser amado e como o nosso parceiro quer ser amado.

Se a forma for parecida, show de bola.

Se a forma for diferente veja o que você pode fazer para dar o amor de uma forma que o outro entenda que está sendo amado e cuidado. Assim como se você também está se sentindo amado e cuidado.

O problema existe quando julgamos o outro pela sua forma de amar ao invés de compreender e ver o quanto ela nos ajuda a sentir ou não amado.

Julgar o seu jeito de amar como o “melhor” é o caminho mais fácil para cair nas “fôrmas do amor”. Fôrma porque não sai nem entra de outra maneira, é rígido e limitado.

Não é uma questão de certo ou errado, é uma questão de formas, ou seriam fôrmas? Você decide!

Compromisso
20/01/2012

– …e por isso que eu te digo que ele não é comprometido comigo.

– Entendi. É, com certeza você tem motivos bem fortes não?

– Com certeza!

– E ele, o que ele pensa sobre esses motivos? Ele também acha que ser desse jeito é ser comprometido?

– Como assim?

 

Quando entramos em uma relação temos uma concepção do que é ser/estar comprometido.

Nada de errado com isso. É o nosso desejo e temos que ir em busca dele.

O problema é quando achamos que o outro tem o mesmo modelo que a gente… sem óbviamente perguntar para ele.

Entender o que significa para a outra pessoa estar/ser comprometido antes de embarcar na relação ajuda a evitar montes de frustrações futuras!

Abraço

Tempo de celebrar
20/01/2012

– Então Akim, hoje quero te falar que estou muito bem!

– Ah é? Que ótimo!

– Sim sim, percebi que estou conseguindo colocar em prática tudo o que conversamos aqui e que aqueles problemas que eu trazia estão bem mais leves para mim.

– Que maravilhoso ouvir isso! E como você está percebendo o seu processo?

– Percebo que eu comecei  a me responsabilizar pela minha mudança e comecei a ver o que eu podia fazer e daí fazia.

– Show de bola!

 

Psicoterapia também tem comemoração.

Enquanto psicólgo o momento que eu mais adoro ver é quando o cliente está precisando menos de terapia porque pode contar mais com ele próprio.

Quem não é psicólgo não sabe a emoção que isso causa.

A maior parte das vezes o que eu ouço é algo parecido com esse diálogo: a pessoa para de responsabilizar a vida e se responsabiliza pela vida.

Certeza da incerteza
20/01/2012

– Eu não sei!!

– E como você sabe que não sabe?

– Se eu soubesse eu poderia me acalmar e pensar direito. Eu olharia para essa situação de uma forma mais objetiva e deixaria de lado o que eu acho que não tem nada a ver com a resolução do problema.

– Porque você não experimenta fazer isso então?

– Fazer o que?

– Procure se acalmar, respire suavemente. Agora olhe para a situação e resolva só o que você precisa, deixe o resto de lado.

– Hum… parece que está ficando mais fácil

 

Pode parecer paradoxal, mas só podemos afirmar que não sabemos de algo quando temos pré-definido o como seria se soubessemos.

Desta forma, mesmo para uma situação na qual você “não sabe” a solução saiba que, por definição ela já está dentro de você.

Aja como se você soubesse como resolver e começe a encarar o problema desta forma.

Abraço

Bola de cristal
20/01/2012

– Eu sei que ele está pensando nisso!

– Mas e como é que você sabe?

– Eu vi nos olhos dele!

– E o que você viu?

– Eu vi que ele está pensando em terminar nossa relação

– Me diga, o que mais os olhos dele podem estar querendo dizer?

– Como assim?

– Ora, é possível, que você esteja certa. Mas como você não perguntou para ele é possível que os olhos dele estejam querendo dizer outra coisa também, ou talvez nem estivessem querendo dizer nada!

 

Muitas vezes acresditamos que temos o poder de ler a mente das pessoas.

Isso é perigoso. Não quero dizer que com tempo e paciência não podemos desenvolver uma alta empatia e initmidade de modo a saber muito sobre a forma do outro pensar.

Mas mesmo com esse trabalho todo é importante sabermos que não lemos a mente dos outros sendo importante sempre perguntar antes de tomar decisões precipitadas.

Além disso um ato pode ter dois significados distintos para duas pessoas.

Abraço

Negociação
20/01/2012

– (homem para mulher) Eu não vou fazer isso

– (mulher para homem) E eu não vou fazer isso que você está querendo

– (terapeuta para ambos) Ok, agora se me permitem: o que vocês PODEM fazer?

 

Em uma negociação é muito simples assumirmos uma postura defensiva e de retaliar todos os desejos do outro.

Nada de bom vem disso, o importante é saber o que pode ser negociado e não o que não pode.

É o que vai poder acontecer que define o rumo de uma relação.

Abraço

Comprometimento
20/01/2012

– Ele não é comprometido comigo!

– Sei, e como você percebe isso?

– Ele não cuida da roupa, ele não compra comida, não faz nada!

– Ele fazia isso antes e agora parou de fazer?

– Ele nunca fez isso

– Me parece que esse é um comprometimento seu e não dele então não é?

 

Cada um compromete-se com o que julga importante.

Em uma relação é importante conhecermos o que o outro julga importante, porque é com isso que ele irá se comprometer.

É possível, obviamente, aprender a dar valor para coisas novas, no entanto isso também só ocorre se for de desejo da pessoa.

Abraço

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